crítica ao filme os gatos não têm vertigens
Citado na página oficial do filme.
O gato tem uma amiga
Um dos melhores filmes de António-Pedro Vasconcelos.
Revelação João Jesus é o ‘gato’ que vem parar ao terraço de Maria do Céu Guerra
Chama-se Os Gatos Não Têm Vertigens, é uma história original do guionista Tiago R. Santos e do realizador António Pedro Vasconcelos e é, provavelmente, um dos melhores e (eventualmente) mais consensuais filmes portugueses dos últimos anos.
Com diálogos cativantes, realização à altura e desempenhos notáveis de um belo elenco, onde brilham bem alto o jovem João Jesus (uma boa surpresa) e a veterana Maria do Céu Guerra, o filme aborda temas como a crise em Portugal, a solidão de uma velhice isolada, a dureza para um adolescente de uma família destruída e uma improvável mas divertida amizade entre um jovem e uma reformada.
Com 18 anos acabados de fazer, seguimos Jó (João Jesus, ele próprio com uma história pessoal difícil) no meio de jovens delinquentes e desencantado com a vida: vive com o pai alcoólico e a mãe tem uma nova vida e abandonou-o. Ao ser expulso de casa, acaba no terraço lisboeta de Rosa (Maria do Céu Guerra, ao seu melhor), uma reformada de 73 anos, frágil após a morte do marido (Nicolau Breyner), com quem continua a conversar e com problemas em lidar com a filha (Fernanda Serrano) e o seu marido snobe (Ricardo Carriço).
O que parecia um drama torna-se afinal numa história de amizade divertida e convincente graças à peculiar química entre os dois protagonistas. Um filme leve e divertido o suficiente para agradar à maioria e sério q.b. para ter algo relevante para dizer."
Entrevistas saga Twilight
Entrevista feita em Los Angeles ao actor Robert Pattinson, a propósito do 2.º filme da saga Twilight.
Programa: 35 mm. Emitido em Setembro 2009, SIC Notícias.
-----
Entrevista Twilight
Rob Pattinson: «Pus bastante de James Dean na personagem do Edward»
Tímido, modesto, sorridente e ainda sem perceber como se tornou tão famoso com a saga de romance adolescente e de vampiros Crepúsculo; foi este o jovem que encontrámos.
entrevista Ziad Doueiri
(abril de 2014. versão completa da que saiu no jornal Destak)
“Para os árabes não se pode dar voz aos judeus”
‘Rejeitou’ Quentin Tarantino, que o chamou para Kill Bill, porque queria ser realizador e o seu terceiro filme, O Atentado, chegou em abril a Portugal.
João Tomé
O Atentado é escrito e realizado pelo libanês, durante muitos anos cameraman de Quentin Tarantino, Ziad Doueiri. Falámos com ele sobre a sua carreira e o filme que acompanha um médico israelo-palestianino em conflito pessoal depois de descobrir que a mulher é bombista.
Como é que foi ter aos EUA a trabalhar para talentos como Tarantino?
Nunca planeei. Deixei Beirute com 19 e fui estudar cinema na Califórnia. Depois comecei à procura de trabalho na cidade e comecei a ganhar experiência como técnico, na câmara, na grua, nas luzes. Nunca tive intenção de realizar. O meu primeiro filme era do Roger Corman [conhecido produtor] e chamava-se Munchie (1992) – uma versão barata, série B, dos Gremlins. Ganhei muita experiência e aprendi muito nessa altura mesmo a trabalhar em filmes chamados ‘trashy’. O panorama independente em LA nos anos 80 foi muito interessante.
E como é que começou a trabalhar com o Tarantino?
Tive uma entrevista com o director de fotografia, já tinha algum experiência em filmes B e consegui o trabalho. Desde aí continuámos sempre a trabalhar juntos. Depois de fazermos o Cães Danados (1992), o Tarantino continuou a utilizar a mesma equipa e fizemos o Pulp Fiction e outros. Se eu continuasse a fazer trabalho de câmara ainda estaria a trabalhar com ele. Ele pediu-me para participar no Kill Bill mas eu decidi que não queria continuar a trabalhar como câmara. Estava numa altura da minha vida em que queria fazer outras coisas. Mas ele manteve a lealdade com a equipa técnica é praticamente toda a mesma. A maioria dos realizadores usa a mesma equipa, o Scorsese faz o mesmo. Quando encontram a equipa certa mantém-na.
Quando estava a fazer esses filmes, Reservoir Dogs, Pulp Fiction, o Tarantino não era tão conhecido como é hoje. Tinham noção que estavam a criar algo tão importante que se iria tornar um clássico?
Simplesmente não sabíamos. Nunca sabemos. Quando fizemos o Reservoir Dogs, olhei para o guião e não sabia se era bom ou mau. Nunca sabemos se é magnífico ou uma merda, só depois, porque era tão estranho e tão diferente. O Reservoir Dogs foi uma das minhas experiência preferidas num filme.
Porquê?
Há dois anos vi algumas fotografias dessa altura, tiradas na rodagem e trouxe-me de volta aqueles tempos. Foi uma boa experiência. Compreendo que as pessoas queiram fazer um grande alarido do Tarantino porque ele é um realizador tão fantástico e é tão popular e de culto, por isso as pessoas pensam que a experiência de trabalhar com ele foi tão incrível e única quanto ele é como realizador. Foi, mas não mais do que noutros filmes, porque a rodagem é um ambiente técnico. O que é único em trabalhar com ele é que ele é muito entusiasta sobre o que faz. Ele simplesmente adora o seu trabalho, ele está-se a borrifar para política, para o amor, tem tudo a ver com a história em si. Ele é como uma criança numa rodagem e isso afecta-nos porque ele tem uma mente incrível, a forma como trabalha e tem uma memória de elefante, na forma como se lembra de tantos filmes. Todas as semanas ele faz um visionamento na sua casa de um filme projectado em 35 mm, porque ele tem uma coleção enorme de filmes. Ele é tão dedicado à profissão de fazer filmes, que o seu foco principal é sempre como transformar algo em filme. Tem uma mente tão eléctrica e cria personagens muito interessantes.
Depois decidiu realizar...
Sim, mas não foi pensado foi progressivo ao longo dos anos. Percebi que aprendi a arte o suficiente e a comandar o cenário – fazer filmes é uma arte artesenal – e queria contar as minhas histórias. Comecei a sentir-me nostálgico – estive 15 anos sem voltar a Beirute – e escrevi em LA o West Beyrouth [filme político que lhe valeu vários prémios] e o Entre as Pernas de Lila.
Ainda estava em Los Angeles na altura em que escreveu o guião para o filme West Beirute (1998), que lhe valeu prémios em Cannes e Toronto?
Sim, sem dúvida. Escrevi lá esse, o Entre as Pernas de Lila (que estreou em 2004) e o guião do Man in the Middle, para o qual estou a tentar financiamento, todos escritos em LA. LA é um local muito criativo, bizarro mas criativo.
Mas voltou nesse período para Beirute, não foi?
Voltei para Beirute depois do 11 de Setembro (de 2001), porque conheci uma rapariga... conheci alguém e senti que como realizador não precisava de estar em Los Angeles, por isso deixei LA e mudei-me primeiro para o México, por uma mulher. Fui para Bordéus por uma mulher (risos). Parece-me que saio sempre de países porque conheço alguém. Mas primeiro voltei a Beirute porque conheci em LA uma rapariga que era de Beirute, apaixonei-me por ela e fiquei lá com ela. Agora resido em Paris, devido a um problema que prefiro não falar.
Em O Atentado volta ao contexto político israelo-palestiniano. Como chegou a esta história?
Embora seja uma história mais geral do que isso. Fui convidado em 2006 para realizar e adaptar o livro com o mesmo nome pela Focus Features e aceitei com condições. Eles queriam que fosse falado em inglês e prometiam, assim, o Tom Hanks. Com ele a bordo ia ganhar mais mas preferi que fosse em árabe e hebraico. Em inglês não fazia sentido. Pelo meio começou a guerra do Hezbollah quando estava a viver em Beirute e o projeto acabou por ficar na gaveta e voltámos a ele em 2011.
O protagonista, Ali Suliman, tal como a personagem, é israelo-palestiniano. Foi importante ter alguém com as duas culturas?
Ele percebe a confusão os iraelo-árabes sentem. É árabe mas é israelita e percebe que está numa situação difícil a nível pessoal. Cresceu em Israel, aprendeu hebraico, misturou-se com os israelitas judeus mas ainda tem a sua identidade árabe, tal como o protagonista. Quando leu o guião disse-me que sentia o mesmo que a personagem.
O filme teve críticas ferozes da parte árabe. Como foi a recepção?
Não fazia ideia como seriam as reações de judeus e árabes. Estava curioso mas não estava preocupado com isso. Assim que o filme estreou na América teve um grande sucesso junto da comunidade judaica, embora não seja nem a favor nem contra nenhuma das partes, tem muitas nuances. A comunidade árabe não reagiu tão bem, porque a mentalidade judaica permite questionar as suas próprias crenças, enquanto para os árabes não podemos dar voz aos judeus sobre nenhum pretexto. Não podemos, são maus da fita. Para o público judeu o facto de ter mostrado os dois lados foi bom, para os árabes foi mau, porque como é que podemos mostrar o ponto de vista judeu, eles não têm um ponto de vista, não merecem um ponto de vista. E agora é moda boicotar-se Israel e o facto de ter filmado em Tel Avic com técnicos israelitas e atores judeus foi mal visto e houve uma campanha contra o filme. Mas o que se pode fazer?
E quais os próximos projetos?
Estou a trabalhar com a Arte, a televisão francesa e alemã e a terminar um guião menos político e menos trágico que também se passa no Médio Oriente e chama-se Affaires étran-gères, que terá Gérard Depardieu. É baseado num acidente que tive. Vamos gravar em setembro.
crítica A Gaiola Dourada
CRÍTICA
A Gaiola Dourada
Uma comédia com a capacidade rara de provocar risos, sorrisos e choros de emoção. O filme de Ruben Alves conta a história de um casal de emigrantes em França com um dilema.A Gaiola Dourada é um produto de amor. O filme de Ruben Alves foi feito em França, com financiamento francês mas conta uma história profundamente portuguesa. Uma homenagem sentida em cada cena filmada pelo ator/realizador/guionista luso-francês. E se o pequeno filme (para a dimensão francesa, já que custou 6 milhões de euros) se tornou num fenómeno em França, o mesmo aconteceu com o jovem realizador e os atores portugueses – com destaque para a dupla improvável mas curiosamente perfeita, Joaquim de Almeida e Rita Blanco.
