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o mágico portuense a 'dar cartas' nos país do Tio Sam

Reportagem para a revista Sábado sobre o mágico português 'a dar cartas' no Estados Unidos, Hélder Guimarães. Publicado na edição de 12 de dezembro de 2013. 

(versão completa aqui)










Entrevistas saga Twilight

Entrevista para o jornal Destak e programa da SIC Notícias 35mm.




Entrevista feita em Los Angeles ao actor Robert Pattinson, a propósito do 2.º filme da saga Twilight.

Programa: 35 mm. Emitido em Setembro 2009, SIC Notícias. 



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Entrevista Twilight
Rob Pattinson: «Pus bastante de James Dean na personagem do Edward»
Tímido, modesto, sorridente e ainda sem perceber como se tornou tão famoso com a saga de romance adolescente e de vampiros Crepúsculo; foi este o jovem que encontrámos.


entrevista Ziad Doueiri

Entrevista a Ziad Doueiri. Entre o médio oriente e Tarantino.

(abril de 2014. versão completa da que saiu no jornal Destak)

“Para os árabes não se pode dar voz aos judeus”

‘Rejeitou’ Quentin Tarantino, que o chamou para Kill Bill, porque queria ser realizador e o seu terceiro filme, O Atentado, chegou em abril a Portugal.

João Tomé

O Atentado é escrito e realizado pelo libanês, durante muitos anos cameraman de Quentin Tarantino, Ziad Doueiri. Falámos com ele sobre a sua carreira e o filme que acompanha um médico israelo-palestianino em conflito pessoal depois de descobrir que a mulher é bombista.

Como é que foi ter aos EUA a trabalhar para talentos como Tarantino?
Nunca planeei. Deixei Beirute com 19 e fui estudar cinema na Califórnia. Depois comecei à procura de trabalho na cidade e comecei a ganhar experiência como técnico, na câmara, na grua, nas luzes. Nunca tive intenção de realizar. O meu primeiro filme era do Roger Corman [conhecido produtor] e chamava-se Munchie (1992) – uma versão barata, série B, dos Gremlins. Ganhei muita experiência e aprendi muito nessa altura mesmo a trabalhar em filmes chamados ‘trashy’. O panorama independente em LA nos anos 80 foi muito interessante.

E como é que começou a trabalhar com o Tarantino?   
Tive uma entrevista com o director de fotografia, já tinha algum experiência em filmes B e consegui o trabalho. Desde aí continuámos sempre a trabalhar juntos. Depois de fazermos o Cães Danados (1992), o Tarantino continuou a utilizar a mesma equipa e fizemos o Pulp Fiction e outros. Se eu continuasse a fazer trabalho de câmara ainda estaria a trabalhar com ele. Ele pediu-me para participar no Kill Bill mas eu decidi que não queria continuar a trabalhar como câmara. Estava numa altura da minha vida em que queria fazer outras coisas. Mas ele manteve a lealdade com a equipa técnica é praticamente toda a mesma. A maioria dos realizadores usa a mesma equipa, o Scorsese faz o mesmo. Quando encontram a equipa certa mantém-na.

Quando estava a fazer esses filmes, Reservoir Dogs, Pulp Fiction, o Tarantino não era tão conhecido como é hoje. Tinham noção que estavam a criar algo tão importante que se iria tornar um clássico?
Simplesmente não sabíamos. Nunca sabemos. Quando fizemos o Reservoir Dogs, olhei para o guião e não sabia se era bom ou mau. Nunca sabemos se é magnífico ou uma merda, só depois, porque era tão estranho e tão diferente. O Reservoir Dogs foi uma das minhas experiência preferidas num filme.

Porquê?
Há dois anos vi algumas fotografias dessa altura, tiradas na rodagem e trouxe-me de volta aqueles tempos. Foi uma boa experiência. Compreendo que as pessoas queiram fazer um grande alarido do Tarantino porque ele é um realizador tão fantástico e é tão popular e de culto, por isso as pessoas pensam que a experiência de trabalhar com ele foi tão incrível e única quanto ele é como realizador. Foi, mas não mais do que noutros filmes, porque a rodagem é um ambiente técnico. O que é único em trabalhar com ele é que ele é muito entusiasta sobre o que faz. Ele simplesmente adora o seu trabalho, ele está-se a borrifar para política, para o amor, tem tudo a ver com a história em si. Ele é como uma criança numa rodagem e isso afecta-nos porque ele tem uma mente incrível, a forma como trabalha e tem uma memória de elefante, na forma como se lembra de tantos filmes. Todas as semanas ele faz um visionamento na sua casa de um filme projectado em 35 mm, porque ele tem uma coleção enorme de filmes. Ele é tão dedicado à profissão de fazer filmes, que o seu foco principal é sempre como transformar algo em filme. Tem uma mente tão eléctrica e cria personagens muito interessantes.

Depois decidiu realizar...
Sim, mas não foi pensado foi progressivo ao longo dos anos. Percebi que aprendi a arte o suficiente e a comandar o cenário – fazer filmes é uma arte artesenal – e queria contar as minhas histórias. Comecei a sentir-me nostálgico – estive 15 anos sem voltar a Beirute – e escrevi em LA o West Beyrouth [filme político que lhe valeu vários prémios] e o Entre as Pernas de Lila.

Ainda estava em Los Angeles na altura em que escreveu o guião para o filme West Beirute (1998), que lhe valeu prémios em Cannes e Toronto?
Sim, sem dúvida. Escrevi lá esse, o Entre as Pernas de Lila (que estreou em 2004) e o guião do Man in the Middle, para o qual estou a tentar financiamento, todos escritos em LA. LA é um local muito criativo, bizarro mas criativo.

Mas voltou nesse período para Beirute, não foi?
Voltei para Beirute depois do 11 de Setembro (de 2001), porque conheci uma rapariga... conheci alguém e senti que como realizador não precisava de estar em Los Angeles, por isso deixei LA e mudei-me primeiro para o México, por uma mulher. Fui para Bordéus por uma mulher (risos). Parece-me que saio sempre de países porque conheço alguém. Mas primeiro voltei a Beirute porque conheci em LA uma rapariga que era de Beirute, apaixonei-me por ela e fiquei lá com ela. Agora resido em Paris, devido a um problema que prefiro não falar.

Em O Atentado volta ao contexto político israelo-palestiniano. Como chegou a esta história?
Embora seja uma história mais geral do que isso. Fui convidado em 2006 para realizar e adaptar o livro com o mesmo nome pela Focus Features e aceitei com condições. Eles queriam que fosse falado em inglês e prometiam, assim, o Tom Hanks. Com ele a bordo ia ganhar mais mas preferi que fosse em árabe e hebraico. Em inglês não fazia sentido. Pelo meio começou a guerra do Hezbollah quando estava a viver em Beirute e o projeto acabou por ficar na gaveta e voltámos a ele em 2011.



O protagonista, Ali Suliman, tal como a personagem, é israelo-palestiniano. Foi importante ter alguém com as duas culturas?
Ele percebe a confusão os iraelo-árabes sentem. É árabe mas é israelita e percebe que está numa situação difícil a nível pessoal. Cresceu em Israel, aprendeu hebraico, misturou-se com os israelitas judeus mas ainda tem a sua identidade árabe, tal como o protagonista. Quando leu o guião disse-me que sentia o mesmo que a personagem.

O filme teve críticas ferozes da parte árabe. Como foi a recepção?
Não fazia ideia como seriam as reações de judeus e árabes. Estava curioso mas não estava preocupado com isso. Assim que o filme estreou na América teve um grande sucesso junto da comunidade judaica, embora não seja nem a favor nem contra nenhuma das partes, tem muitas nuances. A comunidade árabe não reagiu tão bem, porque a mentalidade judaica permite questionar as suas próprias crenças, enquanto para os árabes não podemos dar voz aos judeus sobre nenhum pretexto. Não podemos, são maus da fita. Para o público judeu o facto de ter mostrado os dois lados foi bom, para os árabes foi mau, porque como é que podemos mostrar o ponto de vista judeu, eles não têm um ponto de vista, não merecem um ponto de vista. E agora é moda boicotar-se Israel e o facto de ter filmado em Tel Avic com técnicos israelitas e atores judeus foi mal visto e houve uma campanha contra o filme. Mas o que se pode fazer?

E quais os próximos projetos?
Estou a trabalhar com a Arte, a televisão francesa e alemã e a terminar um guião menos político e menos trágico que também se passa no Médio Oriente e chama-se Affaires étran-gères, que terá Gérard Depardieu. É baseado num acidente que tive. Vamos gravar em setembro.

entrevista a joão sousa



(entrevista de Outubro de 2013)


«O Rafa [Nadal] é muito social e adora falar e contar histórias»
Tenista português mais bem sucedido no ranking ATP, chegou a um inédito 37.º posto, com que vai terminar a época desportiva. João Sousa explica porque foi para Barcelona e a forma como os pais ajudaram na carreira e nos sonhos.

João Tomé

Com o triunfo em Kuala Lumpur vieram muitos elogios e solicitações. Quais foram os parabéns que mais o surpreenderam? Até Cristiano Ronaldo lhe deu os parabéns.
Os que mais me surpreenderam foram os do senhor Presidente da Câmara! É um motivo de orgulho ser reconhecido pelo trabalho por tantas celebridades e figuras nacionais.

Foi o primeiro português a entrar no top 50. É possível superar esse marco e chegar a um top 10?
Obviamente que é possível superar este marco, não só por mim mas também por outros jogadores. Top 10 são palavras maiores! Sou consciente do nível que tenho neste momento e falta muito trabalho pela frente para ser melhor jogador e conseguir os novos objectivos.
Com os resultados recentes do Rui Machado, Frederico Gil, Gastão Elias e o jovem Frederico Silva, acha que há toda uma nova geração de tenistas portugueses que podem tornar o top 50 normal para portugueses?
Estou convencido de que temos muito talento. Acredito que todos os jogadores que mencionou têm capacidades para estar no top 100 e conseguir marcas espectaculares.
Quais são as suas maiores referências no ténis. Tenta “tirar” um pouco dos tenistas que mais aprecia e aplicar no seu jogo?
Penso que todos os jogadores analisam a fundo os seus ídolos e tentam tirar tudo de bom que eles têm. No meu caso gosto muito do Roger Federer pela facilidade com que executa todas as pancadas e o Rafael Nadal pela frieza com que afronta os problemas e a garra que tem.
 
