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Entrevistas saga Twilight

Entrevista para o jornal Destak e programa da SIC Notícias 35mm.




Entrevista feita em Los Angeles ao actor Robert Pattinson, a propósito do 2.º filme da saga Twilight.

Programa: 35 mm. Emitido em Setembro 2009, SIC Notícias. 



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Entrevista Twilight
Rob Pattinson: «Pus bastante de James Dean na personagem do Edward»
Tímido, modesto, sorridente e ainda sem perceber como se tornou tão famoso com a saga de romance adolescente e de vampiros Crepúsculo; foi este o jovem que encontrámos.


entrevista ruben alves

Agosto de 2013. Entrevista para o jornal Destak.



ENTREVISTA RUBEN ALVES
A Gaiola Dourada - «Senti que tinha de contar esta história tão portuguesa»
Ruben Alves é o autor do mais recente fenómeno do cinema francês: A Gaiola Dourada. O filme «mais português de França» deste luso-descendente é uma homenagem aos seus pais. Apaixonado por contar esta história, conta-nos na língua de Camões o segredo que levou mais de um milhão de pessoas a ver o filme em França e que em Portugal (já depois da entrevista) foi visto por 300 mil espectadores em três semanas (é já o 2.º filme mais visto do ano no país).

João Tomé



Como é que surgiu a ideia para este 1.º filme? O objetivo foi homenagear os portugueses em França?
Inicialmente tinha uma ideia para um guião diferente mas o meu produtor incentivou-me a escrever sobre as minhas raízes e comecei a perceber que era uma história que nunca tinha sido contada. A imagem dos portugueses em França é sempre ligada ao futebol. Senti que tinha de contar esta história, de mostrar este lado porque não existia quase nada nos meios culturais sobre a perspectiva portuguesa. E depois queria homenagear os meus pais e a comunidade portuguesa.

Utilizou muito a sua experiência pessoal para as personagens e as histórias?
Sim, sem dúvida. Digo muitas vezes que o filme não é autobiográfico mas é inspirado nos meus pais, que têm o mesmo perfil dos protagonistas. Nas sensações, na maneira de pensar e ver a vida. Tentei dar uma alma portuguesa a este filme francês. Talvez seja o filme francês mais português de sempre.

Sente que os portugueses por norma trabalham para os franceses mas não são compreendidos por eles?
Nem os conhecem. O português de França é bem visto a nível profissional, integrado, conhecido por ser corajoso e disponível, mas não há representação forte nos media ou no audiovisual. Quem são? Como vivem a emigração? Quis pôr a nú estas questões e humanizar os portugueses, para mostrar que há mais nas pessoas para além da porteira e do homem das obras.

É a sua estreia como realizador, depois de uma curta. Como convenceu os investidores a apostarem no filme?
Tive sorte em convencer o grupo Pathé, que tem muita força. Gostaram da ideia de falar pela 1ª vez sobre o mundo português em França e adoraram depois de lerem o guião. Deram muita força. É a minha 1ª longa-metragem, sou jovem, mas nunca duvidaram. Deram-me confiança porque perceberam que tinha a certeza do que queria. Logo na 1ª reunião disse-lhes que os atores principais tinham de ser portugueses. Eles tinham dúvidas porque não conheciam, mas ficaram a conhecer.

Tem um elenco com Rita Blanco, Joaquim de Almeida, Maria Vieira. Escreveu o guião já a pensar neles?
Não. Quando escrevi não pensei em atores. Mas mal acabei comecei a investigar. O Joaquim de Almeida foi por acaso. Encontrei-o em Cannes. Olhei para ele e comecei a perceber que ele podia ser um ‘José’ perfeito. Era um bom desafio pô-lo numa comédia com ternura, numa personagem humilde, trabalhador das obras. Estamos habituados a vê-lo em personagens mais duras e senti que ele tinha uma parte comovente. E com a Rita Blanco vim a Lisboa – porque vivo em França e não conheço o cinema português – e perguntei aos amigos quem é que achavam a melhor atriz e todos disseram: a Rita. Encontrei-me com ela e tivemos logo uma paixão um pelo outro. Temos a mesma visão do cinema. Ela na comédia é muito boa porque consegue dar muita verdade e ternura no olhar à personagem. Lá em França os atores principais, o Joaquim e a Rita, foram um êxito junto da crítica porque eles não os conheciam e gostam de conhecer pessoas novas. Adoraram. E a Maria Vieira foi a cereja no topo do bolo. Foi difícil conseguir trazê-la do Brasil, mas só admitia que fosse ela. Ela é única, mesmo na caricatura. Todos eles têm Portugal dentro deles.

Depois há uma descoberta. A Barbara Cabrita, uma atriz luso-francesa que faz a filha lusodescendente que tenta evitar o seu lado português. É um caso típico?
A personagem Paula foi a mais complexa e que os produtores franceses mais dificuldade tiveram em perceber. Não entendiam como é que ela sentia aquele repudio por ser filha de portugueses. É uma filha de emigrantes que ainda não se encontrou com as raízes portuguesas que tem. Continuo a ver muitos luso-descendentes que ainda não estão à vontade com esse seu lado: há quem sinta quase vergonha; depois há outros que se sentem totalmente desinteressados nas suas raízes. Tenho primos que não falam nada de português, nem um ‘olá’, e os pais até vão falando algum português em casa. Mas esta personagem da Paula ao longo do filme vai mudar muito.

Os tons e cores fazem lembrar o filme Oo Fabuloso Destino de Amélie, com ares clássicos. O que o inspirou?
Acho que tenho uma alma antiga, velha. Por isso gosto dessas cores, luzes com tons quentes e envolventes. Mas mais do que outros filmes ou realizadores o que me inspira mais é a própria vida. É um bocado cliché dizer isto mas é verdade. O que eu vivo é o que inspira sobretudo aqui em Portugal, que há muita coisa que acontece na rua, é um teatro aberto. Gosto do cinema do Almodôvar, da forma como ele filma as mulheres e também de cineastas franceses como o Claude Sautet, que fala muito nas relações humanas.

A rodagem correu bem? O facto de já ser ator ajudou-o neste 1.º filme? 
Correu oooootimamente bem. Havia muito bem estar, consegui criar uma família entre o elenco e a equipa. Todos adoraram ver os portugueses juntos. Ajudou-me muito ser ator, para comunicar com eles antes de rodarmos. Dava-lhes oportunidade de participarem no processo criativo, sem nos afastarmos do que eu queria das cenas. Todos os atores estavam muito empenhados no filme, nesta história e deram muito de si mesmos. Trabalhámos muito juntos nos pormenores, do sotaque certo às expressões. Foi ótimo ter atores tão bons.

O filme já foi visto por mais de 1,5 milhões de pessoas em França. Como foram as reações em geral?
Quando se faz um filme nunca se sabe como vai ser recebido. Mas apesar de ser sobre uma família portuguesa tem uma parte muito universal com que todos se podem identificar. Foi por isso que o filme foi tão bem recebido não só pela comunidade portuguesa, mas pela francesa e até árabe. Tive críticas muito boas mesmo de jornais inteletuais como o Le Monde ou o Telegrama. Tocou ao grande público, dos trabalhadores à classe mais alta. Mas o sucesso veio muito do boca a boca. É um filme pequeno, com um elenco de gente pouco conhecida em França. Tornou-se num fenómeno através da comunidade portuguesa. Houve reportagens sobre as idas de família inteiras às salas, algo que não se via em França à muito tempo. E no final batiam palmas, cantavam e até dançavam!

O filme já teve antestreias em Portugal. Teve um feedback diferente?
Na antestreia de Lamego as pessoas também bateram palmas no fim e quiseram falar comigo. Havia quem me dissesse ter-se sentido comovido por ter família em França e se ter identificado, mas também quem não conheça ninguém por lá e tenha chorado baba e ranho pela identidade portuguesa, que é muito forte. Em Cascais houve quem me dissesse que era o melhor filme português que já tinham visto – e o filme até é francês (risos).

Por onde vai estar o filme agora? Os EUA é um objetivo?
Já estreou em França, Luxemburgo, Suíça e Bélgica. Agora estreia aqui e no Canadá, no final de agosto estreia na Alemanha, onde chamaram ao filme ‘É Portugal meu amor’. Depois estreia na Áustria, Colômbia, Brasil, Itália, Austrália, Nova Zelândia. Os EUA ainda não está garantido, mas os distribuidores estão à espera do festival de Toronto para vender o filme. Também vou ao Festival de Macau em Dezembro.

E o que se segue? Quer continuar a realizar, contar outras histórias?
Sim, claro. Ideias não faltam. Quero começar a escrever um guião em setembro, mas estão-me a chegar várias propostas com ideias e guiões. Estou a ler, mas quero fazer tudo com calma porque tenho amigos em França que tiveram um .pequeno sucesso e foram logo fazer filmes à pressa para aproveitar o sucesso e correu mal. Não quero fazer isso, quero ter a minha calma e fazer algo que venha do coração.

Agora sobre outro tema para além da comunidade portuguesa?
Sim, agora sobre outras história. Esta parte de mim já foi tratada, agora vou navegar por outras histórias.

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A SABER
Onde passava os verões 
Sempre em Portugal, em Julho e Agosto. Lisboa e Costa da Caparica, na praia, depois passávamos sempre pelo Norte, o meu pai é de Guimarães.

Zona preferida em Portugal
Adoro Lisboa, sou fanático. Tenho casa aqui. Gosto muito do Norte, mas desde que descobri a Costa Vicentina há quatro anos que fiquei apaixonado pelo Alentejo.

Zona preferida em França
Gosto muito do sudoeste, perto de Bordéus, cheio de castelos medievais. Há ainda uma autenticidade muito forte mas tradições e come-se muito bem. As pessoas são muito abertas.

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BI Ruben Alves 
• Ruben Alves nasceu em Paris, há 32 anos e é filho de pais portugueses
• Vive e trabalha em Paris, é solteiro
• É ator e realizador. Estreou-se como ator em 2001 numa curta-metragem e como realizador em 2002, na ‘curta’ À l’abri des regards indiscrets
• Em 2004 teve o 1.º papel numa longa-metragem, Pédale dure, de Gabriel Aghion. Trabalha em televisão desde 2005. Em A Gaiola Dourada é ator (num pequeno papel de lusodescendente), realizador e guionista


CRÍTICA AO FILME

Entrevista Anthony Daniels

Para o Mundo Universitário. Março 2010.



Entrevista
“Estou muito feliz por ter conhecido o C3PO”
Poucos o reconhecem na rua mas, na verdade, Anthony Daniels ganhou já um lugar na história do cinema, ao interpretar a voz e os movimentos do robot C3PO nos seis filmes da saga Star Wars. Durante a entrevista ao MU, Anthony, 64 anos, fala no robot que mudou a sua vida, nos mimos de George Lucas e do espectáculo musical Star Wars in Concert, do qual é o narrador e que estará no Pavilhão Atlântico a 22 e 23 de Março.

João Tomé



Como surgiu o convite para o Star Wars in Concert, que começou em 2008?
Eu sou a única pessoa que actuou nos seis filmes, desde há 33 anos atrás. Por isso sei a história de toda a saga, bem não tudo, mas tenho a história comigo. Além disso o C3PO é uma personagem que é um contador de histórias, nos filmes. Uma pessoa muito correcta, que gosta de apresentar pessoas, que todos estejam bem, segue o protocolo, a etiqueta. E, também, como o C3PO, eu consigo falar muito. Portanto, todas estas coisas se juntaram, aliando ao facto de eu ainda estar em boa forma e com saúde, visto este projecto requerer muita concentração em palco, todas as noites.