Julga-se que há mais de 800 mil portugueses em França. A maior parte partiu nos anos 60, 70 e 80 e ocupou cargos pouco qualificados. O filme pega no estereótipo do casal português em que ela é porteira e ele trabalha na construção civil para mostrar de uma forma muito divertida mas com dilemas e traumas reais quem são estes portugueses em França.
Acompanhamos então Maria (Rita Blanco) e José Ribeiro (um surpreendente Joaquim de Almeida), um casal luso a viver há 30 anos num dos melhores bairros de Paris. Ela é porteira do prédio (a ‘gaiola dourada’), ele trabalha nas obras. Ambos são fulcrais para os patrões, embora esse reconhecimento só surja quando o casal recebe uma avultada herança com a condição de se mudarem para Portugal e fique num dilema, entre cumprir o sonho ou manter a rotina. A coscuvilhice lusa leva a que todos saibam da herança secreta e, às escondidas, os patrões franceses vão tentar convencer o casal a ficar.
As características mais portuguesas são o âmago do filme tanto no lado mais cómico, como no lado mais sério. Destaque ainda para a estridente e divertida Maria Vieira e a surpreendente atriz luso-francesa Bárbara Cabrita, que faz de filha de Maria e José, num papel intenso. Um belíssimo filme.
Os temas que a história aborda são profundos: quem são e o que sentem estes portugueses, a forma como são tratados pelos franceses, o amor incondicional por Portugal, o peso de 30 anos a viver em França entre os estereótipos, o dilema entre voltar à pátria e continuar a viver na rotina francesa, a relação difícil dos filhos com a sua ‘Portugalidade’.
crítica 12 anos escravo
Ao entrarmos no escuro da sala de cinema, chegarmos à poltrona das experiências e nos sentarmos, olhamos para a tela e começamos a sair da realidade moderna, livre q.b., com direitos humanos básicos e democrática.
12 Anos Escravo tira-nos da zona de conforto onde nem sabíamos estar e coloca as nossas mentes no meio da transição entre uns Estados Unidos com (Sul) e sem (Norte) escravatura.
Steve McQueen deixa-nos, sem aviso, na pele de um negro livre do Norte. Letrado, inteligente, respeitado na zona onde vive e com talentos vários (incluindo a música), Solomon Northup é apanhado e capturado numa viagem de trabalho a Washington como se de um animal selvagem se tratasse. É dessa forma bruta e violente que se vê refém de um um 'Sul' intolerante e onde a escravatura ainda faz parte do prato principal.
O que é chocante no filme de McQueen é sentir a impotência e frustração de um homem desde sempre habituado ao que todos devem ter, a liberdade, 'castrado' pela força esmagadora da escravatura. Torna-se devastador o efeito que essa subjugação tem num homem livre.
12 Anos Escravo é sociologicamente relevante mas ao mesmo tempo perturbante, quando se vê as diferenças entre este homem agora escravizado e todos aqueles que nasceram no meio da escravatura, já dormentes ou indolores.
Já parecem indiferentes ao espancamento, às chicotadas ou ao assassínio de amigos ou conhecidos ali mesmo ao seu lado. É o hábito que os destrói, é o hábito que os apaga. Parecem gente sem alma. Dorida e em estado vegetativo que simplesmente só cumpre, não raciocina, num contrasto claro com o até à pouco tempo livre, Solomon Northup. Os conhecimentos, inteligência e talento, no entanto, só lhe trazem dissabores.
Tal como um mau chefe nos dias que correm, os seus donos e respectivos capatazes, sentem-se várias vezes ameaçados por alguém que é bom e eficaz no que faz - embora com consequências incrivelmente mais injustas, violentas e avassaladoras do que as de um 'simples' local de trabalho.
É um filme duro, sem subterfúgios ou 'paninhos quentes', que nos coloca no centro de uma das maiores injustiças que o ser humano praticou sobre outros da mesma espécie, considerados inferiores pela cor da pele.
O hábito também forma as mulheres e homens do sul, habituados àquela 'propriedade', com que podiam fazer o que bem entendessem chamada homem/mulher/criança negra.
O papel da vida de Chiwetel Ejiofor é composto com desempenhos fabulosos e perturbantes de Michael Fassbender (pela 3ª vez a trabalhar com McQueen - é um totalista), Benedict Cumberbatch, Brad Pitt, Paul Giamatti e Paul Dano.
A maior surpresa é mesmo a ganesa-mexicana Lupita Nyong'o, que faz de escrava subjugada de mil e uma formas pelo temível e instável capataz Michael Fassbender. O britânico McQueen rodeia-se dos melhores actores britânicos da actualidade, com um toque americano à mistura, para trazer esta história norte-americana na origem e globalmente humana na génese.
O que é que 12 Anos Escravo muda? Faz-nos dar valor à nossa liberdade de escolha, de pensamento, de trabalho e de ser quem somos.
Um filme baseado em factos verídicos, que emociona, nos tira com estrondo da realidade moderna tecnológica e cibernética e nos coloca no final do século XIX, prontos para ficarmos revoltados e solidários com Solomon Northup:
O talentoso homem livre que se vê escravo e obrigado (vezes sem conta e à força) a assumir uma identidade diferente e a ser escravizado durante 12 longos e duros anos da sua vida.
Um forte candidato aos Óscares pela história, realização e interpretações notáveis (Fassbender, Ejiofor) e um forte candidato a filme para ficar na memória por muitos e bons anos.
A ver!
0/10 - 9 valores!
resumo de 2013 em cinema
ANTEVISÃO | CINEMA
Conheça os heróis velhos e novos que chegam ao cinema em 2013
Super-Homem, Homem de Ferro, Thor, os Hobbit, ou John McLane são algumas das personagens de volta. Johnny Depp, Stallone, Schwarzenegger, Di Caprio, Tom Cruise, Brad Pitt, entre outros vão ter um ano em grande. Espera-se de 2013 uma boa colheita para o cinema. Veja ainda, no final, a lista de eventos de cinema e de grandes estreias do ano.
João Tomé
O cinema está vivo, activo, evoluído e recomenda-se. E 2013 será um ano “gordo” para a 7ª Arte, entre heróis e histórias que continuam a ser contadas, histórias antigas que são recontadas e novos protagonistas e enredos para conhecermos e nos apaixonarmos.
Os melhores de 2012 vão ser eleitos a 24 de Fevereiro na 85ª gala dos Óscares, que é apresentada pela 1ª vez por uma das surpresas do ano, o versátil Seth MacFarlane (criador da série Family Guy e que nos trouxe agora o divertido filme Ted) – lista de eventos de cinema em baixo.
O filme de Steven Spielberg, Lincoln – estreia por cá a 31 de Janeiro –, recebeu sete nomeações para os Globos de Ouro, incluindo para Daniel Day-Lewis e é um dos favoritos dos Óscares, tal como:
• Django Libertado, o novo western de Tarantino com estreia nacional para 24 de Janeiro;
• 00h30: Hora Negra, de Kathryn Bigelow (sobre a captura de Bin Laden, estreia a 17 de Janeiro)
e os já lançados por cá:
• Argo, de Ben Affleck e
• A Vida de Pi, de Ang Lee.
Mas o ano promete variedade de filmes. Temos um infindável número de sequelas. Do inevitável 2º capítulo de Hobbit de Peter Jackson, passando por Scary Movie, Thor, Jogos de Fome, Star Trek, Homem de Ferro e Die Hard: Nunca é Bom Dia para Morrer (ver em baixo) fazem parte do lote.
Nas novidades, Super-Homem está de volta (ver em baixo), tal como a história de OZ ou protagonistas como Stallone, Schwarzenegger (juntos), Johnny Depp e Tom Cruise.
De Top Gun a Jurassic Park em 3D!
Hollywood aposta ainda na revisitação de aventuras épicas, lançadas agora com a tecnologia 3D: Jurassic Park, Top Gun, A Pequena Sereia, Star Wars Episódio II: Ataque dos Clones e Episódio III: Vingança dos Sith.
Lei do Cinema em Portugal
O cinema português (ver em baixo) também já tem aprovado o decreto-lei que vai permitir o lançamento de concursos de apoio em 2013, algo tão necessário para a produção nacional.
--
AS ESTREIAS FRESCAS DE 2013
• Homem de Aço
De Zack Snyder
Super Homem está de volta para uma nova saga (que substituiu a que acabou em 2006) pela mão do realizador de 300 e Watchmen. O britânico Henry Cavill faz de novo super-herói. 27 Junho.
• 20,000 Leagues Under the Sea: Captain Nemo
De David Fincher
Tudo indica que vai estrear em 2013, mas a nova aposta de Fincher que é um remake do filme da Disney de 1954 (inspirado no livro de Júlio Verne) está no segredo dos deuses. Brad Pitt deve entrar.
• World War Z
De Marc Forster
Brad Pitt protagoniza esta aventura sobre um membro da ONU a tentar travar pandemia de zombies! 20 Junho.
• O Mascarilha
de Gore Verbinski
A dupla que nos trouxe Pirata das Caraíbas volta a juntar-se neste western com personagens míticas do faroeste americano. Verbinski realiza, Johnny Depp (Tonto) protagoniza. 11 Julho.
• Oz: O Grande e Poderoso
de Sam Raimi
O realizador da saga Homem Aranha adapta o romance O Maravilhoso Feiticeiro de Oz, recriando aquele mundo mágico. Com James Franco e Rachel Weisz. 7 Março.
• Esquecido – Oblivion
De Joseph Kosinski
Tom Cruise patrulha uma Terra dizimada pela guerra, neste thriller de ficção científica. Kosinski adapta a sua própria novela gráfica. Com Morgan Freeman e Olga Kurylenko. 2 Maio.