Porque é que optou por aos 15 anos Barcelona para evoluir na modalidade? Como é que é o seu dia-a-a dia em Barcelona?
Foi uma opção que tomei conjuntamente com os meus pais. Achamos que em Portugal infelizmente não se reuniam as condições para que pudesse ser um jogador profissional de ténis e optei por emigrar para Barcelona para seguir o meu sonho de ser tenista profissional. Hoje em dia colho os frutos de tanto esforço e dedicação. Um dia normal, treino duas vezes ao dia num total de cinco horas diárias, como e janto às horas programadas e normalmente deito-me cedo, por volta das 22h30.

Quais foram os tenistas que mais “gozo” lhe deram enfrentar e porquê?
Djokovic por ser o número 1 do mundo e por ter tido a oportunidade de jogar no maior estádio do mundo e David Ferrer por, na minha opinião ser o número 1 dos humanos, lhe ter ganho e ter jogado um dos melhores encontros da minha vida.

Quanto custa preparar uma época de ténis? Nota maior dificuldade nos patrocínios?
Infelizmente nunca tive nenhum patrocínio e felizmente sempre dispus economicamente dos meus pais para fazer frente aos gastos necessários para ser um jogador profissional. Preparar uma época hoje em dia necessito mais ou menos uns 100 mil euros.
Já treinou com grandes tenistas. Como é que eles são nos treinos, competitivos, concentrados e calados ou sociais e curiosos?
Depende dos jogadores! No caso do Rafa é muito social e nas pausas entre exercícios adora falar e contar historias! No caso do Berdich, por exemplo, gosta de estar concentrado e quase não para para descansar! Normalmente todos os jogadores são sociais, profissionais e bons companheiros!!

O ténis é um jogo muito solitário em competição. A pressão de um jogo pode ser avassaladora, não? Usa estratégias para lidar com a pressão durante e após o jogo?
O ténis é um desporto muito mental  pelo qual os tenistas usamos estratégias de concentração para não sair mentalmente do encontro e mantermo-nos concentrados durante todo o encontro. As rotinas e tiques são os mais habituais nos tenistas. Há jogadores que conseguem lidar melhor com a pressão do que outros e muitas vezes é aí que se vê a diferença.

Jogar no Arthur Ashe Stadium no US Open contra o Djokovic foi o estádio e o jogo mais emocionante até agora? Qual é o seu torneio preferido? E qual é que sonha ganhar?
Obviamente é um encontro que ficará gravado na minha memória para sempre! Penso que defrontar o número 1 e encima no maior estádio do mundo completamente cheio é o sonho de qualquer tenista, independentemente do resultado! O meu torneio favorito é Roland Garros e um sonho? Mesmo sendo consciente de que nunca o conseguirei, diria ganhar Roland Garros!

Quais as diferenças que encontra em Federer, Nadal e Djokovic?
Todos esses jogadores são muito parecidos. São excelentes desportistas com uma facilidade imensa para jogar ténis. Fisicamente são muito fortes e mentalmente também são muito bons. Entre eles as diferenças são mínimas  e perdem e ganham por pequenos detalhes.
Já conseguiu muito na sua carreira, que sonhos falta concretizar?
Há muito a trabalhar e consoante vamos conseguindo os nossos objectivos, novos objectivos aparecem na nossa mente, pelo que há que trabalhar ainda mais para os concretizar.

Quais foram os momentos mais difíceis destes últimos anos? Há derrotas mais difíceis de digerir do que outras?
Todas as derrotas são difíceis de digerir. O importante é saber tirar conclusões  positivas da derrota e aprender com os erros. No último ano melhorei muito este aspecto e análise de jogo.
Se não fosse tenista, o que gostaria de ser?
Gostaria de ter seguido com os estudos e ser médico.

As negociações com o Jorge Mendes já chegaram a bom porto? De que forma um agente te pode ajudar nesta fase da carreira?
O que posso adiantar é que pessoas da confiança do senhor Jorge Mendes já que contactaram e que as coisas estão bem encaminhadas. Seria óptimo poder ter uma parceria com a Gestifute já que é uma das melhores empresas de gestão do mundo.

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INQUÉRITO
Tenista preferido: Roger Federer e Rafael Nadal;
Futebolista preferido: Cristiano Ronaldo;
Comida preferida: Salada Caprese;
Cidade Preferida: Guimarães;
Torneio preferido: Roland Garros;
Pancada de ténis preferida: Direita;
Jogo (computador) preferido: Footbal Manager;
Músicas para antes dos jogos: Bob Marley
Filme preferido: Gladiador.

entrevista ruben alves

Agosto de 2013. Entrevista para o jornal Destak.



ENTREVISTA RUBEN ALVES
A Gaiola Dourada - «Senti que tinha de contar esta história tão portuguesa»
Ruben Alves é o autor do mais recente fenómeno do cinema francês: A Gaiola Dourada. O filme «mais português de França» deste luso-descendente é uma homenagem aos seus pais. Apaixonado por contar esta história, conta-nos na língua de Camões o segredo que levou mais de um milhão de pessoas a ver o filme em França e que em Portugal (já depois da entrevista) foi visto por 300 mil espectadores em três semanas (é já o 2.º filme mais visto do ano no país).

João Tomé



Como é que surgiu a ideia para este 1.º filme? O objetivo foi homenagear os portugueses em França?
Inicialmente tinha uma ideia para um guião diferente mas o meu produtor incentivou-me a escrever sobre as minhas raízes e comecei a perceber que era uma história que nunca tinha sido contada. A imagem dos portugueses em França é sempre ligada ao futebol. Senti que tinha de contar esta história, de mostrar este lado porque não existia quase nada nos meios culturais sobre a perspectiva portuguesa. E depois queria homenagear os meus pais e a comunidade portuguesa.

Utilizou muito a sua experiência pessoal para as personagens e as histórias?
Sim, sem dúvida. Digo muitas vezes que o filme não é autobiográfico mas é inspirado nos meus pais, que têm o mesmo perfil dos protagonistas. Nas sensações, na maneira de pensar e ver a vida. Tentei dar uma alma portuguesa a este filme francês. Talvez seja o filme francês mais português de sempre.

Sente que os portugueses por norma trabalham para os franceses mas não são compreendidos por eles?
Nem os conhecem. O português de França é bem visto a nível profissional, integrado, conhecido por ser corajoso e disponível, mas não há representação forte nos media ou no audiovisual. Quem são? Como vivem a emigração? Quis pôr a nú estas questões e humanizar os portugueses, para mostrar que há mais nas pessoas para além da porteira e do homem das obras.

É a sua estreia como realizador, depois de uma curta. Como convenceu os investidores a apostarem no filme?
Tive sorte em convencer o grupo Pathé, que tem muita força. Gostaram da ideia de falar pela 1ª vez sobre o mundo português em França e adoraram depois de lerem o guião. Deram muita força. É a minha 1ª longa-metragem, sou jovem, mas nunca duvidaram. Deram-me confiança porque perceberam que tinha a certeza do que queria. Logo na 1ª reunião disse-lhes que os atores principais tinham de ser portugueses. Eles tinham dúvidas porque não conheciam, mas ficaram a conhecer.

Tem um elenco com Rita Blanco, Joaquim de Almeida, Maria Vieira. Escreveu o guião já a pensar neles?
Não. Quando escrevi não pensei em atores. Mas mal acabei comecei a investigar. O Joaquim de Almeida foi por acaso. Encontrei-o em Cannes. Olhei para ele e comecei a perceber que ele podia ser um ‘José’ perfeito. Era um bom desafio pô-lo numa comédia com ternura, numa personagem humilde, trabalhador das obras. Estamos habituados a vê-lo em personagens mais duras e senti que ele tinha uma parte comovente. E com a Rita Blanco vim a Lisboa – porque vivo em França e não conheço o cinema português – e perguntei aos amigos quem é que achavam a melhor atriz e todos disseram: a Rita. Encontrei-me com ela e tivemos logo uma paixão um pelo outro. Temos a mesma visão do cinema. Ela na comédia é muito boa porque consegue dar muita verdade e ternura no olhar à personagem. Lá em França os atores principais, o Joaquim e a Rita, foram um êxito junto da crítica porque eles não os conheciam e gostam de conhecer pessoas novas. Adoraram. E a Maria Vieira foi a cereja no topo do bolo. Foi difícil conseguir trazê-la do Brasil, mas só admitia que fosse ela. Ela é única, mesmo na caricatura. Todos eles têm Portugal dentro deles.

Depois há uma descoberta. A Barbara Cabrita, uma atriz luso-francesa que faz a filha lusodescendente que tenta evitar o seu lado português. É um caso típico?
A personagem Paula foi a mais complexa e que os produtores franceses mais dificuldade tiveram em perceber. Não entendiam como é que ela sentia aquele repudio por ser filha de portugueses. É uma filha de emigrantes que ainda não se encontrou com as raízes portuguesas que tem. Continuo a ver muitos luso-descendentes que ainda não estão à vontade com esse seu lado: há quem sinta quase vergonha; depois há outros que se sentem totalmente desinteressados nas suas raízes. Tenho primos que não falam nada de português, nem um ‘olá’, e os pais até vão falando algum português em casa. Mas esta personagem da Paula ao longo do filme vai mudar muito.

Os tons e cores fazem lembrar o filme Oo Fabuloso Destino de Amélie, com ares clássicos. O que o inspirou?
Acho que tenho uma alma antiga, velha. Por isso gosto dessas cores, luzes com tons quentes e envolventes. Mas mais do que outros filmes ou realizadores o que me inspira mais é a própria vida. É um bocado cliché dizer isto mas é verdade. O que eu vivo é o que inspira sobretudo aqui em Portugal, que há muita coisa que acontece na rua, é um teatro aberto. Gosto do cinema do Almodôvar, da forma como ele filma as mulheres e também de cineastas franceses como o Claude Sautet, que fala muito nas relações humanas.

A rodagem correu bem? O facto de já ser ator ajudou-o neste 1.º filme? 
Correu oooootimamente bem. Havia muito bem estar, consegui criar uma família entre o elenco e a equipa. Todos adoraram ver os portugueses juntos. Ajudou-me muito ser ator, para comunicar com eles antes de rodarmos. Dava-lhes oportunidade de participarem no processo criativo, sem nos afastarmos do que eu queria das cenas. Todos os atores estavam muito empenhados no filme, nesta história e deram muito de si mesmos. Trabalhámos muito juntos nos pormenores, do sotaque certo às expressões. Foi ótimo ter atores tão bons.

