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entrevista a joão sousa



(entrevista de Outubro de 2013)


«O Rafa [Nadal] é muito social e adora falar e contar histórias»
Tenista português mais bem sucedido no ranking ATP, chegou a um inédito 37.º posto, com que vai terminar a época desportiva. João Sousa explica porque foi para Barcelona e a forma como os pais ajudaram na carreira e nos sonhos.

João Tomé

Com o triunfo em Kuala Lumpur vieram muitos elogios e solicitações. Quais foram os parabéns que mais o surpreenderam? Até Cristiano Ronaldo lhe deu os parabéns.
Os que mais me surpreenderam foram os do senhor Presidente da Câmara! É um motivo de orgulho ser reconhecido pelo trabalho por tantas celebridades e figuras nacionais.

Foi o primeiro português a entrar no top 50. É possível superar esse marco e chegar a um top 10?
Obviamente que é possível superar este marco, não só por mim mas também por outros jogadores. Top 10 são palavras maiores! Sou consciente do nível que tenho neste momento e falta muito trabalho pela frente para ser melhor jogador e conseguir os novos objectivos.
Com os resultados recentes do Rui Machado, Frederico Gil, Gastão Elias e o jovem Frederico Silva, acha que há toda uma nova geração de tenistas portugueses que podem tornar o top 50 normal para portugueses?
Estou convencido de que temos muito talento. Acredito que todos os jogadores que mencionou têm capacidades para estar no top 100 e conseguir marcas espectaculares.
Quais são as suas maiores referências no ténis. Tenta “tirar” um pouco dos tenistas que mais aprecia e aplicar no seu jogo?
Penso que todos os jogadores analisam a fundo os seus ídolos e tentam tirar tudo de bom que eles têm. No meu caso gosto muito do Roger Federer pela facilidade com que executa todas as pancadas e o Rafael Nadal pela frieza com que afronta os problemas e a garra que tem.
 
Porque é que optou por aos 15 anos Barcelona para evoluir na modalidade? Como é que é o seu dia-a-a dia em Barcelona?
Foi uma opção que tomei conjuntamente com os meus pais. Achamos que em Portugal infelizmente não se reuniam as condições para que pudesse ser um jogador profissional de ténis e optei por emigrar para Barcelona para seguir o meu sonho de ser tenista profissional. Hoje em dia colho os frutos de tanto esforço e dedicação. Um dia normal, treino duas vezes ao dia num total de cinco horas diárias, como e janto às horas programadas e normalmente deito-me cedo, por volta das 22h30.

Quais foram os tenistas que mais “gozo” lhe deram enfrentar e porquê?
Djokovic por ser o número 1 do mundo e por ter tido a oportunidade de jogar no maior estádio do mundo e David Ferrer por, na minha opinião ser o número 1 dos humanos, lhe ter ganho e ter jogado um dos melhores encontros da minha vida.

Quanto custa preparar uma época de ténis? Nota maior dificuldade nos patrocínios?
Infelizmente nunca tive nenhum patrocínio e felizmente sempre dispus economicamente dos meus pais para fazer frente aos gastos necessários para ser um jogador profissional. Preparar uma época hoje em dia necessito mais ou menos uns 100 mil euros.
Já treinou com grandes tenistas. Como é que eles são nos treinos, competitivos, concentrados e calados ou sociais e curiosos?
Depende dos jogadores! No caso do Rafa é muito social e nas pausas entre exercícios adora falar e contar historias! No caso do Berdich, por exemplo, gosta de estar concentrado e quase não para para descansar! Normalmente todos os jogadores são sociais, profissionais e bons companheiros!!

O ténis é um jogo muito solitário em competição. A pressão de um jogo pode ser avassaladora, não? Usa estratégias para lidar com a pressão durante e após o jogo?
O ténis é um desporto muito mental  pelo qual os tenistas usamos estratégias de concentração para não sair mentalmente do encontro e mantermo-nos concentrados durante todo o encontro. As rotinas e tiques são os mais habituais nos tenistas. Há jogadores que conseguem lidar melhor com a pressão do que outros e muitas vezes é aí que se vê a diferença.