• The Tomb
De Mikael Håfström
Realizado pelo sueco especialista em thrillers Håfström, o filme junta Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. Stallone é um engenheiro preso injustamente na prisão que ele próprio desenhou e o seu colega de cela é Schwarzenegger.
• O Grande Gatsby
De Baz Luhrmann
Esta nova adaptação muito esperada do romance de F. Scott Fitzgerald segue a vida de Gatsby (Leonardo DiCaprio), um milionário dos anos 1920 e do seu amigo Nick (Tobey Maguire). 16 Maio.
• Depois da Terra
de M. Night Shyamalan
O realizador de Sexto Sentido, A Vila, entre outros, aventura-se na ficção cientifíca. Will Smith e o filho Jaden são pai e filho que exploram um planeta evacuado por humanos 1000 anos antes.
• Elysium
De Neill Blomkamp
Matt Damon protagoniza esta ficção científica, mais uma, passada em 2159. Ele é um homem determinado em obrigar os ricos a partilharem a sua estação espacial com o resto do planeta que está em ruínas.
• Rush
de Ron howard
Esta é a biografia do campeão de F1 Niki Lauda e do acidente que quase lhe tirou a vida em 1976.
• Força Anti-Crime
De Ruben Fleischer.
Com Josh Brolin, Ryan Gosling, Nick Nolte, Emma Stone, e Sean Penn. Um retrato da luta da polícia de Los Angeles para manter fora da zona a máfia da Costa Este nos anos 1940 e 50.
--
OS REGRESSOS - SEQUELAS
• Homem de Ferro 3
Robert Downey Jr. volta a ser Tony Stark para en-frentar o Mandarim (Ben Kingsley). 25 Abril.
• The Hobbit: The Desolation of Smaug
O 2.º capítulo da trilogia de Hobbit, de Peter Jackson. 12 Dezembro.
• Sin City: A Dame to Kill For
A sequela de Sin City (2005) de Robert Rodriguez e Frank Miller volta a trazer Mickey Rourke, Jessica Alba e companhia.
• Die Hard: Nunca é Bom Dia para Morrer
O 5.º filme da saga de Die Hard leva John McClane (Bruce Willis)à Rússia para defender o filho de terroristas. 14 Fevereiro.
• Além da Escuridão: Star Trek
A sequela volta a chegar por J.J. Abrams. A tripulação da Enterprise encontra uma força de terror no seu seio.
• 300: Rise of an Empire
A prequela de 300, de 2007, conta com Rodrigo Santoro e Eva Green numa batalha grega e persa. 1 Agosto.
Outros regressos:
Thor: The Dark World;
Os Jogos da Fome: Em Chamas;
Kick-Ass 2;
A Ressaca III;
G.I. Joe: Retaliation;
Gru - O Maldisposto 2;
The Wolverine;
The Smurfs 2;
RED 2;
Percy Jackson e o Mar dos Monstros;
Riddick;
Actividade Paranormal 5;
Scary Movie 5;
Miúdos e Graúdos 2.
--
FILMES PORTUGUESES
Em 2012:
Foi um ano recheado para o cinema nacional. Balas e Bolinhos 3 e Morangos com Açucar estiveram no top dos mais vistos. Houve estreias importantes como:
As Linhas de Wellington,
Tabu,
Operação Outubro,
O Cônsul de Bordéus,
Deste Lado da Ressurreição,
A Moral Conjugal,
Estrada de Palha,
Assim Assim,
Linha Vermelha,
O Gebo e a Sombra,
É na Terra não é na Lua,
A Vingança de uma Mulher,
Em Câmara Lenta
Florbela
Paixão
Em 2013:
• Quarta Divisão. De Joaquim Leitão, com Adriano Luz; sobre o desaparecimento de uma criança de um colégio (estreia 28 Fev).
• Beatriz. A 1.ª longa metragem de Hernâni Duarte Maria e Pedro Noel da Luz
--
EVENTOS DE CINEMA 2013
• Nomeados dos Óscares. 10 Janeiro
• Globos de Ouro 70.ª edição.
13 Janeiro. Tina Fey e Amy Poehler apresentam.
• Festival Berlim 63.ª edição.
7 a 17 Fevereiro.
• Óscares 85.ª edição. 24 Fev.
Seth MacFarlane apresenta. Nomeados conhecidos a 10 Janeiro.
• Fantasporto 33.ª edição.
1 a 10 de Março.
• Festival Cannes 66.ª edição.
15 a 26 Maio.
• Festival Veneza 70.ª edição.
28 Agosto a 7 Setembro.
• IndieLisboa 10.ª edição.
18 a 28 de Abril.
• DocLisboa 11.ª edição.
24 Outubro a 3 Novembro.
entrevista ruben alves
ENTREVISTA RUBEN ALVES
A Gaiola Dourada - «Senti que tinha de contar esta história tão portuguesa»
Ruben Alves é o autor do mais recente fenómeno do cinema francês: A Gaiola Dourada. O filme «mais português de França» deste luso-descendente é uma homenagem aos seus pais. Apaixonado por contar esta história, conta-nos na língua de Camões o segredo que levou mais de um milhão de pessoas a ver o filme em França e que em Portugal (já depois da entrevista) foi visto por 300 mil espectadores em três semanas (é já o 2.º filme mais visto do ano no país).
João Tomé
Como é que surgiu a ideia para este 1.º filme? O objetivo foi homenagear os portugueses em França?
Inicialmente tinha uma ideia para um guião diferente mas o meu produtor incentivou-me a escrever sobre as minhas raízes e comecei a perceber que era uma história que nunca tinha sido contada. A imagem dos portugueses em França é sempre ligada ao futebol. Senti que tinha de contar esta história, de mostrar este lado porque não existia quase nada nos meios culturais sobre a perspectiva portuguesa. E depois queria homenagear os meus pais e a comunidade portuguesa.
Utilizou muito a sua experiência pessoal para as personagens e as histórias?
Sim, sem dúvida. Digo muitas vezes que o filme não é autobiográfico mas é inspirado nos meus pais, que têm o mesmo perfil dos protagonistas. Nas sensações, na maneira de pensar e ver a vida. Tentei dar uma alma portuguesa a este filme francês. Talvez seja o filme francês mais português de sempre.
Sente que os portugueses por norma trabalham para os franceses mas não são compreendidos por eles?
Nem os conhecem. O português de França é bem visto a nível profissional, integrado, conhecido por ser corajoso e disponível, mas não há representação forte nos media ou no audiovisual. Quem são? Como vivem a emigração? Quis pôr a nú estas questões e humanizar os portugueses, para mostrar que há mais nas pessoas para além da porteira e do homem das obras.
É a sua estreia como realizador, depois de uma curta. Como convenceu os investidores a apostarem no filme?
Tive sorte em convencer o grupo Pathé, que tem muita força. Gostaram da ideia de falar pela 1ª vez sobre o mundo português em França e adoraram depois de lerem o guião. Deram muita força. É a minha 1ª longa-metragem, sou jovem, mas nunca duvidaram. Deram-me confiança porque perceberam que tinha a certeza do que queria. Logo na 1ª reunião disse-lhes que os atores principais tinham de ser portugueses. Eles tinham dúvidas porque não conheciam, mas ficaram a conhecer.
Tem um elenco com Rita Blanco, Joaquim de Almeida, Maria Vieira. Escreveu o guião já a pensar neles?
Não. Quando escrevi não pensei em atores. Mas mal acabei comecei a investigar. O Joaquim de Almeida foi por acaso. Encontrei-o em Cannes. Olhei para ele e comecei a perceber que ele podia ser um ‘José’ perfeito. Era um bom desafio pô-lo numa comédia com ternura, numa personagem humilde, trabalhador das obras. Estamos habituados a vê-lo em personagens mais duras e senti que ele tinha uma parte comovente. E com a Rita Blanco vim a Lisboa – porque vivo em França e não conheço o cinema português – e perguntei aos amigos quem é que achavam a melhor atriz e todos disseram: a Rita. Encontrei-me com ela e tivemos logo uma paixão um pelo outro. Temos a mesma visão do cinema. Ela na comédia é muito boa porque consegue dar muita verdade e ternura no olhar à personagem. Lá em França os atores principais, o Joaquim e a Rita, foram um êxito junto da crítica porque eles não os conheciam e gostam de conhecer pessoas novas. Adoraram. E a Maria Vieira foi a cereja no topo do bolo. Foi difícil conseguir trazê-la do Brasil, mas só admitia que fosse ela. Ela é única, mesmo na caricatura. Todos eles têm Portugal dentro deles.
Depois há uma descoberta. A Barbara Cabrita, uma atriz luso-francesa que faz a filha lusodescendente que tenta evitar o seu lado português. É um caso típico?
A personagem Paula foi a mais complexa e que os produtores franceses mais dificuldade tiveram em perceber. Não entendiam como é que ela sentia aquele repudio por ser filha de portugueses. É uma filha de emigrantes que ainda não se encontrou com as raízes portuguesas que tem. Continuo a ver muitos luso-descendentes que ainda não estão à vontade com esse seu lado: há quem sinta quase vergonha; depois há outros que se sentem totalmente desinteressados nas suas raízes. Tenho primos que não falam nada de português, nem um ‘olá’, e os pais até vão falando algum português em casa. Mas esta personagem da Paula ao longo do filme vai mudar muito.
Os tons e cores fazem lembrar o filme Oo Fabuloso Destino de Amélie, com ares clássicos. O que o inspirou?
Acho que tenho uma alma antiga, velha. Por isso gosto dessas cores, luzes com tons quentes e envolventes. Mas mais do que outros filmes ou realizadores o que me inspira mais é a própria vida. É um bocado cliché dizer isto mas é verdade. O que eu vivo é o que inspira sobretudo aqui em Portugal, que há muita coisa que acontece na rua, é um teatro aberto. Gosto do cinema do Almodôvar, da forma como ele filma as mulheres e também de cineastas franceses como o Claude Sautet, que fala muito nas relações humanas.
A rodagem correu bem? O facto de já ser ator ajudou-o neste 1.º filme?