O filme já foi visto por mais de 1,5 milhões de pessoas em França. Como foram as reações em geral?
Quando se faz um filme nunca se sabe como vai ser recebido. Mas apesar de ser sobre uma família portuguesa tem uma parte muito universal com que todos se podem identificar. Foi por isso que o filme foi tão bem recebido não só pela comunidade portuguesa, mas pela francesa e até árabe. Tive críticas muito boas mesmo de jornais inteletuais como o Le Monde ou o Telegrama. Tocou ao grande público, dos trabalhadores à classe mais alta. Mas o sucesso veio muito do boca a boca. É um filme pequeno, com um elenco de gente pouco conhecida em França. Tornou-se num fenómeno através da comunidade portuguesa. Houve reportagens sobre as idas de família inteiras às salas, algo que não se via em França à muito tempo. E no final batiam palmas, cantavam e até dançavam!

O filme já teve antestreias em Portugal. Teve um feedback diferente?
Na antestreia de Lamego as pessoas também bateram palmas no fim e quiseram falar comigo. Havia quem me dissesse ter-se sentido comovido por ter família em França e se ter identificado, mas também quem não conheça ninguém por lá e tenha chorado baba e ranho pela identidade portuguesa, que é muito forte. Em Cascais houve quem me dissesse que era o melhor filme português que já tinham visto – e o filme até é francês (risos).

Por onde vai estar o filme agora? Os EUA é um objetivo?
Já estreou em França, Luxemburgo, Suíça e Bélgica. Agora estreia aqui e no Canadá, no final de agosto estreia na Alemanha, onde chamaram ao filme ‘É Portugal meu amor’. Depois estreia na Áustria, Colômbia, Brasil, Itália, Austrália, Nova Zelândia. Os EUA ainda não está garantido, mas os distribuidores estão à espera do festival de Toronto para vender o filme. Também vou ao Festival de Macau em Dezembro.

E o que se segue? Quer continuar a realizar, contar outras histórias?
Sim, claro. Ideias não faltam. Quero começar a escrever um guião em setembro, mas estão-me a chegar várias propostas com ideias e guiões. Estou a ler, mas quero fazer tudo com calma porque tenho amigos em França que tiveram um .pequeno sucesso e foram logo fazer filmes à pressa para aproveitar o sucesso e correu mal. Não quero fazer isso, quero ter a minha calma e fazer algo que venha do coração.

Agora sobre outro tema para além da comunidade portuguesa?
Sim, agora sobre outras história. Esta parte de mim já foi tratada, agora vou navegar por outras histórias.

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A SABER
Onde passava os verões 
Sempre em Portugal, em Julho e Agosto. Lisboa e Costa da Caparica, na praia, depois passávamos sempre pelo Norte, o meu pai é de Guimarães.

Zona preferida em Portugal
Adoro Lisboa, sou fanático. Tenho casa aqui. Gosto muito do Norte, mas desde que descobri a Costa Vicentina há quatro anos que fiquei apaixonado pelo Alentejo.

Zona preferida em França
Gosto muito do sudoeste, perto de Bordéus, cheio de castelos medievais. Há ainda uma autenticidade muito forte mas tradições e come-se muito bem. As pessoas são muito abertas.

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BI Ruben Alves 
• Ruben Alves nasceu em Paris, há 32 anos e é filho de pais portugueses
• Vive e trabalha em Paris, é solteiro
• É ator e realizador. Estreou-se como ator em 2001 numa curta-metragem e como realizador em 2002, na ‘curta’ À l’abri des regards indiscrets
• Em 2004 teve o 1.º papel numa longa-metragem, Pédale dure, de Gabriel Aghion. Trabalha em televisão desde 2005. Em A Gaiola Dourada é ator (num pequeno papel de lusodescendente), realizador e guionista


CRÍTICA AO FILME

Entrevista Anthony Daniels

Para o Mundo Universitário. Março 2010.



Entrevista
“Estou muito feliz por ter conhecido o C3PO”
Poucos o reconhecem na rua mas, na verdade, Anthony Daniels ganhou já um lugar na história do cinema, ao interpretar a voz e os movimentos do robot C3PO nos seis filmes da saga Star Wars. Durante a entrevista ao MU, Anthony, 64 anos, fala no robot que mudou a sua vida, nos mimos de George Lucas e do espectáculo musical Star Wars in Concert, do qual é o narrador e que estará no Pavilhão Atlântico a 22 e 23 de Março.

João Tomé



Como surgiu o convite para o Star Wars in Concert, que começou em 2008?
Eu sou a única pessoa que actuou nos seis filmes, desde há 33 anos atrás. Por isso sei a história de toda a saga, bem não tudo, mas tenho a história comigo. Além disso o C3PO é uma personagem que é um contador de histórias, nos filmes. Uma pessoa muito correcta, que gosta de apresentar pessoas, que todos estejam bem, segue o protocolo, a etiqueta. E, também, como o C3PO, eu consigo falar muito. Portanto, todas estas coisas se juntaram, aliando ao facto de eu ainda estar em boa forma e com saúde, visto este projecto requerer muita concentração em palco, todas as noites.

É um trabalho de equipa em cima do palco?
Enorme trabalho de equipa, não só as pessoas que vemos no palco, que é a orquestra e o coro, mas atrás de mim está um ecrã de LEDs gigantes, que é digital. Portanto, as sequências do filme são de alta definição. Sou o narrador que é a cola que une todos os pedaços dos filmes. Há vários momentos da história onde parece que a personalidade do C3PO vem ao de cima para surpreender: “Hello, i’m C3PO, human cyborg relations” [diz na voz inconfundível de C3PO]. O Star Wars in Concert, tem todas as emoções da saga, portanto há bocados assustadores, outros entusiasmantes, outros divertidos, outros são comoventes e a música do John Williams tem todos estes elementos. E tudo é contado com os episódios na ordem correcta, pelo que é mais fácil perceber a totalidade da história.

Que diferenças, na sua opinião houve nos três primeiros filmes e nos três últimos?
É curioso como o George Lucas contou a sua história começando pelo 4, 5, 6 e só depois o 1, 2, 3. Parece maluquice, não sei porque foi assim. Os novos filmes são mais para um público mais novo, mas não faz mal, porque há medida que eles crescem vão-se lembrar daquelas histórias como deles. Nós não tivemos essa hipótese. O George recontou em Star Wars histórias épicas que foram apreciadas ao longo dos séculos, do seu próprio modo.

Não era fã de ficção científica antes de participar nos filmes, mudou de perspectiva?
Penso que a ficção científica se tornou mais interessante. Eu não era nada fã do género, de todo, mas Star Wars, mais do ficção científica é um filme de fantasia, muito como os Salteadores da Arca Perdida [Indiana Jones], ou Piratas das Caraíbas, mas é feito com tanto panache e estilo, que somos absorvidos pela boa história. Eu cresci desde o dia em que sai da sala antes de terminar o 2001, Odisseia do Espaço, estou mais velho. Vi esse filme duas vezes o ano passado e hoje gosto bastante dele.

Que lições importantes guarda dos seus tempos de jovem e universitário?
Duas lições, uma de mim e outra do George Lucas. Ele levou o guião a toda a gente e todos iam dizendo que era porcaria, para ver-se livre daquilo. E isso não o desmotivou, continuou a insistir vezes sem conta até que alguém disse, “ok, vamos fazer um pequeno filme com isto”. E olhem o que aconteceu. Para mim, eu recusei a hipótese de me encontrar inicialmente com o George Lucas. Disse que não estava interessado, tinha feito dois filmes e achava que não era para mim fazer de robot num pequeno filme de ficção científica. O meu agente disse-me que isso era estúpido, nunca sabemos onde um encontro deste tipo nos pode levar. Depois lá me encontrei com ele e isso faz com que eu esteja hoje aqui em Lisboa. Portanto imaginem como eu me sentiria se tivesse recusado. A lição para mim e para os jovens é: nunca recusem uma oportunidade, essa oportunidade pode levar a outra, e outra, nunca sabemos onde essa história nos levar, aproveitem as oportunidades que vos ofereçam, mesmo que não seja óbvio.

Como imaginaria a sua vida sem Star Wars?
Pergunta impossível, impossível. Fiz coisas infindáveis em torno da saga sem ser os seis filmes. Para minha surpresa, os trabalhos nunca pararam.

Qual a actividade ligada à saga sem ser os filmes que mais gozo lhe deu?
Este concerto, que mudou a minha perspectiva total dos filmes. Além disso continuo a fazer coisas. No mês passado fiz voz para o Sistema de Navegação de carros Star Wars, a voz de uma máquina de jogo em Las Vegas, a série de televisão Guerra dos Clones, que continuo a fazer e provavelmente a melhor coisa fora do concerto é fazer vozes para uma diversão dos parques da Disney de Star Wars, que após 22 anos estamos a refazê-las desde há 3 anos, abrem para o próximo ano. E cada vez que estes trabalhos surgem eu fica estupefacto, tudo porque me deixaram manter a voz nos filmes a falar como “C3PO, human cyborg relations”. Por isso ele tem sido um amigo tremendo para mim ao longo dos anos. Estou muito feliz por ter conhecido o C3PO.

Quais as principais memórias das gravações dos primeiros três filmes e dos três finais?
Uma das melhores memórias foi a primeira vez que começámos a filmar. Estava com o R2D2 e ninguém estava a fazer nenhum som para ele. Mais valia estar a actuar com uma cadeira. Pedi ao George Lucas para fazer alguns sons e ele não conseguiu, porque era terrível, não tinha jeito, portanto tive de falar comigo próprio. A minha memória mais bonita foi quando estava a ensaiar sozinho num desfiladeiro, no deserto, perto do palácio do Jabba, e de repente surge atrás de mim um esforçado George Lucas a fazer o som, pi pi pi pi. Nos novos filmes foi chegar ao estúdio pela primeira vez vestido de C3PO e o George dizer: agora sim, Star Wars chegou. Porque ele considera o C3PO uma das principais imagens de toda a história clássica. Portanto são sentimentos de carinho.