Jogar no Arthur Ashe Stadium no US Open contra o Djokovic foi o estádio e o jogo mais emocionante até agora? Qual é o seu torneio preferido? E qual é que sonha ganhar?
Obviamente é um encontro que ficará gravado na minha memória para sempre! Penso que defrontar o número 1 e encima no maior estádio do mundo completamente cheio é o sonho de qualquer tenista, independentemente do resultado! O meu torneio favorito é Roland Garros e um sonho? Mesmo sendo consciente de que nunca o conseguirei, diria ganhar Roland Garros!

Quais as diferenças que encontra em Federer, Nadal e Djokovic?
Todos esses jogadores são muito parecidos. São excelentes desportistas com uma facilidade imensa para jogar ténis. Fisicamente são muito fortes e mentalmente também são muito bons. Entre eles as diferenças são mínimas  e perdem e ganham por pequenos detalhes.
Já conseguiu muito na sua carreira, que sonhos falta concretizar?
Há muito a trabalhar e consoante vamos conseguindo os nossos objectivos, novos objectivos aparecem na nossa mente, pelo que há que trabalhar ainda mais para os concretizar.

Quais foram os momentos mais difíceis destes últimos anos? Há derrotas mais difíceis de digerir do que outras?
Todas as derrotas são difíceis de digerir. O importante é saber tirar conclusões  positivas da derrota e aprender com os erros. No último ano melhorei muito este aspecto e análise de jogo.
Se não fosse tenista, o que gostaria de ser?
Gostaria de ter seguido com os estudos e ser médico.

As negociações com o Jorge Mendes já chegaram a bom porto? De que forma um agente te pode ajudar nesta fase da carreira?
O que posso adiantar é que pessoas da confiança do senhor Jorge Mendes já que contactaram e que as coisas estão bem encaminhadas. Seria óptimo poder ter uma parceria com a Gestifute já que é uma das melhores empresas de gestão do mundo.

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INQUÉRITO
Tenista preferido: Roger Federer e Rafael Nadal;
Futebolista preferido: Cristiano Ronaldo;
Comida preferida: Salada Caprese;
Cidade Preferida: Guimarães;
Torneio preferido: Roland Garros;
Pancada de ténis preferida: Direita;
Jogo (computador) preferido: Footbal Manager;
Músicas para antes dos jogos: Bob Marley
Filme preferido: Gladiador.

curso de vela

Reportagem para o Lisbon Golden Guide. 2009.



VELA
BMW traz competição e academia para Portugal
A BMW, marca onde o prazer de condução é o principal estandarte, trouxe para Portugal uma das suas actividades desportivas mais aliciantes vocacionada para o público em geral e com descontos para os clientes BMW.

Na vertente de competição a BMW Sailing Cup, prova para amadores disputada em Beneteau First Class 7,5, chega agora ao nosso país. No total são três etapas, duas eliminatórias regionais já disputadas, uma final nacional (será em Tróia de 9 a 11 de Outubro) e uma final internacional.
Vocacionada para o público em geral e para clientes BMW, a escola de vela BMW Sailing Academy tem como objectivo ensinar e aperfeiçoar a prática do desporto da vela, bem como o desenvolvimento de técnicas de competição.

A escola foi criada em parceria com a escola de vela Terra Incógnita e vai dispor de cursos para adultos em vários níveis (iniciação, aperfeiçoamento, pré-competição, competição, match racing e escola de navegação), nos quais os clientes da marca bávara terão condições especiais. A BMW Sailing Academy tem ao seu dispor quatro veleiros Beneteau First Class 7,5. Com excepção das clínicas de Match Racing, todos os cursos têm a duração de oitos sessões (8 dias) de quatro horas cada.

Aventura ao sabor do vento
Na apresentação desta iniciativa tivemos direito a uma aula de iniciação em pleno rio Tejo, com o Padrão dos Descobrimentos e a Ponte 25 de Abril à vista, que se revelou entusiasmante. A vela, como muitos outros desportos, requer instinto, prática, experiência e, neste caso, vontade de competir.
A combinação entre ondas, ventos, velas e leme torna a experiência de velejar – movidos apenas com a força do vento – uma verdadeira aventura, de contornos tão imprevisíveis quanto divertidos e aliciantes. Não falta, portanto, adrenalina e vontade de aprender mais para que a viagem marítima seja o mais rápida e divertida possível.

Tal como muitos desportos com vertente competitiva, a vela torna-se facilmente um bom vício para aprofundar e experimentar mais do que uma vez após ter-se tomado o gosto a navegar ao sabor da natureza, neste caso do vento.