É um trabalho de equipa em cima do palco?
Enorme trabalho de equipa, não só as pessoas que vemos no palco, que é a orquestra e o coro, mas atrás de mim está um ecrã de LEDs gigantes, que é digital. Portanto, as sequências do filme são de alta definição. Sou o narrador que é a cola que une todos os pedaços dos filmes. Há vários momentos da história onde parece que a personalidade do C3PO vem ao de cima para surpreender: “Hello, i’m C3PO, human cyborg relations” [diz na voz inconfundível de C3PO]. O Star Wars in Concert, tem todas as emoções da saga, portanto há bocados assustadores, outros entusiasmantes, outros divertidos, outros são comoventes e a música do John Williams tem todos estes elementos. E tudo é contado com os episódios na ordem correcta, pelo que é mais fácil perceber a totalidade da história.

Que diferenças, na sua opinião houve nos três primeiros filmes e nos três últimos?
É curioso como o George Lucas contou a sua história começando pelo 4, 5, 6 e só depois o 1, 2, 3. Parece maluquice, não sei porque foi assim. Os novos filmes são mais para um público mais novo, mas não faz mal, porque há medida que eles crescem vão-se lembrar daquelas histórias como deles. Nós não tivemos essa hipótese. O George recontou em Star Wars histórias épicas que foram apreciadas ao longo dos séculos, do seu próprio modo.

Não era fã de ficção científica antes de participar nos filmes, mudou de perspectiva?
Penso que a ficção científica se tornou mais interessante. Eu não era nada fã do género, de todo, mas Star Wars, mais do ficção científica é um filme de fantasia, muito como os Salteadores da Arca Perdida [Indiana Jones], ou Piratas das Caraíbas, mas é feito com tanto panache e estilo, que somos absorvidos pela boa história. Eu cresci desde o dia em que sai da sala antes de terminar o 2001, Odisseia do Espaço, estou mais velho. Vi esse filme duas vezes o ano passado e hoje gosto bastante dele.

Que lições importantes guarda dos seus tempos de jovem e universitário?
Duas lições, uma de mim e outra do George Lucas. Ele levou o guião a toda a gente e todos iam dizendo que era porcaria, para ver-se livre daquilo. E isso não o desmotivou, continuou a insistir vezes sem conta até que alguém disse, “ok, vamos fazer um pequeno filme com isto”. E olhem o que aconteceu. Para mim, eu recusei a hipótese de me encontrar inicialmente com o George Lucas. Disse que não estava interessado, tinha feito dois filmes e achava que não era para mim fazer de robot num pequeno filme de ficção científica. O meu agente disse-me que isso era estúpido, nunca sabemos onde um encontro deste tipo nos pode levar. Depois lá me encontrei com ele e isso faz com que eu esteja hoje aqui em Lisboa. Portanto imaginem como eu me sentiria se tivesse recusado. A lição para mim e para os jovens é: nunca recusem uma oportunidade, essa oportunidade pode levar a outra, e outra, nunca sabemos onde essa história nos levar, aproveitem as oportunidades que vos ofereçam, mesmo que não seja óbvio.

Como imaginaria a sua vida sem Star Wars?
Pergunta impossível, impossível. Fiz coisas infindáveis em torno da saga sem ser os seis filmes. Para minha surpresa, os trabalhos nunca pararam.

Qual a actividade ligada à saga sem ser os filmes que mais gozo lhe deu?
Este concerto, que mudou a minha perspectiva total dos filmes. Além disso continuo a fazer coisas. No mês passado fiz voz para o Sistema de Navegação de carros Star Wars, a voz de uma máquina de jogo em Las Vegas, a série de televisão Guerra dos Clones, que continuo a fazer e provavelmente a melhor coisa fora do concerto é fazer vozes para uma diversão dos parques da Disney de Star Wars, que após 22 anos estamos a refazê-las desde há 3 anos, abrem para o próximo ano. E cada vez que estes trabalhos surgem eu fica estupefacto, tudo porque me deixaram manter a voz nos filmes a falar como “C3PO, human cyborg relations”. Por isso ele tem sido um amigo tremendo para mim ao longo dos anos. Estou muito feliz por ter conhecido o C3PO.

Quais as principais memórias das gravações dos primeiros três filmes e dos três finais?
Uma das melhores memórias foi a primeira vez que começámos a filmar. Estava com o R2D2 e ninguém estava a fazer nenhum som para ele. Mais valia estar a actuar com uma cadeira. Pedi ao George Lucas para fazer alguns sons e ele não conseguiu, porque era terrível, não tinha jeito, portanto tive de falar comigo próprio. A minha memória mais bonita foi quando estava a ensaiar sozinho num desfiladeiro, no deserto, perto do palácio do Jabba, e de repente surge atrás de mim um esforçado George Lucas a fazer o som, pi pi pi pi. Nos novos filmes foi chegar ao estúdio pela primeira vez vestido de C3PO e o George dizer: agora sim, Star Wars chegou. Porque ele considera o C3PO uma das principais imagens de toda a história clássica. Portanto são sentimentos de carinho.


Rápidas
Onde vive
No meio de Londres e no meio da zona rural francesa
Personagem de Star Wars
Watto, o dono do ferro velho que escraviza o Anakin
Fato preferido
O de Mark Hamill (Luke Skywalker), com vestes muito leves e macias em que se pode sentar, tinha muita inveja dele.
Música
Sinfonias clássicas
Viagem
Egipto, o Nilo
Estrela de cinema
Johnny Depp
Filme que gostava de ter feito
Eduardo Mãos de Tesoura
Pessoa que mais o ajudou na sua carreira
Um professor


Star Wars in Concert
O quê Espectáculo multimédia, com a música das seis bandas sonoras de John Williams para os seis filmes Guerra das Estrelas. Narração de Anthony Daniels e participação da Royal Philharmonic Concert Orchestra e um coro, com direito a ecrã gigante e uma exposição.
Quando 22 e 23 Março
Onde Pavilhão Atlântico, Lisboa
Preço 35 a 68 euros

artigo e entrevista

Escrito para o jornal Destak em Novembro de 2008.


Estoril inundado de cinema de primeira

O Estoril Film Festival está aí e recomenda-se


Começa hoje, ali para os lados do Estoril (Casino, Centro de Congressos) e tem um leque de artistas e de filmes que merece uma visita prolongada.


http://www.capri-world.com/foto/bertolucci5.jpg



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Um festival português estrelado
Os aliciantes mais vistosos da primeira edição do Estoril Film Festival, que começa hoje no Estoril, têm a forma de nomes, ou melhor, pessoas: os realizadores Stephen Frears, Agnès Varda e possivelmente Bernardo Bertolucci, os escritores Paul Auster, JM Coetzee (prémio Nobel da Literatura), os actores Michael Pitt, Catherine Deneuve, Louis Garrel, Mathieu Amalric (o vilão do novo 007) e Valeria Bruni-Tedeschi.
«É uma teia de conhecimentos que tenho de 30 anos de experiência e de admirações mútuas, que existe entre os artistas. Uns nomes chamam os outros e é isso que nos permite reunir um bom elenco», explicou ao Destak Paulo Branco, o director do Estoril Film Festival. Na véspera do evento que começa hoje, a azáfama era muita no Centro de Congressos do Estoril, «para que tudo corra como planeado e existam poucos improvisos». O mais maleável é a presença das estrelas. O francês Vincent Cassel cancelou a vinda «por imposição da sua distribuidora», mas «é possível que amanhã [hoje] o Bernardo [Bertolucci] apareça», revela Paulo Branco.
O experiente produtor espera ainda «poder mostrar artistas-surpresa durante o festival, como aconteceu o ano passado [com Lynch]». Para além dos encontros com o público, sessões de leitura, workshops com os protagonistas e exposições (este ano há as «fotos incríveis de Luis Buñuel e os retratos entusiasmantes de Marie-François Banier», diz o responsável do evento), há os filmes.
A homenagem a Bernardo Bertolucci abre o festival esta noite, devendo contar com a presença do próprio e do seu elenco mais famoso, Michael Pitt e Louis Garrel. Há depois as homenagens ao imaginativo Tim Burton (Branco não esclarece se irá aparecer) e ao falecido Paul Newman (na sua vertente como realizador).
Fora de competição serão exibidos em antestreia nacional os mais recentes filmes Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona, Werner Schroeter, Nuit de Chien, David Mamet, Redbelt, Agnés Varda, Les Plages d’Agnés, entre outros.
O realizador francês Jean-François Richet, irá estrear mundialmente o segundo episódio da saga Mesrine,este sábado às 22h. Há depois em competição 14 filmes, onde se destaca o único português, 4 Copas, de Manuel Mozos. Não irá faltar a magia da luz do projector na tela branca nem um convívio único com mestres do cinema mundial e das artes.


FICHA
Estoril Film Festival
Onde Centro de Congressos; Casino Estoril; Teatro Mirita Casimiro
Quando Entre esta sexta-feira e 22 de Novembro
O quê Filmes europeus (em competição), de todo o mundo, fora de competição; workshops; encontros com actores; exposições.
Programa www.estorilfilmfestival08.com

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Entrevista a Paulo Branco



O stress aumenta muito na véspera do filmes?
Não é bem stress, é mais preocupação para que tudo corra como planeado, que exista o mínimo possível de improviso, que acaba por existir sempre quando se organiza um festival destes com os meios pequenos. Dependemos imenso da boa vontade de muitas pessoas, por isso é coordenar tudo. Há pessoas que deixam de poder vir e outras que finalmente se disponibilizaram. Saber se os filmes que cá estavam estão correctos, se não há enganos. A parte burocrática, das acreditações, venda de bilhetes. Receber os convidados para que se sintam confortáveis, que não lhes falta nada. É nestes dias mesmo antes do festival que nós nos preparamos para as eventualidades que possam existir. É evidente que há sempre o imponderável e as complicações.

O ano passado foi o ano zero?
Este para nós é que é a primeira edição, porque já tivemos mais tempo, o outro foi preparado num espaço de tempo muito curto. É um programa muito mais ambicioso e que reflecte muito mais aquilo que pretendemos que este festival seja. Temos grandes nomes da cultura e do cinema, períodos de reflexão e grandes filmes.
Uma das coisas que estou mais orgulhoso é a exposição que temos este ano, que tem uma dimensão considerável, com as fotografias de Marie-François Banier e as fotografias inéditas do Luis Buñuel. Temos um júri que me orgulho de cá estarem todos e temos filmes em competição que não sendo conhecidos, são surpreendentes e acredito que vai agradar ao público.

Foi difícil de reunir este elenco de júri e de estrelas?
É difícil no sentido que têm de estar disponíveis. São pessoas que têm compromissos que os impedem de dispor assim de 10 dias. Por exemplo o arquitecto Miguel Barceló esteve cá o ano passado e para a semana vai inaugurar a célebre cúpula da ONU em Genebra e quando cá passou ia num instante a Genebra dar uns retoques.

Como surge o tipo de convites, como por exemplo ao prémio Nobel da literatura e, 2003 JM Coetzee?
O Coetzee não o conhecia, como acontece com outros. Enviei um convite através do agente e ele respondeu logo muito amavelmente, porque tinha ouvido falar do festival através do autor seu amigo Don DeLill e depois é uma espécie de cumplicidade já que falam uns com os outros. Depois quando lhe disse que se poderia encontrar com a Catherine Deneuve ficou muito contente. O Paul Auster também o aconselhou a vir. Uns nomes chamam os outros e é isso que nos permite reunir um bom elenco. É uma teia de conhecimentos e admirações mútuas, que existe entre eles. Há sempre surpresas, porque há última da hora muitos podem não conseguir vir mas outros ainda é incerto. O Bertolucci é muito possível que venha para se juntar ao Michael Pitt e ao Louis Garrell. A Eva Green [outro elemento do filme Sonhadores] está neste momento no Japão, por razões profissionais. O Gerard Depardieu também era para vir mas devido ao grande drama que lhe aconteceu [morte do filho] foi descansar para a Austrália.