Rápidas
Onde vive
No meio de Londres e no meio da zona rural francesa
Personagem de Star Wars
Watto, o dono do ferro velho que escraviza o Anakin
Fato preferido
O de Mark Hamill (Luke Skywalker), com vestes muito leves e macias em que se pode sentar, tinha muita inveja dele.
Música
Sinfonias clássicas
Viagem
Egipto, o Nilo
Estrela de cinema
Johnny Depp
Filme que gostava de ter feito
Eduardo Mãos de Tesoura
Pessoa que mais o ajudou na sua carreira
Um professor


Star Wars in Concert
O quê Espectáculo multimédia, com a música das seis bandas sonoras de John Williams para os seis filmes Guerra das Estrelas. Narração de Anthony Daniels e participação da Royal Philharmonic Concert Orchestra e um coro, com direito a ecrã gigante e uma exposição.
Quando 22 e 23 Março
Onde Pavilhão Atlântico, Lisboa
Preço 35 a 68 euros

conversa

Escrito a 25 de Fevereiro de 2009.


Conversa com Nani em Milão

João Tomé, em Milão

Em pleno San Siro, depois de um jogo intenso da Champions que terminou empatado a zero entre Inter e Manchester United, o Destak conseguiu ser o único meio de comunicação a falar com o português com Nani, na preenchida (de jornalistas ingleses, italianos, chineses, e até portugueses) zona mista do estádio milanês.

O extremo português do United não jogou no embate de terça-feira, mas não deixou de enfatizar que ficou espantado com «o ambiente infernal e incrível de San Siro», disse.

Ainda assim, acredita que poderá ajudar a equipa na segunda-mão, em Old Trafford, onde já só poderá haver um vencedor e «serão necessários mais para atacar ou contra-atacar».

Com 22 anos e muito vontade de mostrar o que tem para dar, Nani explicou-nos que tem «trabalhado para ser titular com maior regularidade», e que até está em boa forma. Sempre que tem sido chamado por Alex Ferguson, o jovem garante que tem «jogado bem» e que o treinador «sabe bem o meu valor.»

O internacional português falou ainda na Selecção: «Gostava de poder ajudar frente à Suécia. Vai ser um jogo difícil, o Ibrahimovic vai estar do outro lado e temos mesmo de vencer. Seria bom poder ser eu a dar uma vitória a Portugal, mas o importante é mesmo ganhar e ir ao Mundial.»

Com os jornalistas ingleses, da BBC, The Guardian, Daily Express, como meros espectadores, sem perceber as palavras do jogador em português, a conversa teve de terminar, por imposição da assessora do United.

Peça sobre Bedtime Stories

http://www.latimes.com/media/photo/2008-12/44228262.jpg


Deixo de seguida uma amostra das entrevistas/conferência de imprensa que fiz para o Destak.


Sandler vira-se para a Disney
Estive em Londres a entrevistar o elenco e realizador de Histórias para Adormecer, comédia da Disney que estreou quinta-feira em Portugal.



Adam Sandler faz comédias como protagonista há 14 anos mas, neste período e após muitos filmes, esteve sempre afastado da Disney e da comédia lá feita. Os filmes que protagonizou e escreveu até agora têm tendência para serem provocadores e arriscados, o oposto do que a Disney faz. Tudo isso mudou este ano com a estreia de Histórias para Adormecer, a comédia cheia de sonhos e esperança que Sandler fez «a pensar no meu miúdo e nos filmes que ele poderia ver».

O actor e argumentista, sinónimo de recordes de bilheteiras nos Estados Unidos, é tudo aquilo que se pensa à partida dele. Alguém sem vedetismo, com roupas simples, botas de campo, aspecto descontraído, um riso estranho e sempre pronto para a galhofa. Foi isso que vimos e ouvimos em Londres, numa conversa com os jornalistas repleta de bons momentos e pouca conversa séria, afinal o filme era para animar e não deprimir. «Vamos parar com estas perguntas e vamos olhar nos olhos uns dos outros e conhecermo-nos todos», foi a forma de Sandler “quebrar o gelo”.

O filme conta a história de um empregado de hotel cuja vida muda quando inventa histórias de adormecer com os sobrinhos e elas começam a acontecer na vida real. Quando tenta aproveitar-se do fenómeno, as contribuições dos sobrinhos complicam-lhe os planos.

Adam Sandler, que adorava as histórias de Willy Wonka quando era miúdo, explicou que improvisa histórias à sua filha de 2 anos, que está agora obcecada por comida e foi a grande razão para ele fazer este filme da Disney. «Ela obriga-me a inventar histórias sobre comida. Desde rios de geleia a lutas entre waffles e panquecas, à montanha de manteiga», disse. Sobre a rodagem foi em família: «Levávamos todos as nossas crianças para a rodagem e por isso viveu-se um ambiente muito familiar.»

Sandler: «Já fui a Portugal»
O actor juntou um elenco de amigos e pessoas que admira, incluindo o comediante britânico Russell Brandt, e o argumentista de sempre, Tim Herlihy. «Ter uma versão adulta de um filme da Disney era capaz de ser chato… mas é uma ideia», disse o energético comediante Russell Brandt (cada vez mais presente em comédias americanas), que mais parece um recordista em dizer piadas por minuto.

Rob Schneider, actor presente na maioria dos filmes de Sandler e que também esteve neste Histórias para Adormecer, fez recentemente uma campanha sobre as rolhas de cortiça em Portugal, chamada Save Miguel, para promover o seu uso na Austrália.

O Destak perguntou a Adam Sandler, quando é era a vez dele vir a Portugal? «Já estive em Portugal, adorei lá estar e espero levar o Schneider. Ele passou lá uma boa temporada e da próxima vai-me ensinar algumas coisas.»

Brandt num drama?
Já ao comediante Russell Brandt fizemos a seguinte provocação: Quando é que faz um drama nos Estados Unidos? «Provavelmente na próxima vez que fizer um telefonema por lá», explicou sem evitar rir-se. A resposta está relacionada com uma polémica recente que colocou Brandt nas manchetes dos ingleses.

O comediante aproveitou o seu programa de rádio mais arrojado e fez em directo uma chamada para o atendedor automático de uma personalidade inglesa, iniciando depois comentários jocosos sobre a neta do mesmo. Brandt arrependeu-se e pediu desculpa pouco tempo depois. Mas nem isso o salvou de muitas críticas e do fim do programa de rádio da BBC.

Brandt continuou a resposta: «Estou a fazer agora o filme Tempist, que é inspirado numa peça do Shakespeare… o que é vocês querem de mim em Portugal? Não consigo fazer as fitas do Cristiano Ronaldo, vocês chamam a isso uma comédia, não? (risos) Estou a brincar. Assim que alguém me der oportunidade posso tentar drama… eu faria um drama, sem dúvida».



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Adam Shankman
O realizador de Hairspray, que vem do mundo da coreografia e tem-se especializado em comédias, explicou que as únicas limitações pelo filme ser da Disney eram «não bater em ninguém nem ter asneiras». «E isso foi muito fácil para os actores, porque criaram-se novas oportunidades... e ainda assim continua a ser um filme de Adam Sandler», explicou.

Já o Russell Brandt foi uma grande aquisição, porque ele «é incrivelmente divertido e simpático». «Como andavam sempre na rodagem os miúdos da Keri e do Adam, não havia asneiras», disse, revelando que sente sempre pressão e receio quando está a rodar um filme, porque sente «uma responsabilidade grande quando [lhe] confiam um grande orçamento.» «Tenho tido tanto sucesso que sinto que agora elevam-me sempre a barreira. Filmes como este são feitos de forma comercial para tentarem abranger o máximo de público possível. As reacções que tenho tido é que os miúdos estão a adorar e os adultos estão a rir-se muito no filme. E era só isso que eu queria.»



Keri Russell
A actriz que faz de alvo amoroso inicialmente improvável de Sandler no filme, contou-nos que foi a série Felicity (que chegou a passar na RTP1) que lhe permitiu chegar ao cinema e dar um salto na sua carreira. Depois de ter feito uma série de filmes onde se inclui Missão Impossível III, a actriz parou para ser mãe pela primeira vez.

Foi um telefonema de Sandler que a voltou a colocar no activo antes do previsto. «O Adam ligou-me quando estava muito grávida, não o conhecia, e ele disse “tenho um miúdo agora e ouvi dizer que vais ter um miúdo. Quero fazer um filme que o meu miúdo possa ver e quero que o faças comigo”». Foi desta forma simples e directa que Keri foi integrado no projecto de História de Adormecer da Disney. «Foi divertido e diferente trabalhar com o Adam, porque ele reescreve tudo o que faz e improvisa muito, por isso tive de me deixar ir e segui-lo».

Entrevista Joaquim de Almeida



(Entrevista realizada em Lisboa, Av. 5 de Outubro, em Setembro)

«Na cena mais intensa às tantas estávamos os três a chorar»
Entrevista a Joaquim de Almeida
Aos 52 anos o actor português mais internacional de todos os tempos continua a fazer o que mais gosta «fazer filmes que me cativem». Falámos com o homem que «detesta ter pouco para fazer» e que diz que «tu és tão bom quanto a última coisa que fizeste» a propósito de Longe da Terra Queimada, onde é amante de Kim Basinger.

Como integrou na sua agenda esta sessão para promover este filme?
Tinham-me dito em Cannes que o filme iria sair mais tarde, temos estado em contacto. Eu acabei o filme Chistopher Roth na Roménia no domingo, por isso disse que poderia estar cá para a semana de estreia do filme. Aliás, uma pessoa diz que pode estar esta semana, mas depois há outras pessoas que querem outras coisas. Estou envolvido nisto de Portimão, acabo por ir ao Algarve, por isso acaba por ser uma semana completa. Depois tenho os meus filhos.
Eu também sou uma pessoa bastante activa e que se chateia é de não fazer nada, para mim, o estar ocupado dá-me sempre prazer. Ainda por cima acabei de fazer um filme em que estávamos a trabalhar 12 horas por dia. Mais hora e meia para cada lado, deram 15 horas. Isto ajuda-me a não quebrar o ritmo, porque nós geralmente quando fazemos ao fim de muito tempo sempre muitas pessoas a trabalhar, a trabalhar, de repente sentimos um vácuo. E assim ajuda a mantermos o ritmo continuarmos ocupados a seguir.