FICHA
Escola de vela
Curso de iniciação; Curso de Aperfeiçoamento e Curso de Pré-competição: 250 euros (175 euros*) cada curso
Escola de Navegação
Curso de Carta de Marinheiro: 380 euros (266 euros*)
Curso de Carta de Patrão Local: 570 euros (470 euros*)
Curso de Carta de Patrão de Costa: 695 euros (485 euros*)
* para clientes BMW
Inscrições: 21 302 15 88; bmw-sailing@atrportugal.com
Local: Doca do Bom Sucesso, Ed. Vela Latina, Lisboa.

reportagem

Reportagem em Itália
'Milano' invadida por tiffosi para o grande embate
O dia 3 da nossa viagem por Milão é o dia do grande embate. A cidade esqueceu o Carnaval (cá só é comemorado no sábado) e vestiu-se hoje de manhã de preto e azul para apoiar o Inter no jogo frente ao Man. United desta noite (19h45). Contamos o que vimos e o que ouvimos.

João Tomé, em Milão

O típico adepto do Internazionale di Milano tem cachecol (de preferência um exemplar feito de propósito para o jogo que vai assistir), gorro com riscas pretas e azuis (até porque o frio aperta – hoje de manhã a temperatura era de 1 grau) e uma bandeira a “forrar” as costas. Na verdade, nos últimos dias parecia pouco provável o que alguns milaneses nos diziam, que o Inter tem tantos adeptos quanto o Milan.

Hoje, no nosso passeio por Milão de bicicleta (meio de transporte por excelência para os italianos), constatámos que parece ser verdade. Muitos vêm de fora da cidade, mas outros são verdadeiros milaneses. Certo é que pelas 11h da manhã a praça central da cidade, Il Duomo, estava ocupada por centenas de adeptos do Inter, todos vestidos a rigor e em preparação para o grande jogo desta noite, que opõe o Inter ao Man. United. Não faltam ainda por toda a cidade vendedores ambulantes com bandeiras e cachecóis feitos propositadamente para “il grande gioco”, como dizem os italianos, ou “the epic clash [o embate épica]”, como dizem os ingleses que encontramos.

Confusão pode trazer violência
O grosso dos 6500 adeptos ingleses (apenas 4 mil têm bilhete para o jogo) esperados em Milão ainda não chegou. Stuart, nascido e criado em Manchester, disse-nos em plena praça Il Duomo que “a maior parte dos nossos 'holligans' só chega mais em cima do jogo”. É de esperar confrontos? “É bem possível, a euforia pode descambar, mas espero que não”, vaticinou.

Já Carlo, um jovem italiano que é taxista na cidade da moda, não tem dúvidas: “vamos ganhar 5-0, 5-0”, diz com sorriso brincalhão. Sobre José Mourinho “é um técnico ‘bravíssimo’, de que todos os adeptos do Inter gostam”, já relativamente a outro português do plantel, Luís Figo, “já está velho demais e não corre tanto como o Zanetti, que parece um jovem”. O tiffosi desde o berço do Inter tem ainda opinião sobre Quaresma: “Um falhanço! Como é possível ter feito todos os jogos em que participou tão miseráveis? O Mourinho fez bem em emprestá-lo”.

Se há característica comum nestes italianos tiffosi é que têm opinião sobre tudo. Basta dizer a palavra Calcio para ouvir as várias opiniões que têm sobre o futebol, particularmente o seu clube.

Ingleses em ebulição com "o grande embate"
Na cidade milanesa, a enorme falange de jornalistas ingleses entra em autêntica contagem decrescente para o jogo. A Sky News e a BBC não se cansam de falar no reencontro entre Mourinho e “Fergie” (Alex Ferguson), cuja história é claramente desfavorável para “Sir Alex”, considerando a eliminatória um “embate para recordar”. Outra referência pomposa foi a presença de David Beckham, que foi apoiar o seu antigo clube ao treino a San Siro, reencontrando-se com Ferguson e cumprimentando mesmo Cristiano Ronaldo.
Em breve partimos para San Siro.

Reportagem em Itália, outros textos:

Artigo 1 - Milão, entre a moda e o Calcio

Artigo 2 - Falámos com Mourinho, mas pouco

Entrevista a James Cooper, um dos repórteres mais famosos da cadeia inglesa Sky Sports, após a conferência de imprensa de José Mourinho

Entrevista exclusiva a Nani em Milão - 1 comentário

Crónica Inter-Manchester via Milão

conversa

Escrito a 25 de Fevereiro de 2009.


