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concerto

Crítica de concerto para o Destak. Julho 2009.

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Concerto
Leonard Cohen «és o nosso homem»
Chama-se Leonard Cohen, inspirou músicos, letristas, poetas e meros apreciadores de música ao longo de várias gerações e esta noite a sua voz única inundou de sorrisos um Pavilhão Atlântico quase lotado. Despediu-se desejando o «mais difícil»: «sejam bondosos».

João Tomé

A voz inimitável, grave como poucas e muito melodiosa. Os poemas inspirados e que tocam as profundezas humanas. A boa música tocada e cantada por uma banda de excepção – que incluiu uma colaboradora em algumas letras, de timbre notável. O senhor Coen, anfitrião da casa que é a sua voz, tornou a noite de 30 de Julho de 2009 especial para os 12 mil espectadores que estiveram no Atlântico.

Dono de um charme que parece em vias de extinção e um à vontade e entrega a cada canção como se fosse a última, Leonard Cohen cantou, tocou, dançou, ajoelhou-se e fez ainda uma oração muito especial. O senhor Cohen, quando canta, fá-lo para cada um de nós. Mesmo num local com tantas pessoas. Em palco, o senhor que criou álbuns como Songs of Love and Hate, Death of a Ladies' Man e I'm Your Man ainda sorriu, agradeceu ao público «demasiado amáveis», alterou a letra de uma canção para colocar a palavra «Lisboa» e ainda fez questão de apresentar a sua banda de amigos (com CV’s incluídos) duas vezes.

Por entre espanhóis, canadianos, holandeses e, claro, muitos portugueses, os seguidores desta espécie de religião Leonard Cohen vibraram mais com três belos momentos em três belas canções. Tower of Song foi o primeiro auge da noite. A mais energética e famosa (até pela cover de Jeff Buckley) canção/hino, Hallelujah, tornou-se no momento mais especial deste concerto de três horas (com um intervalo simpático pelo meio). Memorável e perfeita foi ainda a interpretação de I’m Your Man, durante a qual um convidado da casa Cohen gritou acertadamente: «és o nosso homem».

Para o final difícil era estar-se sentado… tal era a energia e a inspiração que fluía pelo “lar” onde Leonard Cohen nos acolheu – ele no palco, nós, público, nas bancadas. A partir de Hallelujah não faltaram as ovações de pé, interacções alegres com a banda e até flores para o senhor Cohen.
Em alguns seres humanos o talento é como um bom vinho, fica apurado com a idade. Leonard Cohen, canadiano que cumpre em Setembro 75 anos, é o exemplo claro de que a velhice não tem de ser o caminho para a perda de capacidades, mas pode ser o continuar do auge. Esta noite, em Lisboa, viu-se e acima de tudo sentiu-se o auge.

mr. adams goes to maxime

Mini-concerto a 7 de Março de 2008. Parte da reportagem saiu no jornal Destak.





Bryan Adams "a pedido" no Maxime
Um homem louro de baixa estatura e aspecto franzino, com mãos de guitarrista (dedos longos e pulsos fortes), entra num mini-palco com uma viola e uma harmónica. Poderia tratar-se de um qualquer espectáculo a solo e ao vivo num pub da capital portuguesa. Mas não. O músico, letrista e fotógrafo Bryan Adams apresentou assim, a cerca de 350 fãs, convidados e jornalistas três músicas do seu novo álbum, misturadas por entre canções antigas e expressamente pedidas pelos fãs fervorosos e de todas as idades que estiveram no Maxime.
Enquanto começava o mini-concerto acústico e original em plena Praça da Alegria, lá fora começava no centro lisboeta a azáfama da hora de ponta, já que o espectáculo foi à tarde, entre as 17h15 e as 18h - mais uma peculiaridade da iniciativa promovida pela discográfica de Adams e apimentada com as sugestões do rocker canadiano que viveu cinco anos da sua infância perto de Cascais.



Brincalhão e disponível
Com o habitual estilo descontraído e jovem, de quem tem 18 ‘till I die (música pedida pelos fãs e tocada por Adams), o cantor entrou bem-disposto e brincalhão com as habituais calças de ganga e uma sweat shirt preta. “Vocês não vão a bares strip, pois não?” Perguntou aos fãs brincando com a história do Maxime, acrescentando ainda “em Portugal não há bares de strip”.
Com o público entusiasta a menos de um metro de distância, sem barreiras e num pequeno palco com 10 centímetros de altura, Adams confiou na boa vontade e bom senso dos fãs e deu-se bem. Falou um pouco em português, entrou em diálogo com vários membros do público, quase todos eles com máquinas fotográficas cujos flashes disparavam avidamente e perguntou várias vezes: “O que é querem ouvir?” Depois de dezenas de respostas que iam de músicas pouco conhecidas de álbuns de 1983 até ao recente Room Service, Adams ia escolhendo aquilo que conseguia tocar sozinho, com a viola acústica e harmónica. “Não ensaiei nada”, admitiu o cantor da voz roca, que mostrou estar em boa forma e continuar perito em cantar ao vivo. Sempre com uma resposta divertida para os fãs, sugeriu que um deles lhe começasse a fazer a setlist dos concertos e precisou da ajuda de folhas para as músicas do novo álbum.