Como surgiu o convite do Guillermo Arriaga para fazer este filme?
Disseram-me que o Guillerme gostava de falar comigo para um filme. Eu disse que sim, mas tinha de ser no dia seguinte porque ia para a Europa logo a seguir. Quando me encontrei com ele no Novo México, tinha chegado de Los Angeles, e ele disse-me que tinha andado a falar de mim há não sei quanto tempo. Primeiro disseram-me que estavas a filmar e não te encontrava. Segundo ele explica não conseguia encontrar ninguém como eu. Porque dentro do filme ele fala dos elementos, da Terra, do Fogo, do Ar… e ele queria um homem Terra, e para ele Joaquim de Almeida era um homem Terra. E finalmente ele tentou novamente ver se eu não estaria livre. E por acaso coincidiu que havia uma semana que faltava para a Kim Basinger acabar o trabalho, em que eu poderia fazer porque acabava mesmo antes de filmar La conjura de El Escorial.
E fui-me embora numa sexta-feira, apareci lá sábado. Domingo à noite encontrei-me com a Kim [Basinger] à noite. Ela disse-me “não vamos falar nisto, tu és profissional, fizeste muitos filmes, eu fiz muitos filmes… segunda-feira fazemos aquilo que temos que fazer”. E assim foi.
Tinha falado muito com o Guillermo sobre a personagem e demo-nos muito bem na rodagem. O convite foi para mim uma alegria porque finalmente alguém nos Estados Unidos pede para fazer um filme em que não sou o mau da fita, se bem que não foi um norte-americano, foi um mexicano. Mas estamos a falar de um filme norte-americano, que dá-me oportunidade que as pessoas me vejam agora para outros papéis. Aliás, tenho feito agora ultimamente sem ser maus da fita.
Isto surgiu assim. Encontramo-nos, fomos almoçar. Ele disse-me que o filme era meu. E eu pensei “espera aí, os produtores ainda precisam de aprovar, é melhor não ficar demasiado contente”. Ele ainda ia para o México nesse dia e eu para Los Angeles. Ainda nos metemos no cinema e fomos ver um filme dos Beatles, que ele já tinha visto. Assim foi. Fomos para o aeroporto, bebi uma cerveja ele uma Pepsi Cola, porque ele é viciado nisso, ele foi para um lado e eu fui para o outro.

Rodagem curta para entrar dentro do tempo disponível?
Eu só tenho cenas com a Kim Basinger. Ele [Arriaga] depois disse-me que foi melhor assim porque acabou por filmar as minhas cenas todas numa semana com ela e filmámos cronologicamente em relação ao próprio affair. Portanto isso facilitou porque fomos progredindo como se fosse na vida real.

É a primeira longa-metragem de Arriaga. Sentiu carinho especial por ser a estreia dele?
Senti um carinho especial, primeiro por adorar o guião, segundo por ele me querer. Mas sobretudo o bom foi que…
O Guillermo acabou por fazer o filme com dois directores de fotografia. Um, Robert, fez a parte do Novo México e o outro fez a parte do Oregon. Não foi voluntário. Foi pelas circunstâncias do filme. Ambos se enquadraram bem com o filme. Mas o que eu gostei foi, tendo ele dois directores de fotografia com tanta experiência. Deixou liberdade ao Guillermo de se ocupar com os actores. Que é o que ele gosta. Sobretudo na história que se passa comigo e com a Kim, é transportada da vida real dele e pô-la no filme.
Eu lembro-me de estar a fazer a cena do seio, com a Kim. E às tantas estávamos os três a chorar. Eu olho para o lado e pergunto-lhe “então, estás a chorar?”. E ele responde “Cabron, então e tu?” [risos] E foi comovente porque às tantas estávamos a chorar compulsivamente. É uma história que não é fácil. É uma história sobre a dor, sobre o esquecer, amores proibidos. Sobretudo sobre a rejeição também. As histórias do Guillermo nunca são fáceis. Agora é uma história que eu adorei porque senti a ler aquilo que depois vi no filme. Aquilo obriga a ter atenção ao filme para percebê-lo. Se nos deixamos adormecer 10 minutos talvez não percebamos o que se trata. As histórias são paralelas e para mim houve uma certa alegria quando vi com amigos meus o filme e eles percebem o que se estava a passar – eu já sabia o guião, portanto ia em vantagem.
O filme tem tido reacções totalmente diferentes. Inclusive agora nos Estados Unidos, o LA Times adorou o NY Times detestou, em Itália, França, Espanha, sempre da mesma maneira. Um jornal adora, outro detesta. E dentro do mesmo jornal, um adora outro detesta. Acho que em Portugal vai ser da mesma maneira. Mas pronto, a vida é assim. Mas é um filme que não passa indiferente.

A cena do seio é muito intensa emocionalmente. Houve preparação para uma cena daquelas?
É engraçado, porque para quebrar a tensão, devido às cenas serem tão pesadas, quando se mudava de posição de câmara o Guillermo contava anedotas e ajudava-me muito. A Kim pediu que essa cena fosse feita pela manhã, porque para ela era a mais difícil do filme. Estava muito nervosa, porque sabendo que era biográfica para o Guillermo ela tinha medo de não estar à altura. E só me lembro do Guillermo dizer “ela está a tremer, vamos usar isto, eu preciso disto, não quero que ela relaxe”. E então filmámos com grande rapidez e depois foi engraçado quando acabámos de filmar a cena ela olhou para nós, fez um grande sorriso e disse: “quero contar-vos uma anedota”. E contou uma muito infantil, porque ela tem uma filha de sete anos e é assim que ela é. Ela é uma pessoa muito divertida e de uma fragilidade enorme. Não tem nada a ver com a Charlize Theron, que é toda Maria Rapaz. Ela é muito frágil, até o sol faz-lhe mal. Demo-nos muito bem e acho que ela está muito bem no filme, tem uma performance extraordinária. Quiseram-lhe dar o prémio em Veneza mas não lhe deram porque ela disse que não vinha. Ela não vai a festivais, nem sequer foi à estreia do filme nos Estados Unidos, ela detesta multidões.

Uma semana para gravar tantas cenas é obra…
Foi e é assim. Temos mais de 50 anos, somos actores experientes. Ela própria diz, já fizemos muitos filmes, muitas cenas de câmara e assim foi.

Caminha para a marca dos 100 filmes. O cinema norte-americano é o de eleição, ou diversificar continua a ser palavra de ordem?
Já fiz setenta e tal filmes. Gosto de diversificar, dos EUA à Europa. Gosto de fazer filmes diferentes. Mas o importante é o guião e quando um guião é bom vale a pena. Nós que andamos há muito tempo nisto conhecemos bem os realizadores, fiz mais do que um filme com o mesmo realizador e é sempre para mim um prazer trabalhar com alguém que conheço. Também passamos por épocas em que trabalhamos menos e mais e ajudamo-nos uns aos outros. Não acho o cinema americano o melhor hoje em dia. O cinema independente americano talvez seja dos melhores cinemas. Há realizadores como o Clint Eastwood, que é um cinema com dinheiro mas com um feeling independente. O cinema americano está muito ligado ao cinema de Verão, aos blockbusters. Não me cativam particularmente, a não ser por estrearem no mundo inteiro e darem muito dinheiro. Temos todos de sobreviver e ganhar dinheiro. Mas adoro fazer cinema por fazer cinema. Com um bom guião, um bom realizador e uma boa audiência. É difícil conseguir estas três. Nem sempre um bom guião corresponde a um bom realizador e vice versa. Ce la vie. Nem sempre se vai a um restaurante e como aquilo que se pensava que se ia comer, pronto.
Costuma fazer retrospectiva da sua carreira e pensar nos trabalhos que mais gozo fazer?
Não, não faço, nem penso no passado. Há uma coisa que se diz no cinema, “Tu és tão bom quanto a última coisa que fizeste”. Eu penso naquilo que acabei de fazer, tento sentir-me contente com o que acabei de fazer. Aliás não vi os filmes todos que fiz. Tenho lá vários em casa que continuam selados e alguns vão sendo abertos pelo meu filho. Não vejo as coisas que faço. Tenho prazer em fazê-las. Alguns vejo outros não. Há muitos que até tiveram muito sucesso e não os vi. Ou porque passou o tempo de ir à estreia… e as mini-séries de quatro ou cinco horas não tenho paciência para as ver, ainda por cima apareço muitos anos mais novo.

Ainda há realizadores com quem desejaria trabalhar?
Há tantos. Hoje em dia há tantos realizadores de cinema. Eu adoro realizar com realizadores novos do que com realizadores já famosos. Acho que quando trabalhamos com realizadores novos há… eu quando fiz o filme Desperado, o Robert Rodriguez era uma realizador novo, hoje é um consagrado. Fiz o Che, tive pena de fazer uma parte pequena, num filme onde todos éramos pequenos menos a parte do Che, com o Soderbergh. Adoraria de filmar outra vez com o Soderbergh, gostei dele pessoalmente, da maneira dele trabalhar. Sei lá, há muitos. Eu acho que mais do que tudo, mais do que o realizador interessa o guião, e quando o guião é interessante, é-me indiferente se conheço o realizador ou não. É evidente se é um realizador consagrado melhor, porque já sabemos o que esperar dele. Mas às vezes… o Soderbergh quando fez Sex, Lies and Videotape, foi o primeiro filme dele e ganhou Cannes e seguramente nenhum dos actores estava à espera que o sucesso fosse dessa maneira. O futuro ninguém o pode prever. Ainda agora vi o último filme do Tarantino e vi um amigo meu, Christopher Waltz, que eu não via há anos… a última vez que tinha visto foi quando deixou a minha casa, porque esteve a viver comigo durante um ano, porque tinhamos estudado juntos. E agora vejo num filme de Tarantino e ganhou o Melhor Actor de Cannes e agora já tem outros filmes para fazer. Desde que o deixei até agora nunca ouvi falar dele, porque ele tem feito uma carreira, sei lá, na Alemanha porque não conseguiu ter uma carreira internacional. Está a ver, nunca é tarde para ser ter uma carreira internacional e ganhar prémios. Basta um filme.

Esta semana estreia ao mesmo tempo que o Longe da Terra Queimada dois grandes blockbusters, a animação da Disney Força G e o remake Fama. Que conselhos daria ao púbico português para ir espreitar este drama?
Para já não sei como está classificado este filme, mas deve ser para maiores de 18 anos. Portanto, estamos já a tirar grande parte do público possível. Não é um filme que as pessoas vão ver duas, três vezes, não é um filme como o Fama, que entretém. Isto é um filme para quem gosta de Cinema, para quem gosta de pensar e para quem gosta de ver bom Cinema. É um filme também muito mais dedicado para uma faixa etária, eu diria dos 25 aos 75. Não tanto para os jovens… acho que não há competição entre estes filmes. São filmes com propósitos diferentes, diametralmente opostos.