Conversa com Nani em Milão

João Tomé, em Milão

Em pleno San Siro, depois de um jogo intenso da Champions que terminou empatado a zero entre Inter e Manchester United, o Destak conseguiu ser o único meio de comunicação a falar com o português com Nani, na preenchida (de jornalistas ingleses, italianos, chineses, e até portugueses) zona mista do estádio milanês.

O extremo português do United não jogou no embate de terça-feira, mas não deixou de enfatizar que ficou espantado com «o ambiente infernal e incrível de San Siro», disse.

Ainda assim, acredita que poderá ajudar a equipa na segunda-mão, em Old Trafford, onde já só poderá haver um vencedor e «serão necessários mais para atacar ou contra-atacar».

Com 22 anos e muito vontade de mostrar o que tem para dar, Nani explicou-nos que tem «trabalhado para ser titular com maior regularidade», e que até está em boa forma. Sempre que tem sido chamado por Alex Ferguson, o jovem garante que tem «jogado bem» e que o treinador «sabe bem o meu valor.»

O internacional português falou ainda na Selecção: «Gostava de poder ajudar frente à Suécia. Vai ser um jogo difícil, o Ibrahimovic vai estar do outro lado e temos mesmo de vencer. Seria bom poder ser eu a dar uma vitória a Portugal, mas o importante é mesmo ganhar e ir ao Mundial.»

Com os jornalistas ingleses, da BBC, The Guardian, Daily Express, como meros espectadores, sem perceber as palavras do jogador em português, a conversa teve de terminar, por imposição da assessora do United.

apontamento de reportagem

Escrito em 25 de Fevereiro de 2009, com o objectivo mais no ambiente no que no jogo.

Emoções do Inter-Manchester via Milão
O Destak foi ver a «final antecipada» da Liga dos Campeões a Milão e relata-lhe aqui, in loco, o ambiente vivido no estádio.

João Tomé, em Milão

San Siro é como o antigo Estádio da Luz, só que maior e mais imponente. Os italianos chamam-lhe La Scala (mítica sala de ópera) do calcio, e com razão. Não faltam cânticos tão inspiradores como a ópera, a acústica é impressionante e ideal para um estádio lotado para uma grande festa do futebol.

Os saltos das claques fazem os vários anéis tremerem, proporcionando um "terramoto" de emoções. Palavras não chegam para descrever o coro épico e estrondoso de 80 mil gargantas que não param desde o início do hino da Champions até ao apito final. Nervosismo. Adrelina. Ritmo cardíaco elevado não faltam nas reacções explosivas dos tiffosi a cada jogada. O frio de um grau é esquecido e o corpo aquece com o calor humano.

No terreno de jogo, Mourinho colocou os dois centrais mais altos disponíveis (Chivu e Rivas), continuando no habitual 4x4x2. Ferguson mudou e também apresentou um 4x4x2. O United foi o grande protagonista da primeira parte - Ronaldo esteve perto de marcar. O Inter demorou a ganhar tranquilidade na defesa e respondeu com seis remates pouco perigosos. O primeiro tempo terminou com o estádio em exaltação completa, quando o árbitro deu amarelo ao suplente Toldo por protestos.

A segunda parte começou com uma correcção de Mourinho, ao substituir o trapalhão Rivas, pelo rápido e mais baixo Córdoba. E o Inter renasceu. Adriano esteve perto do golo por duas vezes e os nerazzurri reclamaram penálti. O perigo também rondou a baliza do Inter em jogadas de Ronaldo e Giggs. Impacientes com as demoras do United, os tiffosi milaneses foram para casa com a mesma esperança que os 4 mil ingleses, tal como Mourinho previu.

o pupilo de mourinho

Escrito a 12 de Novembro de 2009.


Villas Boas já terá acordo com Sporting mas falta 'sim' da Académica
José Eduardo Bettencourt e Ricardo Sá Pinto (nomeado hoje o novo director do futebol leonino, sem comando nas contratações) já terão chegado aacordo com André Villas Boas para técnico dos leões. Segundo o site do Público falta apenas o 'sim' da Académica. O Destak traça o perfil de Villas Boas com conhecimento de causa.

