Texto escrito para um público mais velho.
Do “safari” à Ilha do Pessegueiro
E porque fazer um belo e variado passeio não nos tem de levar para muito longe, propomos uma viagem de carro pelos encantos da vista e do paladar da costa alentejana. Do Badoca Park à Zambujeira do Mar. João Tomé
A costa alentejana pode não ter o movimento nem a quantidade de praias que encontramos no Algarve, mas tem mais sossego e permite ter uma experiência variada entre gastronomia, paisagem e até história. Para um fim-de-semana em família ou apenas a dois, a simplicidade alentejana oferece conforto e tranquilidade necessárias para “recarregar” as baterias.
Se Alcácer do Sal, Tróia ou a Comporta têm o seu encanto, começamos esta viagem pela zona alentejana de Santiago do Cacém, a 140 km e 1h30 de carro de Lisboa. Existem várias opções de turismo rural, especialidade alentejana, na zona. Escolhemos o agradável e confortável hotel rural Monte Lezíria, com um ambiente familiar e repleto de natureza, onde não falta espaço e proximidade de praia (Lagoa de Santo André) e do Badoca Safari Park.
Com o “quartel-general” montado, é possível escolher os planos para um fim-de-semana cheio de boas experiências. Não faltam desportos aquáticos, radicais ou percursos de BTT, equestres e pedestres, mas escolhemos a visita ao Badoca.
Um safari à portuguesa
Entre Santiago do Cacém e Sines e a poucos kms do hotel escolhido, o Badoca Safari Park é único em Portugal, oferecendo uma variedade de experiências cativante para toda a família. Com uma entrada digna do Jurassic Park, as atracções permitem passar um dia inteiro entretido. Dentro das dezenas de animais presentes, é possível interagir com os Lémures e passar pela Floresta Tropical, onde não faltam aves exóticas de beleza rara.
Girafas, orixes, zebras, búfalos, elandes, gnus, entre outros, fazem parte do safari. No entanto, os que mais gostam de interagir são as avestruzes. O safari pára para elas se aproximarem das carruagens. Às vezes pregam sustos, mas estas aves altas são dóceis e gostam de festas. Convém não perder as Ilhas do Primatas, o Trampolim Familiar e o Rafting Africano, que promete ser viciante para as crianças – anda-se de barco pneumático (cada um leva nove pessoas) por 500 metros de águas turbulentas.
E porque a costa alentejana é rica em boas paisagens e excelente para passear, vir por aí abaixo, junto às praias, promete valer a pena. Passar por Vila Nova de Milfontes e terminar a viagem na Zambujeira do Mar, sem concertos, vai ser bom para a vista e para o coração. Pelo caminho não faltam boas praias e bons sítios para comer. Na Zambujeira é possível fazer as duas coisas na pacata e alegre vila alentejana.
Sabores alentejanos
E porque tanta aventura faz despertar a fome, não faltam boas opções na zona para descobrir ou redescobrir a gastronomia alentejana. Bem perto do Badoca, inserido no Centro Equestre de Santo André, fica o restaurante Monte Velho, onde há muita variedade mas a especialidade é carnes de porco preto, ou o peixe fresco.
Já na Praia de Morgavel em São Torpes e com uma vista incrível para a Costa Vicentina, o restaurante Arte & Sal aposta no ambiente calmo e na comida típica. Não falta o peixe fresco e nas carnes a picanha fatiada ou grelha de porco preto. Conta também com uma extensa garrafeira para provar os melhores vinhos do Alentejo.
Ilha do Pessegueiro
A música escrita por Carlos Tê e cantada por Rui Veloso, Porto Côvo, imortalizou a pequena e peculilar vila piscatória (que não fica longe do Badoca), bem como a ilha do Pessegueiro, que fica bem perto. A verdade é para além de uma visita à bonita e muito cuidada vila, compensa dar alguns euros e ir num dos barcos disponíveis à ilha do Pessegueiro, com um guia. Assim, é possível conhecer que a letra de Carlos Tê não estava propriamente correcta, quando dizia que “Havia um pessegueiro na ilha, plantado por um Vizir de Odemira”.
| Porto Côvo. |