Artigo escrito para o jornal Destak ainda quando era semanal em 2004.
Em Foco
Selva de carros em Lisboa, que futuro?
Todos os dias entram em Lisboa de 500 a 600 mil carros por dia. A autêntica selva de chapa em que o interior da cidade se torna faz com que seja fundamental a existência de locais suficientes onde deixar os veículos ou então uma redução na circulação. Em vésperas da Câmara de Lisboa receber as conclusões de um estudo de mobilidade sobre o estacionamento, circulação automóvel e transportes públicos o Destak falou com o responsável pela pesquisa José Manuel Viegas, que aponta os aumentos no estacionamento como a solução mais acertada.
por João Tomé
Entrar no interior de Lisboa permite constatar não só que o estacionamento é muitas vezes anárquico, mas também que alguns condutores estacionam de formas bem criativas, mas à margem da lei. «O estacionamento em Lisboa é completamente indisciplinado e as regras que existem não são postas em prática», explica o professor universitário especialista em transportes, José Manuel Viegas. Os abusos são um hábito e fazer cumprir as regras a excepção daí este professor universitário autor de um estudo de mobilidade para a Câmara de Lisboa, que será apresentado ainda este mês, indicar que uma das estatísticas que o estudo agora concluído revelou é que: «durante o dia 32% dos carros que estão estacionados na via pública fazem-no ilegalmente».
A EMEL, para José Manuel Viegas, é um exemplo da incapacidade de se fazer cumprir as regras de estacionamento. «Deveria haver um reforço na dimensão das equipas de fiscalização para que as pessoas não se habituem a não pagar», explica o responsável pelo recente estudo de mobilidade. Mas o problema vai para além da EMEL, o professor universitário considera que a confusão que existe entre as competências da EMEL e da polícia fazem com que a fiscalização fique comprometida. Neste caso a solução passaria «ou por haver um corpo único, sem divisões, ou então fazer com que EMEL e polícia tenham as mesmas competências no que diz respeito ao trânsito para fazer cumprir as regras com eficácia».
Taxas? «Não para já»
Para responder às dificuldades no estacionamento e na circulação automóvel nas cidades o governo, no início do mês, aprovou o Programa de Actuação para reduzir a dependência de Portugal face ao Petróleo onde estão incluidas medidas como a introdução de taxas de entrada nas cidades [ver caixa], aumento nas multas, nos bloqueadores e nos reboques.
Perante este anúncio José Manuel Viegas apenas concorda com aquelas relacionadas com o estacionamento e a sua maior fiscalização porque: «antes da taxa de entrada nas cidades à que apostar numa política de estacionamento séria, algo que ainda não foi feito. Em Londres, onde também se aplicou as taxas, só se chegou a essa situação porque a política de estacionamento falhou». Já o presidente da Câmara de Lisboa, contactado pelo Destak, admite considerar as taxas na entrada da cidade: «com a condição fulcral do valor da taxa reverter integralmente para a melhoria dos transportes públicos e acessibilidades lisboetas.»
O professor universitário põe para já de lado a possibilidade da taxa de entrada e considera que é fundamental não só aumentar o preço do estacionamento como diminuir a oferta, aumentando a quantidade e qualidade dos transportes públicos. «Também é importante não atribuir vários dísticos de estacionamento a cada morador, convinha ser um dístico por moradia», explica ainda José Viegas.
Para a câmara de Lisboa e o seu presidente Carmona Rodrigues, a medida das taxas na entrada na cidade só será considerada «com a condição fulcral do valor da taxa reverter integralmente para a melhoria dos transportes públicos e acessibilidades lisboetas.»
A posição oficial da EMEL neste contexto é contida: esperar para ver quais as decisões futuras dos governantes. Resta agora saber quais serão as decisões efectivas de governo e Câmara de Lisboa.
--
SOLUÇÕES PREVISTAS
Pagamento de taxa de entrada
Já no próximo ano é bem possível que quem queira entrar de carro dentro da cidade de Lisboa tenha de pagar uma taxa monetária. A introdução de taxas de entrada nas cidades para os automobilistas que usem viaturas privadas é apenas uma das medidas que o governo aprovou no início de Novembro, em Conselho de Ministros, e que faz parte do Programa de Actuação para reduzir a dependência de Portugal face ao Petróleo.
Para o executivo português esta decisão irá incentivar a utilização dos transportes públicos de passageiros, onde o governo espera um aumento de 15 a 20% nos próximos cinco anos e assim descongestionar os parques de estacionamento no interior das cidades, como Lisboa. Outra das características desta taxa, que requer depois aprovação das autarquias, está relacionada com as receitas que serão aplicadas integralmente na modernização dos transportes públicos. Para além deste reforço o governo aposta no melhoramento no ordenamento do estacionamento nas grandes cidades.
Trata-se de uma medida arrojada mas que também recolhe críticas como é o caso do presidente da Associação Nacional de Munícipios (ANN), Fernando Ruas, que logo após o anúncio do governo apelidou o uso da taxa de entrada como «uma medida extrema».
O plano governativo, em última instância, visa também a redução da dependência do petróleo em 20% até 2010 e que a factura energética desça em 15%.
Estacionamento em Via Verde
Deixar de ter de ir à pequena máquina (parquímetro) e tirar a senha que permite estacionar o carro durante algumas horas já é possível na EMEL desde o início do ano. Ao adquirir-se títulos de estacionamento pré-comprados que estão disponíveis em mais de 100 pontos de venda (tabacarias, parques EMEL) e que também evitam a necessidade de trocos. Apesar disso, a EMEL pretende já no próximo ano disponibilizar um aparelho que se coloca no carro e funciona como a Via Verde nas auto-estradas. Tudo é activado por um botão.
Ao chegar a um lugar de estacionamento pago, o automobilista activa o dispositivo e quando se vai embora desliga. A EMEL anunciou a iniciativa no final do passado mês de Outubro. Esta é uma medida que poderá suprir as dificuldades criadas pela vandalização e assaltos aos mais de 1700 parquímetros (muitas vezes insuficiente) existentes em Lisboa e que gerem cerca de 39 mil lugares de estacionamento.
Entrevista | Mariano Barreto
Para o jornal Destak ainda quando era semana, em Outubro de 2004.