Actores e a fama

Artigo para a secção de Fama e TV do jornal Destak. Julho de 2009.


Ryan Reynolds e Scarlett têm receita anti-paparazzo

O actor canadiano Ryan Reynolds falou ao Destak em Londres há duas semanas, a propósito da comédia com Sandra Bullock A Proposta, que estreou a semana passada e explicou como tem conseguido «nunca viver uma vida propícia para os tablóides» com a mulher, a muito desejada e requisitada Scarlett Johansson.

João Tomé, em Londres


O canadiano Ryan Reynolds admite que evita falar da vida pessoal até porque «não há conferência de imprensa quando saímos de nossa casa».
«Na maior parte dos casos, se há sete ou oito fotógrafos a remexer no lixo à porta de tua casa é porque fizemos algo que lhes permitiu estar ali. Demos-lhe acesso ou permissão. E a partir do momento em que fazemos isso não podemos voltar atrás. Nunca vivi essa vida. Temos de nos proteger até certo ponto», disse.

O actor que se tem dividido em comédias, filmes de acção e até thrillers (participou no recente Wolverine) continua a explicar os cuidados que têm na vida com Scarlett Johansson: «Se quero uma salada não vou ao sítio mais mediático, vou a outro sítio».

Reynolds quase explica proposta de casamento a Scarlett Johansson
Na curiosa comédia romântica A Proposta, onde Reynolds reencontra a amiga Sandra Bullock, a sua personagem recebe uma proposta de casamento obrigatória da sua chefe autoritária.
Questionado por uma jornalista sobre a sua proposta de casamento a Scarlett Johansson durante a conferência de imprensa do filme, a que o Destak também teve acesso após a entrevista ao actor, a amiga Sandra Bullock interveio de forma irónica: «Sim, fala-nos sobre o teu momento mais íntimo com a tua mulher».

Ryan Reynolds não se fez rogado e colocou em prática a sua estratégia de pouco falar da vida privada, ironizou. Primeiro simulou mostrar uma série de slides com o momento da proposta de casamento a uma das mulheres consideradas mais sexys do mundo do cinema. Depois explicou em tom de brincadeira: «posso dizer que envolveu um ninja, um carro dos bombeiros e muita coerção».

Editor de um tablóide por dois minutos
De regresso à entrevista com o actor que soube sexta-feira passada que irá ser novamente um super-herói no cinema: nada mais nada menos do que o Lanterna Verde, Reynolds colocou-se, a nosso pedido, na pele de um editor de uma tablóide daqueles que inventa notícias. Se fosse editor de um desses jornais por um dia que notícia inventaria sobre si próprio?

«Boa pergunta… mas difícil. Talvez: "Reynolds visto mais uma vez a alimentar os sem abrigo". Mas isso não venderia. É quase cómico ver a forma como se inventam notícias. É pior se formos forçados a responder às notícias. Mas está totalmente fora do nosso controlo. Não se pode fazer nada em relação a isso.» Explicou o actor que começa a rodar dentro de uma semana o estranho thriller ao estilo de Hitchcock, Buried, quase todo passado dentro de um caixão.

Ryan Reynolds, um canadiano que integra o lote de actores mais em voga em Hollywood neste momento, admitiu a uma revista norte-americana há poucos dias e já depois de ter falado com o Destak, que admite a hipótese de adoptar uma criança com Scarlett Johansson no futuro, até porque um dos seus irmãos foi adoptado. Um pormenor pessoal que parece não comprometer a estratégia delineada.

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Entrevista mais sobre o filme A Proposta
«A química não tem a ver com amizade»

Ryan Reynolds, o actor canadiano mais em voga do momento, fala de Sandra Bullock e do Porto.

Já ser amigo da Sandra Bullock ajudou na rodagem?
Nunca tive de contracenar com o Wesley Snipes nu… felizmente. Para momentos de nudez ajuda sermos amigos, sem dúvida. Mas digo sempre que a química no ecrã não tem nada a ver com amizade. Podemos ter química com qualquer pessoa, é a última coisa em Hollywood que não é completamente computadorizado. Se não temos química com uma pessoa, nunca vamos conseguir tê-la. Nos primeiros 45 segundos ambos sabíamos. Por norma, trabalhar com um grande amigo é a melhor forma de estragar a amizade, o que não aconteceu.

Sandra Bullock faz de canadiana, deu-lhe alguma dica?
Sei bem o que é passar para um sistema de saúde muito caro, por exemplo. Não havia muito que lhe pudesse ensinar, só fiquei feliz por ela não fazer o habitual estereótipo. Não estava a interpretar uma santa patinadora no gelo, mas sim uma capitã da indústria dura. Nos filmes são conhecidos por ser pacíficos e passivos, mas eu conheço muitos canadianos zangados por natureza.

Já teve trabalhos em que namorasse com a chefe?
Não. Mas já tive trabalhos estranhos. Trabalhei num cemitério, num armazém, num restaurante horrível. Quando tinha 16 anos, trabalhei num clube de iates em que os meus chefes eram os terríveis filhos e filhas de 8 anos de pessoas ricas. Chamavam-me rapaz, nem me tratavam pelo nome, eram horríveis. Desejava-lhes mortes lentas.

O thriller Buried será um filme totalmente diferente?
É um filme revolucionário. Nunca ouvi falar de nada assim, com uma pessoa (eu) dentro de um caixão durante 80 minutos. O que me interessa mais é o desafio técnico, tem uma premissa ao estilo de Hitchcock.

Viajar é o seu maior hobby?
Adoro viajar. O meu problema é que gosto de transformar as minhas férias numa corrida. O ano passado fui a África durante três semanas, foi incrível. Há uns tempos estive na Europa. Passei pelo Porto durante o Euro 2004, foi um caos, com adeptos de todo o mundo. A cidade estava linda mas a confusão era demasiada.

Entrevista | Gonçalo Brandão




Gonçalo Brandão revelou-se esta semana um surpreendente entrevistado. Não é habitual conhecer/entrevistar um jovem jogador com tanta experiência e jeito para a partilhar em palavras.
Aos 22 anos, o defesa do Siena contou-me como foi a sua estreia pela Selecção e revelou que a aprendizagem de dois anos com Jorge Jesus foi fulcral para se adaptar a Itália. Jesus é, aliás, motivo de rasgados elogios, como um técnico perfeccionista na táctica defensiva que não admite falhas e "uma excelente contratação para o Benfica" (até eu fiquei convencido).

Gonçalo Brandão admite ainda que as suas estreias a titular pelo Belenenses, pelo Charlton e pelo Siena foram sempre frente às equipas de José Mourinho. O próprio Mourinho lembrou-o disso mesmo no intervalo do último Inter-Siena.

O central que também joga nas laterais revela ainda qual o jogador mais difícil de marcar na Serie A (não foi Ibrahimovic nem Kaká!), no sonho de jogar num grande europeu e de experimentar o futebol espanhol.
A entrevista está aqui.



PS: Sabiam que os jogadores de futebol estão proibidos, por contrato, de andar de mota seja a conduzir ou a ser conduzidos? Eu fiquei a saber esta semana.

Entrevista David Fonseca


Da parede para o concertoConcerto. Calmo e sorridente, animado e cheio de vontade de contar a sua arte, David Fonseca esteve à conversa comigo, numa entrevista para o jornal Destak para falar sobre o novo álbum "positivo", Our Hearts Will Beat As One e o concerto de dia 11 de Novembro, no Centro Olga do Cadaval (Sintra).

[BACKGROUND: Conversa dia 25 de Outubro de 2005 (terça-feira), um dia depois do novo álbum ter sido lançado. Pelas 15h. A entrevista durou cerca de 30 minutos e não pôde prolongar-se porque existiam mais jornalistas à espera para o entrevistarem. Decorreu numa sala de reuniões da sede da Universal, em Lisboa, perto do Colombo. Achei curioso na sala existirem alguns discos em ouro e platina editados pela Universal, onde estava um álbum dos Silence 4 e outro de Bryan Adams, Waking Up the Neighbours.]

Por João Tomé

Esta semana já deste dezenas de entrevistas, a jornais, rádios, televisões, revistas… Como é que lidas com as entrevistas, ficas cansado ou aborrecido com elas?As entrevistas é a parte que todos os músicos estão menos habituados a lidar. Confesso que nos primeiros tempos do Silence 4, sentia-me um pouco reticente em relação a tudo isto as entrevistas, hoje considero ser absolutamente necessário. Porque se eu quero fazer a minha música chegar às pessoas acho que devo agarrar todas as oportunidades que tenho, para falar sobre o disco enquanto as pessoas não tem oportunidade de o ouvir.

Não é estranho uma pessoa normal de um momento para o outro passar a dar muitas entrevistas?
É estranho porque se passa de ser uma pessoa perfeitamente desconhecida da sociedade, para passar a ser uma pessoa extremamente conhecida. Para já o choque é esse, a razão de haver tanto súbito interesse. No inicio foi o que me fez mais confusão. Porque agora tanto interesse. Já tocávamos há três anos, tentámos gravar discos e nunca conseguimos, mas depois havia um grande interesse. A primeira vez em que isso começa a acontecer é estranho. Entrevistas em catadupa e se pergunta muitas coisas sobre a nossa vida pessoal. Há sempre uma ideia de que já não somos as pessoas que éramos, já estamos a dizer coisas que nunca nos perguntaram, que nunca pensei na minha vida que viessem a fazer parte nem sequer do meu grupo de amigos, quanto mais num espectro mais generalizado. E daí vêm as defesas. Toda a gente põe as armas em punho… não vamos de maneira nenhuma dizer isto, ou aquilo. Mas com o tempo uma pessoa começa a lidar melhor com as coisas que diz e que quer dizer, por isso agora é um processo mais natural.