João Tomé

Aos 32 anos e com um percurso com algumas parecenças com o seu 'mestre', José Mourinho, André Villas Boas está prestes a ingressar num dos 'grandes' do futebol português, poucas semanas depois de se ter estreado como treinador principal.

De acordo com o Publico.pt, o treinador da Académica de Coimbra já chegou a acordo com José Eduardo Bettencourt e Ricardo Sá Pinto, faltando agora acabar as negociações com a direcção dos 'estudantes'.

O anúncio oficial estará, caso se confirme esta informação, por horas. Villas Boas, conhecido pelo seu talento na análise de equipas (foi sempre observador) e depois de vários anos na equipa técnica de José Mourinho (desde os tempos do FC Porto), assume protagonismo num dos 'grandes' antes de ter tomado o gosto à Académica.

Desde que tomou conta da equipa - última da Liga -, dias antes do embate com o FC Porto, que acabou por perder, Villas Boas conseguiu a primeira vitória da Académica frente ao V. Guimarães e um empate em Leiria.

Quando o Zé conheceu o miúdo André
De acordo com informações recolhidas pelo Destak junto de fonte próxima a José Mourinho, o técnico português do Inter de Milão conheceu André Villas Boas por intermédio de Bobby Robson.

Quando Mourinho era adjunto de Robson no FC Porto, em 1997, ambos conheceram no Clube Inglês, junto à Foz, no Porto, o jovem André, que adorava discutir táctica e posições de jogadores.

Robson achava-lhe 'piada', pelo conhecimento futebolístico e pela paixão pelo futebol. Mourinho e André Villas Boas só se voltaram a encontrar quando o Special One foi contratado pelo FC Porto, vindo da U. Leiria. Foi a partir daí que começaram uma colaboração de sete anos que só terminou no início desta época.

"Agora sou eu que construo o meu futuro", disse André à chegada à Briosa, depois de ter ouvido José Mourinho desejar-lhe toda a sorte na nova aventura a solo e elogiar-lhe as qualidades na análise do futebol.

Com Mourinho, Villas Boas passou pelo FC Porto campeão europeu, pelo Chelsea campeão de Inglaterra e pelo Inter campeão de Itália. Ainda assim, o seu trabalho era mais de gabinete sem presenças no relvado, já que preparava vídeos e observava as equipas adversárias - passava grande parte do tempo fora, a ver as equipas que passariam pela frente do FC Porto, Chelsea e Inter.

O André 'do' Clube Inglês deverá ter agora a sua grande oportunidade, poucas semanas depois de se ter estreado como treinador principal na Académica. Mourinho estreou-se como técnico principal no Benfica, mas poucas semanas depois estava no U. Leiria, para passar para o FC Porto alguns meses depois.

Tal como aconteceu com Paulo Bento, os leões apostam num jovem treinador com pouca experiência, mas agora com um perfil bem diferente. Com menos experiência dentro do relvado - Paulo Bento foi um jogador internacional de topo -, mas com mais conhecimentos técnicos e tácticos do jogo e com a experiência de sete anos ao lado do Special One, ou agora Il Speciale, José Mourinho.

Caso assuma o comando técnico do Sporting, André Villas Boas começará frente aos modestos Pescadores da Caparica para a Taça de Portugal, dia 22 de Novembro, e logo no fim-de-semana seguinte recebe o Benfica, em Alvalade, na jornada 11 da Liga.

Será André Villas Boas também Especial, neste caso para o Sporting? Só o tempo o dirá.

antevisão

Escrito a 10 de Março de 2009.



Pirata Mourinho vs. Veterano Ferguson
Na véspera da segunda-mão uma das eliminatórias mais aguardadas dos últimos tempos, entre Inter de Milão e Manchester United, o Destak traça um cenário naval para o embate entre José Mourinho e Alex Ferguson, capitão pirata e capitão veterano.

João Tomé

O ambiente em torno de uma eliminatória como a que opõe os italianos do Inter de Milão aos ingleses do Manchester United é simplesmente contagiante e inspirador, como poucas coisas o são na sociedade actual. Na história da vida humana vários foram os momentos inspiradores para nações, povos, ou meros grupos de homens que ficaram na memória das massas, ou por serem histórias tocantes, batalhas magnânimes, ou acordos históricos.