Protagonista | Mariano Barreto
«Os treinadores não devem ficar muito tempo num clube»
O actual treinador do Marítimo é um homem viajado, que nunca foi treinador principal em Portugal, mas que conheceu o sabor do sucesso nos dois anos que esteve ao serviço da selecção do Gana, levando a selecção aos Jogos Olímpicos de Atenas 2004. Chegou ao clube na segunda jornada e desde então teve quatro vitória consecutivas e está em 4.º lugar no campeonato, à frente do Sporting. No passado fim-de-semana a sua equipa, com uma excelente exibição que mereceu elogios até de Giovanni Trappatoni, empatou com o Benfica (1-1) no Estádio dos Barreiros e o Destak falou com o homem que acha que os treinadores devem ficar pouco tempo nos clubes.
O empate frente ao Benfica é apenas um dos bons resultados que conseguiu ao serviço do Marítimo esta época. Quais os ingredientes fundamentais para estes bons resultados?
A capacidade de resposta que o grupo de trabalho está a ter ao que é proposto. Eles têm melhorado significativamente enquanto equipa porque entenderam o treinador e conseguiram pôr em prática as ideias do projecto que tenho para a equipa. Nem sempre isso acontece e felizmente tem havido até à altura uma boa resposta dos jogadores.
O seu regresso a Portugal, onde nunca foi treinador principal de uma equipa, aconteceu pelo desafio que lhe foi colocado?
O meu regresso não teve a ver directamente com o desafio feito pelo Marítimo. O projecto foi apresentado quando já tinha regressado a Portugal depois de ter saído da selecção do Gana. Vim cá para descansar e matar saudades mas já tinha várias propostas de clubes no estrangeiro e estava decidido a partir novamente. Quando surgiu o projecto do Marítimo acabei por aceitar pela dimensão do clube, as boas condições profissionais e o simbolismo de ter associados por todo o mundo devido a haver muitos emigrantes madeirenses. Além disso, ao escolher o Marítimo, que me oferecia muito menos dinheiro do que os clubes estrangeiros, tinha o privilégio de estar no meu país e encurtar um pouco a saudade que tive neste período. Tenho-me sentido um privilegiado nas minhas escolhas, essencialmente porque posso escolher o meu próximo destino e tenho conseguido estar onde me sinto bem, útil e me identifique com o projecto em que estou inserido. Isso é fundamental para qualquer profissão que se desempenhe.
Quais os seus objectivos para o Marítimo, nesta época e nas seguintes, caso se mantenha como treinador?
Espero deixar o clube com uma dimensão maior, seja pela experiência que transmiti ou pelos resultados. Aliás, penso que a classificação tem de reflectir o que nós fazemos nos clubes e por isso espero conseguir deixar o clube numa boa posição.
Mas pensa sair do clube no final da época?
Sim. Devo ficar apenas esta época. Tive 10 anos no Sporting como adjunto e cheguei à conclusão que os treinadores não devem ficar muito tempo num clube. Não devemos ficar muito colados a uma realidade que é muito própria dos adeptos. Gosto de criar condições de melhoria do clube, dar o meu contributo, enriquecer a minha experiência e em um ou dois anos sair. Penso que esse é o período máximo que um treinador deve-se manter num clube.
Tem algum sonho em particular para a sua carreira? Está nos seus objectivos futuros treinar um dos três clubes de maior expressão em Portugal?
Tenho um sonho fundamental e que tenho vindo a concretizar que é no fim de cada trabalho os jogadores com que trabalhei tornarem-se melhores e incentivar os mais jovens para que possam tornar-se realmente bons. E sinto-me muito feliz ao ver que alguns dos jovens que apoiei há alguns anos são hoje jogadores da selecção nacional. Sinto que está ali um pouco de mim. Relativamente aos clubes de maior dimensão não tenho nenhum objectivo em particular, mas espero até terminar a minha carreira ganhar o campeonato nacional, apesar de não definir um espaço temporal para que isso possa acontecer.
Protagonista | Mariano Barreto
«Os treinadores não devem ficar muito tempo num clube»
O actual treinador do Marítimo é um homem viajado, que nunca foi treinador principal em Portugal, mas que conheceu o sabor do sucesso nos dois anos que esteve ao serviço da selecção do Gana, levando a selecção aos Jogos Olímpicos de Atenas 2004. Chegou ao clube na segunda jornada e desde então teve quatro vitória consecutivas e está em 4.º lugar no campeonato, à frente do Sporting. No passado fim-de-semana a sua equipa, com uma excelente exibição que mereceu elogios até de Giovanni Trappatoni, empatou com o Benfica (1-1) no Estádio dos Barreiros e o Destak falou com o homem que acha que os treinadores devem ficar pouco tempo nos clubes.
O empate frente ao Benfica é apenas um dos bons resultados que conseguiu ao serviço do Marítimo esta época. Quais os ingredientes fundamentais para estes bons resultados?
A capacidade de resposta que o grupo de trabalho está a ter ao que é proposto. Eles têm melhorado significativamente enquanto equipa porque entenderam o treinador e conseguiram pôr em prática as ideias do projecto que tenho para a equipa. Nem sempre isso acontece e felizmente tem havido até à altura uma boa resposta dos jogadores.
O seu regresso a Portugal, onde nunca foi treinador principal de uma equipa, aconteceu pelo desafio que lhe foi colocado?
O meu regresso não teve a ver directamente com o desafio feito pelo Marítimo. O projecto foi apresentado quando já tinha regressado a Portugal depois de ter saído da selecção do Gana. Vim cá para descansar e matar saudades mas já tinha várias propostas de clubes no estrangeiro e estava decidido a partir novamente. Quando surgiu o projecto do Marítimo acabei por aceitar pela dimensão do clube, as boas condições profissionais e o simbolismo de ter associados por todo o mundo devido a haver muitos emigrantes madeirenses. Além disso, ao escolher o Marítimo, que me oferecia muito menos dinheiro do que os clubes estrangeiros, tinha o privilégio de estar no meu país e encurtar um pouco a saudade que tive neste período. Tenho-me sentido um privilegiado nas minhas escolhas, essencialmente porque posso escolher o meu próximo destino e tenho conseguido estar onde me sinto bem, útil e me identifique com o projecto em que estou inserido. Isso é fundamental para qualquer profissão que se desempenhe.
Quais os seus objectivos para o Marítimo, nesta época e nas seguintes, caso se mantenha como treinador?
Espero deixar o clube com uma dimensão maior, seja pela experiência que transmiti ou pelos resultados. Aliás, penso que a classificação tem de reflectir o que nós fazemos nos clubes e por isso espero conseguir deixar o clube numa boa posição.
Mas pensa sair do clube no final da época?