Acha que pode haver surpresas durante o festival?
Eu espero que sim, o ano passado houve uma grande surpresa guardada para o final, nos descontos do jogo [Lynch], e este ano também é possível. Custa-me avançar nomes porque depois podem não vir. Foi o que aconteceu ao Vincent Cassell, que tinha tudo marcado para vir mas a distribuidora do novo filme dele em França não o deixou à última da hora por compromissos contratuais. Com imensa pena dele, que gosta imenso de Portugal. São coisas de acontecem.
Mas ter cá o Stephen Frears, o Coetzee, o Bernardo [Bertolucci], Agnés Varda, Valeria Bruni-Tedeschi, este júri, Michael Pitt, Mathieu Amalric – que é uma personagem muito peculiar como realizador e actor, que começou como estagiário do João César Monteiro em França (risos) –, é de satisfação.

Em Portugal não é normal um festival ter tantas estrelas juntas… normalmente há no máximo uma estrela estrangeira…
E conseguem uma estrela com cachets que aqui não acontecem. Se pagássemos grandes cachets tornava o festival impossível. As pessoas têm que vir porque lhes apetece vir e se sentem bem. Penso que o ano passado foi possível a essa cumplicidade e confiança que se estabeleceram nestes 30 anos de trabalho e de cinema. Estou ainda há espera que o John [Malkovich] venha numa próxima oportunidade porque tem uma peça a estrear no final do mês no México, calhou mesmo mal.
O Stephen Frears o ano passado não podia, este ano vem. Se o festival tiver continuidade pouco a pouco consolidamos o projecto. Que seja um encontro em que o público disfrute com estas pessoas que são grandes artistas mas ao mesmo tempo pessoas muito simples e iguais a todos nós. É isso que é interessante.

Fala-se que este é uma espécie de Cannes português, pela visibilidade que começa a ter…
Eu não queria categorizá-lo. Cannes demorou 30 anos a afirmar-se como grande festival mundial, a seguir há três ou quatro grandes festivais onde os filmes importantes querem estar presentes. Como Veneza, Berlim e San Sebastian também tem crescido bastante. Toronto é mais um mercado, onde é mais um festival industrial. Depois há imensos pequenos festivais, há 600 ou 1000… Tentamos encontrar o nosso espaço particular. Não queremos ser o Estoril e que o Estoril seja um nome que ao longo dos anos vá construindo uma reputação para quem quer ver bom cinema e reflectir onde se encontra o cinema, problemas e o seu fascínio… é isso que queremos acompanhar. É isso que eu gostaria que o Estoril fosse. A minha concepção de um festival é que tenha uma categoria própria.

A nível de programação, quais os critérios?
Por um lado queremos mostrar o que de melhor há na produção europeia, com os filmes que o comité vê durante o ano. Alguns filmes já passaram noutros festivais mas não em competição. Não queremos repetir na nossa competição filmes que tenham estado em grandes festivais para dar uma chance a outros filmes que são igualmente bons ou melhores. E passar fora de competição o que de melhor se produziu no mundo. E aí é possível ver em antestreia grandes filmes. Temos a sorte uma antestreia mundial, que é o segundo capítulo de Mesrine: L’enemie public nº 1, de Jean-François Richet. Uma das maiores produções europeias e é um realizador extremamente curioso que já trabalhou nos Estados Unidos e tem uma visão muito particular.

O próximo ano já está garantido?
Para já vamos garantir este ano. E vamos ver se conseguimos estar cá para o ano, isso também depende da confiança do Dr. António Capucho e da Câmara de Cascais e será ele que pode tirar as ilações e ver se a aposta é para solidificar.




Peça sobre Bedtime Stories

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Deixo de seguida uma amostra das entrevistas/conferência de imprensa que fiz para o Destak.


Sandler vira-se para a Disney
Estive em Londres a entrevistar o elenco e realizador de Histórias para Adormecer, comédia da Disney que estreou quinta-feira em Portugal.



Adam Sandler faz comédias como protagonista há 14 anos mas, neste período e após muitos filmes, esteve sempre afastado da Disney e da comédia lá feita. Os filmes que protagonizou e escreveu até agora têm tendência para serem provocadores e arriscados, o oposto do que a Disney faz. Tudo isso mudou este ano com a estreia de Histórias para Adormecer, a comédia cheia de sonhos e esperança que Sandler fez «a pensar no meu miúdo e nos filmes que ele poderia ver».

O actor e argumentista, sinónimo de recordes de bilheteiras nos Estados Unidos, é tudo aquilo que se pensa à partida dele. Alguém sem vedetismo, com roupas simples, botas de campo, aspecto descontraído, um riso estranho e sempre pronto para a galhofa. Foi isso que vimos e ouvimos em Londres, numa conversa com os jornalistas repleta de bons momentos e pouca conversa séria, afinal o filme era para animar e não deprimir. «Vamos parar com estas perguntas e vamos olhar nos olhos uns dos outros e conhecermo-nos todos», foi a forma de Sandler “quebrar o gelo”.

O filme conta a história de um empregado de hotel cuja vida muda quando inventa histórias de adormecer com os sobrinhos e elas começam a acontecer na vida real. Quando tenta aproveitar-se do fenómeno, as contribuições dos sobrinhos complicam-lhe os planos.

Adam Sandler, que adorava as histórias de Willy Wonka quando era miúdo, explicou que improvisa histórias à sua filha de 2 anos, que está agora obcecada por comida e foi a grande razão para ele fazer este filme da Disney. «Ela obriga-me a inventar histórias sobre comida. Desde rios de geleia a lutas entre waffles e panquecas, à montanha de manteiga», disse. Sobre a rodagem foi em família: «Levávamos todos as nossas crianças para a rodagem e por isso viveu-se um ambiente muito familiar.»

Sandler: «Já fui a Portugal»
O actor juntou um elenco de amigos e pessoas que admira, incluindo o comediante britânico Russell Brandt, e o argumentista de sempre, Tim Herlihy. «Ter uma versão adulta de um filme da Disney era capaz de ser chato… mas é uma ideia», disse o energético comediante Russell Brandt (cada vez mais presente em comédias americanas), que mais parece um recordista em dizer piadas por minuto.

Rob Schneider, actor presente na maioria dos filmes de Sandler e que também esteve neste Histórias para Adormecer, fez recentemente uma campanha sobre as rolhas de cortiça em Portugal, chamada Save Miguel, para promover o seu uso na Austrália.

O Destak perguntou a Adam Sandler, quando é era a vez dele vir a Portugal? «Já estive em Portugal, adorei lá estar e espero levar o Schneider. Ele passou lá uma boa temporada e da próxima vai-me ensinar algumas coisas.»

Brandt num drama?
Já ao comediante Russell Brandt fizemos a seguinte provocação: Quando é que faz um drama nos Estados Unidos? «Provavelmente na próxima vez que fizer um telefonema por lá», explicou sem evitar rir-se. A resposta está relacionada com uma polémica recente que colocou Brandt nas manchetes dos ingleses.

O comediante aproveitou o seu programa de rádio mais arrojado e fez em directo uma chamada para o atendedor automático de uma personalidade inglesa, iniciando depois comentários jocosos sobre a neta do mesmo. Brandt arrependeu-se e pediu desculpa pouco tempo depois. Mas nem isso o salvou de muitas críticas e do fim do programa de rádio da BBC.

Brandt continuou a resposta: «Estou a fazer agora o filme Tempist, que é inspirado numa peça do Shakespeare… o que é vocês querem de mim em Portugal? Não consigo fazer as fitas do Cristiano Ronaldo, vocês chamam a isso uma comédia, não? (risos) Estou a brincar. Assim que alguém me der oportunidade posso tentar drama… eu faria um drama, sem dúvida».



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Adam Shankman
O realizador de Hairspray, que vem do mundo da coreografia e tem-se especializado em comédias, explicou que as únicas limitações pelo filme ser da Disney eram «não bater em ninguém nem ter asneiras». «E isso foi muito fácil para os actores, porque criaram-se novas oportunidades... e ainda assim continua a ser um filme de Adam Sandler», explicou.

Já o Russell Brandt foi uma grande aquisição, porque ele «é incrivelmente divertido e simpático». «Como andavam sempre na rodagem os miúdos da Keri e do Adam, não havia asneiras», disse, revelando que sente sempre pressão e receio quando está a rodar um filme, porque sente «uma responsabilidade grande quando [lhe] confiam um grande orçamento.» «Tenho tido tanto sucesso que sinto que agora elevam-me sempre a barreira. Filmes como este são feitos de forma comercial para tentarem abranger o máximo de público possível. As reacções que tenho tido é que os miúdos estão a adorar e os adultos estão a rir-se muito no filme. E era só isso que eu queria.»



Keri Russell
A actriz que faz de alvo amoroso inicialmente improvável de Sandler no filme, contou-nos que foi a série Felicity (que chegou a passar na RTP1) que lhe permitiu chegar ao cinema e dar um salto na sua carreira. Depois de ter feito uma série de filmes onde se inclui Missão Impossível III, a actriz parou para ser mãe pela primeira vez.

Foi um telefonema de Sandler que a voltou a colocar no activo antes do previsto. «O Adam ligou-me quando estava muito grávida, não o conhecia, e ele disse “tenho um miúdo agora e ouvi dizer que vais ter um miúdo. Quero fazer um filme que o meu miúdo possa ver e quero que o faças comigo”». Foi desta forma simples e directa que Keri foi integrado no projecto de História de Adormecer da Disney. «Foi divertido e diferente trabalhar com o Adam, porque ele reescreve tudo o que faz e improvisa muito, por isso tive de me deixar ir e segui-lo».

Entrevista Joaquim de Almeida



(Entrevista realizada em Lisboa, Av. 5 de Outubro, em Setembro)

«Na cena mais intensa às tantas estávamos os três a chorar»
Entrevista a Joaquim de Almeida
Aos 52 anos o actor português mais internacional de todos os tempos continua a fazer o que mais gosta «fazer filmes que me cativem». Falámos com o homem que «detesta ter pouco para fazer» e que diz que «tu és tão bom quanto a última coisa que fizeste» a propósito de Longe da Terra Queimada, onde é amante de Kim Basinger.

Como integrou na sua agenda esta sessão para promover este filme?
Tinham-me dito em Cannes que o filme iria sair mais tarde, temos estado em contacto. Eu acabei o filme Chistopher Roth na Roménia no domingo, por isso disse que poderia estar cá para a semana de estreia do filme. Aliás, uma pessoa diz que pode estar esta semana, mas depois há outras pessoas que querem outras coisas. Estou envolvido nisto de Portimão, acabo por ir ao Algarve, por isso acaba por ser uma semana completa. Depois tenho os meus filhos.
Eu também sou uma pessoa bastante activa e que se chateia é de não fazer nada, para mim, o estar ocupado dá-me sempre prazer. Ainda por cima acabei de fazer um filme em que estávamos a trabalhar 12 horas por dia. Mais hora e meia para cada lado, deram 15 horas. Isto ajuda-me a não quebrar o ritmo, porque nós geralmente quando fazemos ao fim de muito tempo sempre muitas pessoas a trabalhar, a trabalhar, de repente sentimos um vácuo. E assim ajuda a mantermos o ritmo continuarmos ocupados a seguir.

