Tecnologia :: iPhone


O que é que o iPhone 3G tem?

João Tomé, publicado no Destak a 25-07-2008


O iPhone 3G chegou para dominar. Apesar de ter várias falhas para um telemóvel topo de gama, possui virtudes acima da média e um conceito que apaixonou já milhões de pessoas por todo o mundo (tem esgotado).
O mais recente produto da Apple, de Steve Jobs, tem um design único, é leve, e faz uso, como nenhum concorrente, do enorme ecrã táctil, de funcionamento simples e intuitivo. No que respeita às características, o rápido acesso à internet, apresentando páginas como se estivéssemos num computador é o grande trunfo.

Permite configurar o e-mail para uma recepção automática e ir coleccionando aplicações. Já existem milhares disponíveis, incluindo jogos, gravadores de som, eBooks (é possível ler um livro a partir do iPhone) - é um mundo para se descobrir. O interface com o iTunes permite copiar contactos do outlook, listas de músicas e outras funcionalidades.

Tem acesso directo ao Youtube para ver vídeos (é a única forma de os ver) e um sistema de GPS de bom nível. No domínio das desvantagens, peca pela falta de uma câmara de bom nível (só tem 2MP) e que grave vídeos (também não é possível a videoconferência). Não existe a função copiar e colar e a bateria, se navegarmos muito na internet, não aguenta um dia.

A verdade é que não é perfeito, mas vale pelo conceito brilhante e pela facilidade de andar no bolso. Alguns dos seus concorrentes directos são o Nokia N95 e o Samsung Omnia (a ser comercializado pela TMN).
Nas opções disponíveis em Portugal pela Optimus e pela Vodafone, a versão com 8GB custa 499 euros e, a de 16 GB, custa 599 euros - o preço na Optimus só é este com retoma de 10 euros.

A Vodafone inclui um pacote de permanência na rede com um tarifário de 24 meses que pode baixar o preço para 129,90 euros.
A Optimus baixa apenas para empresas e profissionais, também com permanência e até 199 euros. Certo é que o sucesso está garantido e está aí para ficar.

Estórias de Lisboa

Texto escrito em 2006, não publicado.



Chinatown lusa em busca da purificação
As zonas do Martim Moniz e Intendente são locais multiculturais intensos onde o comércio chinês é o mais visível. Desde 2002 que à prostituição no Intendente se juntaram problemas droga e mais assaltos. Conheça a opinião de moradores e o que se tem feito para mudar a situação.

João Tomé

A partir das 19h a azáfama de turistas, imigrantes e alguns portugueses que inunda a zona do Martim Moniz e do Intendente diminui drasticamente. Na Praça do Martim Moniz entra-se no multiculturalismo por excelência de Lisboa e, possivelmente do país, conhecido como local de confusão urbanística, droga e, mais acima, no Intendente, também de prostituição e assaltos.

No Martim Moniz e com o Castelo de São Jorge como pano de fundo, existem dois centros comerciais, ambos com as mesmas características multiculturais. De um lado o do Martim Moniz, do outro o polémico Centro Comercial da Mouraria. Ambos têm sido “ocupados” nos últimos anos pelo comércio chinês, misturado com algum do Bangladesh, Paquistão e Índia e cabeleireiros africanos.

Os centros funcionam como autêntico armazém, os comerciantes e respectivos filhos comem nas escadas e à porta dos estabelecimentos, cheios de caixotes de roupa, bijuteria e quinquelharia. Apesar da desorganização óbvia, alguns turistas e portugueses vêm aqui em busca de artigos e alimentação barata e de culturas diferentes.

Os cerca de três mil eleitores das duas zonas estão longe do que o município lisboeta julga serem bem mais residentes. Para além do comércio que tornou aquela parte de Lisboa uma Chinatown lusa – já tratada assim pelo anterior presidente da República Jorge Sampaio –, a previsão é de que existam entre 400 e 600 chineses a residir ali. Chen, uma chinesa na casa dos 50, dona de uma loja de bijuterias e electrodomésticos na Avenida Almirante Reis, na «zona feia, pobre e barata da avenida», no Intendente com vista para o Martim Moniz afirma que só familiares seus são cerca de 80.