Sim. Devo ficar apenas esta época. Tive 10 anos no Sporting como adjunto e cheguei à conclusão que os treinadores não devem ficar muito tempo num clube. Não devemos ficar muito colados a uma realidade que é muito própria dos adeptos. Gosto de criar condições de melhoria do clube, dar o meu contributo, enriquecer a minha experiência e em um ou dois anos sair. Penso que esse é o período máximo que um treinador deve-se manter num clube.
Tem algum sonho em particular para a sua carreira? Está nos seus objectivos futuros treinar um dos três clubes de maior expressão em Portugal?
Tenho um sonho fundamental e que tenho vindo a concretizar que é no fim de cada trabalho os jogadores com que trabalhei tornarem-se melhores e incentivar os mais jovens para que possam tornar-se realmente bons. E sinto-me muito feliz ao ver que alguns dos jovens que apoiei há alguns anos são hoje jogadores da selecção nacional. Sinto que está ali um pouco de mim. Relativamente aos clubes de maior dimensão não tenho nenhum objectivo em particular, mas espero até terminar a minha carreira ganhar o campeonato nacional, apesar de não definir um espaço temporal para que isso possa acontecer.
Pequena entrevista a Vanessa Fernandes quando ainda não era tão mediática. Para o jornal Destak ainda na sua edição semanal, em 2004.
Protagonista
Vanessa Fernandes
Triatleta olímpica
19 anos
A atleta portuguesa depois de um oitavo lugar nos Jogos Olímpicos conquistou a medalha de ouro na Taça do Mundo do Rio de Janeiro no passado fim-de-semana, um feito que permitiu à filha do antigo ciclista Venceslau Fernandes ascender ao 4.º lugar do ranking mundial.
O que é que aprendeu de mais valioso num ano em que conseguiu atingir tão bons resultados?
Aprendi que é sempre com muito trabalho e dedicação que se consegue atingir os objectivos a nos propomos. Não nos podemos distrair nem nos treinos nem em competição, temos de estar sempre concentrados se queremos ser alguém no desporto e dar bom nome a Portugal.
O seu pai, o antigo ciclista Venceslau Fernandes, em que medida é que foi uma peça importante na sua preparação como triatleta?
Primeiro que tudo foi ele que me pôs no desporto e depois tem-me acompanhado em todas as provas e é sempre ele que fala comigo mesmo antes de competir. É uma peça essencial para mim porque compreende o que é ser atleta e não só me dá conselhos emocionais como técnicos. Às vezes, quando vou ao norte, treinamos juntos a vertente de ciclismo.
O oitavo lugar nos Jogos Olímpicos ainda tão nova fazem-na acreditar que a medalha de ouro é possível? Quais os seus maiores sonhos para a modalidade?
É possível, mas não consigo dizer que vou ganhar. Tenho é vontade de melhorar o oitavo lugar e tenho uma grande margem de progressão porque nesta modalidade dá para estar em competição mais ou menos até aos 30 anos.
Foi uma surpresa para si ter conseguido vencer no Rio de Janeiro? Tem tido o reconhecimento das colegas mais velhas?
Sabia que podia conseguir um bom lugar mas nunca pensei que pudesse vencer. Havia atletas muito boas e o percurso até nem me era muito favorável, mas felizmente consegui ficar em primeiro. As minhas adversárias também ficaram surpreendidas e até me vieram dar os parabéns. Muita coisa mudou este ano, apesar de ser nova levam-me mais a sério e já falo com elas [as adversárias] no decorrer da prova. Também recebi muitos elogios de presidentes de várias federações que estavam lá no Brasil.
Triatlo é uma modalidade muito exigente. Quais são os maiores cuidados que costuma ter antes de uma prova?
Descansar o máximo possível. Hidratar bastante, ingerir muitos hidratos de carbono. Apesar de ter muito cuidado com a alimentação durante todo o ano antes das provas deve-se aumentar os hidratos de carbono e evitar as frutas, por exemplo.
O que é que a fascina no triatlo?
São três modalidades que gosto, mas adoro o ciclismo. Acho que estou bem para o que faço, enquadro-me muito bem no triatlo. Aliás acho que vai ser a modalidade do futuro. Desde que fui para os Jogos o triatlo deu um grande salto em Portugal. Gostava que a forma de encarar o desporto mudasse um pouco por cá, porque quando vamos aos Jogos Olímpicos exigem com muita facilidade medalhas, mas isso não é tudo.
Protagonista
Vanessa Fernandes
Triatleta olímpica
19 anos
A atleta portuguesa depois de um oitavo lugar nos Jogos Olímpicos conquistou a medalha de ouro na Taça do Mundo do Rio de Janeiro no passado fim-de-semana, um feito que permitiu à filha do antigo ciclista Venceslau Fernandes ascender ao 4.º lugar do ranking mundial.
O que é que aprendeu de mais valioso num ano em que conseguiu atingir tão bons resultados?
Aprendi que é sempre com muito trabalho e dedicação que se consegue atingir os objectivos a nos propomos. Não nos podemos distrair nem nos treinos nem em competição, temos de estar sempre concentrados se queremos ser alguém no desporto e dar bom nome a Portugal.
O seu pai, o antigo ciclista Venceslau Fernandes, em que medida é que foi uma peça importante na sua preparação como triatleta?
Primeiro que tudo foi ele que me pôs no desporto e depois tem-me acompanhado em todas as provas e é sempre ele que fala comigo mesmo antes de competir. É uma peça essencial para mim porque compreende o que é ser atleta e não só me dá conselhos emocionais como técnicos. Às vezes, quando vou ao norte, treinamos juntos a vertente de ciclismo.
O oitavo lugar nos Jogos Olímpicos ainda tão nova fazem-na acreditar que a medalha de ouro é possível? Quais os seus maiores sonhos para a modalidade?
É possível, mas não consigo dizer que vou ganhar. Tenho é vontade de melhorar o oitavo lugar e tenho uma grande margem de progressão porque nesta modalidade dá para estar em competição mais ou menos até aos 30 anos.
Foi uma surpresa para si ter conseguido vencer no Rio de Janeiro? Tem tido o reconhecimento das colegas mais velhas?
Sabia que podia conseguir um bom lugar mas nunca pensei que pudesse vencer. Havia atletas muito boas e o percurso até nem me era muito favorável, mas felizmente consegui ficar em primeiro. As minhas adversárias também ficaram surpreendidas e até me vieram dar os parabéns. Muita coisa mudou este ano, apesar de ser nova levam-me mais a sério e já falo com elas [as adversárias] no decorrer da prova. Também recebi muitos elogios de presidentes de várias federações que estavam lá no Brasil.