Correu oooootimamente bem. Havia muito bem estar, consegui criar uma família entre o elenco e a equipa. Todos adoraram ver os portugueses juntos. Ajudou-me muito ser ator, para comunicar com eles antes de rodarmos. Dava-lhes oportunidade de participarem no processo criativo, sem nos afastarmos do que eu queria das cenas. Todos os atores estavam muito empenhados no filme, nesta história e deram muito de si mesmos. Trabalhámos muito juntos nos pormenores, do sotaque certo às expressões. Foi ótimo ter atores tão bons.
O filme já foi visto por mais de 1,5 milhões de pessoas em França. Como foram as reações em geral?
Quando se faz um filme nunca se sabe como vai ser recebido. Mas apesar de ser sobre uma família portuguesa tem uma parte muito universal com que todos se podem identificar. Foi por isso que o filme foi tão bem recebido não só pela comunidade portuguesa, mas pela francesa e até árabe. Tive críticas muito boas mesmo de jornais inteletuais como o Le Monde ou o Telegrama. Tocou ao grande público, dos trabalhadores à classe mais alta. Mas o sucesso veio muito do boca a boca. É um filme pequeno, com um elenco de gente pouco conhecida em França. Tornou-se num fenómeno através da comunidade portuguesa. Houve reportagens sobre as idas de família inteiras às salas, algo que não se via em França à muito tempo. E no final batiam palmas, cantavam e até dançavam!
O filme já teve antestreias em Portugal. Teve um feedback diferente?
Na antestreia de Lamego as pessoas também bateram palmas no fim e quiseram falar comigo. Havia quem me dissesse ter-se sentido comovido por ter família em França e se ter identificado, mas também quem não conheça ninguém por lá e tenha chorado baba e ranho pela identidade portuguesa, que é muito forte. Em Cascais houve quem me dissesse que era o melhor filme português que já tinham visto – e o filme até é francês (risos).
Por onde vai estar o filme agora? Os EUA é um objetivo?
Já estreou em França, Luxemburgo, Suíça e Bélgica. Agora estreia aqui e no Canadá, no final de agosto estreia na Alemanha, onde chamaram ao filme ‘É Portugal meu amor’. Depois estreia na Áustria, Colômbia, Brasil, Itália, Austrália, Nova Zelândia. Os EUA ainda não está garantido, mas os distribuidores estão à espera do festival de Toronto para vender o filme. Também vou ao Festival de Macau em Dezembro.
E o que se segue? Quer continuar a realizar, contar outras histórias?
Sim, claro. Ideias não faltam. Quero começar a escrever um guião em setembro, mas estão-me a chegar várias propostas com ideias e guiões. Estou a ler, mas quero fazer tudo com calma porque tenho amigos em França que tiveram um .pequeno sucesso e foram logo fazer filmes à pressa para aproveitar o sucesso e correu mal. Não quero fazer isso, quero ter a minha calma e fazer algo que venha do coração.
Agora sobre outro tema para além da comunidade portuguesa?
Sim, agora sobre outras história. Esta parte de mim já foi tratada, agora vou navegar por outras histórias.
--
A SABER
Onde passava os verões
Sempre em Portugal, em Julho e Agosto. Lisboa e Costa da Caparica, na praia, depois passávamos sempre pelo Norte, o meu pai é de Guimarães.
Zona preferida em Portugal
Adoro Lisboa, sou fanático. Tenho casa aqui. Gosto muito do Norte, mas desde que descobri a Costa Vicentina há quatro anos que fiquei apaixonado pelo Alentejo.
Zona preferida em França
Gosto muito do sudoeste, perto de Bordéus, cheio de castelos medievais. Há ainda uma autenticidade muito forte mas tradições e come-se muito bem. As pessoas são muito abertas.
--
BI Ruben Alves
• Ruben Alves nasceu em Paris, há 32 anos e é filho de pais portugueses
• Vive e trabalha em Paris, é solteiro
• É ator e realizador. Estreou-se como ator em 2001 numa curta-metragem e como realizador em 2002, na ‘curta’ À l’abri des regards indiscrets
• Em 2004 teve o 1.º papel numa longa-metragem, Pédale dure, de Gabriel Aghion. Trabalha em televisão desde 2005. Em A Gaiola Dourada é ator (num pequeno papel de lusodescendente), realizador e guionista
CRÍTICA AO FILME
Especial filmes na uni
--
Cinema
João Tomé
É uma das alturas mais emocionantes na vida da maior parte da vida estudantil. Ir para a Universidade significa independência e, muitas vezes, festa, paixões, lições, amizades e, claro (espera-se) estudo. Isso mesmo se vê nas 10 histórias que escolhemos para exemplificar esse espírito de quem entra nesse admirável mundo novo.
Colocamos de seguida 10 opções, mas podiam ser mais, tal a é a variedade do tema, que seria ainda mais extenso no domínio dos filmes passados no secundário (antes de haver o famoso American Pie já tinha havido o louco Porkys).
Lamentavelmente, não há filmes portugueses que tenham ficado na retina dedicados ao tema. O recente e bem sucedido Funeral à Chuva aborda um pouco o tema, mas há distância.
No filão de filmes norte-americanos ficaram de fora bons exemplos como a curiosa sátira negra As Regras da Atracção (2002), sobre uma festa universitária que junta num triângulo amoroso um traficante de droga, uma virgem e uma bissexual.
Road Trip (2000)
A maior parte dos jovens portugueses nos dias de hoje, saem de casa dos pais pela primeira vez para irem para a universidade e separam-se geograficamente da namorada de secundário pelo facto. Isso mesmo aborda esta comédia, com Breckin Meyer a interpretar um jovem que tenta manter uma relação à distância com a namorada mas deixar-se levar por um grupo de novos amigos e pelas suspeitas que a namorada o anda a enganar. Pelo meio envia a cassete de sexo com uma amiga colorida por engano para a namorada e embarca numa road trip pelo país para a recuperar a tempo.Lição: relações à distância são problemáticas
Género: Comédia
American Pie 2 (2001)
O regresso a casa no Verão depois da nova aventura da faculdade pode trazer muitas mudanças, nas amizades, relações e até nas pessoas. Já o louco e tarado Sttifler continua igual a si mesmo. Enquanto o primeiro American Pie trouxe sexo (mais tentativas do que outra coisa), festa e parvoíce durante o secundário), a sequela continua a ser comédia mas foca temas mais difíceis, nomeadamente amigos a readaptarem-se a si mesmos no regresso após um ano muito diferente do que o habitual. Curioso ver as semelhanças entre a juventude dos anos 2000 e dos anos 1970.Lição: as amizades no regresso a casa nas férias mudam
Género: Comédia
A Residência Espanhola (2002)
É o filme por excelência para se ter noção do que pode ser uma experiência de Erasmus pela Europa e, acima de tudo, é um excelente filme europeu, interessante e entusiasmante. É do cineasta francês Cédric Klapisch, mas o elenco internacional permite tomar gosto a várias culturas europeias, tudo em Barcelona. Romain Duris é Xavier, o protagonista francês que deixa a namorada (Andrey Tautou) em Paris e acaba por viver dúvidas existenciais e amorosas na cidade catalã, que poucas vezes foi tão bem retratada no cinema. Itália, Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Dinamarca e Espanha são as nacionalidades dos companheiros de apartamento de Xavier, que vão ajudá-lo a tornar-se mais rico em vivências.Lição: muitas culturas fazem bem ao espírito e à mente
Género: Drama/Comédia
Animal House (1978)
Este clássico da comédia leva-nos para uma irmandade repleta de estudantes repetentes, todos rapazes e sedentos por festa. Aborda sem grandes pudores sexo, bebida em excesso e tem uma banda sonora memorável até porque a acção do filme passa-se em 1962, altura notável para a música. Mostra que por vezes, mesmo quem tira más notas até pode chegar longe… caso da personagem de John Belushi. É sobre as experiências durante a escola mas fora das aulas e tem semelhanças com a comédia Back do School (1986), com o comediante Rodney Dangerfield como um pai que volta à universidade e faz dos subornos a sua melhor forma de ter boas notas.Lição: As aulas não te ensinam tudo
Género: Comédia
Três à Mistura (1994)
O elenco é de luxo e a história simples mas intensa. Stephen Baldwin e Josh Charles (é o Knox Overstreet de Clube dos Poetas Mortos) são companheiros de dormitório na faculdade. Devido a um problema burocrático o seu novo colega é Alex (Lara Flynn Boyle), uma mulher! Primeiro a relação entre os três é tensa. Mas depressa um dos rapazes apaixona-se por Alex e Alex pelo outro rapaz. Não falta tensão sexual num trio improvável por entre aulas e descobertas de sexualidade…
Lição: num dormitório dá-se e leva-se
Género: Comédia/ Romance
----
Clube dos Poetas Mortos (1989)
Pode ser pré-universidade mas embarca no espírito universitário e de dúvidas existenciais e descobertas pessoais como poucos filmes o conseguiram. A pressão dos pais para se seguir a carreira já traçada, a timidez inicial de quem chega a uma escola rígida e quer cumprir a vontade dos pais, a descoberta de amigos, da poesia e de que há professores que nos mudam a vida… pela poesia e liberdade em nos deixar pensar pela nossa cabeça. Tudo isto “explode” neste belíssimo filme de Peter Weir, com Robin Williams que é “Oh Captain, my Captain”, Ethan Hawke e Robert Sean Leonard. Um filme que marcou uma geração e a ensinou “a sugar o tutano da vida”…Lição: “Carpe Diem, aproveitem o dia, rapazes, façam das vossas vidas extraordinárias”
Género: Drama
A Escola da Vida (1994)
Passado na excelência universitária de Harvard, Monty (um novo Brendan Fraser) é um estudante de topo que se dedica à tese que ele acredita vai ajudar a dar-lhe um futuro risonho. Quando o computador avaria, fica apenas com uma cópia de papel do trabalho. O pânico de perder tudo apressa-o para ir fotocopiar, mas tropeça e vê o “futuro” desaparecer pelo esgoto da escola. A lição de vida para este rapaz obcecado surge quando um sem abrigo (o inimitável Joe Pesci) descobre a tese e faz um acordo: por cada dia em que ele lhe dá abrigo e comida, irá receber uma página da tese. A irritação inicial dá lugar a uma experiência de vida curiosa. Patrick Dempsey também participa.Lição: a vida é muito mais do que um trabalho de faculdade perfeito
Género: Comédia/Drama
Uma Mente Brilhante (2001)
Esta é biografia da ascensão meteórica de John Nash Jr. (Russell Crowe), um prodígio da matemática capaz de resolver problemas que atormentaram as grandes mentes. Entre o génio e os seus problemas mentais, viajamos entre os tempos de estudante universitário que o levaram a uma descoberta aclamada internacionalmente até aos duros tempos de problemas existenciais e aos de professor universitário. Arrogante, obcecado por números, problemático, paranóico, génio e trágico. Ele recuperou a sanidade graças à mulher (Jennifer Connelly) e já tarde na vida recebeu um prémio Nobel. O filme de Ron Howard venceu quatro Óscares.