Um dos projectos sociais e financeiros mais falados nos últimos meses para a zona é a da criação de uma verdadeira Chinatown portuguesa, como explicou em Junho ao Diário Económico a vereadora do CDS/PP Maria José Nogueira Pinto. «Se pudesse fazia rapidamente a Chinatown nos Anjos, Intendente e Martim Moniz, o que até seria interessante do ponto de vista turístico. Os chineses são muito ordeiros, estão habituados a ocupar uma zona e revitalizá-la», explicou Nogueira Pinto.
A sugestão já anda na cabeça do presidente da Câmara, Carmona Rodrigues e, para a vereadora, permitiria controlar o comércio chinês, mais barato, e deixar «respirar» o comércio tradicional na Baixa. Sobre a ideia, pouco concreta, a chinesa Chen é pouco entusiasta «se for barato vendemos e é só isso que nos interessa».

Droga, assaltos e prostituição
O que preocupa esta chinesa é o medo criado pelos assaltos e pela droga existente na «zona feia». «Temos que fechar o negócio pouco depois das 19h porque depois disso os clientes têm medo de vir para aqui e nós também», explica Chen, há 15 anos em Portugal e cuja loja já foi assaltada várias vezes. Há noite «é impraticável sair ou mesmo convidar pessoas». Preocupa-se com o tráfico de droga que é feito «à frente da polícia, que não faz nada» e com os africanos: «temos muito medo dos pretos, são eles quem nos assalta».

Aos 64 anos, Eliziário, funcionário dos CTT do Martim Moniz dá soluções: «para evitar que os toxicodependentes se injectem pelos cantos e o tráfico continue era preferível criar salas de chuto». Já sobre a prostituição a opinião é semelhante. «No Bemformoso [no Intendente] a prostituição, de brasileiras, ucranianas e africanas é todo o dia e parte da noite. Devíamos voltar atrás e criar “Casas de Meninas” até por uma questão sanitária. O taxista Jorge Santos, 47 anos, afirma que já foi assaltado e que se recusa a transportar «pessoas em quem não tenho confiança e pretos não transporto».

Já Sérgio Tréfaut, o realizador do documentário português mais bem sucedido de sempre, Lisboetas, não acredita que o problema sejam os imigrantes. «Preocupa-me sim o consumo de droga e o tráfico que existe no Intendente e no Martim Moniz», afirma. Sobre o papel da polícia Tréfaut, que passou meses a filmar na zona é claro: «a esquadra é ali ao lado e eles sabem quem vende e quem compra mas não actuam, quero acreditar que deixam o peixe miúdo para apanhar o peixe graúdo…». Assaltos? «Passei lá muito tempo e nunca senti medo de roubos». Sobre a prostituição considera que é problema quando existe uma rede e as mulheres são obrigadas, «ali funciona como profissão e não propriamente como problema».

Requalificação, Centros de apoio e apreensões
A Câmara de Lisboa, desde Setembro de 2005 que colocou em marcha um projecto para a requalificação urbana do Intendente que inclui 29 edifícios particulares intervencionados 16 estabelecimentos de hospedagem suspensos e 34 estabelecimentos de restauração intervencionados.

Os problemas de droga, prostituição e proxenetismo sempre interessaram o anterior presidente do município, Santana Lopes. Para o combater as medidas passaram pelo incremento dos Centros de Apoio Social, na zona, para procurar oferecer outras soluções profissionais às prostitutas e reabilitar toxicodependentes, com alguns resultados numa zona «de chaga aberta mas já um pouco menos ferida», como classificou o ano passado Santana Lopes.

As apreensões têm sido frequentes recentemente, muitos consideram que resolve pouco já que incide pouco sobre os problemas de droga e mais sobre a imigração e comércio ilegal. Em Fevereiro deste ano verificou-se uma megaoperação de segurança no Martim Moniz que resultou em 29 detenções, a maioria por imigração ilegal, apreensão de material e multas por transporte de mercadorias ilegal.

Já em Abril uma nova operação da PSP levou ao encerramento de dois estabelecimentos e algumas detenções, só uma delas devido à posse de droga. Já o PCP apresentou à não muito tempo um projecto de resolução pela criação de um gabinete multidisciplinar para a zona. O funcionário dos CTT, Eliziário é claro «os problemas graves continuam e não parecem abrandar».