Triatlo é uma modalidade muito exigente. Quais são os maiores cuidados que costuma ter antes de uma prova?
Descansar o máximo possível. Hidratar bastante, ingerir muitos hidratos de carbono. Apesar de ter muito cuidado com a alimentação durante todo o ano antes das provas deve-se aumentar os hidratos de carbono e evitar as frutas, por exemplo.
O que é que a fascina no triatlo?
São três modalidades que gosto, mas adoro o ciclismo. Acho que estou bem para o que faço, enquadro-me muito bem no triatlo. Aliás acho que vai ser a modalidade do futuro. Desde que fui para os Jogos o triatlo deu um grande salto em Portugal. Gostava que a forma de encarar o desporto mudasse um pouco por cá, porque quando vamos aos Jogos Olímpicos exigem com muita facilidade medalhas, mas isso não é tudo.
Reportagem no feminino
Reportagem escrita para a secção Mulher do jornal Destak quando ainda era um semanal. Em Outubro de 2004. A minha primeira experiência (e única) em perguntar coisas algo pessoais a pessoas desconhecidas na rua. Neste caso foi no centro comercial Vasco da Gama. Acabou por ser uma experiência engraçada, fui bem acolhido pelas mulheres entrevistadas e senti-me uma espécie de psicólogo...
Ser solteira e independente está na moda
Mulheres independentes. Determinadas. Divertem-se quanto baste, sem pressões, nem ciúmes de um marido controlador ou machista. Não se sujeitam a um namorado que não as agrada, são exigentes e fazem por isso. Ser solteira também tem vantagens... descubra-as.
Há quem diga: “mais vale só do que mal acompanhada”. Numa sociedade em que a mulher tem cada vez maior liberdade de escolha, ser solteira não é sinónimo de não ser feliz, pelo contrário. Antigamente, não ter marido a partir de certa idade era grave e frequentemente motivo de estigmatização social («solteirona» ou «encalhada»), hoje em dia pode ser bem divertido.
«Neste momento sou mais feliz como solteira é uma opção que tomei para os próximos anos». Quem o diz é Marisa – 31 anos, engenheira do ambiente – e que, após ter terminado há alguns meses uma relação amorosa, decidiu manter-se solteira porque: «sei que não iria estar muito tempo na relação, agora quero dedicar-me aos meus trabalhos, experimentar tudo que possa e divertir-me com isso».
Marisa tem actualmente três empregos em simultâneo e não se sente, «de forma alguma», amedrontada de não ter nenhuma relação amorosa. «Há muitas outras coisas que me complementam a mim pessoalmente, além disso tenho muitos amigos e prefiro estar como estou», explica com determinação. Nos próximos tempos está planear participar numa operação humanitária no México, onde espera sentir-se bem consigo mesma, ajudar os outros e adquirir experiência de vida.
Uma atitude semelhante tem Sara, bióloga de 28 anos, que enumera assim as vantagens de se ser solteira: «as tarefas domésticas são mais leves, gasta-se menos dinheiro, tem-se mais liberdade nos convívios sociais, não se tem que estar com a família e amigos do namorado ou marido, tem-se maior liberdade sexual e acima de tudo há menos pressão».
E a solidão não se torna um problema? «Não me tenho sentido sozinha, muito porque neste momento ser solteira é o melhor para mim. É uma opção que tomei porque não quis seguir outras relações desgastantes e chatas». Sara, que faz neste momento trabalhos de investigação em biologia, não sente nenhuma pressão para arranjar alguém, mas admite que ainda existe na sociedade. «A sociedade de consumo obriga-nos a sentir pressionados para ter de casar. Quem não entra não é normal, quem entra é, apesar de haver cada vez mais solteiros», admite a bióloga que recentemente irá para Londres trabalhar.
Com 31 anos, Marisa, apesar de se sentir melhor solteira, admite querer ter filhos. «É injusto para qualquer criança não ter pai, por isso, quando quiser assentar vou ter de abdicar de algumas coisas. Tudo para dar o melhor aos meus filhos», explica.
Para Marisa hoje em dia há menos confiança «e em qualquer relação há sempre um pé atrás». Talvez por isso pergunte: «E porque não ser solteira?». Sara também deseja ter filhos «com alguém com quem me entendesse, mas não é algo que procure». Ambas são mulheres de sucesso profissional, determinadas e com espiríto de independência. Moram sozinhas e nem por isso se sentem isoladas. Procuram a felicidade e serem solteiras é o melhor modo, neste momento, de o serem.
--
«Não conseguia fazer nada sem o meu marido»
Com 50 anos, bem cuidados, Olinda Maria, professora e mãe de dois filhos não se consegue imaginar sem o marido, o que contrasta com muitas das jovens solteiras e cada vez mais independentes que existem na sociedade actual. 25 anos de casamento fazem com que a companhia do pai dos seus dois filhos seja essencial, devido ao «sentimento de protecção e de apoio que se tem». «Neste momento não conseguia fazer nada sem o meu marido, dependemos um do outro» explica a professora. A confiança é apontada como fundamental para uma relação sólida, «os jovens hoje em dia têm muita desconfiança e depois a coisa não dá», admite.
Olinda, final
Quando era solteira tinha muitos amigos e divertia-se, mas ela acredita que há um tempo para tudo e a partir da idade adulta deve-se pensar no casamento e levá-lo a sério, «esta malta jovem já não é assim», lamenta.
--
10 melhores formas de engate (fonte: vários sites dedicados ao tema)
Os homens costumam ter frases de engate típicas, como por exemplo: "Tanta carne e eu em jejum" ou "tantas curvas e eu sem travões". Mas hoje em dia as mulheres estão cada vez menos tímidas e também estão prontas para o engate. Conheça as dez melhores formas de engatar um homem, de preferência solteiro.
1 – Divirta-se. A conquista de um novo amor acontece quando acontecer, por isso o melhor é divertir-se bastante enquanto espera por novidades.
2 – Sinta-se confortável. Tem de estar bem consigo mesma para poder apresentar-se no seu melhor e para que alguém se sinta bem consigo.
3 – Seja arrojada. Acredite nos seus sonhos e faça o que puder para os alcançar, não se esqueça de ser você mesma.
4 – Vá de cabeça para um encontro com quem não conhece, mas prepara-se para fugir se não gostar.