Como surgiu o convite do Guillermo Arriaga para fazer este filme?
Disseram-me que o Guillerme gostava de falar comigo para um filme. Eu disse que sim, mas tinha de ser no dia seguinte porque ia para a Europa logo a seguir. Quando me encontrei com ele no Novo México, tinha chegado de Los Angeles, e ele disse-me que tinha andado a falar de mim há não sei quanto tempo. Primeiro disseram-me que estavas a filmar e não te encontrava. Segundo ele explica não conseguia encontrar ninguém como eu. Porque dentro do filme ele fala dos elementos, da Terra, do Fogo, do Ar… e ele queria um homem Terra, e para ele Joaquim de Almeida era um homem Terra. E finalmente ele tentou novamente ver se eu não estaria livre. E por acaso coincidiu que havia uma semana que faltava para a Kim Basinger acabar o trabalho, em que eu poderia fazer porque acabava mesmo antes de filmar La conjura de El Escorial.
E fui-me embora numa sexta-feira, apareci lá sábado. Domingo à noite encontrei-me com a Kim [Basinger] à noite. Ela disse-me “não vamos falar nisto, tu és profissional, fizeste muitos filmes, eu fiz muitos filmes… segunda-feira fazemos aquilo que temos que fazer”. E assim foi.
Tinha falado muito com o Guillermo sobre a personagem e demo-nos muito bem na rodagem. O convite foi para mim uma alegria porque finalmente alguém nos Estados Unidos pede para fazer um filme em que não sou o mau da fita, se bem que não foi um norte-americano, foi um mexicano. Mas estamos a falar de um filme norte-americano, que dá-me oportunidade que as pessoas me vejam agora para outros papéis. Aliás, tenho feito agora ultimamente sem ser maus da fita.
Isto surgiu assim. Encontramo-nos, fomos almoçar. Ele disse-me que o filme era meu. E eu pensei “espera aí, os produtores ainda precisam de aprovar, é melhor não ficar demasiado contente”. Ele ainda ia para o México nesse dia e eu para Los Angeles. Ainda nos metemos no cinema e fomos ver um filme dos Beatles, que ele já tinha visto. Assim foi. Fomos para o aeroporto, bebi uma cerveja ele uma Pepsi Cola, porque ele é viciado nisso, ele foi para um lado e eu fui para o outro.

Rodagem curta para entrar dentro do tempo disponível?
Eu só tenho cenas com a Kim Basinger. Ele [Arriaga] depois disse-me que foi melhor assim porque acabou por filmar as minhas cenas todas numa semana com ela e filmámos cronologicamente em relação ao próprio affair. Portanto isso facilitou porque fomos progredindo como se fosse na vida real.

É a primeira longa-metragem de Arriaga. Sentiu carinho especial por ser a estreia dele?
Senti um carinho especial, primeiro por adorar o guião, segundo por ele me querer. Mas sobretudo o bom foi que…
O Guillermo acabou por fazer o filme com dois directores de fotografia. Um, Robert, fez a parte do Novo México e o outro fez a parte do Oregon. Não foi voluntário. Foi pelas circunstâncias do filme. Ambos se enquadraram bem com o filme. Mas o que eu gostei foi, tendo ele dois directores de fotografia com tanta experiência. Deixou liberdade ao Guillermo de se ocupar com os actores. Que é o que ele gosta. Sobretudo na história que se passa comigo e com a Kim, é transportada da vida real dele e pô-la no filme.
Eu lembro-me de estar a fazer a cena do seio, com a Kim. E às tantas estávamos os três a chorar. Eu olho para o lado e pergunto-lhe “então, estás a chorar?”. E ele responde “Cabron, então e tu?” [risos] E foi comovente porque às tantas estávamos a chorar compulsivamente. É uma história que não é fácil. É uma história sobre a dor, sobre o esquecer, amores proibidos. Sobretudo sobre a rejeição também. As histórias do Guillermo nunca são fáceis. Agora é uma história que eu adorei porque senti a ler aquilo que depois vi no filme. Aquilo obriga a ter atenção ao filme para percebê-lo. Se nos deixamos adormecer 10 minutos talvez não percebamos o que se trata. As histórias são paralelas e para mim houve uma certa alegria quando vi com amigos meus o filme e eles percebem o que se estava a passar – eu já sabia o guião, portanto ia em vantagem.
O filme tem tido reacções totalmente diferentes. Inclusive agora nos Estados Unidos, o LA Times adorou o NY Times detestou, em Itália, França, Espanha, sempre da mesma maneira. Um jornal adora, outro detesta. E dentro do mesmo jornal, um adora outro detesta. Acho que em Portugal vai ser da mesma maneira. Mas pronto, a vida é assim. Mas é um filme que não passa indiferente.

A cena do seio é muito intensa emocionalmente. Houve preparação para uma cena daquelas?
É engraçado, porque para quebrar a tensão, devido às cenas serem tão pesadas, quando se mudava de posição de câmara o Guillermo contava anedotas e ajudava-me muito. A Kim pediu que essa cena fosse feita pela manhã, porque para ela era a mais difícil do filme. Estava muito nervosa, porque sabendo que era biográfica para o Guillermo ela tinha medo de não estar à altura. E só me lembro do Guillermo dizer “ela está a tremer, vamos usar isto, eu preciso disto, não quero que ela relaxe”. E então filmámos com grande rapidez e depois foi engraçado quando acabámos de filmar a cena ela olhou para nós, fez um grande sorriso e disse: “quero contar-vos uma anedota”. E contou uma muito infantil, porque ela tem uma filha de sete anos e é assim que ela é. Ela é uma pessoa muito divertida e de uma fragilidade enorme. Não tem nada a ver com a Charlize Theron, que é toda Maria Rapaz. Ela é muito frágil, até o sol faz-lhe mal. Demo-nos muito bem e acho que ela está muito bem no filme, tem uma performance extraordinária. Quiseram-lhe dar o prémio em Veneza mas não lhe deram porque ela disse que não vinha. Ela não vai a festivais, nem sequer foi à estreia do filme nos Estados Unidos, ela detesta multidões.

Uma semana para gravar tantas cenas é obra…
Foi e é assim. Temos mais de 50 anos, somos actores experientes. Ela própria diz, já fizemos muitos filmes, muitas cenas de câmara e assim foi.

Caminha para a marca dos 100 filmes. O cinema norte-americano é o de eleição, ou diversificar continua a ser palavra de ordem?
Já fiz setenta e tal filmes. Gosto de diversificar, dos EUA à Europa. Gosto de fazer filmes diferentes. Mas o importante é o guião e quando um guião é bom vale a pena. Nós que andamos há muito tempo nisto conhecemos bem os realizadores, fiz mais do que um filme com o mesmo realizador e é sempre para mim um prazer trabalhar com alguém que conheço. Também passamos por épocas em que trabalhamos menos e mais e ajudamo-nos uns aos outros. Não acho o cinema americano o melhor hoje em dia. O cinema independente americano talvez seja dos melhores cinemas. Há realizadores como o Clint Eastwood, que é um cinema com dinheiro mas com um feeling independente. O cinema americano está muito ligado ao cinema de Verão, aos blockbusters. Não me cativam particularmente, a não ser por estrearem no mundo inteiro e darem muito dinheiro. Temos todos de sobreviver e ganhar dinheiro. Mas adoro fazer cinema por fazer cinema. Com um bom guião, um bom realizador e uma boa audiência. É difícil conseguir estas três. Nem sempre um bom guião corresponde a um bom realizador e vice versa. Ce la vie. Nem sempre se vai a um restaurante e como aquilo que se pensava que se ia comer, pronto.
Costuma fazer retrospectiva da sua carreira e pensar nos trabalhos que mais gozo fazer?
Não, não faço, nem penso no passado. Há uma coisa que se diz no cinema, “Tu és tão bom quanto a última coisa que fizeste”. Eu penso naquilo que acabei de fazer, tento sentir-me contente com o que acabei de fazer. Aliás não vi os filmes todos que fiz. Tenho lá vários em casa que continuam selados e alguns vão sendo abertos pelo meu filho. Não vejo as coisas que faço. Tenho prazer em fazê-las. Alguns vejo outros não. Há muitos que até tiveram muito sucesso e não os vi. Ou porque passou o tempo de ir à estreia… e as mini-séries de quatro ou cinco horas não tenho paciência para as ver, ainda por cima apareço muitos anos mais novo.

Ainda há realizadores com quem desejaria trabalhar?
Há tantos. Hoje em dia há tantos realizadores de cinema. Eu adoro realizar com realizadores novos do que com realizadores já famosos. Acho que quando trabalhamos com realizadores novos há… eu quando fiz o filme Desperado, o Robert Rodriguez era uma realizador novo, hoje é um consagrado. Fiz o Che, tive pena de fazer uma parte pequena, num filme onde todos éramos pequenos menos a parte do Che, com o Soderbergh. Adoraria de filmar outra vez com o Soderbergh, gostei dele pessoalmente, da maneira dele trabalhar. Sei lá, há muitos. Eu acho que mais do que tudo, mais do que o realizador interessa o guião, e quando o guião é interessante, é-me indiferente se conheço o realizador ou não. É evidente se é um realizador consagrado melhor, porque já sabemos o que esperar dele. Mas às vezes… o Soderbergh quando fez Sex, Lies and Videotape, foi o primeiro filme dele e ganhou Cannes e seguramente nenhum dos actores estava à espera que o sucesso fosse dessa maneira. O futuro ninguém o pode prever. Ainda agora vi o último filme do Tarantino e vi um amigo meu, Christopher Waltz, que eu não via há anos… a última vez que tinha visto foi quando deixou a minha casa, porque esteve a viver comigo durante um ano, porque tinhamos estudado juntos. E agora vejo num filme de Tarantino e ganhou o Melhor Actor de Cannes e agora já tem outros filmes para fazer. Desde que o deixei até agora nunca ouvi falar dele, porque ele tem feito uma carreira, sei lá, na Alemanha porque não conseguiu ter uma carreira internacional. Está a ver, nunca é tarde para ser ter uma carreira internacional e ganhar prémios. Basta um filme.

Esta semana estreia ao mesmo tempo que o Longe da Terra Queimada dois grandes blockbusters, a animação da Disney Força G e o remake Fama. Que conselhos daria ao púbico português para ir espreitar este drama?
Para já não sei como está classificado este filme, mas deve ser para maiores de 18 anos. Portanto, estamos já a tirar grande parte do público possível. Não é um filme que as pessoas vão ver duas, três vezes, não é um filme como o Fama, que entretém. Isto é um filme para quem gosta de Cinema, para quem gosta de pensar e para quem gosta de ver bom Cinema. É um filme também muito mais dedicado para uma faixa etária, eu diria dos 25 aos 75. Não tanto para os jovens… acho que não há competição entre estes filmes. São filmes com propósitos diferentes, diametralmente opostos.

Actores e a fama

Artigo para a secção de Fama e TV do jornal Destak. Julho de 2009.


Ryan Reynolds e Scarlett têm receita anti-paparazzo

O actor canadiano Ryan Reynolds falou ao Destak em Londres há duas semanas, a propósito da comédia com Sandra Bullock A Proposta, que estreou a semana passada e explicou como tem conseguido «nunca viver uma vida propícia para os tablóides» com a mulher, a muito desejada e requisitada Scarlett Johansson.

João Tomé, em Londres


O canadiano Ryan Reynolds admite que evita falar da vida pessoal até porque «não há conferência de imprensa quando saímos de nossa casa».
«Na maior parte dos casos, se há sete ou oito fotógrafos a remexer no lixo à porta de tua casa é porque fizemos algo que lhes permitiu estar ali. Demos-lhe acesso ou permissão. E a partir do momento em que fazemos isso não podemos voltar atrás. Nunca vivi essa vida. Temos de nos proteger até certo ponto», disse.

O actor que se tem dividido em comédias, filmes de acção e até thrillers (participou no recente Wolverine) continua a explicar os cuidados que têm na vida com Scarlett Johansson: «Se quero uma salada não vou ao sítio mais mediático, vou a outro sítio».

Reynolds quase explica proposta de casamento a Scarlett Johansson
Na curiosa comédia romântica A Proposta, onde Reynolds reencontra a amiga Sandra Bullock, a sua personagem recebe uma proposta de casamento obrigatória da sua chefe autoritária.
Questionado por uma jornalista sobre a sua proposta de casamento a Scarlett Johansson durante a conferência de imprensa do filme, a que o Destak também teve acesso após a entrevista ao actor, a amiga Sandra Bullock interveio de forma irónica: «Sim, fala-nos sobre o teu momento mais íntimo com a tua mulher».