Hoje em dia é comum falar-se numa realidade com menos motivos de verdadeira inspiração, em que os cidadãos estão mais alheados do seu papel enquanto tal. É nesse contexto que existe e continua a crescer o desporto-rei, o futebol. Um simples jogo de entretenimento mas que aglomera todas essas paixões e inspirações que já não são tão manifestadas na política ou nas batalhas de outrora.

Português vs. escocês
Não é de estranhar, assim, que uma partida de futebol no Velho Continente, na chamada Liga dos Campeões tenha tantos motivos de interesse e de exaltação como aqueles que verificámos em Milão, há duas semanas atrás, e que tem a sua batalha (etapa) final agendada para amanhã à noite, em Manchester.

No topo deste confronto, cuja paixão vai bem para além de Itália e Inglaterra, estão dois líderes natos, o escocês Alex Ferguson e o português José Mourinho. Tal como nos momentos inspiradores da história humana (sejam eles sanguinários ou não) têm sempre de existir heróis e, no fim, só poderá haver um vencedor.

Só amanhã se saberá quem se conseguiu manter à tona da água e quem naufragou. Certo é que o veterano escocês e o ambicioso português são capitães de dois navios com estilos diferentes, mas repletos de artilharia pesada que estará pronta para disparar no encontro decisivo, depois do empate sem “mossas” (golos) da primeira parte da batalha.

O português é o capitão pirata, ambicioso e sedento de ouro (títulos), jovem e rebelde. O escocês é o capitão da experiência, que procura impor os seus pergaminhos depois de ter sido surpreendido há cinco anos atrás, neste mesmo lugar, Old Trafford, e nesta mesma prova pelo jovem pirata.

Na altura o jovem capitão tinha um navio (FC Porto) com menos artilharia, mas mais organização mecânica. A vitória foi saboreada nos últimos instantes da batalha, num golpe fatal de um dos bucaneiros menos prováveis, chamado Costinha.

Os bucaneiros Ibra e Cris
Zlatan Ibrahimovic e Cristiano Ronaldo são os nomes dos homens de quem mais se espera resultados no Teatro dos Sonhos de Old Trafford. Como talentosos, ambiciosos e determinados bucaneiros que são, é no sueco e no português que estarão todos os olhos no início da partida que estará dependente de detalhes ou até de heróis improváveis, e pode durar mais do que 120 minutos.

A “embarcação” United já poderá contar com o imponente defensor sérvio Vidic, que estará ao lado do destemido inglês Rio Ferdinand – ambos bucaneiros bem altos e importantes nos arremessos de longo alcance (lances de bola parada).

Do lado da “embarcação” Inter, de Milão, existem problemas com lesões nos flancos defensivos. O capitão Mourinho deve apostar no argentino recuperado à última da hora, Samuel, e no colombiano de baixa estatura Ivan Córdoba.

Garrafa de vinho sela a batalha
Será uma batalha de titãs, entre capitães que se conhecem muito bem. Apesar do capitão pirata José Mourinho ter um historial francamente positivo nos confrontos directos (nos tempos que comandava os portuenses do FC Porto e os ingleses do Chelsea) frente ao escocês Ferguson, tudo pode acontecer num jogo em que «quem gerir melhor a pressão, ganha», segundo vaticinou hoje o capitão pirata.

A culminar um saboroso embate europeu, estará uma garrafa de vinho que o capitão português e o capitão escocês irão partilhar no final da batalha.


Artigos da reportagem por Milão para o Inter-Manchester United:

Artigo 1: Milão, entre a moda e o Calcio

Artigo 2: Falámos com Mourinho... mas pouco

Artigo 3: 'Milano' invadida por tiffosi para o grande embate

Artigo 4: Entrevista na zona mista a Nani

Artigo 5: Mourinho é sempre o último a fechar a porta

Crónica ao ambiente do jogo Inter-Man. United

Entrevista a James Cooper, jornalista da Sky Sports

Entrevista | Gonçalo Brandão




Gonçalo Brandão revelou-se esta semana um surpreendente entrevistado. Não é habitual conhecer/entrevistar um jovem jogador com tanta experiência e jeito para a partilhar em palavras.
Aos 22 anos, o defesa do Siena contou-me como foi a sua estreia pela Selecção e revelou que a aprendizagem de dois anos com Jorge Jesus foi fulcral para se adaptar a Itália. Jesus é, aliás, motivo de rasgados elogios, como um técnico perfeccionista na táctica defensiva que não admite falhas e "uma excelente contratação para o Benfica" (até eu fiquei convencido).