5 – Troque olhares, sorrisos com o menos exuberante e terá uma surpresa.
6 – Faça companhia a si mesma e vá para fora.
7 – Celebre com os amigos e peça-lhes que tragam novas amizades, sangue novo é bom.
8 – Faça o primeiro gesto e não espere à lareira que nem uma Gata Borralheira.
9 – Exercite-se. Não apenas as pernas e os braços mas também as formas de aproximação.
10 – Ame-se a si mesma. Ninguém vai gostar assim tanto de si.
--
Ser solteiro é “pior do que fumar”
Estar casado traz de tal forma benefícios à saúde, que os solteiros têm maior risco de morrer do que os fumadores, indica um estudo da Universidade de Warwick (Inglaterra). Ao observar riscos comparativos num período superior a sete anos, os cientistas perceberam que os homens e mulheres casados têm tendência a ter melhor saúde do que os solteiros, cerca de 6%. Tudo isto devido ao “apoio social” de se ter um homem ou uma mulher e ao pior estilo de vida que, segundo o estudo, quando se é solteiro se tem.
Amor à primeira vista existe cientificamente
O amor à primeira vista, de que as pessoas mais românticas costumam falar e acreditar, foi comprovado cientificamente por especialistas da Universidade de Ohio (Estados Unidos). O estudo explica que as pessoas decidem qual o tipo de relação que querem após breves instantes de se encontrarem com outra pessoa. O co-autor do estudo, Artemio Ramirez, explicou que os resultados sugerem que as pessoas não querem perder tempo e por isso é como «uma profecia, fazemos uma previsão instantânea sobre que tipo de relação podemos ter com determinada pessoa».
Ser solteira e independente está na moda
Mulheres independentes. Determinadas. Divertem-se quanto baste, sem pressões, nem ciúmes de um marido controlador ou machista. Não se sujeitam a um namorado que não as agrada, são exigentes e fazem por isso. Ser solteira também tem vantagens... descubra-as.
Há quem diga: “mais vale só do que mal acompanhada”. Numa sociedade em que a mulher tem cada vez maior liberdade de escolha, ser solteira não é sinónimo de não ser feliz, pelo contrário. Antigamente, não ter marido a partir de certa idade era grave e frequentemente motivo de estigmatização social («solteirona» ou «encalhada»), hoje em dia pode ser bem divertido.
«Neste momento sou mais feliz como solteira é uma opção que tomei para os próximos anos». Quem o diz é Marisa – 31 anos, engenheira do ambiente – e que, após ter terminado há alguns meses uma relação amorosa, decidiu manter-se solteira porque: «sei que não iria estar muito tempo na relação, agora quero dedicar-me aos meus trabalhos, experimentar tudo que possa e divertir-me com isso».
Marisa tem actualmente três empregos em simultâneo e não se sente, «de forma alguma», amedrontada de não ter nenhuma relação amorosa. «Há muitas outras coisas que me complementam a mim pessoalmente, além disso tenho muitos amigos e prefiro estar como estou», explica com determinação. Nos próximos tempos está planear participar numa operação humanitária no México, onde espera sentir-se bem consigo mesma, ajudar os outros e adquirir experiência de vida.
Uma atitude semelhante tem Sara, bióloga de 28 anos, que enumera assim as vantagens de se ser solteira: «as tarefas domésticas são mais leves, gasta-se menos dinheiro, tem-se mais liberdade nos convívios sociais, não se tem que estar com a família e amigos do namorado ou marido, tem-se maior liberdade sexual e acima de tudo há menos pressão».
E a solidão não se torna um problema? «Não me tenho sentido sozinha, muito porque neste momento ser solteira é o melhor para mim. É uma opção que tomei porque não quis seguir outras relações desgastantes e chatas». Sara, que faz neste momento trabalhos de investigação em biologia, não sente nenhuma pressão para arranjar alguém, mas admite que ainda existe na sociedade. «A sociedade de consumo obriga-nos a sentir pressionados para ter de casar. Quem não entra não é normal, quem entra é, apesar de haver cada vez mais solteiros», admite a bióloga que recentemente irá para Londres trabalhar.
Com 31 anos, Marisa, apesar de se sentir melhor solteira, admite querer ter filhos. «É injusto para qualquer criança não ter pai, por isso, quando quiser assentar vou ter de abdicar de algumas coisas. Tudo para dar o melhor aos meus filhos», explica.
Para Marisa hoje em dia há menos confiança «e em qualquer relação há sempre um pé atrás». Talvez por isso pergunte: «E porque não ser solteira?». Sara também deseja ter filhos «com alguém com quem me entendesse, mas não é algo que procure». Ambas são mulheres de sucesso profissional, determinadas e com espiríto de independência. Moram sozinhas e nem por isso se sentem isoladas. Procuram a felicidade e serem solteiras é o melhor modo, neste momento, de o serem.
--
«Não conseguia fazer nada sem o meu marido»
Com 50 anos, bem cuidados, Olinda Maria, professora e mãe de dois filhos não se consegue imaginar sem o marido, o que contrasta com muitas das jovens solteiras e cada vez mais independentes que existem na sociedade actual. 25 anos de casamento fazem com que a companhia do pai dos seus dois filhos seja essencial, devido ao «sentimento de protecção e de apoio que se tem». «Neste momento não conseguia fazer nada sem o meu marido, dependemos um do outro» explica a professora. A confiança é apontada como fundamental para uma relação sólida, «os jovens hoje em dia têm muita desconfiança e depois a coisa não dá», admite.
Olinda, final
Quando era solteira tinha muitos amigos e divertia-se, mas ela acredita que há um tempo para tudo e a partir da idade adulta deve-se pensar no casamento e levá-lo a sério, «esta malta jovem já não é assim», lamenta.
--
10 melhores formas de engate (fonte: vários sites dedicados ao tema)
Os homens costumam ter frases de engate típicas, como por exemplo: "Tanta carne e eu em jejum" ou "tantas curvas e eu sem travões". Mas hoje em dia as mulheres estão cada vez menos tímidas e também estão prontas para o engate. Conheça as dez melhores formas de engatar um homem, de preferência solteiro.
1 – Divirta-se. A conquista de um novo amor acontece quando acontecer, por isso o melhor é divertir-se bastante enquanto espera por novidades.
2 – Sinta-se confortável. Tem de estar bem consigo mesma para poder apresentar-se no seu melhor e para que alguém se sinta bem consigo.
3 – Seja arrojada. Acredite nos seus sonhos e faça o que puder para os alcançar, não se esqueça de ser você mesma.
