Agosto 2013. Crítica ao filme A Gaiola Dourada. Jornal Destak.
Rita Blanco, Joaquim de Almeida e Maria Vieira fazem parte do elenco
CRÍTICA
A Gaiola Dourada
Uma comédia com a capacidade rara de provocar risos, sorrisos e choros de emoção. O filme de Ruben Alves conta a história de um casal de emigrantes em França com um dilema.A Gaiola Dourada é um produto de amor. O filme de Ruben Alves foi feito em França, com financiamento francês mas conta uma história profundamente portuguesa. Uma homenagem sentida em cada cena filmada pelo ator/realizador/guionista luso-francês. E se o pequeno filme (para a dimensão francesa, já que custou 6 milhões de euros) se tornou num fenómeno em França, o mesmo aconteceu com o jovem realizador e os atores portugueses – com destaque para a dupla improvável mas curiosamente perfeita, Joaquim de Almeida e Rita Blanco.
Julga-se que há mais de 800 mil portugueses em França. A maior parte partiu nos anos 60, 70 e 80 e ocupou cargos pouco qualificados. O filme pega no estereótipo do casal português em que ela é porteira e ele trabalha na construção civil para mostrar de uma forma muito divertida mas com dilemas e traumas reais quem são estes portugueses em França.
Acompanhamos então Maria (Rita Blanco) e José Ribeiro (um surpreendente Joaquim de Almeida), um casal luso a viver há 30 anos num dos melhores bairros de Paris. Ela é porteira do prédio (a ‘gaiola dourada’), ele trabalha nas obras. Ambos são fulcrais para os patrões, embora esse reconhecimento só surja quando o casal recebe uma avultada herança com a condição de se mudarem para Portugal e fique num dilema, entre cumprir o sonho ou manter a rotina. A coscuvilhice lusa leva a que todos saibam da herança secreta e, às escondidas, os patrões franceses vão tentar convencer o casal a ficar.
As características mais portuguesas são o âmago do filme tanto no lado mais cómico, como no lado mais sério. Destaque ainda para a estridente e divertida Maria Vieira e a surpreendente atriz luso-francesa Bárbara Cabrita, que faz de filha de Maria e José, num papel intenso. Um belíssimo filme.
Os temas que a história aborda são profundos: quem são e o que sentem estes portugueses, a forma como são tratados pelos franceses, o amor incondicional por Portugal, o peso de 30 anos a viver em França entre os estereótipos, o dilema entre voltar à pátria e continuar a viver na rotina francesa, a relação difícil dos filhos com a sua ‘Portugalidade’.