Gonçalo Brandão admite ainda que as suas estreias a titular pelo Belenenses, pelo Charlton e pelo Siena foram sempre frente às equipas de José Mourinho. O próprio Mourinho lembrou-o disso mesmo no intervalo do último Inter-Siena.

O central que também joga nas laterais revela ainda qual o jogador mais difícil de marcar na Serie A (não foi Ibrahimovic nem Kaká!), no sonho de jogar num grande europeu e de experimentar o futebol espanhol.
A entrevista está aqui.



PS: Sabiam que os jogadores de futebol estão proibidos, por contrato, de andar de mota seja a conduzir ou a ser conduzidos? Eu fiquei a saber esta semana.

Entrevista | Mariano Barreto

Para o jornal Destak ainda quando era semana, em Outubro de 2004.


Protagonista | Mariano Barreto
«Os treinadores não devem ficar muito tempo num clube»

O actual treinador do Marítimo é um homem viajado, que nunca foi treinador principal em Portugal, mas que conheceu o sabor do sucesso nos dois anos que esteve ao serviço da selecção do Gana, levando a selecção aos Jogos Olímpicos de Atenas 2004. Chegou ao clube na segunda jornada e desde então teve quatro vitória consecutivas e está em 4.º lugar no campeonato, à frente do Sporting. No passado fim-de-semana a sua equipa, com uma excelente exibição que mereceu elogios até de Giovanni Trappatoni, empatou com o Benfica (1-1) no Estádio dos Barreiros e o Destak falou com o homem que acha que os treinadores devem ficar pouco tempo nos clubes.



O empate frente ao Benfica é apenas um dos bons resultados que conseguiu ao serviço do Marítimo esta época. Quais os ingredientes fundamentais para estes bons resultados?
A capacidade de resposta que o grupo de trabalho está a ter ao que é proposto. Eles têm melhorado significativamente enquanto equipa porque entenderam o treinador e conseguiram pôr em prática as ideias do projecto que tenho para a equipa. Nem sempre isso acontece e felizmente tem havido até à altura uma boa resposta dos jogadores.

O seu regresso a Portugal, onde nunca foi treinador principal de uma equipa, aconteceu pelo desafio que lhe foi colocado?
O meu regresso não teve a ver directamente com o desafio feito pelo Marítimo. O projecto foi apresentado quando já tinha regressado a Portugal depois de ter saído da selecção do Gana. Vim cá para descansar e matar saudades mas já tinha várias propostas de clubes no estrangeiro e estava decidido a partir novamente. Quando surgiu o projecto do Marítimo acabei por aceitar pela dimensão do clube, as boas condições profissionais e o simbolismo de ter associados por todo o mundo devido a haver muitos emigrantes madeirenses. Além disso, ao escolher o Marítimo, que me oferecia muito menos dinheiro do que os clubes estrangeiros, tinha o privilégio de estar no meu país e encurtar um pouco a saudade que tive neste período. Tenho-me sentido um privilegiado nas minhas escolhas, essencialmente porque posso escolher o meu próximo destino e tenho conseguido estar onde me sinto bem, útil e me identifique com o projecto em que estou inserido. Isso é fundamental para qualquer profissão que se desempenhe.

Quais os seus objectivos para o Marítimo, nesta época e nas seguintes, caso se mantenha como treinador?
Espero deixar o clube com uma dimensão maior, seja pela experiência que transmiti ou pelos resultados. Aliás, penso que a classificação tem de reflectir o que nós fazemos nos clubes e por isso espero conseguir deixar o clube numa boa posição.

Mas pensa sair do clube no final da época?
Sim. Devo ficar apenas esta época. Tive 10 anos no Sporting como adjunto e cheguei à conclusão que os treinadores não devem ficar muito tempo num clube. Não devemos ficar muito colados a uma realidade que é muito própria dos adeptos. Gosto de criar condições de melhoria do clube, dar o meu contributo, enriquecer a minha experiência e em um ou dois anos sair. Penso que esse é o período máximo que um treinador deve-se manter num clube.