4 – Vá de cabeça para um encontro com quem não conhece, mas prepara-se para fugir se não gostar.
5 – Troque olhares, sorrisos com o menos exuberante e terá uma surpresa.
6 – Faça companhia a si mesma e vá para fora.
7 – Celebre com os amigos e peça-lhes que tragam novas amizades, sangue novo é bom.
8 – Faça o primeiro gesto e não espere à lareira que nem uma Gata Borralheira.
9 – Exercite-se. Não apenas as pernas e os braços mas também as formas de aproximação.
10 – Ame-se a si mesma. Ninguém vai gostar assim tanto de si.
--
Ser solteiro é “pior do que fumar”
Estar casado traz de tal forma benefícios à saúde, que os solteiros têm maior risco de morrer do que os fumadores, indica um estudo da Universidade de Warwick (Inglaterra). Ao observar riscos comparativos num período superior a sete anos, os cientistas perceberam que os homens e mulheres casados têm tendência a ter melhor saúde do que os solteiros, cerca de 6%. Tudo isto devido ao “apoio social” de se ter um homem ou uma mulher e ao pior estilo de vida que, segundo o estudo, quando se é solteiro se tem.
Amor à primeira vista existe cientificamente
O amor à primeira vista, de que as pessoas mais românticas costumam falar e acreditar, foi comprovado cientificamente por especialistas da Universidade de Ohio (Estados Unidos). O estudo explica que as pessoas decidem qual o tipo de relação que querem após breves instantes de se encontrarem com outra pessoa. O co-autor do estudo, Artemio Ramirez, explicou que os resultados sugerem que as pessoas não querem perder tempo e por isso é como «uma profecia, fazemos uma previsão instantânea sobre que tipo de relação podemos ter com determinada pessoa».
Tim Booth | A busca pela essência, até ao "osso"
Entrevista ao ex-vocalista dos James, por telefone. Saiu no Destak semanal em 2004.

Tim Booth adora desafios e detesta monotonia. Três anos após o fim da banda inglesa James, onde foi o vocalista ao longo de duas décadas, Tim Booth aparece com o seu álbum a solo intitulado Bone, onde não renega a herança dos James, isto depois de ter experimentado de tudo um pouco ao longo destes anos. Foi actor, argumentista, DJ e escreveu músicas para outras bandas, mas o destino levou-o novamente à interpretação das suas canções. Portugal é um dos destinos predilectos e regressa agora pela segunda vez este ano – esteve no último festival Sudoeste – para dois concertos, um na próxima terça-feira na Aula Magna, em Lisboa e outro no Porto.
João Tomé
Manteve-se ocupado ao longo destes três anos desde o fim dos James, como actor, argumentista e até como DJ. Como foram essas experiências?
São todas coisas que eu adoro fazer e são desafios. Eu gosto de alternar entre as coisas que gosto de fazer. Se me fartar de estar a fazer um papel no teatro, então faço um guião, ou se estou a fazer música e me farto então muda para outras coisas. Adoro esta diversidade! Acho que isto está relacionado com o facto de trabalhar com o Bryan Eno há demasiado tempo, ele vive uma vida incrível, todos os dias aparecem coisas diferentes. Às vezes é artístico, outras vezes é a música e vai para todo o lado no mundo e faz coisas fantásticas e exóticas e demonstra que não temos de estar presos apenas a um dos nossos gostos, mesmo que adoremos fazê-la, se fizermos durante tempo demais podemos secar nela. É fascinante fazer outras coisas e alternar, não nos fartamos e tudo se torna numa alegria.
Pensa em repetir estas experiências? Sim! Tenho alguns papéis porreiros já previstos para o ano passado em teatro na Inglaterra. E argumento tenho um que vou fazer que deve ir ser utilizado na televisão, que tenho de terminar nas próximas semanas.
Disse recentemente que após os James nunca pensou em seguir carreira a solo, queria apenas escrever canções para os outros. Porquê este regresso, mudou de ideias?
Foi mais por acaso. É que conheci o Lee Baker, comecei a adorar trabalhar com ele e uma coisa levou à outra, não foi pensada antes, a maioria das coisas que faço não costumam estar previstas começo as coisas e se tiver boa sorte andamos para a frente e trabalhamos em alguma coisa interessante. Foi isso que se sucedeu com este album, acabei por cantá-lo porque pareceu a coisa mais óbvia a fazer depois de algum tempo a trabalhar com o Lee.
Sentiu a necessidade quando estava a trabalhar com o Lee de cantar as suas próprias canções? Sim! Eu estava a cantar e a trabalhar nas letras e elas eram tão significantes para mim, e levei-as ao meu editor para as sugerir para serem cantadas por outras pessoas, e ele dizia-me: “Essas letras são tão particulares, não podes fazê-las mais gerais? Se queres que outras pessoas as cantem, tens de escrever mais na generalidade sobre o amor, ou a perda”. Mas as minhas letras são tão estranhas, que era muito difícil arranjar pessoas que fossem certas para as cantar. Alguns cantores até se propuseram em cantar algumas das canções, mas no fim acabei por decidir em cantá-las eu. Significavam tanto que parecia que não as queria deixar ir.
O seu registo é muito próximo dos James, acha que algumas pessoas esperavam um corte mais radical em relação ao passado?
Não sei. Obviamente é a minha voz, a minha melodia, as minhas letras, que era o mesmo com os James e não consigo fugir muito disso. Mas a música é muito diferente, eu penso que é, e o homem que fez a música nem conhecia muito os James, por isso não estava a tentar aproximar-se dos James nem nada, ele ficou longe da música dos James, mas vai haver sempre semelhanças porque eu sou o cantor.
Tem a mesma energia que tinha quando estava nos James? Sente-se mais maduro desde essa altura?
Espero que seja um pouco diferente. Algumas destas canções são bastante imaturas. Algumas são sobre a luxúria, um pouco infantis, mas ainda rockamos, é uma mistura de assuntos.
O que sente que mudou mais na sua música relativamente aos James?É mais na base do baixo e da bateria, o Lee Baker tocou todos os instrumentos neste album, fez toda a bateria, o baixo, a guitarra. Ele é mais um baterista e baixista, interessa-se bastante pela música funk e existe muito mais de “groove” nas canções do que haveria nos James. Essa é a diferença fundamental.
