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Road Trip: costa alentejana

Para o jornal Mundo Universitário Sénior. Março 2011.
Texto escrito para um público mais velho.



Do “safari” à Ilha do Pessegueiro
E porque fazer um belo e variado passeio não nos tem de levar para muito longe, propomos uma viagem de carro pelos encantos da vista e do paladar da costa alentejana. Do Badoca Park à Zambujeira do Mar.

João Tomé

A costa alentejana pode não ter o movimento nem a quantidade de praias que encontramos no Algarve, mas tem mais sossego e permite ter uma experiência variada entre gastronomia, paisagem e até história. Para um fim-de-semana em família ou apenas a dois, a simplicidade alentejana oferece conforto e tranquilidade necessárias para “recarregar” as baterias.
Se Alcácer do Sal, Tróia ou a Comporta têm o seu encanto, começamos esta viagem pela zona alentejana de Santiago do Cacém, a 140 km e 1h30 de carro de Lisboa. Existem várias opções de turismo rural, especialidade alentejana, na zona. Escolhemos o agradável e confortável hotel rural Monte Lezíria, com um ambiente familiar e repleto de natureza, onde não falta espaço e proximidade de praia (Lagoa de Santo André) e do Badoca Safari Park.
Com o “quartel-general” montado, é possível escolher os planos para um fim-de-semana cheio de boas experiências. Não faltam desportos aquáticos, radicais ou percursos de BTT, equestres e pedestres, mas escolhemos a visita ao Badoca.


Um safari à portuguesa
Entre Santiago do Cacém e Sines e a poucos kms do hotel escolhido, o Badoca Safari Park é único em Portugal, oferecendo uma variedade de experiências cativante para toda a família. Com uma entrada digna do Jurassic Park, as atracções permitem passar um dia inteiro entretido. Dentro das dezenas de animais presentes, é possível interagir com os Lémures e passar pela Floresta Tropical, onde não faltam aves exóticas de beleza rara.
Mas a coqueluche do Badoca é mesmo o Safari Aventura. Um tractor puxa várias carruagens por uma viagem pelo continente africano, sem sair de Portugal. O percurso de uma hora junta em 45 hectares vários animais selvagens em liberdade (só os tigres estão numa grande jaula), tendo sempre um guia a fornecer dados curiosos.

Girafas, orixes, zebras, búfalos, elandes, gnus, entre outros, fazem parte do safari. No entanto, os que mais gostam de interagir são as avestruzes. O safari pára para elas se aproximarem das carruagens. Às vezes pregam sustos, mas estas aves altas são dóceis e gostam de festas. Convém não perder as Ilhas do Primatas, o Trampolim Familiar e o Rafting Africano, que promete ser viciante para as crianças – anda-se de barco pneumático (cada um leva nove pessoas) por 500 metros de águas turbulentas.
E porque a costa alentejana é rica em boas paisagens e excelente para passear, vir por aí abaixo, junto às praias, promete valer a pena. Passar por Vila Nova de Milfontes e terminar a viagem na Zambujeira do Mar, sem concertos, vai ser bom para a vista e para o coração. Pelo caminho não faltam boas praias e bons sítios para comer. Na Zambujeira é possível fazer as duas coisas na pacata e alegre vila alentejana.

Sabores alentejanos
E porque tanta aventura faz despertar a fome, não faltam boas opções na zona para descobrir ou redescobrir a gastronomia alentejana. Bem perto do Badoca, inserido no Centro Equestre de Santo André, fica o restaurante Monte Velho, onde há muita variedade mas a especialidade é carnes de porco preto, ou o peixe fresco.
Já na Praia de Morgavel em São Torpes e com uma vista incrível para a Costa Vicentina, o restaurante Arte & Sal aposta no ambiente calmo e na comida típica. Não falta o peixe fresco e nas carnes a picanha fatiada ou grelha de porco preto. Conta também com uma extensa garrafeira para provar os melhores vinhos do Alentejo.

Ilha do Pessegueiro
A música escrita por Carlos Tê e cantada por Rui Veloso, Porto Côvo, imortalizou a pequena e peculilar vila piscatória (que não fica longe do Badoca), bem como a ilha do Pessegueiro, que fica bem perto. A verdade é para além de uma visita à bonita e muito cuidada vila, compensa dar alguns euros e ir num dos barcos disponíveis à ilha do Pessegueiro, com um guia. Assim, é possível conhecer que a letra de Carlos Tê não estava propriamente correcta, quando dizia que “Havia um pessegueiro na ilha, plantado por um Vizir de Odemira”.
Porto Côvo.
Ouvir as estórias e ver os vestígios dos romanos, que criaram por lá um centro pesqueiro (que dá nome à ilha), ou do Forte que serviu para tentar contrariar as invasões francesas é uma experiência a ter em conta.

Road Trip pelo Norte de autocaravana

Reportagem sobre autocaravanismo para o Destak Verão.

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Viajar de autocaravana
Verão de casa às costas
Autocaravanismo pode não ser para todos e pode não ser o modo de fazer férias mais barato, mas é entusiasmante, com um ritmo muito próprio, uma independência única e argumentos de peso para a família. Andámos num périplo pelo Norte do país, por entre paisagens belas (dá para escolher onde acordar), sabores especiais e… incêndios.

João Tomé




O mundo do autocaravanismo (um veículo adaptado de forma a ser também casa) ou do caravanismo (uma roulote presa a um automóvel) simboliza um desejo antigo do ser humano: andar com a casa às costas. Se nos tempos dos nossos antepassados mais longínquos isso significava levar o corpo e umas roupas, com o passar do tempo foram aumentando os utensílios e o desejo de conforto. Mais do que fazer umas férias com a casa às costas, o caravanismo leva-nos por um desejo antigo de independência que contraria o estilo de férias em casas alugadas e hotéis. Não há horários e pode-se alterar os planos ou o sítio onde se dorme ao sabor do momento.