Ryan Reynolds não se fez rogado e colocou em prática a sua estratégia de pouco falar da vida privada, ironizou. Primeiro simulou mostrar uma série de slides com o momento da proposta de casamento a uma das mulheres consideradas mais sexys do mundo do cinema. Depois explicou em tom de brincadeira: «posso dizer que envolveu um ninja, um carro dos bombeiros e muita coerção».

Editor de um tablóide por dois minutos
De regresso à entrevista com o actor que soube sexta-feira passada que irá ser novamente um super-herói no cinema: nada mais nada menos do que o Lanterna Verde, Reynolds colocou-se, a nosso pedido, na pele de um editor de uma tablóide daqueles que inventa notícias. Se fosse editor de um desses jornais por um dia que notícia inventaria sobre si próprio?

«Boa pergunta… mas difícil. Talvez: "Reynolds visto mais uma vez a alimentar os sem abrigo". Mas isso não venderia. É quase cómico ver a forma como se inventam notícias. É pior se formos forçados a responder às notícias. Mas está totalmente fora do nosso controlo. Não se pode fazer nada em relação a isso.» Explicou o actor que começa a rodar dentro de uma semana o estranho thriller ao estilo de Hitchcock, Buried, quase todo passado dentro de um caixão.

Ryan Reynolds, um canadiano que integra o lote de actores mais em voga em Hollywood neste momento, admitiu a uma revista norte-americana há poucos dias e já depois de ter falado com o Destak, que admite a hipótese de adoptar uma criança com Scarlett Johansson no futuro, até porque um dos seus irmãos foi adoptado. Um pormenor pessoal que parece não comprometer a estratégia delineada.

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Entrevista mais sobre o filme A Proposta
«A química não tem a ver com amizade»

Ryan Reynolds, o actor canadiano mais em voga do momento, fala de Sandra Bullock e do Porto.

Já ser amigo da Sandra Bullock ajudou na rodagem?
Nunca tive de contracenar com o Wesley Snipes nu… felizmente. Para momentos de nudez ajuda sermos amigos, sem dúvida. Mas digo sempre que a química no ecrã não tem nada a ver com amizade. Podemos ter química com qualquer pessoa, é a última coisa em Hollywood que não é completamente computadorizado. Se não temos química com uma pessoa, nunca vamos conseguir tê-la. Nos primeiros 45 segundos ambos sabíamos. Por norma, trabalhar com um grande amigo é a melhor forma de estragar a amizade, o que não aconteceu.

Sandra Bullock faz de canadiana, deu-lhe alguma dica?
Sei bem o que é passar para um sistema de saúde muito caro, por exemplo. Não havia muito que lhe pudesse ensinar, só fiquei feliz por ela não fazer o habitual estereótipo. Não estava a interpretar uma santa patinadora no gelo, mas sim uma capitã da indústria dura. Nos filmes são conhecidos por ser pacíficos e passivos, mas eu conheço muitos canadianos zangados por natureza.

Já teve trabalhos em que namorasse com a chefe?
Não. Mas já tive trabalhos estranhos. Trabalhei num cemitério, num armazém, num restaurante horrível. Quando tinha 16 anos, trabalhei num clube de iates em que os meus chefes eram os terríveis filhos e filhas de 8 anos de pessoas ricas. Chamavam-me rapaz, nem me tratavam pelo nome, eram horríveis. Desejava-lhes mortes lentas.

O thriller Buried será um filme totalmente diferente?
É um filme revolucionário. Nunca ouvi falar de nada assim, com uma pessoa (eu) dentro de um caixão durante 80 minutos. O que me interessa mais é o desafio técnico, tem uma premissa ao estilo de Hitchcock.

Viajar é o seu maior hobby?
Adoro viajar. O meu problema é que gosto de transformar as minhas férias numa corrida. O ano passado fui a África durante três semanas, foi incrível. Há uns tempos estive na Europa. Passei pelo Porto durante o Euro 2004, foi um caos, com adeptos de todo o mundo. A cidade estava linda mas a confusão era demasiada.

Entrevista | Amy Adams

Saiu parte da entrevista no jornal Destak, em Fevereiro de 2009. Crítica ao incrível filme Dúvida aqui (inclui parte de entrevista ao realizador John Patrick Shanley).



Entrevista
«Fizemos Dúvida com um espírito de equipa impressionante»
Simpática e bem disposta, a actriz Amy Adams conseguiu a sua 2.ª nomeação para os Óscares com o brilhante filme Dúvida (estreou ontem em Portugal). Adams esteve à conversa com o Destak, em Londres, e revelou a forma como o filme de John Patrick Shanley a inspirou e contou a experiência de rodar com a lendária Meryl Streep, que até a ensinou a tricotar durante as rodagens.

João Tomé, em Londres

É sorridente e diz ter um espiríto aberto e positivo – bem contrário à personagem que interpreta neste filme. Amy Adams, já nomeada para os Óscares pelo filme Junebug (2005), é uma freira nos anos 60 que despoleta sem querer uma suspeita horrível, alimentada pela freira-chefe (Meryl Streep) neste Dúvida (ler crítica ao filme aqui). Amy está outra vez nomeada para Melhor Actriz Secundária.


Poderia ser freira?
Não (risos). Por causa da obediência. O voto de obediência. Eu questiono em demasia a autoridade e gosto de um bom debate.
Entramos em filmes já conhecendo o realizador. Não gosto de tirania. Mas sou uma boa trabalhadora e nos filmes procura-se uma

Quando uma actriz recebe uma primeira nomeação fica muito feliz, mas pela segunda vez costuma ser menos entusiasmante?
Não, continua a ser muito excitante até porque esta vez é bem diferente (a primeira foi por Junebug). Fizémos este filme com um espírito de equipa impressionante e ter esse reconhecimento, como equipa (Melhor Argumento e todos os actores estão nomeados), é fantástico.

Há um momento em que a irmã Aloysius fala da inocência da irmã James, como se prepara para uma inocência tão espectacular?
É uma função do argumento e uma necessidade da personagem e a forma como ela entra nesta história em particular. Requer que ela comece num estado de pureza para que possa tomar a sua viagem nesta história. Foi uma colaboração com o John (o realizador) e as outras personagens. Além disso falei com freiras, não pude falar com nenhuma assim tão nova e tão pouco “tocada” pelo mundo, mas ao falar com elas sobre como era o seu mundo em 1964 tornou a experiência da personagem muito diferente. Porque era uma geração muito diferente de mulheres americanas, antes da emancipação e eram criadas de forma muito diferente nessa altura. Ter analisado aquela época foi muito importante para mim.

Disse noutra entrevista que o hábito singular que as freiras usavam deu-lhe uma sensação completamente diferente de si própria, é assim?
Sem dúvida. Usar o mínimo de maquilhagem e usar aquele hábito… eu sou conhecida por ter este cabelo (ruivo), e colocá-lo tapado e não sentir o meu cabelo e a minha maquilhagem, não estar em roupa normal, foi muito revelador sobre mim própria. E aquelas boinas criam esta realidade fantástica de nós próprios. Só se colocarmos as mãos a tapar o cabelo já temos uma sensação diferente de nós. (risos).
Não se consegue ver nada de lado ou por cima e tem-se uma visão muito focalizada do mundo e isso ajudou a formar a minha personagem.

Quando esteve a falar com as freiras tentava perceber como elas falavam e como se comportavam?
Eu perguntava-lhes como seria um dia típico. O que fazia quando acordava… seguia-as no dia todo. Quantas vezes podiam ir a casa, se se envolviam com a comunidade e se a comunidade se envolvia com elas. E naquele tempo elas estavam muito isoladas. Os votos delas mantinham-nas como um grupo fechado. Para ela, desde que se inicia a suspeita que a afecta, não há por onde ela fugir. Não pode ir para casa. Não pode ligar a ninguém. É só ela e os seus próprios pensamentos. Poderia recorrer a Jesus, mas quando sentimos que fizemos algo de errado e deus não nos pode ajudar, e temos de viver com isso toda a nossa vida… isso é profundo.

Acredita em deus?
Sim.

Foi criada na religião mórmon, é verdade?
Até aos 11 anos sim. Mas já não pratico. A religião mórman deu-me valores morais muito sólidos. Partes da minha família ainda são muito fiéis há religião e têm sido muito importantes para a restante família em alturas de necessidade por isso estou muito grata.

A diferença entre a altura do filme e a actual é que uma é mais secular e talvez hoje as pessoas sintam falta de fé ou vivam sem deus… o que pensa?
Não sei se vivem sem deus, talvez a confiança na religião organizada tenha mudado. A maior parte das pessoas que conheço são muito espirituais, mesmo que tenham dúvidas ou suspeitem de igrejas organizadas, acho que as pessoas são espirituais e ainda acreditam em algo maior do que elas próprias.

O filme também fala de uma época em que há desconfianças de outras organizações que antes não eram postas em causa (é pós-Kennedy e Watergate)…
Acho que há sempre motivos para estar a questionar. Tivemos uma altura na América que tentámos reconstruir o país após a II Guerra Mundial, tentar repor o establishement e dar uma sensação de paz durante a crise de mísseis. Havia tanto a passar-se e a América estava a atravessar estes problemas e a ultrapassar uma época de maior ingenuidade para começar a ver as coisas mais de uma perspectiva global e mundial (acho que ainda estamos a aprender isso).

Qual a mensagem que retira deste filme, o que aprendeu com ele?
Há muitas coisas que aprendi. Acho que cada membro do público deste filme terá uma reacção diferente baseada na sua própria experiência de vida, pelo que viram. Acho que é esse o génio da realização do John, porque ele deixa muito para as pessoas pensarem. Ele acredita que este é o significado deste filme, deixar que as pessoas decidam por si próprias, deixá-la a ter as suas próprias dúvidas, deixá-las a terem conversas e a terem desentendimentos sobre grandes princípios de valores e ética, certo errado, dúvidas e certezas.
E para mim, há uma frase que me tocou e não tem nada a ver com o assunto do filme, mas é o que mais significado meu trouxe. É quando o Phillip diz à irmã James: “há pessoas que te dirão que a luz no teu coração é uma fraqueza, não acredites neles, é uma táctica de pessoas cruéis”. Lembra-me em manter a cabeça erguida em alturas difíceis. Há pessoas que me criticam por ser bem disposta, mas isso não é problema meu.

Foi para um filme em que existiam dois dos actores mais consagrados do nosso tempo. O que ia na sua cabeça nas gravações?
(risos) Felizmente tivemos três semanas de ensaios, por isso deixei a grandeza do Phillip e da Meryl adormecer durante esse tempo. Acho que a minha admiração por eles acabou por ser usada para a minha personagem, para que nunca me sentisse uma igual. Ele como pessoas tentaram fazer-me sentir bem e igual. Mas nunca tentei ter muita familiaridade com eles como personagem.

Sentiu pressão?
Claro. Coloco sempre bastante pressão em mim mesmo. Não interessa se é a Meryl Streep ou o Esquilo Invisível, eu exijo muito de mim mesma. Sem ofensa para a Meryl Streep, nem estou a comparar-me com ela. Eu queria ser uma boa colega de cena para ela, foi mais essa a minha preocupação, em oposição para o que as pessoas pensariam de mim ao lado da Meryl. A preocupação era mais sobre a cena, estarei a dar-lhe tudo o que ela precisa.

Ela dava indicações durante as cenas?
Não. Quando estamos numa cena ela trata-nos como um igual. Não nos diz o que fazer ou tentar dominar. É muito viva em todos os momentos e isso é uma das coisas maravilhosas nela. É muito viva e trata os adereços com a máxima realidade possível. O copo é um copo e não um adereço. Ela aceita tudo e reconhece tudo, nada é esquecido quando está no cenário.