Porque é que o nome deste album é Bone? Por algum motivo em especial?É uma palavra agradável e que fica no ouvido (“catchy”). Tem um certo eufemismo sexual e significa a essência das coisas, quando ficam expostas até ao osso ficamos a saber como são as coisas. Tem muitos significados importantes para mim.
Se pudesse definir o seu album em quatro curtas frases como o definiria? Porquê? Quais os assuntos que aborda mais neste album. Porquê?
Esse é o seu trabalho não o meu. Eu sou o cantor e não gosto muito de falar sobre a música, é como uma forma de lixar a mente para mim. Faço a música muito inocentemente e simplesmente fico inspirado, excitado e apaixonado com o que estou a fazer e as letras são coisas que me estão a chatiar, ou a fascinar, quando estou a escrever e depois seguem o seu curso e ficam com vida própria e tornam-se personagens diferentes e eu deixo-as fazer isso e depois quando me perguntam perguntas de crítico... o crítico não teve nenhum papel na elaboração das músicas e é muito difícil afastar-me e pensar nas músicas, não gosto disso, a parte do crítico para mim não é muito produtiva (risos) e não me ajuda muito. Se formos a ver a tua opinião tem tanto valor como a minha, só que melhor porque vais ter mais distância.
Os James fizeram um concerto de despedida no Coliseu de Lisboa. Portugal é um destino obrigatório em concertos? O que pensa do público português?
Já vou a Portugal há uns 15 anos talvez e até mais novo desde quando era um teenager. É um país tão aberto e sempre fomos muito apreciados aí, sempre nos incentivaram a continuar em tantos sentidos. O público português perceberam o que eram os James muito rapidamente, mais rápido do que qualquer outro país, excepto a Inglaterra e isso é muito importante para mim. Não temos muito dinheiro, por isso, quando vamos a um sítio temos de saber se nos querem mesmo e Portugal é daqueles países que luto desde o início quando planeamos os concertos. Digo sempre que temos de tocar em Portugal.
A canção Down to the Sea é de alguma insatisfação relativamente à sociedade actual, porquê?
Penso que sim. Está relacionado com a americanização da cultura actual, que está a ficar cada vez mais forte. Eu até gosto muito da América, mas não gosto da sua crueza e crueldade da cultura que nos chega até a este lado, não é o melhor da américa que nos chega até aqui e essa canção é definitivamente numa postura chatiada, a procurar uma limpeza, um qualquer baptismo desta porcaria que se passa. Há muitas coisas nessa canção: “Everyones a victim, noone is to blame”, é porque ninguém quer-se responsabilizar com o que se está a passar na nossa cultura.
Ir ao fundo do mar [Down to the Sea], o que é isso? É alguém cometer suícidio? Ou é um renascer? Eu acho que é mais um renascer, uma limpeza. É uma música de descontentamento e de mostrar que a maior disto é tretas.
Mas há muitos lados positivos na cultura americana. Apanhamos o melhor e o pior da televisão americana. Os Sopranos, West Wingm são séries brilhantes, cultura ao mais alto nível, mas também temos a porcaria, como a Coca Cola, o McDonalds. Muita coisa que não presta chega cá e é fascinante. Há alguns dias que aceito bem como as coisas estão a ir neste aspecto, noutros como aquele em que escrevi essa canção que estou lixado com isso.
Como classificaria a indústria musical actual?É uma confusão. É o mesmo problema. Ontem morreu um DJ em Inglaterra que se chama John Peel. John Peel, tinha mais impacto na música neste país do que qualquer banda nos últimos 30 anos. Ele foi brilhante, achava sempre as músicas novas que não eram tocadas e tocava-as até serem tocadas por toda a gente, até que ia procurar mais coisas novas. Ele morreu ontem e ninguém vai conseguir preencher esse lugar neste país. Foi uma grande perda e sinto que estamos em grandes apuros em termos de música nestes países. Agora há os downloads, as editoras tomam cada vez menos riscos. Vão buscar menos pessoas novas e procuram música na América para terem mais sucesso. A maior parte da música é feita para fazer as pessoas famosas ou ricas, não para exprimir as suas almas, ou os seus espirítos, ou os seus corações, ou encontrar respostas para as suas vidas e para mim estas últimas razões são aquelas que levam as pessoas a fazer arte com qualidade. Não apenas porque querem ser famosos e fazer muito dinheiro.
Tim Booth adora desafios e detesta monotonia. Três anos após o fim da banda inglesa James, onde foi o vocalista ao longo de duas décadas, Tim Booth aparece com o seu álbum a solo intitulado Bone, onde não renega a herança dos James, isto depois de ter experimentado de tudo um pouco ao longo destes anos. Foi actor, argumentista, DJ e escreveu músicas para outras bandas, mas o destino levou-o novamente à interpretação das suas canções. Portugal é um dos destinos predilectos e regressa agora pela segunda vez este ano – esteve no último festival Sudoeste – para dois concertos, um na próxima terça-feira na Aula Magna, em Lisboa e outro no Porto.
João Tomé
Manteve-se ocupado ao longo destes três anos desde o fim dos James, como actor, argumentista e até como DJ. Como foram essas experiências?
São todas coisas que eu adoro fazer e são desafios. Eu gosto de alternar entre as coisas que gosto de fazer. Se me fartar de estar a fazer um papel no teatro, então faço um guião, ou se estou a fazer música e me farto então muda para outras coisas. Adoro esta diversidade! Acho que isto está relacionado com o facto de trabalhar com o Bryan Eno há demasiado tempo, ele vive uma vida incrível, todos os dias aparecem coisas diferentes. Às vezes é artístico, outras vezes é a música e vai para todo o lado no mundo e faz coisas fantásticas e exóticas e demonstra que não temos de estar presos apenas a um dos nossos gostos, mesmo que adoremos fazê-la, se fizermos durante tempo demais podemos secar nela. É fascinante fazer outras coisas e alternar, não nos fartamos e tudo se torna numa alegria.
Pensa em repetir estas experiências? Sim! Tenho alguns papéis porreiros já previstos para o ano passado em teatro na Inglaterra. E argumento tenho um que vou fazer que deve ir ser utilizado na televisão, que tenho de terminar nas próximas semanas.
Disse recentemente que após os James nunca pensou em seguir carreira a solo, queria apenas escrever canções para os outros. Porquê este regresso, mudou de ideias?
Foi mais por acaso. É que conheci o Lee Baker, comecei a adorar trabalhar com ele e uma coisa levou à outra, não foi pensada antes, a maioria das coisas que faço não costumam estar previstas começo as coisas e se tiver boa sorte andamos para a frente e trabalhamos em alguma coisa interessante. Foi isso que se sucedeu com este album, acabei por cantá-lo porque pareceu a coisa mais óbvia a fazer depois de algum tempo a trabalhar com o Lee.