Lição: genialidade e loucura estão à distância de um passo
Género: Drama
O Bom Rebelde (1997)
O filme que colocou a dupla de amigos Ben Affleck e Matt Damon na rota do sucesso foi escrito pelo duo. A história cativou audiências e a Academia de Hollywood, que lhes deu um Óscar pelo argumento. Damon é um jovem humilde de um bairro pobre, que trabalha como contínuo na prestigiada universidade do MIT. Sem dinheiro para lá estudar, diverte-se a resolver os problemas matemáticos que mais nenhum aluno consegue. Quando é descoberto por um professor que percebe que ele é um génio matemático, vai ter novos desafios mas a vida universitária não cativa o jovem que irá ter um psicólogo (Robin Williams) para o ajudar a definir prioridades, o que promete ser desafio árduo.
Lição: se tens talento, não tenhas medo de arriscar
Género: Drama
Wonderboys (2000)
Realizado por Curtis Hanson, o mesmo de LA Confidential e 8 Mile, esta é a história de um escritor e professor de escrita numa universidade de Pittsburgh. Michael Douglas é o escritor do roupão cuja mulher acabou de o abandonar, que vive na sombra de sucessos antigos e com um bloqueio desesperante. O professor vai envolver-se ainda numa encruzilhada com o aluno que parece escrever melhor do que o mestre, James (Tobey Maguire) e com a aluna que está apaixonada por ele, Hannah (Katie Holmes). Um retrato de um professor e das ligações que existem entre a vida pessoal, a de escritor e de professor num ambiente universitário.
Lição: vida de professor-escritor tem muito que se lhe diga
Género: Drama/Comédia
Crítica The Dark Knight

Escrito em Agosto de 2008 para o Destak.
Batman | O Cavaleiro das trevas
O caos de Joker
Heath Ledger abrilhanta com o seu Joker o novo filme de Batman, que poderá ser matéria de Óscares
João Tomé
O morcego humano Batman está de volta ao cinema, mas é uma outra personagem que enche por completo o grande ecrã e torna a sequela do filme de 2005, Batman – O Início, um dos melhores thrillers do ano. O malogrado Heath Ledger (que morreu de forma acidental em Janeiro) pode já não estar entre nós, mas conseguiu, com a mítica personagem Joker, uma saída “estrondosa” graças a uma interpretação perturbante e esplendorosa.
Os tiques, o riso, as mudanças de humor, os movimentos corporais. Todas estas características e o carisma de Ledger dão força e profundidade digna de Óscares a Joker e ao filme, confundindo tanto os pseudo-heróis da trama como o espectador.
Joker já tinha abrilhantado o Batman de Tim Burton (1989), cuja interpretação do inimitável Jack Nicholson deu que falar. Mas embora o filme de 1989 fosse mais negro na estética, este novo Batman consegue distanciar-se mais do facto de ser um blockbuster e incluir complexidade, enredo e força de desempenhos.
O realizador e argumentista Christopher Nolan superou-se para entregar um thriller explosivo, repleto de acção e de geringonças típicas de Batman, mas com muito mais para contar, sentir e experienciar. Tudo graças a uma personagem tão entusiasmante quanto perturbadora: Joker.
Ordem no meio do caos
A Gotham retratada em O Cavaleiro das Trevas é bem mais semelhante às típicas cidades norte-americanas (foi filmado em Chicago) e bem menos escura e negra do que vimos nos outros filmes da série.
Batman continua a sua luta contra o crime, mas nem tudo o que faz é bem visto pela população. Com a ajuda do tenente Jim Gordon (Gary Oldman) e do novo procurador distrital, Harvey Dent (o intenso Aaron Eckhart), Batman pretende destruir as restantes organizações criminosas que controlam as ruas da cidade, ignorando um pequeno pormenor.
A parceria parece revelar-se eficaz, até se encontrarem inseridos num reinado de terror, desencadeado por uma mente genial, mas psicopata, traiçoeira e criminosa, conhecido pelos assustados cidadãos de Gotham como Joker. Alguém que não é movido pelos desejos de riqueza, mas sim pelo de provocar caos e provar que todos os bons da fita também podem ser maus. Um dos filmes do ano.
O CAVALEIRO DAS TREVAS
De Christopher Nolan
Com Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Michael Caine,
Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, Morgan Freeman, Eric Roberts
EUA, 2008; 150 min.
BATMAN/BRUCEWAYNE
Christian Bale
A vida nunca foi tão complicada para Bruce. Vive na cidade depois de a mansão ser destruída e ouve cada vez menos o sereno Alfred (Michael Cane). Não compreende Joker, que é o adversário de uma vida.
JOKER
Heath Ledger
Psicopata e genial. Imprevisível e estratego. Fã do caos e sem nada a perder. Assim
é este Joker negro e cativante como personagem que vira uma cidade do avesso.
O falecido Heath Ledger merece mesmo o Óscar.
RACHEL DAWES
Maggie Gyllenhaal
É a única personagem que mudou de intérprete (em 2005 era Katie Holmes). Uma mudança para melhor. Agora Rachel é a namorada do procurador Harvey Dent, mas continua a preocupar-se com Bruce Wayne.
HARVEY DENT
Aaron Eckhart
O procurador de Gotham junta-se ao tenente Gordon (Gary Oldman) e a Batman para “limpar”. Tem a fé de poucos e Batman vê neleum substituto seu sem a capa. Uma bela interpretação de Aaron Eckhart.
artigo e entrevista
Estoril inundado de cinema de primeira
O Estoril Film Festival está aí e recomenda-se
Começa hoje, ali para os lados do Estoril (Casino, Centro de Congressos) e tem um leque de artistas e de filmes que merece uma visita prolongada.

--
Um festival português estrelado
Os aliciantes mais vistosos da primeira edição do Estoril Film Festival, que começa hoje no Estoril, têm a forma de nomes, ou melhor, pessoas: os realizadores Stephen Frears, Agnès Varda e possivelmente Bernardo Bertolucci, os escritores Paul Auster, JM Coetzee (prémio Nobel da Literatura), os actores Michael Pitt, Catherine Deneuve, Louis Garrel, Mathieu Amalric (o vilão do novo 007) e Valeria Bruni-Tedeschi.
«É uma teia de conhecimentos que tenho de 30 anos de experiência e de admirações mútuas, que existe entre os artistas. Uns nomes chamam os outros e é isso que nos permite reunir um bom elenco», explicou ao Destak Paulo Branco, o director do Estoril Film Festival. Na véspera do evento que começa hoje, a azáfama era muita no Centro de Congressos do Estoril, «para que tudo corra como planeado e existam poucos improvisos». O mais maleável é a presença das estrelas. O francês Vincent Cassel cancelou a vinda «por imposição da sua distribuidora», mas «é possível que amanhã [hoje] o Bernardo [Bertolucci] apareça», revela Paulo Branco.
O experiente produtor espera ainda «poder mostrar artistas-surpresa durante o festival, como aconteceu o ano passado [com Lynch]». Para além dos encontros com o público, sessões de leitura, workshops com os protagonistas e exposições (este ano há as «fotos incríveis de Luis Buñuel e os retratos entusiasmantes de Marie-François Banier», diz o responsável do evento), há os filmes.
A homenagem a Bernardo Bertolucci abre o festival esta noite, devendo contar com a presença do próprio e do seu elenco mais famoso, Michael Pitt e Louis Garrel. Há depois as homenagens ao imaginativo Tim Burton (Branco não esclarece se irá aparecer) e ao falecido Paul Newman (na sua vertente como realizador).
Fora de competição serão exibidos em antestreia nacional os mais recentes filmes Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona, Werner Schroeter, Nuit de Chien, David Mamet, Redbelt, Agnés Varda, Les Plages d’Agnés, entre outros.
O realizador francês Jean-François Richet, irá estrear mundialmente o segundo episódio da saga Mesrine,este sábado às 22h. Há depois em competição 14 filmes, onde se destaca o único português, 4 Copas, de Manuel Mozos. Não irá faltar a magia da luz do projector na tela branca nem um convívio único com mestres do cinema mundial e das artes.
FICHA
Estoril Film Festival
Onde Centro de Congressos; Casino Estoril; Teatro Mirita Casimiro
Quando Entre esta sexta-feira e 22 de Novembro
O quê Filmes europeus (em competição), de todo o mundo, fora de competição; workshops; encontros com actores; exposições.
Programa www.estorilfilmfestival08.com
---
Entrevista a Paulo Branco
O stress aumenta muito na véspera do filmes?
Não é bem stress, é mais preocupação para que tudo corra como planeado, que exista o mínimo possível de improviso, que acaba por existir sempre quando se organiza um festival destes com os meios pequenos. Dependemos imenso da boa vontade de muitas pessoas, por isso é coordenar tudo. Há pessoas que deixam de poder vir e outras que finalmente se disponibilizaram. Saber se os filmes que cá estavam estão correctos, se não há enganos. A parte burocrática, das acreditações, venda de bilhetes. Receber os convidados para que se sintam confortáveis, que não lhes falta nada. É nestes dias mesmo antes do festival que nós nos preparamos para as eventualidades que possam existir. É evidente que há sempre o imponderável e as complicações.
O ano passado foi o ano zero?
Este para nós é que é a primeira edição, porque já tivemos mais tempo, o outro foi preparado num espaço de tempo muito curto. É um programa muito mais ambicioso e que reflecte muito mais aquilo que pretendemos que este festival seja. Temos grandes nomes da cultura e do cinema, períodos de reflexão e grandes filmes.