Sendo este um novo capítulo na tua carreira, o que mudou mais do primeiro álbum a solo, para Our Hearts Will Beat As One?Mudou o facto de algures eu ter decidido fazer o álbum. Eu tenho andado ao sabor do vento há alguns anos, nesta área, na música. Porque os Silence 4 foram um acidente de percurso, de uma banda como hobby, de repente explodiu para uma coisa inimaginável. Aquilo que eu fazia nos Silence 4, não era uma profissão, não era o caminho que eu queria seguir para sempre. Eu lembro-me de estarmos nos Silence 4 antes de ter o disco gravado, e já haver aquela ideia de não sabermos se íamos ter aquela banda para sempre. Tínhamos a banda, mas podíamos não ter… havia um descomprometimento que a mim me agradava, assim como a todos os elementos da banda. A mim não me choca absolutamente nada que os Silence 4 tenham terminado, porque já na altura era um projecto espontâneo. Se deixasse de ser espontâneo – que era o que aconteceria se nos tivéssemos reunido outra vez, as pessoas estavam sempre a perguntar coisas e nós não sabíamos o que havíamos de dizer – porque não havia essa espontaneidade de nos querermos voltar a juntar na mesma sala a fazer as mesmas, como tal resolvemos acabar com o projecto. Em relação ao projecto a solo não mudou muito a forma, no primeiro disco. Fiz umas canções em casa, só que em vez de ter uma banda, fui para o estúdio, mas os processos eram os mesmos. Neste disco inverti quase tudo o que fiz até hoje, porque parar uma digressão, e dizer à agência dos concertos, para não marcar mais nada para eu começar a fazer um novo disco de raiz, e apontar uma data para estar pronto com a editora. Tudo isto foi a primeira vez que aconteceu comigo – no album a solo cheguei à editora com o disco feito. E este não, tinha uma ideia específica de como ia ser o álbum, mas não tinha as canções e fui para casa trabalhar nesses termos. Acho que foi o disco mais difícil de todos por causa disso, porque esse tal descomprometimento deixa de existir e passa a haver uma obsessão mais clara sobre aquilo que se está a fazer e deita-se muitas coisas fora. Está-se sistematicamente a deitar coisas fora. Gosto disto, no dia seguinte já não gosto e vai fora, porque não dura, não tem validade suficiente para estar dentro de um disco – para que se ouça mais tempo. O que mudou mais foi a atitude. Aquela descomprometida que eu tinha pela música, agora é mais uma profissão, um desejo, a ideia de querer ver algo a crescer.


Como é que decidiste começar o disco de uma forma concreta?Aquilo que me preocupava, quando comecei a fazer as canções e é muito complicado ter uma ideia de um disco de como é que ele poderá soar, mas não ter canções nenhumas – tinha uma ideia muito abstracta, era que tinha de ser um disco positivo. Era a única coisa que eu me impunha sistematicamente: Eu não posso, de maneira nenhuma, construir canções que apontem para um negativismo porque ele não existia na minha vontade de fazer o disco. Existia algo muito mais positivo. Não é por acaso que título do disco é feito no futuro, não é por acaso que a foto da capa tem a minha figura a olhar para cima. Há uma série de elementos que eu queria que fossem positivos e tivessem uma luz qualquer. Em vez do tal principio, meio e fim, eu preocupava-me muito mais que houvesse uma constância de atitude em todo o disco. E que conseguisse entrar nas canções mais lentas – que é o mais complexo – que apesar de terem uma toada por vezes muito triste, têm um certo positivismo, que era o mais complicado para mim. A segunda prioridade para mim era a simplicidade da canção. No primeiro disco acho que baralhei um pouco, porque fiz algumas músicas muito complexas, e agora o objectivo principal era tornar todas as músicas no mais simples e directo possível – que é provavelmente o mais difícil. Eu costumo dizer muitas vezes que é mais fácil fazer uma canção com 55 instrumentos do que com três…

Ser eficaz com letras e músicas mais simples…
Tudo mais simples, com canções mais simples porque a linguagem da música pop nunca foi complexa. Existem coisas complexas na música pop, mas a meu ver tem tudo a ganhar quando são mais claras e especificas, quando não complicam demasiado e conseguem dizer exactamente a mesma coisa. Muitas destas canções eram muito mais complexas quando foram criadas e era mais complicado de perceber o que eu queria dizer, e o trabalho que eu tive durante todos esses meses foi a simplicidade.

Porquê Our Hearts Will Beat As One, como título?
Para já porque foi a última música que escrevi no disco. Eu geralmente não sou muito original para títulos e costumo escolher uma canção do álbum para o título e como foi a última e achei que era o título mais positivo de todos e que apontava para uma coisa mais específica de futuro. Não foi fácil, porque a editora achou que era um título muito comprido e difícil de dizer, e é, mas sintetiza bem a ideia do disco.

E porque não Hold Still, ou Cold Heart, ou Longest Road…Porque são canções de passagem do disco. Por exemplo, é engraçado eu reparar, quando acabo o disco, que seis canções têm a palavra Heart, no título. E uma das coisas que decidi era que o título do álbum tinha de ter essa palavra.

Não se notam tantos instrumentos diferentes e estranhos como no outro álbum, em que havia crianças a cantar, e instrumentos caseiros...
Por incrível que possa parecer este disco tem mais pormenores desses do que o outro. Mas enquanto no outro nós decidimos torná-lo visível, expressivo, aqui e ideia era ouvir a canção e por mais coisas estranhas que ela inclua, teria de parecer extremamente simples. A minha conversa com o Mário [Barreiros] era: Isto tem de parecer simples. Alguns pormenores de produção, por exemplo uso caixas electrónicas dos anos 80 e 70 em quase um terço destas músicas, foram complexos. Não se percebe isso, mas elas estão lá incluídas. Instrumentos um pouco mais estranhos, as harmónios indianos continuam lá, os pianos muito antigos também continuam lá… mas estão postos de maneira a não causar estranheza.

Mais em harmonia com os outros…

Exactamente. Enquanto no outro queria que eles se destacassem de alguma forma, porque queria experimentar uma sonoridade mais agressiva. Tudo era mais agressivo. E neste queria que as coisas parecessem simples. O Hold Still, por exemplo, que é das músicas que parece mais simples no disco, tem dois arranjos de cordas completamente diferentes postos ao mesmo tempo, bastante dissonantes um do outro, mas que dentro da música tem um efeito dramático, que parecendo simples é totalmente fora do que se costuma fazer na música pop. Tentou-se que soasse simples, se soasse estranho eu nunca o aceitaria.

Quais as maiores inspirações para este álbum. Recorreste a memórias antigas (da adolescência) ou apostaste em ideias mais actuais ou futuras…Eu acho que este é o primeiro disco que escrevo a olhar sistematicamente para o presente e para o futuro. Eu não vejo nenhum problema em se recorrer em memórias da adolescência para escrever, porque normalmente são coisas que nos marcam muito e é um universo muito rico em muitas coisas. Mas não era aquilo sobre o que eu queria escrever. Inclusive, lembro-me mesmo no início de começar a escrever o disco. De recortar uma série de fotos e fazer fotocópias e escrever uma série de textos, que não eram letras, eram ideias e direcções e fotos de bandas que eu gosto que tocam ao vivo, posições de bailado, que eu achava que queriam dizer coisas que eu via como imagens e ainda não via como canção. Era uma parede que tenho em casa que estava cheia de colagens e post-its e que me ajudaram muito a seguir esse caminho. Elas sim inspiraram-me a fazer esta procura. Mais do que canções, muitas imagens, frases, desenhos…

No teu dia-a-dia tens um caderno a que recorres para recolher coisas, ideias…
Sim, mas nunca coisas muito concretas. Eu não gosto de ideias muito concretas. As canções aparecem sempre de um ponto de vista muito abstracto, inicialmente. O primeiro embate que eu tenho com a canção é geralmente muito abstracto, tem a ver com três ou quatro palavras e uma sequência muito arcaica de sons. E a partir daí tento construir a canção sempre à volta de si própria, tanto que eu não escrevo letras e depois canções, nem o contrário, escrevo tudo ao mesmo tempo, tudo tem de direccionar para o mesmo lado. Tanto que eu não acho que sou um poeta, um letrista excepcional ou muito bom. Acho que as minhas letras são muito frágeis sem as canções, elas foram escritas em conjunto.



Na música Hold Still, existe um dueto que não é muito habitual nem no último álbum nem mesmo nos Silence 4, apesar de haver outra cantora. Como é que surgiu esta ideia, também foi espontânea?Foi espontânea e é engraçado que de facto, nos Silence 4 havia espécies de duetos, mas nunca como este, curiosamente. Uma das coisas que me lembro de ter escrito na minha parede era algo do género: «Tentar escrever algo mais clássico». Queria buscar a ideia clássica da canção, como se constrói de novo uma canção quando já há milhões e milhões de canções dessas. Foi um desafio que tomei mesmo como muito pessoal. Eu queria fazer uma canção que fosse muito clássica, na sua estrutura. E uma das coisas que sempre quis fazer foi um dueto, porque acho que há uma ideia romântica e ao mesmo tempo um bocado pateta na ideia do dueto. Aquela coisa do Kenny Rogers e Sheena Easton, que eu achava um bocado tola, mas que ao mesmo tempo exercia sobre mim um encanto estranho. E então quando decidi fazer um dueto construí esta canção, criei uma situação muito específica, que é muito pessoal. É de facto das letras que mais gosto do disco, quando comecei a construir o dueto, parecia que ela já existia. Eu adoro quando existe essa sensação, quando estou a escrever uma canção e tenho sempre a sensação que ela veio de outro sítio qualquer, ela quase se construiu a si própria.

E como surgiu a Rita (ex-Atomic Bees) no meio disto tudo?
Convidei a Rita para o dueto, que toca comigo há dois anos [piano] e já conheço há bastante tempo. Acho que ela tem uma voz incrível, muito bonita, muito clássica. Mesmo a forma como ela canta é muito clássica. Ela aceitou logo o convite e adorou. Quando ela começou a cantar eu percebi imediatamente que era a voz certíssima para fazer isso e posso dizer que foi uma das grandes surpresas para nós, como banda, tê-la a cantar.