Sentiu a necessidade quando estava a trabalhar com o Lee de cantar as suas próprias canções? Sim! Eu estava a cantar e a trabalhar nas letras e elas eram tão significantes para mim, e levei-as ao meu editor para as sugerir para serem cantadas por outras pessoas, e ele dizia-me: “Essas letras são tão particulares, não podes fazê-las mais gerais? Se queres que outras pessoas as cantem, tens de escrever mais na generalidade sobre o amor, ou a perda”. Mas as minhas letras são tão estranhas, que era muito difícil arranjar pessoas que fossem certas para as cantar. Alguns cantores até se propuseram em cantar algumas das canções, mas no fim acabei por decidir em cantá-las eu. Significavam tanto que parecia que não as queria deixar ir.
O seu registo é muito próximo dos James, acha que algumas pessoas esperavam um corte mais radical em relação ao passado?
Não sei. Obviamente é a minha voz, a minha melodia, as minhas letras, que era o mesmo com os James e não consigo fugir muito disso. Mas a música é muito diferente, eu penso que é, e o homem que fez a música nem conhecia muito os James, por isso não estava a tentar aproximar-se dos James nem nada, ele ficou longe da música dos James, mas vai haver sempre semelhanças porque eu sou o cantor.
Tem a mesma energia que tinha quando estava nos James? Sente-se mais maduro desde essa altura?
Espero que seja um pouco diferente. Algumas destas canções são bastante imaturas. Algumas são sobre a luxúria, um pouco infantis, mas ainda rockamos, é uma mistura de assuntos.
O que sente que mudou mais na sua música relativamente aos James?É mais na base do baixo e da bateria, o Lee Baker tocou todos os instrumentos neste album, fez toda a bateria, o baixo, a guitarra. Ele é mais um baterista e baixista, interessa-se bastante pela música funk e existe muito mais de “groove” nas canções do que haveria nos James. Essa é a diferença fundamental.
Porque é que o nome deste album é Bone? Por algum motivo em especial?É uma palavra agradável e que fica no ouvido (“catchy”). Tem um certo eufemismo sexual e significa a essência das coisas, quando ficam expostas até ao osso ficamos a saber como são as coisas. Tem muitos significados importantes para mim.
Se pudesse definir o seu album em quatro curtas frases como o definiria? Porquê? Quais os assuntos que aborda mais neste album. Porquê?
Esse é o seu trabalho não o meu. Eu sou o cantor e não gosto muito de falar sobre a música, é como uma forma de lixar a mente para mim. Faço a música muito inocentemente e simplesmente fico inspirado, excitado e apaixonado com o que estou a fazer e as letras são coisas que me estão a chatiar, ou a fascinar, quando estou a escrever e depois seguem o seu curso e ficam com vida própria e tornam-se personagens diferentes e eu deixo-as fazer isso e depois quando me perguntam perguntas de crítico... o crítico não teve nenhum papel na elaboração das músicas e é muito difícil afastar-me e pensar nas músicas, não gosto disso, a parte do crítico para mim não é muito produtiva (risos) e não me ajuda muito. Se formos a ver a tua opinião tem tanto valor como a minha, só que melhor porque vais ter mais distância.
Os James fizeram um concerto de despedida no Coliseu de Lisboa. Portugal é um destino obrigatório em concertos? O que pensa do público português?
Já vou a Portugal há uns 15 anos talvez e até mais novo desde quando era um teenager. É um país tão aberto e sempre fomos muito apreciados aí, sempre nos incentivaram a continuar em tantos sentidos. O público português perceberam o que eram os James muito rapidamente, mais rápido do que qualquer outro país, excepto a Inglaterra e isso é muito importante para mim. Não temos muito dinheiro, por isso, quando vamos a um sítio temos de saber se nos querem mesmo e Portugal é daqueles países que luto desde o início quando planeamos os concertos. Digo sempre que temos de tocar em Portugal.
A canção Down to the Sea é de alguma insatisfação relativamente à sociedade actual, porquê?
Penso que sim. Está relacionado com a americanização da cultura actual, que está a ficar cada vez mais forte. Eu até gosto muito da América, mas não gosto da sua crueza e crueldade da cultura que nos chega até a este lado, não é o melhor da américa que nos chega até aqui e essa canção é definitivamente numa postura chatiada, a procurar uma limpeza, um qualquer baptismo desta porcaria que se passa. Há muitas coisas nessa canção: “Everyones a victim, noone is to blame”, é porque ninguém quer-se responsabilizar com o que se está a passar na nossa cultura.
Ir ao fundo do mar [Down to the Sea], o que é isso? É alguém cometer suícidio? Ou é um renascer? Eu acho que é mais um renascer, uma limpeza. É uma música de descontentamento e de mostrar que a maior disto é tretas.
Mas há muitos lados positivos na cultura americana. Apanhamos o melhor e o pior da televisão americana. Os Sopranos, West Wingm são séries brilhantes, cultura ao mais alto nível, mas também temos a porcaria, como a Coca Cola, o McDonalds. Muita coisa que não presta chega cá e é fascinante. Há alguns dias que aceito bem como as coisas estão a ir neste aspecto, noutros como aquele em que escrevi essa canção que estou lixado com isso.
Como classificaria a indústria musical actual?É uma confusão. É o mesmo problema. Ontem morreu um DJ em Inglaterra que se chama John Peel. John Peel, tinha mais impacto na música neste país do que qualquer banda nos últimos 30 anos. Ele foi brilhante, achava sempre as músicas novas que não eram tocadas e tocava-as até serem tocadas por toda a gente, até que ia procurar mais coisas novas. Ele morreu ontem e ninguém vai conseguir preencher esse lugar neste país. Foi uma grande perda e sinto que estamos em grandes apuros em termos de música nestes países. Agora há os downloads, as editoras tomam cada vez menos riscos. Vão buscar menos pessoas novas e procuram música na América para terem mais sucesso. A maior parte da música é feita para fazer as pessoas famosas ou ricas, não para exprimir as suas almas, ou os seus espirítos, ou os seus corações, ou encontrar respostas para as suas vidas e para mim estas últimas razões são aquelas que levam as pessoas a fazer arte com qualidade. Não apenas porque querem ser famosos e fazer muito dinheiro.
Subscrever:
Mensagens (Atom)