Uma das coisas que estou mais orgulhoso é a exposição que temos este ano, que tem uma dimensão considerável, com as fotografias de Marie-François Banier e as fotografias inéditas do Luis Buñuel. Temos um júri que me orgulho de cá estarem todos e temos filmes em competição que não sendo conhecidos, são surpreendentes e acredito que vai agradar ao público.
Foi difícil de reunir este elenco de júri e de estrelas?
É difícil no sentido que têm de estar disponíveis. São pessoas que têm compromissos que os impedem de dispor assim de 10 dias. Por exemplo o arquitecto Miguel Barceló esteve cá o ano passado e para a semana vai inaugurar a célebre cúpula da ONU em Genebra e quando cá passou ia num instante a Genebra dar uns retoques.
Como surge o tipo de convites, como por exemplo ao prémio Nobel da literatura e, 2003 JM Coetzee?
O Coetzee não o conhecia, como acontece com outros. Enviei um convite através do agente e ele respondeu logo muito amavelmente, porque tinha ouvido falar do festival através do autor seu amigo Don DeLill e depois é uma espécie de cumplicidade já que falam uns com os outros. Depois quando lhe disse que se poderia encontrar com a Catherine Deneuve ficou muito contente. O Paul Auster também o aconselhou a vir. Uns nomes chamam os outros e é isso que nos permite reunir um bom elenco. É uma teia de conhecimentos e admirações mútuas, que existe entre eles. Há sempre surpresas, porque há última da hora muitos podem não conseguir vir mas outros ainda é incerto. O Bertolucci é muito possível que venha para se juntar ao Michael Pitt e ao Louis Garrell. A Eva Green [outro elemento do filme Sonhadores] está neste momento no Japão, por razões profissionais. O Gerard Depardieu também era para vir mas devido ao grande drama que lhe aconteceu [morte do filho] foi descansar para a Austrália.
Acha que pode haver surpresas durante o festival?
Eu espero que sim, o ano passado houve uma grande surpresa guardada para o final, nos descontos do jogo [Lynch], e este ano também é possível. Custa-me avançar nomes porque depois podem não vir. Foi o que aconteceu ao Vincent Cassell, que tinha tudo marcado para vir mas a distribuidora do novo filme dele em França não o deixou à última da hora por compromissos contratuais. Com imensa pena dele, que gosta imenso de Portugal. São coisas de acontecem.
Mas ter cá o Stephen Frears, o Coetzee, o Bernardo [Bertolucci], Agnés Varda, Valeria Bruni-Tedeschi, este júri, Michael Pitt, Mathieu Amalric – que é uma personagem muito peculiar como realizador e actor, que começou como estagiário do João César Monteiro em França (risos) –, é de satisfação.
Em Portugal não é normal um festival ter tantas estrelas juntas… normalmente há no máximo uma estrela estrangeira…
E conseguem uma estrela com cachets que aqui não acontecem. Se pagássemos grandes cachets tornava o festival impossível. As pessoas têm que vir porque lhes apetece vir e se sentem bem. Penso que o ano passado foi possível a essa cumplicidade e confiança que se estabeleceram nestes 30 anos de trabalho e de cinema. Estou ainda há espera que o John [Malkovich] venha numa próxima oportunidade porque tem uma peça a estrear no final do mês no México, calhou mesmo mal.
O Stephen Frears o ano passado não podia, este ano vem. Se o festival tiver continuidade pouco a pouco consolidamos o projecto. Que seja um encontro em que o público disfrute com estas pessoas que são grandes artistas mas ao mesmo tempo pessoas muito simples e iguais a todos nós. É isso que é interessante.
Fala-se que este é uma espécie de Cannes português, pela visibilidade que começa a ter…
Eu não queria categorizá-lo. Cannes demorou 30 anos a afirmar-se como grande festival mundial, a seguir há três ou quatro grandes festivais onde os filmes importantes querem estar presentes. Como Veneza, Berlim e San Sebastian também tem crescido bastante. Toronto é mais um mercado, onde é mais um festival industrial. Depois há imensos pequenos festivais, há 600 ou 1000… Tentamos encontrar o nosso espaço particular. Não queremos ser o Estoril e que o Estoril seja um nome que ao longo dos anos vá construindo uma reputação para quem quer ver bom cinema e reflectir onde se encontra o cinema, problemas e o seu fascínio… é isso que queremos acompanhar. É isso que eu gostaria que o Estoril fosse. A minha concepção de um festival é que tenha uma categoria própria.
A nível de programação, quais os critérios?
Por um lado queremos mostrar o que de melhor há na produção europeia, com os filmes que o comité vê durante o ano. Alguns filmes já passaram noutros festivais mas não em competição. Não queremos repetir na nossa competição filmes que tenham estado em grandes festivais para dar uma chance a outros filmes que são igualmente bons ou melhores. E passar fora de competição o que de melhor se produziu no mundo. E aí é possível ver em antestreia grandes filmes. Temos a sorte uma antestreia mundial, que é o segundo capítulo de Mesrine: L’enemie public nº 1, de Jean-François Richet. Uma das maiores produções europeias e é um realizador extremamente curioso que já trabalhou nos Estados Unidos e tem uma visão muito particular.
O próximo ano já está garantido?
Para já vamos garantir este ano. E vamos ver se conseguimos estar cá para o ano, isso também depende da confiança do Dr. António Capucho e da Câmara de Cascais e será ele que pode tirar as ilações e ver se a aposta é para solidificar.
Crítica Gran Torino

Duro. Implacável. Bruto. Desagradável. Velho. De voz áspera. Adverso a novos amigos. Desta forma pouco agradável se pode descrever a complexa e incrivelmente cativante personagem Walt Kowalski, interpretada em Gran Torino de forma ímpar por Clint Eastwood.
A lenda viva do cinema volta a realizar e a protagonizar, com resultados espantosos, graças a uma história difícil e actual e a uma personagem feita de propósito para ele.
A trama começa logo após a morte da mulher de Walt.
Este veterano polaco marcado pela guerra na Coreia é rude com os filhos, que já pouco se importam com o pai e com o próprio padre, um «virgem de 27 anos, excessivamente letrado que pensa que sabe o que é a vida e a morte pelo que leu nos livros».
Sozinho na casa e no bairro de sempre, Walt vai cuidando de si e do seu Gran Torino de 1972, um Ford clássico, à medida que também olha com desconfiança e a habitual dureza para os novos vizinhos Hmongs, imigrantes do sudeste asiático.
O bairro mudou de feições, predominando cada vez mais imigrantes e gangues. A sua relação com os vizinhos asiáticos começa a mudar quando este velhote assustadoramente sério impede que o vizinho adolescente, Thao, lhe roube o seu Gran Torino, obrigado pelo gangue do seu primo.
A partir daí a família de Thao impõe ao adolescente que ajude o velho rezingão e pronto para a luta, e cria-se uma amizade improvável, que vai ser gravemente perturbada pela retaliação do gangue do primo de Thao.
Um filme cheio de força humana, dura, crua e emocional, que cativa .
--
"Aos 78 anos já não quero ser 'Dirty Harry'"
in Ipsilon
"Yeah, I liked the dilemmas he had to go through. I liked the message of antique America that is maybe obsolete. Walt may be obsolete." He laughs gently. "But he does learn new things. And that's what makes it interesting. You take a guy who's way out opinionated, insulting to equal opportunity" - this sounds like a phrase he's had to adjust to - "an insulter, and you put him with people where he's antagonistic as hell. And then all of a sudden he looks in the mirror and says, 'I have more in common with these people than my own spoilt, rotten family.' He's realising these folks like having him around, even though he's not particularly on the surface likable."
in Guardian
Crítica The Life Aquatic with Steve Zissou

Vida aquática deliciosa
Uma aventura extraordinariamente diferente, que nos leva a um mundo aquático repleto de comédia inteligente, com drama, ironia e boa música
João Tomé - in Destak
> Uma história simples mas muito bem contada por Wes Anderson, com um surrealismo brilhante num mundo tão estranho quanto apaixonante. No seu último filme The Royal Tenenbaums, Anderson e o co-argumentista Owen Wilson (também actor neste filme), oferecem-nos um universo paralelo em Manhattan com personagens igualmente estranhas, curiosas e inteligentes.
Em The Life Aquatic with Steve Zissou (título em inglês) o realizador vai ainda mais longe num mundo imaginário repleto de equipamentos engenhosos e de espécies marinhas estranhas (criadas por computador), desde cavalos-marinhos coloridos a cardumes cor-de-rosa. Esta é a história de um famoso oceanógrafo, Steve Zissou, personagem baseada na comédia de Bill Murray e na vida de Jacques Costeau, e da sua equipa disfuncional e excêntrica.
A bordo de um barco velho mas aconchegado, chamado Belafonte, a equipa Zissou dedica-se a documentários e a expedições subaquáticas. Mas os problemas financeiros e a morte de um parceiro na sua última aventura, comido por um tubarão jaguar extremamente raro, fazem o comandante Steve Zissou iniciar uma expedição amalucada, pelas profundezas marítimas, de forma a vingar o amigo e matar o tubarão.
Com um elenco fantástico, encabeçado por Bill Murray – a personagem de Zissou foi criada a pensar nele – participam nesta aventura surreal Owen Wilson como piloto e admirador, que pode, ou não, ser filho do oceanógrafo; Cate Blanchett, a repórter responsável pela cobertura da expedição; Angelica Houston como a mulher misteriosa de Zissou; Willem Dafoe como irmão ciumento e engenheiro da embarcação e Jeff Goldblum, o arqui-inimigo e o recém-chegado.
O brasileiro Seu Jorge tem aparições muito divertidas ao cantar em português músicas de David Bowie. São personagens diversificadas num mundo que tem parecenças com o filme Yellow Submarine e com a comédia dos Monty Python. A marca de Bill Murray, e o seu humor calmo, junta-se ao humor inteligente de Wes Anderson para nos dar um filme muito agradável.
De: Wes Anderson
Com: Bill Murray, Owen Wilson, Cate Blanchett, Anjelica Huston, Willem Dafoe, Jeff Goldblum
Origem: EUA, 2004
118 minutos
http://lifeaquatic.movies.go.com

1
Peça sobre Bedtime Stories

Deixo de seguida uma amostra das entrevistas/conferência de imprensa que fiz para o Destak.