Itinerário curto pelo Minho
Três noites e três dias pelo Minho era o objectivo traçado para experimentar esse modo de férias, partindo do Porto. O primeiro contacto com a autocaravana é de aprendizagem. Fica-se a saber como tratar dela, ligá-la à electricidade quando parados (em andamento vai carregando automaticamente, alimentando inclusive o frigorífico), como despejar os resíduos (desde os da sanita aos do banho ou do lava-loiças). Parece complicado, mas com a prática torna-se fácil. O aluguer em época alta tem um preço elevado (ronda os 170 ou 180 euros por dia e pode levar quatro pessoas).

O 1º destino foi o Gerês. Com o parque de campismo da Cerdeira cheio, passámos para a opção B, o de Entre Ambos os Rios e ainda bem que o fizemos, já que nessa 1ª noite o da Cerdeira teve de ser evacuado pelos incêndios… os autocaravanistas foram os que se “safaram” melhor. Com uma vista deslumbrante e no meio da natureza, cedo vimos a solidariedade de dicas e mantimentos entre autocaravanistas.

Dentro da casa sobre rodas é possível ter luxos como carregar telemóveis, tomar duche, descansar protegido de mosquitos, dormir e partir sempre que queiramos sem perder tempo.
Uma regra imprescindível que conhecemos da pior maneira: convém fazer tudo para deixar a autocaravana direita, para que o sono tenha mais qualidade (existem apoios para as rodas que podem ser de plástico ou mesmo pedras). Incrível é acordar com vista para o rio Tamente – podemos escolher a vista com que acordamos.

Passeios a pé pelas aldeias (como Froufe) ou pelos trilhos do Gerês, banhos nos muitos riachos da serra, visita ao Lindoso com o castelo e os seus espantosos, antigos e belos espigueiros em granito (para secagem de cereais). Coisas que fizemos e que terminaram com um muito saboroso e barato almoço (abaixo dos 10 euros por pessoa), pela localidade minhota.



Viana, Braga, Guimarães e Penha... num dia
De saída para Viana do Castelo com a casa às costas, deu para parar numa estação de serviço para um lanche e um pequeno descanso e para enfrentar uma dura realidade: os incêndios. A auto-estrada estava cortada e antes de chegar a Viana vimos uma população em apuros com casas em sério risco e um manto de cinza e fumo negro a inundar o ar – ainda sem a ajuda de bombeiros. Um cenário assustador e preocupante. Depois de estacionar num parque de Viana do Castelo, deu para passear e experienciar a cidade, inclusive a vista do Santuário de Santa Luzia e saborear os excelentes Jesuítas (bolo regional).

A noite foi passada junto à praia, em Darque perto de outros caravanistas: franceses, espanhóis, alemães, holandeses e portugueses. Existe pouco espaço para espreguiçar ou tomar banho, mas faz parte da experiência que fomenta as conversas entre amigos e familiares, a troca de experiências e menos o telemóvel, internet ou mesmo televisão (embora se possa ter tudo isto à mesma).

Sem planos, decidimos espreitar Barcelos a caminho de Braga e recolher mais uma lição: não se deve entrar nos centros históricos, mais vale deixar a autocaravana num parque e andar mais um pouco. Perdemos uns 10 minutos para passar por uma rua estreita onde havia automóveis mal estacionados. Já em Braga, uma visita ao novo Estádio da Pedreira permite um lanche descansado e com vista, antes de conhecer o mítico Bom Jesus, onde não faltava um parque repleto de colegas autocaravanistas.

Depois de almoço passagem por Guimarães e a melhor decisão da viagem: em vez de ir para o Parque Biológico de Gaia, mais distante, ficámos num belo e barato parque de campismo da zona, o da Penha – com piscina, internet e vista sobre toda a cidade. O caminho até ao cume da serra não foi fácil, mas os bons petiscos, a beleza natural e o por do sol valeu a pena. Uma viagem curta mas repleta de experiências e convívio graças a um modo diferente de passear.

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A Saber

Os preparativos
Vassoura, mesa montável, cadeiras para um piquenique ao ar livre por baixo do toldo (embora a caravana também tenha mesa e cadeiras no seu interior) e depois quem quer pode levar microondas (já existe fogão), ou outros acrescentos da preferência de cada um.

O aluguer (ou compra)
A compra de uma caravana ou autocaravana nova pode oscilar entre os 9 mil e os 75 mil euros, dependendo do luxo e do tamanho. Existem em segunda mão desde os três mil euros. O aluguer para quatro pessoas oscila entre os 70 euros por noite e os 180, dependendo da época do aluguer.

Os sítios onde ficar
Existem áreas de serviço de óptima qualidade e parques de estacionamento que permitem a pernoita da caravanas, inclusive alguns com vista para a praia – o Alentejo tem muitos deste tipo. Os parques de campismo são uma das opção mais seguras e com extras, como piscina ou internet wifi (paga-se uma média de 10 euros por noite por autocaravana).

O andamento em estrada
É um veículo grande, mas não é preciso carta especial. O tamanho obriga a ter atenção às indicações sobre limites de altura, a não pensar em parques subterrâneos e a viajar com a calma que as férias merecem – nada de movimentos bruscos. O consumo é mais elevado do que um automóvel mas conduzindo devagar a diferença não é muita. Entrar nas zonas históricas não é aconselhável e há que ter nos retrovisores bons amigos.