Sentiu que estava elevar o seu “jogo” por estar a contracenar com ela e com o Phillip e a vê-los actuar?
Sim, porque são companheiros de cena tão importantes. Mas porque eles desempenham personagens tão fortes e com tanto carácter, tive de lembrar a mim mesma que esse não era o meu trabalho neste filme, ser como eles. Não houve um momento de libertação para a irmã James. Tudo o que ela atravessa é internamente e vai sendo exteriorizado, mas não há espaço para ela “explodir”. Por isso tive de me lembrar disso. Mesmo na cena em que ela responde à irmã Aloysius, quando fiz a primeira vez a cena eu gritei-lhe. Acho que tinha de tirar a frustração da cena, mas sentir que a minha personagem teria de manter tudo dentro, não podia explodir, não está na sua natureza. Há assim uma tensão e frustração enorme em que, mesmo que ela queira expandir-se, não lhe é permitido. É alguém que não tem uma voz, tanto como ser humano como freira.

Às vezes há esta crítica de que o cinema americano hoje falta este tipo de dimensão humana nos filmes, acha que um filme como este pode ser uma resposta?
Não sei bem, terá de perguntar ao John. Ele escreveu a peça numa altura da América em que tinhamos grandes certezas. Acho que ele achou isso assustador – ele conta bem melhor do que eu, vá se lá saber porquê é melhor com palavras do que eu – não sei se a escreveu como uma peça religiosa, utilizou-a apenas como a plataforma para uma ideia mais lata.

Diz-se que é a maior estrela em ascensão em Hollywood… A sério?
Como se sente com essa descrição?
É bom (risos). Mas é uma história tão antiga, é o sucesso de um dia para o outro que demorou 11 anos a chegar por isso faz-me sentir que ando a percorrer uma maratona mas só agora me apanharam a corrê-la. Por isso não sinto que esteja a chegar a uma meta, adoro o que posso fazer e estou muito grata, mas não sinto aquela sensação de “wow, o que aconteceu”. Tenho tido a sorte de ter tido sempre trabalho e poder viver como actriz. Tenho a minha cabeça nas nuvens, é certo, mas isso também vem da minha natureza e personalidade.

Sente-se humilde quando está numa sala cheia de miúdos que interpretam personagens precoces?
Sem dúvida. Eles foram muito divertidos com que trabalhar. Viu-os na antestreia e agora todos os rapazes já estão mais altos do que eu. Nada marca mais a passagem do tempo do que o crescimento de uma criança, sem dúvida. São incríveis, as crianças. E lembrou-me a importância que é o ensino e a responsabilidade que temos para com estas jovens vidas quando estão à nossa frente. Estou muito feliz por não ser professora, porque teria medo da responsabilidade do trabalho.

O que nos pode dizer da sequela de Noite no Museu?
O que querem saber? Faço de uma milionária que ganha vida na noite do Smithsonian e é alguém aventurosa que é a força para a personagem do Ben Stiller e está a tentar que ele aceite aventura na sua vida.

Há diferenças para si em acreditar para deus e estar envolvido numa igreja organizada?
Bem, para algumas pessoas não há, para outras guardam tudo para si. Ainda não encontrei o meu lar religioso… seria um grande alívio encontrar um grupo de pessoas com uma ideologia semelhante a nós, mesmo que não acreditemos em deus. (risos) vocês são…
Quando tenho conversas comigo própria, sim acredito. Acho que é importante pormos no mundo boas intenções, se não for para nós para os outros. É importante quando há grande sofrimento é bom que haja algo que nos dê conforto. Sentimos quando há uma energia quando entramos numa sala e penso que o mundo também tem isso. Mas não sei. Ninguém sabe. As pessoas acreditam e têm fé, mas ninguém sabe.

Ficou surpreendida com a sua performance quando viu o filme, visualmente e tecnicamente?
Fiquei surpreendida o quanto os meus olhos pareciam grandes sem maquilhagem, sem dúvida (risos), estou só a brincar. Quando vi o filme apenas vi a minha personagem como parte de uma história maior.

Não se associou tanto à sua interpretação mas mais com o filme?
Sim. Não posso ser objectiva sobre a minha interpretação. É difícil para todos os actores. Todas as experiências nos ensinam algo e por isso há coisas que gosto e outras que não gosto, e trabalho e cresço e estou agradecida de estar numa carreira neste momento que me permite fazer isso.

Houve algum momento em que pensou é impossível se ser tão inocente?
Acho que as pessoas me perguntem essa pergunta porque não aceitam que haja alguém assim tão inocente no mundo. E discordo com isso, especialmente naquele período. Não tínhamos a internet, não tínhamos acesso a informação. E ainda somos um pouco assim. Na América há pessoas que acreditam em coisas totalmente diferentes e se comportam de forma muito diferente mesmo dentro da mesma casa. Nunca pensei que ela nunca poderia ser assim tão inocente. Talvez não tivesse consciência das consequências da sua inocência, acho que é isso que ela aprende.

Acha que um filme fica mais connosco do que um como A Noite Num Museu?
Depende que idade temos. Porque um miúdo vai lembrar-se do Noite num Museu. Para mim, cada personagem, dependendo o que estamos a atravessar, será uma análise diferente de nós próprios… o que faço para cada personagem, sem dizer que é o mesmo processo, mas trato com o mesmo respeito. Mas com o Noite no Museu não posso sentar-me nessa descoberta. Posso fazer decisões sobre a personagem mas depois tenho de correr para ela e ser espampanante. Aqui tenho de me sentar e tentar absorver a personagem de uma forma muito diferente e o tom do filme é oposto…
Se fizesse agora a minha performance do Doubt e da Noite no Museu seria muito confuso.

Isso muda o ambiente do cenário? Os actores estão mais concentrados aqui para entrar naquele ambiente incrivelmente tenso que o filme tem?
Tenho de dizer que o Ben Stiller é o actor mais concentrado com que trabalhei. Ele é completamente concentrado. Cada um tem o seu processo. O Phillip aqui esteve muito isolado de nós. A Meryl e eu tivemos muito tempo juntas a tricotar e ela foi muito bondosa e ensinou-me tricotar. Estivemos muito tempo lado a lado como autênticas irmãs e sinto muito calor para com a Meryl e o Phillip estava muito mais concentrado, ia para o quarto dele e o processo dele era muito diferente do nosso. E respeito isso.

Há uma relação nisso, com o papel dos homens e mulheres no filme, que são mundos totalmente diferentes…
Para mim não procuro incorporar as características do meu papel quando estou a trabalhar nele, mas inevitavelmente acabo por assumi-las. Quando fui a irmã James tinha a necessidade de estar à volta de pessoas e ser amorosa com elas, e compreender como é ser-se ela numa forma singular.
A Meryl ensinou-se a tricotar. Nem comparo as minhas capacidades de tricotar com as dela (risos). Fiz um cachecol, só consigo tricotar em linha recta… mas fiquei orgulhosa disso.

Este filme mudou a sua visão da igreja católica?
Não. A Igreja católica era o cenário e não a história. Aliás, até me fez querer ir a uma missa católica, pareceu-me uma cerimónia ritualista muito bonita. Gostei dessa tradição que ainda tem.



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ENTREVISTA (versão reduzida) à actriz Viola Davis, sobre o mesmo filme, Dúvida

Viola Davis já ganhou um Tony (prémio de teatro) e os seus 12 minutos no muito intenso filme Dúvida, onde confronta Meryl Streep numa sequência brilhante, valeram-lhe uma nomeação de Actriz Secundária nos Óscares - a última pessoa a ganhar com tão pouco tempo foi Judi Dench, em 1998. Viola contou-nos, em Londres, a preparação de uma personagem muito complexa.

Entrevista a Andrea Berloff

Saiu em formato bem mais pequeno no Destak, em 2008.





Entrevista
Oliver Stone «é mais exigente com ele próprio do que com os outros»
Entrevista à argumentista Andrea Berloff, que se estreou na profissão com o filme World Trade Center, de Oliver Stone. O DVD da homenagem aos heróis do 11 de Setembro de 2001 foi lançado esta semana em Portugal.


Idade: 33 anos. Profissão: Argumentista (ex-actriz.
Hobbys: «Adoro ler, leio muito. Gosto muito de fazer caminhadas.
Tenho um filho.»



Há quanto tempo é guionista? É a sua grande paixão?
Agora é a minha paixão. Comecei como actriz, durante vários anos. Sou uma argumentista profissional há quatro ou cinco anos. Mas obviamente antes disso já escrevia só que não era paga por isso. É difícil de dizer há quantos anos comecei a escrever, porque houve uma altura em que fazia as duas coisas, actriz e argumentista, mas diria há uns oito anos.

Como adolescente já gostava de escrever?
Não. Só comecei-me a interessar por isso e a escrever quando tinha 25 anos, à volta disso. Nunca escrevi nada até essa altura.

Como actriz fez que tipo de trabalhos?
Teatro. Estive em Nova Iorque durante alguns anos onde fiz teatro.

Essa também é uma paixão?
Sim, adoro teatro, mas é difícil viver disso, infelizmente.

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Como surgiu o convite para este projecto de trabalhar com Oliver Stone?
Tinha estado a trabalhar e a ser paga para escrever, mas nunca tinha tido nada produzido antes mas os produtores do filme, Michael Shamberg, Stacey Sher e Debora Hill, que queriam fazer um filme sobre a tragédia, encontraram-se com alguns argumentistas. Então convidaram-me para apresentar uma proposta e mostrei-lhes como iria pegar na ideia e eles contrataram-me.

Pesquisou antes de a contratarem, depois, ou antes e depois?
Ambas. Antes de ir ter aquela reunião fiz cerca de 40 horas de pesquisa, vendo jornais e pesquisando na Internet, essas coisas. Depois consegui o trabalho e fui a Nova Iorque onde fiz muito mais pesquisa próxima.

As histórias de John e Will Jimeno foram propostas por si?
Não, os produtores tinham já escolhido as duas famílias e sabiam que o filme era sobre essas duas famílias, quando me contrataram.

Entrevistou as famílias durante quanto tempo?
Houve mais do que uma viagem a Nova Iorque. A primeira vez que fui estive uma semana apenas com as duas famílias. Voltei uns meses depois e conheci muitos dos salvadores. Fui cerca de 10 ou 11 vezes a Nova Iorque, por isso passei muitas horas com eles.

Sentiu uma ligação emocional com eles e as suas histórias?
Imediatamente. Eu nunca encontrei um grupo de pessoas tão simpático. Tão generosos com o seu tempo e tão desejosos em nos ajudar a contar a melhor história possível. Verdadeiramente não havia uma maçã podre no grupo. É obviamente muito estranho e difícil quando nos sentamos numa sala cheia de desconhecidos e pedimos-lhe que nos contem sobre o pior dia das suas vidas. Eles têm o coração bem aberto. No primeiro dia sentei-me com John e Will e as suas esposas. E numa hora estávamos todos ali sentados e a chorar. Foi algo como nunca experienciei antes.

A história deles os dois é muito forte e emocional. Como conheceu Oliver Stone neste processo?
O Oliver veio mais tarde. Eu tinha feito toda esta pesquisa, encontrei-me com as famílias e escrevi o argumento. E depois, alguns meses depois, o agente do Oliver acabou por ler o argumento e achar que ele poderia gostar dele. Então enviou-lhe. Uma versão do argumento foi feito mais ou menos antes do OLiver entrar no filme. Depois dele decidir ficar com o projecto voltámos a Nova Iorque, fizemos mais pesquisa e mais alguma escrita. Foi mais ou menos feito na altura que ele entrou.

O argumento teve várias versões?
Não propriamente, tinha uma primeira versão que criei sozinha e uma segunda que o Oliver criou com a minha ajuda – estive envolvida. Quando o Oliver entrou no projecto algumas coisas mudaram. Primeiro o projecto ficou com uma dimensão muito maior, com Oliver Stone, Nicolas Cage, e a Paramount, nada disso existia quando comecei. Muitos mais dos verdadeiros salvadores quiseram que as suas história entrassem. Então tivemos de voltar a Nova Iorque e entrevistar mais resgatadores. E isso foi um trabalho intenso que tive de fazer com o Oliver.