Público cantor
“Hoje nem preciso de cantar”, brincou o cantor que das 11 músicas tocadas, que passaram pelo mexido Can’t Stop this Thing We Started, pelo inevitável Summer of 69 ou por Heaven, apenas houve duas em que o público não conseguiu acompanhar Adams em todas as partes das letras. Foram tocadas três músicas do novo álbum, duas que ninguém conhecia ainda (o álbum ainda não saiu) e uma, o single, que já a sala tinha ouvido no site oficial.
O músico pediu ainda para não o filmarem. Porquê? “Não quero ir parar ao Youtube”, brincou. No final pediu desculpa pela brevidade da “promo” (concerto de promoção) de 45 minutos, que tinha de terminar à 11.ª canção, e prometeu que volta a Portugal para um concerto em Dezembro.
“Foi uma oportunidade incrível e única de conviver com ele, pedir-lhe músicas e ouvi-lo num registo muito íntimo... só mesmo o BA para alinhar numa coisa destas”, disse Carlos, engenheiro de 33 anos e fã desde 1986.
Já Hélder e Patrícia, irmãos gémeos de 13 anos, tiveram pena de não terem conseguido ver o ídolo de perto. Sorte diferente teve Carla, 27 anos e fã desde os 10, que ficou “a escassos centímetros dele e vibrou quando ele veio tocar coladinho a mim”. O casal Jorge e Ana, com quase 40 anos veio ver “mais um concerto” do ídolo número um de Jorge, desde os anos 80. Um público heterogéneo que contou ainda com os músicos portugueses Tiago Bettencourt (Toranja) e João Pedro Pais.
Concerto terminado, houve tempo para fãs antigos e conhecidos muitos deles apenas pela Internet, se encontrarem e porem a conversa em dia num Maxime mais vazio e que oferecia bolos, pastéis e bebidas aos 350 sortudos que “nem sequer tiveram pagaram para ver BA”, como disse João, de 26 anos e fã desde 1990. “Em Dezembro há mais já com o Mickey Curry e o Keith Scott (a banda de Adams).”




Texto e fotos: João Tomé



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Curiosidades
11 álbuns, 11 canções, 11 concertos em 11 países em 11 dias
A "jóia da Europa", como Adams apelidou Lisboa logo no início da apresentação "tinha de ser" o ponto de partida da promoção europeia (e da estreia mundial) do novo álbum que é lançado a 17 de Março por todo o planeta. O álbum com o nome de 11 e que inclui 11 músicas novas e com uma tonalidade mais acústica do que o habitual, tem esse título por ser o 11.º da carreira do canadiano a viver em Londres. Por isso mesmo a digressão de promoção passa por 11 países em 11 dias, sempre em locais pequenos e onde Adams toca sempre 11 músicas, incluindo algumas das novas.

T-shirt Y-3
Adams não costuma vestir roupa de marcas conhecidas nem com mensagens. Mas no concerto do Maxime apareceu com uma sweat shirt preta com a indicação no ombro Y-3. Apenas isso e mais nada. Ora Y-3 é o nome de uma nova colecção da Adidas que ainda não foi lançada no mercado mundial mas se espera inovadora.




Microfone pessoal
Foi ainda utilizado o microfone habitual de Adams, com um formato específico bem ao gosto do cantor que usa o mesmo género de microfone em todos os seus concertos.
















Alinhamento (acho que é esta a ordem)
1. Back To You
2. Can’t Stop This Thing We’ve Started
3. I Thought I’d Seen Everything (nova, single)
4. Cuts Like A Knife
5. 18 Till I Die
6. Oxygen (nova)
7. Straight From The Heart
8. Summer of 69
9. Walk On By (nova)
10. When the Night Comes
11. Run To You

may rufus be with you

Concerto de 24 de Abril 2005 (domingo).


Rufus trouxe magia e fetiche ao Coliseu
Com muita conversa, ritmos contagiantes, uma voz grave e pitadas de ópera o cantautor Rufus Wainwright voltou a Portugal para levar ao delírio o Coliseu de Lisboa que, apesar de não ter enchido teve uma intimidade inesquecível.