Sandler vira-se para a Disney
Estive em Londres a entrevistar o elenco e realizador de Histórias para Adormecer, comédia da Disney que estreou quinta-feira em Portugal.
Adam Sandler faz comédias como protagonista há 14 anos mas, neste período e após muitos filmes, esteve sempre afastado da Disney e da comédia lá feita. Os filmes que protagonizou e escreveu até agora têm tendência para serem provocadores e arriscados, o oposto do que a Disney faz. Tudo isso mudou este ano com a estreia de Histórias para Adormecer, a comédia cheia de sonhos e esperança que Sandler fez «a pensar no meu miúdo e nos filmes que ele poderia ver».
O actor e argumentista, sinónimo de recordes de bilheteiras nos Estados Unidos, é tudo aquilo que se pensa à partida dele. Alguém sem vedetismo, com roupas simples, botas de campo, aspecto descontraído, um riso estranho e sempre pronto para a galhofa. Foi isso que vimos e ouvimos em Londres, numa conversa com os jornalistas repleta de bons momentos e pouca conversa séria, afinal o filme era para animar e não deprimir. «Vamos parar com estas perguntas e vamos olhar nos olhos uns dos outros e conhecermo-nos todos», foi a forma de Sandler “quebrar o gelo”.
O filme conta a história de um empregado de hotel cuja vida muda quando inventa histórias de adormecer com os sobrinhos e elas começam a acontecer na vida real. Quando tenta aproveitar-se do fenómeno, as contribuições dos sobrinhos complicam-lhe os planos.
Adam Sandler, que adorava as histórias de Willy Wonka quando era miúdo, explicou que improvisa histórias à sua filha de 2 anos, que está agora obcecada por comida e foi a grande razão para ele fazer este filme da Disney. «Ela obriga-me a inventar histórias sobre comida. Desde rios de geleia a lutas entre waffles e panquecas, à montanha de manteiga», disse. Sobre a rodagem foi em família: «Levávamos todos as nossas crianças para a rodagem e por isso viveu-se um ambiente muito familiar.»
Sandler: «Já fui a Portugal»
O actor juntou um elenco de amigos e pessoas que admira, incluindo o comediante britânico Russell Brandt, e o argumentista de sempre, Tim Herlihy. «Ter uma versão adulta de um filme da Disney era capaz de ser chato… mas é uma ideia», disse o energético comediante Russell Brandt (cada vez mais presente em comédias americanas), que mais parece um recordista em dizer piadas por minuto.
Rob Schneider, actor presente na maioria dos filmes de Sandler e que também esteve neste Histórias para Adormecer, fez recentemente uma campanha sobre as rolhas de cortiça em Portugal, chamada Save Miguel, para promover o seu uso na Austrália.
O Destak perguntou a Adam Sandler, quando é era a vez dele vir a Portugal? «Já estive em Portugal, adorei lá estar e espero levar o Schneider. Ele passou lá uma boa temporada e da próxima vai-me ensinar algumas coisas.»
Brandt num drama?
Já ao comediante Russell Brandt fizemos a seguinte provocação: Quando é que faz um drama nos Estados Unidos? «Provavelmente na próxima vez que fizer um telefonema por lá», explicou sem evitar rir-se. A resposta está relacionada com uma polémica recente que colocou Brandt nas manchetes dos ingleses.
O comediante aproveitou o seu programa de rádio mais arrojado e fez em directo uma chamada para o atendedor automático de uma personalidade inglesa, iniciando depois comentários jocosos sobre a neta do mesmo. Brandt arrependeu-se e pediu desculpa pouco tempo depois. Mas nem isso o salvou de muitas críticas e do fim do programa de rádio da BBC.
Brandt continuou a resposta: «Estou a fazer agora o filme Tempist, que é inspirado numa peça do Shakespeare… o que é vocês querem de mim em Portugal? Não consigo fazer as fitas do Cristiano Ronaldo, vocês chamam a isso uma comédia, não? (risos) Estou a brincar. Assim que alguém me der oportunidade posso tentar drama… eu faria um drama, sem dúvida».
-----------------------------------------------------------
Adam Shankman
O realizador de Hairspray, que vem do mundo da coreografia e tem-se especializado em comédias, explicou que as únicas limitações pelo filme ser da Disney eram «não bater em ninguém nem ter asneiras». «E isso foi muito fácil para os actores, porque criaram-se novas oportunidades... e ainda assim continua a ser um filme de Adam Sandler», explicou.
Já o Russell Brandt foi uma grande aquisição, porque ele «é incrivelmente divertido e simpático». «Como andavam sempre na rodagem os miúdos da Keri e do Adam, não havia asneiras», disse, revelando que sente sempre pressão e receio quando está a rodar um filme, porque sente «uma responsabilidade grande quando [lhe] confiam um grande orçamento.» «Tenho tido tanto sucesso que sinto que agora elevam-me sempre a barreira. Filmes como este são feitos de forma comercial para tentarem abranger o máximo de público possível. As reacções que tenho tido é que os miúdos estão a adorar e os adultos estão a rir-se muito no filme. E era só isso que eu queria.»
Keri Russell
A actriz que faz de alvo amoroso inicialmente improvável de Sandler no filme, contou-nos que foi a série Felicity (que chegou a passar na RTP1) que lhe permitiu chegar ao cinema e dar um salto na sua carreira. Depois de ter feito uma série de filmes onde se inclui Missão Impossível III, a actriz parou para ser mãe pela primeira vez.
Foi um telefonema de Sandler que a voltou a colocar no activo antes do previsto. «O Adam ligou-me quando estava muito grávida, não o conhecia, e ele disse “tenho um miúdo agora e ouvi dizer que vais ter um miúdo. Quero fazer um filme que o meu miúdo possa ver e quero que o faças comigo”». Foi desta forma simples e directa que Keri foi integrado no projecto de História de Adormecer da Disney. «Foi divertido e diferente trabalhar com o Adam, porque ele reescreve tudo o que faz e improvisa muito, por isso tive de me deixar ir e segui-lo».
Crítica There Will Be Blood

Haverá Sangue
Coração Rude e de Ouro Negro
Ao ver Haverá Sangue (nomeado para oito Óscares), cedo se percebe que George Clooney tinha razão: haverá sangue por Hollywood se o britânico Daniel Day-Lewis (já oscarizado em 1989) não conquistar a 24 de Fevereiro o Óscar de Melhor Actor. Quando é um papel e um desempenho que dá alento e força ao filme, estamos na presença de matéria de Óscar.
O criativo Paul Thomas Anderson (autor de Magnólia e Punch Drunk Love) acertou quando escolheu Day-Lewis como mineiro duro e ambicioso, Daniel Plainview.Anderson, que escreve, produz e dirige o drama baseado no livro de 1927, Oil!, sai do estilo habitual para fazer um drama "áspero" sobre a fundação da América contemporânea. Plainview é um mineiro pelo Novo México, em busca de prata e que descobre petróleo depois de sofrer um acidente.
Já abastado, parte em 1911 para uma propriedade na Califórnia, onde um jovem diz que o "ouro negro" transborda da terra. Com o seu filho H.W. e munido de uma determinação implacável monta na cidade miserável a prospecção. Por lá terá de lidar com o jovem fervoroso pregador Eli Sunday (Paul Dano) e com os barões do petróleo que o tentam comprar.
Esta personagem maior que a vida com sentido de família e com vontade de sujar as mãos lida com corrupção e decepção da mesma forma: com brutalidade e sangue. Um filme duro mas intensamente bom.
--
De: Paul Thomas Anderson
Com: Daniel Day-Lewis, Martin Stringer, Matthew Braden Stringer
Drama; Thriller
EUA, 2007
Entrevista Joaquim de Almeida

(Entrevista realizada em Lisboa, Av. 5 de Outubro, em Setembro)
«Na cena mais intensa às tantas estávamos os três a chorar»
Entrevista a Joaquim de Almeida
Aos 52 anos o actor português mais internacional de todos os tempos continua a fazer o que mais gosta «fazer filmes que me cativem». Falámos com o homem que «detesta ter pouco para fazer» e que diz que «tu és tão bom quanto a última coisa que fizeste» a propósito de Longe da Terra Queimada, onde é amante de Kim Basinger.
Como integrou na sua agenda esta sessão para promover este filme?
Tinham-me dito em Cannes que o filme iria sair mais tarde, temos estado em contacto. Eu acabei o filme Chistopher Roth na Roménia no domingo, por isso disse que poderia estar cá para a semana de estreia do filme. Aliás, uma pessoa diz que pode estar esta semana, mas depois há outras pessoas que querem outras coisas. Estou envolvido nisto de Portimão, acabo por ir ao Algarve, por isso acaba por ser uma semana completa. Depois tenho os meus filhos.
Eu também sou uma pessoa bastante activa e que se chateia é de não fazer nada, para mim, o estar ocupado dá-me sempre prazer. Ainda por cima acabei de fazer um filme em que estávamos a trabalhar 12 horas por dia. Mais hora e meia para cada lado, deram 15 horas. Isto ajuda-me a não quebrar o ritmo, porque nós geralmente quando fazemos ao fim de muito tempo sempre muitas pessoas a trabalhar, a trabalhar, de repente sentimos um vácuo. E assim ajuda a mantermos o ritmo continuarmos ocupados a seguir.
Como surgiu o convite do Guillermo Arriaga para fazer este filme?
Disseram-me que o Guillerme gostava de falar comigo para um filme. Eu disse que sim, mas tinha de ser no dia seguinte porque ia para a Europa logo a seguir. Quando me encontrei com ele no Novo México, tinha chegado de Los Angeles, e ele disse-me que tinha andado a falar de mim há não sei quanto tempo. Primeiro disseram-me que estavas a filmar e não te encontrava. Segundo ele explica não conseguia encontrar ninguém como eu. Porque dentro do filme ele fala dos elementos, da Terra, do Fogo, do Ar… e ele queria um homem Terra, e para ele Joaquim de Almeida era um homem Terra. E finalmente ele tentou novamente ver se eu não estaria livre. E por acaso coincidiu que havia uma semana que faltava para a Kim Basinger acabar o trabalho, em que eu poderia fazer porque acabava mesmo antes de filmar La conjura de El Escorial.