Como é Oliver Stone? É um homem fácil com quem se trabalhar?
Fácil não é a palavra correcta (risos). Ele é muito exigente, como deve ser. Ele sabe o que quer… é um dos homens mais inteligentes com quem já trabalhei. Ele é mais exigente com ele próprio do que com os outros, mas é extremamente colaborante o que achei surpreendente. Não tinha qualquer obrigação de colaborar comigo, poderia facilmente ter feito tudo sozinho mas não o fez. Trabalhámos juntos muito bem. Foi uma experiência de aprendizagem incrível para mim.

Li que ele gostou muito do seu guião para uma novata. Nunca tinha visto uma novata escrever tão bem?
É um grande elogio. Ele disse muitas coisas boas sobre mim publicamente, por todas estou muito agradecida. Por isso é obviamente fascinante trabalhar com alguém do seu estatuto.

Li que escreveu o argumento a pensar em John McLoughlin como Mel Gibson. É verdade?
Isso não é verdade. Não é que não gosto dele… é curioso que se publicam coisas desse tipo. Quando escrevo histórias reais nunca penso em qualquer actor, penso sempre nas pessoas em questão. Conhecia o John tão bem e claro que não estava a pensar que o Mel Gibson ia ficar bem, só pensava no John McLoughlin. Não que eu não gostasse que ele estivesse no filme, mas nunca esteve na minha mente.

Mas ele foi ponderado para o papel?
A primeira e única pessoa que Oliver Stone abordou foi o Nicolas Cage. Aconteceu tudo muito depressa. O Oliver disse sim, duas semanas depois o Nic disse sim. Assim que o Oliver aceitou fazer o filme escreveu uma carta ao Nicolas Cage a convidá-lo e ele disse sim. Aconteceu tudo muito rapidamente.

O filme consegue mostrar uma história muito humana e tocante recorrendo a vários flashbacks entre as cenas em que eles estão presos no entulho e no escuro. Foi complicado manter um ritmo interessante e um lado humano destes homens no meio daquela confusão?
Acho que foi tudo muito difícil. Este foi um projecto muito complicado emocionalmente para escrever. Mas os homens da história eram muito fascinantes. E as histórias que eles contavam uns aos outros eram naturalmente dramáticas e interessantes. Por isso nunca senti que tivesse de inventar material para criar drama, estava tudo ali. Estivemos muito preocupados em ser exactos e rigorosos e eles também. Cerca de 98% do que eles contaram para o filme é rigoroso. A nível da estrutura, isso era algo que criei. Mas a maioria dos acontecimentos aconteceu.

Essa estrutura de flashbacks permite perceber com pormenor o que eles sentiam e experienciaram. Esse efeito foi criado de propósito, para sentirmos o que aqueles homens passaram e como as suas vidas eram importantes?
Quando lhes perguntava em que é que pensavam. Ambos disseram que pensavam sobre as mulheres, os filhos e isso é uma faceta muito humana – algo com que todos os humanos podem sentir proximidade. Quando estamos à beira da morte pensamos naqueles que amamos. Por isso, acho que o flashback que usámos serviu alguns propósitos, para permitir ao público perceber que estes homens têm uma vida inteira para onde voltar, é muito importante que se perceba que há pessoas à espera deles. Isso esconde o sentido de urgência, para que o público queira que aqueles homens viva. E também dá uma imagem mais cheia de quem estes homens são e eram apenas dois homens num buraco o tempo todo, sem ir intercalando com as famílias poderia tornar-se secante. Não há muita acção. São só dois homens, só se consegue ver as suas caras, nem se consegue ver os seus corpos. Por isso há várias razões porque criei essa estrutura.

Qual foi a parte do argumento de que mais se orgulha?
Há duas partes que acho que resultou muito bem tanto no guião como no filme. Gostei muito do momento em que estivemos com os polícias o tempo todo, eles já estão presos nos escombros, o edifício caiu. Não lembro exactamente como escrevi, mas basicamente subimos pelo fumo acima, e sobre a ilha de Manhattan, sobre a Terra e até ao espaço. Onde chegamos a um satélite. E depois vemos as reacções das pessoas um pouco por todo o mundo do 9/11. Gosto desse momento porque globaliza a história para que não seja apenas norte-americana, para que as pessoas, espero, possam recordar como foi esse dia um pouco por todo o mundo. É um momento muito rápido, mas foi essa a minha intenção. Esse momento foi eficaz.

Gostou das críticas e da reacção do público ao filme?
Sim. Foi interessante, porque houve reacções diferentes de país para país. O que é interessante é que, sim, recebemos várias críticas negativas, especialmente no resto dos países, que não os Estados Unidos, mas resultou tão bem, as pessoas foram vê-lo por todo o mundo. Por isso, apesar de algumas críticas más, as pessoas foram vê-lo. Num certo sentido, se tivesse de escolher quem queria fazer feliz, se um crítico ou uma pessoa comum, estaria muito mais preocupada com a pessoa comum e estou muito feliz com o sucesso do filme. Fez mais dinheiro internacionalmente do que fez nos Estados Unidos, e acho isso maravilhoso.

Li que escreveu esta história a pensar não apenas como uma história americana, mas uma história humana, que pode tocar qualquer um no mundo. Quando escreveu o filme tinha esse intuito, de fazer uma história que pudesse ser apreciada não só nos Estados Unidos, como no resto do mundo?
Claro. Óbvio que esta é uma história americana e não tinha qualquer intenção de fazer alguém nos Estados Unidos perturbado. E talvez esteja a ser demasiado grandiosa e com um ego muito grande, mas os meus maiores sonhos para o filme eram fazer ver o que aconteceu a 11 de Setembro a duas famílias, e o filme acaba na manhã de 12 de Setembro porque o veio a seguir ao 11 de Setembro foi um sentimento totalmente diferente, claro.
Para mim, se todos nos lembrarmos o que sentimos com o 11 de Setembro, o que foi sentirmo-nos unificados enquanto um planeta e preocuparmo-nos pelas pessoas, e estou a ser optimista agora, esse é um local que espero que possamos voltar um dia. Por isso, houve algumas coisas que queria transmitir.
Quis lembrar às pessoas o que foi sentir aquele dia, que não foi um dia de ódio a nível geral – e sei que isto soa um pouco lamechas – mas foi um dia com uma quantidade tremenda de amor, entre as pessoas. E na minha vida não senti isso, nesse sentido global. E queria lembrar os americanos e o mundo que os americanos podem ser boas pessoas que tomam as decisões certas. Somos capaz disso, e acho que todos devíamos ser recordados disso.

Creio que está a fazer um remake do filme de 1973 Don't Look Now…
Eu sei que está na Internet, mas não estou a fazer esse argumento. Tive uma conversa sobre esse projecto, mas nunca aconteceu, não foi para a frente. Nunca escrevi nada para eles, a única coisa que fiz foi ter uma conversa com um produtor. Mas acabei de escrever um argumento para o Ridley Scott para um filme sobre a família Gucci. É uma família ligada à moda mas não é um filme sobre moda, é sobre a família de uma forma muito dramática. Por isso acabei de escrever isso e há várias outras coisas em que estou a começar, por isso tenho andado ocupada.

Trabalhar neste projecto abriu-lhe portas para fazer outros filmes?
Sim, sem dúvida, foi uma oportunidade fantástica.

Sobre o filme do Ridley Scott, pode contar-nos um pouco mais sobre ele?
Ainda é muito cedo, ainda estamos a trabalhar no guião. Já o escrevi mas eu e o Ridley ainda vamos pensar bem nele, por isso não está pronto. Não há muito a dizer nesta altura, porque ainda estamos a trabalhar nele para perceber que tipo de filme pode ser, mas basicamente é um grande drama sobre uma família que teve muitas dificuldades. Passa-se nos anos 80 e 90.

De argumentista sem trabalhos produzidos passou a argumentista que trabalhou com Oliver Stone e Ridley Scott em pouco tempo, isto é fantástico para si?
(risos) Sim, é, sem dúvida. Sou muito sortuda. Parece que apenas estou autorizada a trabalhar com grandes homens na casa dos 60. Tenho sido muito abençoada nos últimos anos, muito sortuda.

Com Ridley Scott como é que o projecto veio ter consigo?
Já tinha feito um esboço para um trabalho para a companhia dele, por isso já conhecia as pessoas da companhia dele e depois, eles apenas me ligaram, já depois de sair o World Trade Center. Para o projecto Gucci foi tudo muito rápido. Eles ligaram-me e disseram para eu ir lá e encontrar-me com o Ridley para falar sobre um projecto que ele estava interessado. Isso foi um dos trabalhos mais fáceis que já fiz.

Quando irá estrear nas salas?
Ainda não estamos sem sequer perto disso. Ainda é muito cedo.

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Que géneros e tipos de filme gostava ainda de fazer na sua carreira?
Isso é interessante. Tendo a ser mais uma escritora de drama. Mas gostaria de fazer coisas diferentes. Gostava de fazer uma comédia muito inteligente, que nunca escrevi, mas gostava de ter a oportunidade de o fazer e talvez uma história de amor, mas uma inteligente.

Tem argumentos prontos para que possam ser comprados?
Tenho apenas um que esteja pronto e que esteja mesmo a tentar vender. É uma história verídica sobre alguns autores, escritores, que viviam em Paris nos anos 20.

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É difícil ser uma argumentista nos Estados Unidos, mais do que ser actriz?
Pode estar a perguntar à pessoa errada (risos) porque, para mim, foi mais fácil ser uma argumentista do que actriz, tive muito mais sucesso como argumentista do que como actriz. Ser uma argumentista não é um trabalho fácil, tive muita sorte e tenho bem consciência disso. A maioria dos meus amigos argumentistas não estão empregados, por isso não é fácil. É uma questão de oportunidades. Eu era uma miúda da classe média, em Bóston, que teve sorte. Não conhecia ninguém em Hollywood, quando lá cheguei e apenas tive sorte. Há muitas mais pessoas que não têm sorte.

Foi para Hollywood para seguir a carreira de actriz? Com que idade?
Sim, de actriz, tinha uns 25. Vim de Nova Iorque, onde fiz teatro durante alguns anos, e mudei-me para Los Angeles por haver mais trabalho.


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PERGUNTAS posteriores, por e-mail
Chegou a conhecer Nicolas Cage? O que achou dele como profissional e no trato pessoal?

Sim, conheci o Nicolas Cage. Ele é um gentleman de lés a lés. Encarou o papel de forma muito séria e trabalhou com afinco para retratar de forma correcta John McLoughlin.

Esteve no local de rodagem? Com que frequência? Foi estranho?
Sim, estive bastantes vezes no set, tanto em Nova Iorque (onde filmámos durante um mês) e em Los Algeles (onde filmámos quase 3 meses). Claro, tinha um bebé no meio da produção, por isso tive de tirar duas semanas! ;)

Entrevista conjunta | Goodnight Irene

Para o jornal Mundo Universitário, em 2008.








fotos da talentosa Mónica Moitas

Entrevista para o jornal Mundo Universitário a Nuno Lopes e Paolo-Marinou Blanco, protagonista e realizador do filme português Goodnight Irene. Mais sobre o filme aqui.


«Houve uma química especial no filme e na vida real»

Chama-se Goodnight Irene é um dos filmes portugueses mais prometedores dos últimos anos. Conta a história de um velho inglês e de um jovem português cujo fascínio pela intensa Irene irá torná-los improváveis amigos. O filme estreia já na quinta-feira. Protagonista, Nuno Lopes e realizador, Paolo Marinou-Blanco estiveram à conversa com o MU sobre a experiência «inesquecível». Tudo isto teve como pano de fundo o templo do cinema que é a Cinemateca.