Tem algum sonho em particular para a sua carreira? Está nos seus objectivos futuros treinar um dos três clubes de maior expressão em Portugal?
Tenho um sonho fundamental e que tenho vindo a concretizar que é no fim de cada trabalho os jogadores com que trabalhei tornarem-se melhores e incentivar os mais jovens para que possam tornar-se realmente bons. E sinto-me muito feliz ao ver que alguns dos jovens que apoiei há alguns anos são hoje jogadores da selecção nacional. Sinto que está ali um pouco de mim. Relativamente aos clubes de maior dimensão não tenho nenhum objectivo em particular, mas espero até terminar a minha carreira ganhar o campeonato nacional, apesar de não definir um espaço temporal para que isso possa acontecer.
Pequena entrevista a Vanessa Fernandes quando ainda não era tão mediática. Para o jornal Destak ainda na sua edição semanal, em 2004.


Protagonista
Vanessa Fernandes
Triatleta olímpica
19 anos
A atleta portuguesa depois de um oitavo lugar nos Jogos Olímpicos conquistou a medalha de ouro na Taça do Mundo do Rio de Janeiro no passado fim-de-semana, um feito que permitiu à filha do antigo ciclista Venceslau Fernandes ascender ao 4.º lugar do ranking mundial.

O que é que aprendeu de mais valioso num ano em que conseguiu atingir tão bons resultados?
Aprendi que é sempre com muito trabalho e dedicação que se consegue atingir os objectivos a nos propomos. Não nos podemos distrair nem nos treinos nem em competição, temos de estar sempre concentrados se queremos ser alguém no desporto e dar bom nome a Portugal.

O seu pai, o antigo ciclista Venceslau Fernandes, em que medida é que foi uma peça importante na sua preparação como triatleta?
Primeiro que tudo foi ele que me pôs no desporto e depois tem-me acompanhado em todas as provas e é sempre ele que fala comigo mesmo antes de competir. É uma peça essencial para mim porque compreende o que é ser atleta e não só me dá conselhos emocionais como técnicos. Às vezes, quando vou ao norte, treinamos juntos a vertente de ciclismo.

O oitavo lugar nos Jogos Olímpicos ainda tão nova fazem-na acreditar que a medalha de ouro é possível? Quais os seus maiores sonhos para a modalidade?
É possível, mas não consigo dizer que vou ganhar. Tenho é vontade de melhorar o oitavo lugar e tenho uma grande margem de progressão porque nesta modalidade dá para estar em competição mais ou menos até aos 30 anos.

Foi uma surpresa para si ter conseguido vencer no Rio de Janeiro? Tem tido o reconhecimento das colegas mais velhas?
Sabia que podia conseguir um bom lugar mas nunca pensei que pudesse vencer. Havia atletas muito boas e o percurso até nem me era muito favorável, mas felizmente consegui ficar em primeiro. As minhas adversárias também ficaram surpreendidas e até me vieram dar os parabéns. Muita coisa mudou este ano, apesar de ser nova levam-me mais a sério e já falo com elas [as adversárias] no decorrer da prova. Também recebi muitos elogios de presidentes de várias federações que estavam lá no Brasil.


Triatlo é uma modalidade muito exigente. Quais são os maiores cuidados que costuma ter antes de uma prova?
Descansar o máximo possível. Hidratar bastante, ingerir muitos hidratos de carbono. Apesar de ter muito cuidado com a alimentação durante todo o ano antes das provas deve-se aumentar os hidratos de carbono e evitar as frutas, por exemplo.

O que é que a fascina no triatlo?
São três modalidades que gosto, mas adoro o ciclismo. Acho que estou bem para o que faço, enquadro-me muito bem no triatlo. Aliás acho que vai ser a modalidade do futuro. Desde que fui para os Jogos o triatlo deu um grande salto em Portugal. Gostava que a forma de encarar o desporto mudasse um pouco por cá, porque quando vamos aos Jogos Olímpicos exigem com muita facilidade medalhas, mas isso não é tudo.

Trabalho de investigação sobre Euro 2004 - Novembro 2003

Trabalho realizado para o jornal Público durante o estágio que lá efectuei de Outubro de 2003 a Janeiro de 2004.

É sobre segurança para o Euro 2004, que se iniciaria dentro de alguns meses. Começou como um pequeno trabalho para uma notícia, mas visto que fui angariando cada vez mais contactos e informação pertinente, o editor achou que valia um Destaque principal de jornal, que acabaria por ser aprovado em reunião de direcção.

São cinco páginas (as primeiras) da edição de 20 de Novembro de 2003 que têm o meu contributo. Um dos melhores momentos da minha passagem pelo Público.

(Pode ver aqui)




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