João Tomé

Quem é Rufus Wainwright? Quem esteve durante as quase duas horas de concerto do americano residente do Canadá no passado domingo em Lisboa percebeu quem ele realmente é. Depois de uma primeira parte com os sons harmoniosos e calmos de cantora Joan Wasser, que é membro integrante da banda de Rufus, o espectáculo que jovens, adultos e mais velhos esperavam começou ao som exótico de Agnus Dei.
Houve muita pop-ópera vinda do piano de Rufus – que passou a noite entre o piano e a guitarra, sentado e em pé, como é habitual –, e da sua banda composta por violoncelo, violino, guitarras acústicas, guitarra eléctrica, bateria (com tambores), dependendo das músicas. O cantor usa muita bem a sua bonita voz, grave, e que nem sempre foi bem captada pelo microfone. Assumidamente homossexual, tem uma forma de escrever, cantar e dançar descontraída e particular.
O que Rufus pretende? «Ser único e original», disse no passado sábado em entrevista ao Frescas e Boas (a ser brevemente publicada). E isso já ele o conseguiu.
A primeira parte do espectáculo contou com as músicas do último álbum Want Two. «Esta é a primeira música em muitos anos que consegui escrever sem ser sobre mim», explicava o cantor antes de cantar The Art Teacher. Do último álbum também cantou as aplaudidas This Love Affair e The One You Love.

Falador, descontraído e divertido Rufus tem sempre o público atento, gosta de falar antes de cada música, explicar como ela surgiu e também falar sobre a sua vida. Logo no início falou que adora a palavra ‘Lisboa’, dá ares de anos 30 e falou no jogo Estoril-Benfica – que motivou gritos benfiquistas. Mas Rufus dedicou a música seguinte aos derrotados. «Vou para Roma e esperava que não houvesse nenhum Papa», diz antes de começar a cantar a música Gay Messiah, que dedica com ironia a todos os Papas mortos e vivos.
Depois fez ainda uma dupla homenagem ao falecido Jeff Buckley, primeiro com Memphis Skyline, depois com a fabulosa canção Hallelujah – de Leonard Cohen, mas celebrizada pela fantástica interpretação de Buckley. Outra das partes dos concerto foi dedicada à sua família, todos eles também cantores e autores e que curiosamente estão em digressão pela Europa.
Começou por contar, com o seu jeito muito próprio e comunicativo, uma história ‘maluca’ vivida no próprio dia pela mãe – com quem fala todos os dias –, em digressão na Holanda. E de seguida cantou Beauty Mark, a música dedicada à sua mãe, Kate McGarrigle.

Ainda teve a sinceridade para pedir que todos comprassem discos da irmã, Martha Wainwright, a quem dedicou Little Sister – onde ele acreditava ser Mozart 'himself'. Rufus é muito sincero e não se põe com falsas modéstias, bem pelo contrário. Terminou a parte dedicada à família com a música em honra do pai, que confessa amar apesar de ter estado muito ausente na sua vida. «Ele é um letrista fantástico», explica antes de cantar a música muito aplaudida Dinner at Eight sobre o pai, Loudon Wainwright III.
Na etapa seguinte do concerto somos levados para um outro universo, místico e etéreo com Across The Universe. A música mais esperada, Cigarettes and Chocolate Milk, foi bem tocada e fez as delícias da audiência já totalmente rendida. Rufus ainda nos guiou pela sua cidade de sempre, Montreal, no Canada, com Hometown Waltz e falou nos muitos portugueses que existem por lá: «adorava a comida portuguesa».




Para o primeiro encore estava reservada a parte mais inesquecível e que demonstra as várias facetas do cantor. A banda e Rufus começam a despir-se. Quando parece uma pequena brincadeira, todos continuam até ficarem em trajes menores muito divertidos. O público ria-se e aplaudia de pé em êxtase. Rufus ficou de saltos altos vermelhos e cueca fio dental, com uma asas de borboleta e uma varinha mágica. Uma espécie de Sininho. As duas raparigas da banda ficam em roupa interior provocante, e os outros alternavam trajes menores muito divertidos.
Tocaram assim vestidos e ao terceiro encore vestiram roupões turcos e ainda tiveram tempo para a linda canção Califórnia. Rufus ainda perguntou: «ficaram chocados?». A resposta foi não e o público dificilmente vai esquecer um concerto que foi tão diversificado quanto apetecível.


«Welcome home Bryan!»

Reportagem ao concerto de Bryan Adams, no Atlântico. Saiu no Destak de 1 Fevereiro 2005.