Depois de já terem rodado e produzido o filme e agora que estão a dias da estreia, o que é Goodnight Irene significou para vocês?
NUNO Para mim foi muito mau (risos).
PAOLO …Querem que me vá embora? (risos)
NUNO Para já, desde o Alice nunca mais tinha feito cinema e quando rodei este filme já tinham passado três anos desde a última vez. Foi um regresso ao cinema, que eu tinha muita vontade que acontecesse. Já tinha recebido convites, uns que declinei por falta de tempo, outros porque os projectos não me interessavam. E com o Goodnight Irene apareceu o filme que me apetecia fazer até porque havia uma expectativa grande da minha parte. Houve ainda o lado de voltar a trabalhar com uma pessoa que está a fazer uma primeira obra, que eu acho interessante, porque estás a descobrir as coisas ao mesmo tempo que o realizador e sentes que estás a fazer parte de algo muito importante para ele.
PAOLO O Nuno tem razão quando diz a primeira obra é de uma importância muito grande para um realizador. Uma pessoa encara como se fosse o único filme que fosse fazer. Tudo tem uma importância de vida ou de morte. Agora, olhando para trás, o que achei mais fantástico foi sentir que todos trabalharam na mesma direcção. Isso tinha-me preocupado no início, mas desde os actores à equipa técnica, senti que éramos realmente uma equipa a trabalhar para o mesmo objectivo, que parecia ser maior do que nós. Apesar de ter sido eu a engendrar tudo aquilo, sentia-me apenas mais uma peça. Essa sensação de família intelectual e criativa foi muito especial e inesquecível.


Como é que surgiu a ideia para o Goodnight Irene?
PAOLO A maioria das ideias que tenho surgem de imagens muito simples. A partir daí faço quase um trabalho de detective a perceber porque a imagem é importante para mim. Neste caso tinha presente a imagem de duas personagens, Alex e Bruno, que estavam numa casa que não era deles. O Alex, mais velho, estava numa cadeira de rodas e o Bruno a empurrá-lo ao som de música, quase a fazê-lo dançar. No fundo soube quem eram as personagens, havia uma interdependência emocional entre dois homens sozinhos e individuais que estavam à vontade numa casa que não era deles.
NUNO Aliás, essa cena está no filme.


Nuno, como definirias a personagem do Bruno e o que deste de ti a ele?
NUNO O Bruno é muito solitário. Foi abandonado e isso tem uma marca muito importante na vida dele. E no cerne do personagem parece existir uma vontade de voltar a ter uma família, uma casa. Conscientemente o Bruno recusa isso e faz o contrário: esconde-se do mundo e isola-se. Esses dois lados confrontam-se e explodem nos assaltos dele às casas dos outros, que é como se fosse uma droga para poder sentir-se parte de uma família. A partir do momento em que a Irene entra na vida do Bruno e do Alex, eles percebem que a vida deles já não pode ser a mesma, porque passam a falar com outra pessoa e precisam disso. Quando ela desaparece, isso passa a focar-se um no outro e começam-se a aproximar.


Existe uma relação forte no filme entre o Alex, interpretado pelo experiente Robert Pugh, e o Bruno. Foi fácil criar isso com alguém tão experiente?
NUNO
Havia um certo receio da minha parte em trabalhar com o Robert. Nunca tinha trabalhado em cinema com um actor estrangeiro e sei que a cultura pode influenciar. Além disso, o Robert tinha uma experiência gigante e trabalhado com pessoas que admiro. E era fundamental para o filme que a nossa relação funcionasse e houvesse cumplicidade. No início parecia haver um certo distanciamento que se foi quebrando com a rodagem e com o juntar dos dois personagens, até que passou a haver uma química muito especial no filme e na vida real. Começámo-nos a dar cada vez melhor e na rodagem em Espanha já nos divertíamos que nem loucos e éramos melhores amigos.
PAOLO Estavam sempre na brincadeira (risos). Uma vez, em Espanha, tivemos um problema de luz e foi necessário conduzir o carro em que iam o Nuno e o Robert durante duas horas, à procura do melhor local. Normalmente os actores sairiam do carro para estarem mais confortáveis. Mas eles ficaram lá na conversa a rir constantemente todo aquele tempo!


Do que é que falaram tanto?
NUNO
Falámos muito pouco de cinema, curiosamente.
PAOLO Foi mais Kant e Nietzsche (risos)
NUNO (risos) Acabou por ser mais situações da vida, histórias daquela rodagem e de rodagens anteriores. O Robert tem imensas histórias incríveis de rodagens, inclusive do Master & Commander… mas não sei se posso contar… (risos).


Porque é que o nome do filme mudou já depois da rodagem de Olho Negro para Goodnight Irene?
PAOLO
Quando entrámos na rodagem o título já não fazia muito sentido porque as cenas que o justificavam tinham sido retiradas do guião. Só comecei a pensar num novo título na fase final da montagem. Como a Irene é a catalisadora da história, achei que era bom inclui-la no título. E depois a música folk americana Goodnight Irene surgiu na rodagem de forma espontânea, não existia no guião.
NUNO A canção era o Robert que conhecia, eu só o acompanhei. Começámos a cantá-la no chão do Terreiro do Paço.
PAOLO Durante muito tempo, na montagem, não pensava incluir essa cena em que eles cantam juntos. Mas acabei por usar porque me agrada essa parte da espontaneidade e parecia um bom título. Houve bastante contributo dos actores.


Paolo, acha que era fácil encontrar duas personagens assim na baixa de Lisboa?
PAOLO
Acho que sim. O Alex faz locução para guias turísticos e isso existe. Fui actor da companhia Lisbon Players. E havia uma série de ex-patriados, que tinham sido actores e ganhavam a vida a fazer narrações. Foi a base para a mecânica da personagem do Alex. O Nuno faz chaves e é um português típico com traumas muito particulares.


Como é que o experiente Robert Pugh entrou para este filme?
PAOLO
Tivémos de suborná-lo (risos)… Fizemos um casting em Londres e havia muito a atitude de alguns agentes de actores do tipo “quem és tu?” Houve dificuldade e estranheza por ser um filme português a tentar arranjar um actor com alguma experiência e por ser um realizador estreante. A escolha acabou por ser fácil. No fundo o Robert era o melhor. A relação com ele foi óptima. No início foi algo mais profissional, mas imediatamente percebi não estava a lidar com uma vedeta no mau sentido do termo. E acho que ele ganhou confiança na minha realização e o sentido de humor dele aproximou-nos. Hoje somos amigos.


O filme passa-se quase todo no centro de Lisboa e num apartamento. Porque houve a necessidade de torná-lo, depois, num road movie até Espanha?
PAOLO
Era enfatizar a procura das duas personagens em busca da Irene. A Irene é o catalizador de uma busca em todos os sentidos. Da própria Irene, que desapareceu, e de uma proximidade com outras pessoas e a busca de algum sentido. Eles tinham de tomar esse último passo e sair desse quase casulo que era a casa da Irene.
Quais as expectativas que têm?
NUNO
Nunca espero muito. Gostava muito que as pessoas gostassem, mas nunca sei bem o que vão achar. Sei o que eu acho, mas também estou tão dentro do projecto... Estou muito curioso.
PAOLO Já tive feedback positivo. Satisfaz-me ver que as pessoas reagem bem ao humor que está no filme. Para mim isso é óptimo. O filme esteve em Itália e vai para outro festival no Reino Unido. Acho que a reacção em Portugal vai ser positiva. São personagens com que é fácil identificarem-se.


Têm outros projectos no cinema?
PAOLO
Sobreviver (risos). Agora estou a trabalhar num novo argumento de outra longa-metragem que se passa em Portugal e na Índia.
NUNO Acabei de gravar outra longa-metragem, Efeitos Secundários, de Paulo Rebelo e no cinema, para já, não tenho projectos confirmados.

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Perfis
Nuno Lopes – o multifacetado. Com 30 anos acabados de fazer, Nuno Lopes tem alternado como poucos em Portugal (talvez apenas como Nicolau Breyner), entre a comédia e o drama. Formado na Escola Superior de Teatro e Cinema e com diversas formações no estrangeiro, Nuno tem já uma vasta experiência em teatro, televisão (onde trabalhou no Brasil e em Portugal) e cinema. Apesar de termos visto o seu talento para a comédia na televisão (Herman SIC, Diário de Maria e Paraíso Filmes) foram os papéis dramáticos que lhe trouxeram distinções: o Globo de Ouro de Melhor Actor em 2006, pelo filme Alice, o prémio de Melhor Actor no Festival de Cinema Luso-Brasileiro e o de Shooting Star no Festival de Cinema de Berlim.
Nuno está satisfeito até porque «trabalho não falta» e «não tenho parado». «Neste momento estou numa peça na Cornucópia chamada D. Carlos», explicou enquanto rabiscava o seu caderno de apontamentos (sempre presente), antes de iniciarmos esta entrevista, advertindo ainda que termina já no dia 18 de Maio. Mas o maior desafio recente é a série televisiva de sketches humorísticos para a RTP1, Os Contemporâneos, «onde me tenho divertido imenso mas que me tira muito tempo». Até porque Nuno ainda faz locuções publicitárias e, quando pode, é DJ.
No cinema, depois do muito elogiado Alice, de Marco Martins, de ter entrado em Quaresma e Peixe Lua e António, Um Rapaz de Lisboa, fez este Goodnight Irene e acabou de rodar Efeitos Secundários, de Paulo Rebelo. Para já é tudo, «enquanto não se confirmam alguns projectos que lhe foram sugeridos».


Paolo Marinou-Blanco – o poliglota. Tem um nome de origem italiana, pai português, mãe grega e nasceu em Nova Iorque. Mas o carácter internacional de Paolo não se fica por aqui. Saiu de Nova Iorque aos dois anos, onde «nasceu por acaso» e viveu depois na Bélgica, Madeira, Grécia, África do Sul e Macau. Tudo isto porque o pai era delegado da TAP. Aos 18 anos saiu de casa e passou a maior do tempo entre Londres, Nova Iorque e Portugal.
«Inicialmente não ligava ao cinema, interessava-me era o teatro e comecei como actor e depois encenador», explicou Paolo, admitindo que não tinha talento para actor. Depois quis «enriquecer o intelecto» e estudou Filosofia e História em Londres, tendo ainda feito um mestrado em Literatura Francesa. Com 24 anos e graças a ter descoberto o filme Pierrot le fou, de Jean-Luc Godard, «percebi que queria fazer cinema». Seguiu-se novo périplo de estudos agora em Nova Iorque (de 2000 a 2003), onde teve a ideia e escreveu o Goodnight Irene, que foi rodado em 2005 e estreia esta semana.


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Curiosidade
Nuno Lopes é um estudioso das personagens que interpreta, especialmente no cinema. Para fazer do tímido Bruno, em Goodnight Irene, viu dezenas de filmes e alguns livros. Stalker, de Andrei Tarkovsky, The Conversation, do Francis Ford Coppola, Pickpocket, de Robert Bresson são alguns exemplos, bem como livros do Kafka, até porque o Bruno é «vive muito no seu mundo à parte», e filmes com Philip Seymour Hoffman. Também esteve uma semana a trabalhar na oficina de chaves onde a personagem trabalhava para «perceber o ofício e o universo daquelas pessoas».


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Sinopse Goodnight Irene. Lisboa. Portugal. Hoje em dia. Para Alex e Bruno poderia ser qualquer outra época ou lugar. Alex é um actor inglês falhado, velho e solitário, que grava narrações para vídeos turísticos, e embebeda-se até adormecer. Bruno é um jovem e recatado serralheiro que se dedica à sua obsessão: lutar contra a passagem do tempo, invadindo casas de estranhos para fazer “registos” das suas vidas. Partilham uma obsessão por Irene, uma atraente pintora, que tem toda a paixão pela vida que a eles lhes falta. Mas um dia Irene desaparece, sem deixar rasto... Embora inicialmente contrariados, Alex e Bruno unem forças para descobrir o que lhe aconteceu. À medida que procuram pistas no apartamento de Irene, vão se instalando aos poucos, e uma verdadeira amizade nasce entre estes dois homens solitários. Quando descobrem que Irene poderá estar em perigo em Espanha, este dois heróis improváveis decidem salvá-la.