E fui-me embora numa sexta-feira, apareci lá sábado. Domingo à noite encontrei-me com a Kim [Basinger] à noite. Ela disse-me “não vamos falar nisto, tu és profissional, fizeste muitos filmes, eu fiz muitos filmes… segunda-feira fazemos aquilo que temos que fazer”. E assim foi.
Tinha falado muito com o Guillermo sobre a personagem e demo-nos muito bem na rodagem. O convite foi para mim uma alegria porque finalmente alguém nos Estados Unidos pede para fazer um filme em que não sou o mau da fita, se bem que não foi um norte-americano, foi um mexicano. Mas estamos a falar de um filme norte-americano, que dá-me oportunidade que as pessoas me vejam agora para outros papéis. Aliás, tenho feito agora ultimamente sem ser maus da fita.
Isto surgiu assim. Encontramo-nos, fomos almoçar. Ele disse-me que o filme era meu. E eu pensei “espera aí, os produtores ainda precisam de aprovar, é melhor não ficar demasiado contente”. Ele ainda ia para o México nesse dia e eu para Los Angeles. Ainda nos metemos no cinema e fomos ver um filme dos Beatles, que ele já tinha visto. Assim foi. Fomos para o aeroporto, bebi uma cerveja ele uma Pepsi Cola, porque ele é viciado nisso, ele foi para um lado e eu fui para o outro.
Rodagem curta para entrar dentro do tempo disponível?
Eu só tenho cenas com a Kim Basinger. Ele [Arriaga] depois disse-me que foi melhor assim porque acabou por filmar as minhas cenas todas numa semana com ela e filmámos cronologicamente em relação ao próprio affair. Portanto isso facilitou porque fomos progredindo como se fosse na vida real.
É a primeira longa-metragem de Arriaga. Sentiu carinho especial por ser a estreia dele?
Senti um carinho especial, primeiro por adorar o guião, segundo por ele me querer. Mas sobretudo o bom foi que…
O Guillermo acabou por fazer o filme com dois directores de fotografia. Um, Robert, fez a parte do Novo México e o outro fez a parte do Oregon. Não foi voluntário. Foi pelas circunstâncias do filme. Ambos se enquadraram bem com o filme. Mas o que eu gostei foi, tendo ele dois directores de fotografia com tanta experiência. Deixou liberdade ao Guillermo de se ocupar com os actores. Que é o que ele gosta. Sobretudo na história que se passa comigo e com a Kim, é transportada da vida real dele e pô-la no filme.
Eu lembro-me de estar a fazer a cena do seio, com a Kim. E às tantas estávamos os três a chorar. Eu olho para o lado e pergunto-lhe “então, estás a chorar?”. E ele responde “Cabron, então e tu?” [risos] E foi comovente porque às tantas estávamos a chorar compulsivamente. É uma história que não é fácil. É uma história sobre a dor, sobre o esquecer, amores proibidos. Sobretudo sobre a rejeição também. As histórias do Guillermo nunca são fáceis. Agora é uma história que eu adorei porque senti a ler aquilo que depois vi no filme. Aquilo obriga a ter atenção ao filme para percebê-lo. Se nos deixamos adormecer 10 minutos talvez não percebamos o que se trata. As histórias são paralelas e para mim houve uma certa alegria quando vi com amigos meus o filme e eles percebem o que se estava a passar – eu já sabia o guião, portanto ia em vantagem.
O filme tem tido reacções totalmente diferentes. Inclusive agora nos Estados Unidos, o LA Times adorou o NY Times detestou, em Itália, França, Espanha, sempre da mesma maneira. Um jornal adora, outro detesta. E dentro do mesmo jornal, um adora outro detesta. Acho que em Portugal vai ser da mesma maneira. Mas pronto, a vida é assim. Mas é um filme que não passa indiferente.
A cena do seio é muito intensa emocionalmente. Houve preparação para uma cena daquelas?
É engraçado, porque para quebrar a tensão, devido às cenas serem tão pesadas, quando se mudava de posição de câmara o Guillermo contava anedotas e ajudava-me muito. A Kim pediu que essa cena fosse feita pela manhã, porque para ela era a mais difícil do filme. Estava muito nervosa, porque sabendo que era biográfica para o Guillermo ela tinha medo de não estar à altura. E só me lembro do Guillermo dizer “ela está a tremer, vamos usar isto, eu preciso disto, não quero que ela relaxe”. E então filmámos com grande rapidez e depois foi engraçado quando acabámos de filmar a cena ela olhou para nós, fez um grande sorriso e disse: “quero contar-vos uma anedota”. E contou uma muito infantil, porque ela tem uma filha de sete anos e é assim que ela é. Ela é uma pessoa muito divertida e de uma fragilidade enorme. Não tem nada a ver com a Charlize Theron, que é toda Maria Rapaz. Ela é muito frágil, até o sol faz-lhe mal. Demo-nos muito bem e acho que ela está muito bem no filme, tem uma performance extraordinária. Quiseram-lhe dar o prémio em Veneza mas não lhe deram porque ela disse que não vinha. Ela não vai a festivais, nem sequer foi à estreia do filme nos Estados Unidos, ela detesta multidões.
Uma semana para gravar tantas cenas é obra…
Foi e é assim. Temos mais de 50 anos, somos actores experientes. Ela própria diz, já fizemos muitos filmes, muitas cenas de câmara e assim foi.
Caminha para a marca dos 100 filmes. O cinema norte-americano é o de eleição, ou diversificar continua a ser palavra de ordem?
Já fiz setenta e tal filmes. Gosto de diversificar, dos EUA à Europa. Gosto de fazer filmes diferentes. Mas o importante é o guião e quando um guião é bom vale a pena. Nós que andamos há muito tempo nisto conhecemos bem os realizadores, fiz mais do que um filme com o mesmo realizador e é sempre para mim um prazer trabalhar com alguém que conheço. Também passamos por épocas em que trabalhamos menos e mais e ajudamo-nos uns aos outros. Não acho o cinema americano o melhor hoje em dia. O cinema independente americano talvez seja dos melhores cinemas. Há realizadores como o Clint Eastwood, que é um cinema com dinheiro mas com um feeling independente. O cinema americano está muito ligado ao cinema de Verão, aos blockbusters. Não me cativam particularmente, a não ser por estrearem no mundo inteiro e darem muito dinheiro. Temos todos de sobreviver e ganhar dinheiro. Mas adoro fazer cinema por fazer cinema. Com um bom guião, um bom realizador e uma boa audiência. É difícil conseguir estas três. Nem sempre um bom guião corresponde a um bom realizador e vice versa. Ce la vie. Nem sempre se vai a um restaurante e como aquilo que se pensava que se ia comer, pronto.
Costuma fazer retrospectiva da sua carreira e pensar nos trabalhos que mais gozo fazer?
Não, não faço, nem penso no passado. Há uma coisa que se diz no cinema, “Tu és tão bom quanto a última coisa que fizeste”. Eu penso naquilo que acabei de fazer, tento sentir-me contente com o que acabei de fazer. Aliás não vi os filmes todos que fiz. Tenho lá vários em casa que continuam selados e alguns vão sendo abertos pelo meu filho. Não vejo as coisas que faço. Tenho prazer em fazê-las. Alguns vejo outros não. Há muitos que até tiveram muito sucesso e não os vi. Ou porque passou o tempo de ir à estreia… e as mini-séries de quatro ou cinco horas não tenho paciência para as ver, ainda por cima apareço muitos anos mais novo.
Ainda há realizadores com quem desejaria trabalhar?
Há tantos. Hoje em dia há tantos realizadores de cinema. Eu adoro realizar com realizadores novos do que com realizadores já famosos. Acho que quando trabalhamos com realizadores novos há… eu quando fiz o filme Desperado, o Robert Rodriguez era uma realizador novo, hoje é um consagrado. Fiz o Che, tive pena de fazer uma parte pequena, num filme onde todos éramos pequenos menos a parte do Che, com o Soderbergh. Adoraria de filmar outra vez com o Soderbergh, gostei dele pessoalmente, da maneira dele trabalhar. Sei lá, há muitos. Eu acho que mais do que tudo, mais do que o realizador interessa o guião, e quando o guião é interessante, é-me indiferente se conheço o realizador ou não. É evidente se é um realizador consagrado melhor, porque já sabemos o que esperar dele. Mas às vezes… o Soderbergh quando fez Sex, Lies and Videotape, foi o primeiro filme dele e ganhou Cannes e seguramente nenhum dos actores estava à espera que o sucesso fosse dessa maneira. O futuro ninguém o pode prever. Ainda agora vi o último filme do Tarantino e vi um amigo meu, Christopher Waltz, que eu não via há anos… a última vez que tinha visto foi quando deixou a minha casa, porque esteve a viver comigo durante um ano, porque tinhamos estudado juntos. E agora vejo num filme de Tarantino e ganhou o Melhor Actor de Cannes e agora já tem outros filmes para fazer. Desde que o deixei até agora nunca ouvi falar dele, porque ele tem feito uma carreira, sei lá, na Alemanha porque não conseguiu ter uma carreira internacional. Está a ver, nunca é tarde para ser ter uma carreira internacional e ganhar prémios. Basta um filme.
Esta semana estreia ao mesmo tempo que o Longe da Terra Queimada dois grandes blockbusters, a animação da Disney Força G e o remake Fama. Que conselhos daria ao púbico português para ir espreitar este drama?
Para já não sei como está classificado este filme, mas deve ser para maiores de 18 anos. Portanto, estamos já a tirar grande parte do público possível. Não é um filme que as pessoas vão ver duas, três vezes, não é um filme como o Fama, que entretém. Isto é um filme para quem gosta de Cinema, para quem gosta de pensar e para quem gosta de ver bom Cinema. É um filme também muito mais dedicado para uma faixa etária, eu diria dos 25 aos 75. Não tanto para os jovens… acho que não há competição entre estes filmes. São filmes com propósitos diferentes, diametralmente opostos.



.jpg)