Fotos por João Tomé



Bryan Adams voltou a Portugal para mais três concertos. O Frescas e Boas assistiu à festa do rock and roll no primeiro concerto, domingo, onde 15 mil fãs portugueses vibraram para a posteridade, visto que o espectáculo foi filmado e vai ser editado em DVD para comemorar os 25 anos de carreira a solo do rocker canadiano a viver em Londres


Por João Tomé


Cabelo louro curto e rebelde. Uma T-shirt preta, justa e simples. Umas calças de ganga o mais banais possível. Uma guitarra na mão e uma voz rouca sempre sintonizada com o que de melhor o rock and roll tem, a simplicidade. Foi com os melhores ingredientes de Bryan Adams que 15 mil portugueses vibraram no domingo, em pleno Pavilhão Atlântico, em Lisboa.
O canadiano, a residir em Inglaterra, adora Portugal e está sempre disposto a regressar – muito por ter vivido cá durante a infância, entre 1967 e 1971. Não é por acaso que Adams escolheu o nosso país para gravar o DVD de comemoração dos 25 anos de carreira. «Podia escolher Inglaterra, mas não; podia ter escolhido Espanha, mas não; escolhi Portugal, claro!», disse Adams a meio do concerto motivando a público a gritar por Portugal.

Com uma atmosfera mais agradável ao olhar, mas menos intimista do que os concertos em Fevereiro de 2003 – em que Adams terminou a actuação de duas horas e meia num minipalco no centro da plateia –, este foi um espectáculo onde o público também foi protagonista. Luzes vindas da última bancada e do centro do pavilhão iluminaram os fãs portugueses, durante todo o concerto, para a posteridade.
O primeiro momento da noite foi com o clássico Can´t Stop this Thing We Started, onde Adams e o público pareciam não querer parar de cantar – a música durou no mínimo dez minutos. Apesar de estar a promover o álbum Room Service, lançado em Setembro – onde integram músicas escritas no Pavilhão Atlântico e no Coliseu do Porto – o canadiano acabou por tocar poucas músicas novas fazendo deste espectáculo e futuro DVD, uma espécie de Best Of.
Room Service, que reflecte a vida de quem anda sempre em digressão e dá nome ao novo álbum, foi uma das preferidas pela audiência. Mas foi com rock puro e duro de Kids Wanna Rock, It´s Only Love e Run to You que o pavilhão foi ao rubro numa interacção continua entre Adams e o público – ao cantarem alternadamente.
Já Keith Scott, o guitarrista que acompanha há décadas Bryan, mostrou o que de melhor a guitarra eléctrica pode dar a um concerto com momentos electrizantes. A magia e interacção com o público é um dos trunfos do cantor de 45 anos que adora percorrer todo o mundo com centenas de concertos todos os anos.

«Escrevi esta música com 18 anos», disse Adams para dar início a Straight from the Heart. Mas a balada que encantou o pavilhão e colocou muitos olhos a brilhar na plateia foi mesmo Everything i do (i do it for you) que motivou os habituais isqueiros e beijos dos casais mais apaixonados. «Quem quer vir cá acima cantar comigo?» Perguntava Adams aos fãs – algo habitual nos seus concertos –, havendo uma maré de dedos no ar, ansiosos por cantar ao lado do seu ídolo. Adams olhou, até que encontrou uma jovem de Carcavelos chamada Mariana que cantou com ele When Your Gone, nervosa mais desinibida. Ainda houve tempo para Adams tocar sozinho no palco, apenas com a música da sua guitarra, a balada do novo álbum, Flying, entre outras. No fim, os fãs queriam mais do que as duas horas de concerto, mas o resto ficaria para ontem, o segundo concerto em Lisboa.

Fãs de todas as idades
«Adoro o Bryan! Estive na fila desde o meio-dia para ficar mesmo à frente, e as portas só abriram às 7h [19h.]». Ana, que segura um cartaz a dizer «Welcome home Bryan», é uma das sortudas que conseguiu garantir um dos lugares mais requisitados da plateia: mesmo à frente de Adams, junto ao palco. «Haviam umas raparigas que vieram para cá desde as 8h30 da manhã, que doidas!», explica a fervorosa fã de Bryan Adams, de 18 anos.
Mas não eram apenas jovens que estavam junto ao palco, Carlos, de 37 anos, é adepto incondicional de Adams desde os dez anos de idade e não perdeu um concerto desde 1988, quando o canadiano tocou no Estádio da Luz. «Não é só a música fantástica que me inspira, é também a forma de estar na vida, na música e no palco que fazem do Bryan um símbolo que acompanho desde a juventude», explicou.
Num dos principais momentos do concertos tanto Carlos como Ana, e dezenas de outros fãs que conseguiram ficar à frente na plateia puderam abraçar o cantor, quando este desceu do palco para se infiltrar no público ao som da música The Best Of Me. «You´ll always get the best of me», cantava Adams por entre abraços e beijinhos dos fãs portugueses. E foi o melhor de Bryan Adams que se viu domingo em Lisboa – ainda por cima ficará guardado para sempre em DVD.