Como chegaram, dentro da música, ao aparecimento da voz da Rita. Quando é que tinha de aparecer?A ideia de colocar a voz dela é que arranjássemos uma canção que não caísse na atenção, que não fosse lenta a desenvolver… a ideia era que quando surgisse a voz dela surgisse assim um brilho que eu não conseguia de maneira nenhuma por, e que ela conseguia suportar a canção na sua parte mais pesada. E depois juntávamo-nos os dois no final, como a ideia clássica da canção diz… lembro-me muitas vezes de ter esta conversa com o Mário Barreiros, eu perguntava-lhe se ele achava que era demasiado colada à ideia clássica da canção e ele dizia-me que isso era um conceito que não existe, isto é uma canção bem feita, por isso vamos fazê-la assim. E foi uma maravilha! Por acaso lembro-me da primeira reacção que nós tivemos quando ouvimos a canção toda junta, porque nós gravamos depois de muitas partes, e foi incrível ouvirmos aquilo assim… conseguimos dar aquele ar muito perfeito, muito disney que é muito difícil de fazer, e quando ouvimos aquilo pela primeira vez, ficámos muito felizes, foi um momento muito bom.

Nota-se alguma dicotomia entre as canções melancólicas, mais calmas, quase sussurradas e depois com as canções mais afirmativas e rock. Porquê esta alternância?
Quando este disco começou a ser composto todas as canções que compunha estavam todas ligadas ao lado mais introspectivo. E isso começou-me claramente a irritar. Porque eu acho que o meu universo musical é um pouco mais largo que isso, e se no primeiro disco isso já acontecia, neste eu a certa altura que teria de ir mais longe do que anteriormente. Foi aí que surgiu o Cold Heart, é quando percebo que há uma série de coisas que ainda me faltam explorar para que este disco esteja terminado. A partir dessa música, todas as canções que surgem têm quase todas a palavra Heart incluído. Todas essas são agradáveis e são quase uma música só. É como o lado A e lado B de um vinil. O lado B é bem mais estranho.

Porquê o II nas músicas, na lista que aparece na parte de trás do album?O II que coloco em algumas músicas. Escrevo na parte de trás do álbum que não significa nada, é uma questão técnica, eu não posso por aqueles títulos porque eles já existem na Sociedade Portuguesa de Autores. E eu tive uma grande discussão na SPA, por causa deste problema, porque isto não tem lógica isto ser assim, mas não há solução, eles não me deixam registar aqueles títulos. E eu disse-lhes que não iria abrir mão destes títulos, como me pediram, e que ia colocar o número II, mas colocaria no disco que não significavam nada. Foi a maneira mais inteligente que consegui de combater o sistema, mas pelo menos ficaram os títulos que eu idealizei. Eles diziam… ponha mais palavras nos títulos – mas isso desvirtuava as músicas. Depois punha Cold Heart, mais qualquer coisa…
Por falar nisto, lembraste-me agora que, como vamos lançar o Hold Still como segundo single, eles [da editora] têm de colocar lá o dois… vou ter de os avisar quando acabarmos.

Mas na língua inglesa existem várias músicas com o mesmo título, e não se verificam esses problemas noutros países…
É verdade… em Portugal há um problema na lei, estas situações não estão regularizadas o que cria estas situações que não compreendo.


O fim do álbum termina com uma música em português Adeus Não Afastes os Teus Olhos dos Meus, que se destaca por completo. Como surgiu essa música no conceito do álbum?
Tinha essa canção escrita há algum tempo… O Adeus é uma daquelas canções que eu sabia que poderia ser enorme. Há canções que não se adequam a um estilo e ficam paradas, à espera de solução. E esta canção era uma dessas, que tinha já tudo, mas a canção não sobrevivia ao tempo que eu queria que ela durasse. Depois de fazer este disco, queria que ele fosse pequeno. Tinha 10 canções e comecei a ouvir canções antigas e cruzei-me de novo com esta e percebi que teria algum interesse acabar com uma canção que faz uma curva tão repentina no disco, por ser em português e muito diferente de tudo o resto. E quis pô-la porque queria fazer algo que fosse fora daquele espaço criado até ali. Tudo o que fiz no disco completo acabei por juntar nesta canção, desde o bater do relógio, que é muito mais lento do bater normal, havia várias ideias que foram todas colocados ao mesmo tempo nesta música, e isso agradava-me. De fazer 10 em 1. Uma música que fazia a soma de todas essas 10. é um música apoteótica.

Cinema e fotografia são áreas que também te fascinam, para além da música. Esperas entrar mais a sério nestas artes no futuro?
Se um dia tiver tempo. Os artistas que eu admiro em qualquer área, dedicam as suas vidas inteiras a essa área. E eu acho que é a única maneiro de o ser, se alguém quer fazer bem a sua arte, tem de dedicar-lhe o seu tempo e energia e dispersar-me, provavelmente iria fragilizar aquilo que eu fazia, e como sou muito perfeccionista nunca iria perdoar isso. Um dia, se tiver tempo, irei explorar essas áreas, por agora mantenho-me amador, e muito feliz, o amador é sempre o mais feliz de todos.

Bryan Adams não tem nada a ver com a tua música, mas tem a mesma paixão pela fotografia, conseguindo expor e fotografar já a nível profissional. Achas que um dia poderá conseguir conciliar?
Vou-te contar uma curiosidade sobre Bryan Adams. Ele tocou em Leiria em 2000. E ele tocou o dia anterior a nós, e fui ver o concerto e estive com ele. Não sou muito de conhecer artistas, mas estive lá na mesma sala em que ele estava, que eu fazia também parte da organização… achei que é uma pessoa muito simpática. Foram lá as miúdas todas conhecer o BA, estava tudo maluco com ele… e os Silence 4 tocaram no dia seguinte. Três dias depois fui a Londres, passar férias, onde tive 10 dias, e ao segundo dia que estive lá, passei pelo Palácio de Buckingham a tirar fotografias publicitárias ao palácio e lá com uma boneca… e eu lembro-me de comentar, o quão o mundo é pequeno. Há quatro/cinco dias atrás, estive com este rapaz na minha terra natal, e agora ele está aqui outra vez. Quais são as possibilidades disto acontecer… mas aconteceram. E ele admiro que ele se dedique a concertos e fotografias. Aliás, acho que nesta altura ele poderia fazer o que lhe apetecesse. A sensação que me dá é que é uma pessoa muito serena e que faz o que gosta. Faz a música que gosta, a fotografia que gosta, e sinto nele essa serenidade. Espero eu um dia ter a serenidade que ele tem daqui a uns anos… porque deve ser uma maravilha e ter tempo para os fazer.
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PERGUNTAS ALGUNS DIAS DEPOIS (feitas por e-mail) NA VÉSPERA DO CONCERTO NO CENTRO OLGA DO CADAVALQuais as expectativas para o primeiro concerto do novo disco, no Centro Olga do Cadaval?R: São muitas, há sempre muito stress e muita azáfama no primeiro concerto da digressão, mas existe também muita vontade de ver como é que estes temas resultam ao vivo. Depois de tantas semanas de ensaio, chega finalmente o dia em que se mostra todo o trabalho desenvolvido, o que acaba por ser um momento de muita alegria e de muito nervosismo.

O que irá ser diferente relativamente às digressões do primeiro álbum a solo? Irão haver surpresas?
R: Sempre que começo uma digressão, tento apresentar um espectáculo que tenha a ver com o meu presente estado de espírito e com o meu disco mais recente. Neste caso, este espectáculo marcará uma grande diferença em relação aos anteriores, por ter um nível cénico mais cuidado e por apresentar elementos nunca antes explorados por mim. Penso que é o espectáculo mais dinâmico que já fiz, mas as surpresas ficam para quem nos fôr visitar...

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músicos no album e concertos: Nuno Simões (baixo), Paulo Pereira (teclado e sintetizadores), Sérgio Nascimento (bateria), Ricardo Fiel (guitarra) e Rita (piano e voz).

Entrevista | Amy Adams

Saiu parte da entrevista no jornal Destak, em Fevereiro de 2009. Crítica ao incrível filme Dúvida aqui (inclui parte de entrevista ao realizador John Patrick Shanley).



Entrevista
«Fizemos Dúvida com um espírito de equipa impressionante»
Simpática e bem disposta, a actriz Amy Adams conseguiu a sua 2.ª nomeação para os Óscares com o brilhante filme Dúvida (estreou ontem em Portugal). Adams esteve à conversa com o Destak, em Londres, e revelou a forma como o filme de John Patrick Shanley a inspirou e contou a experiência de rodar com a lendária Meryl Streep, que até a ensinou a tricotar durante as rodagens.

João Tomé, em Londres

É sorridente e diz ter um espiríto aberto e positivo – bem contrário à personagem que interpreta neste filme. Amy Adams, já nomeada para os Óscares pelo filme Junebug (2005), é uma freira nos anos 60 que despoleta sem querer uma suspeita horrível, alimentada pela freira-chefe (Meryl Streep) neste Dúvida (ler crítica ao filme aqui). Amy está outra vez nomeada para Melhor Actriz Secundária.


Poderia ser freira?
Não (risos). Por causa da obediência. O voto de obediência. Eu questiono em demasia a autoridade e gosto de um bom debate.
Entramos em filmes já conhecendo o realizador. Não gosto de tirania. Mas sou uma boa trabalhadora e nos filmes procura-se uma

Quando uma actriz recebe uma primeira nomeação fica muito feliz, mas pela segunda vez costuma ser menos entusiasmante?
Não, continua a ser muito excitante até porque esta vez é bem diferente (a primeira foi por Junebug). Fizémos este filme com um espírito de equipa impressionante e ter esse reconhecimento, como equipa (Melhor Argumento e todos os actores estão nomeados), é fantástico.

Há um momento em que a irmã Aloysius fala da inocência da irmã James, como se prepara para uma inocência tão espectacular?
É uma função do argumento e uma necessidade da personagem e a forma como ela entra nesta história em particular. Requer que ela comece num estado de pureza para que possa tomar a sua viagem nesta história. Foi uma colaboração com o John (o realizador) e as outras personagens. Além disso falei com freiras, não pude falar com nenhuma assim tão nova e tão pouco “tocada” pelo mundo, mas ao falar com elas sobre como era o seu mundo em 1964 tornou a experiência da personagem muito diferente. Porque era uma geração muito diferente de mulheres americanas, antes da emancipação e eram criadas de forma muito diferente nessa altura. Ter analisado aquela época foi muito importante para mim.

Disse noutra entrevista que o hábito singular que as freiras usavam deu-lhe uma sensação completamente diferente de si própria, é assim?
Sem dúvida. Usar o mínimo de maquilhagem e usar aquele hábito… eu sou conhecida por ter este cabelo (ruivo), e colocá-lo tapado e não sentir o meu cabelo e a minha maquilhagem, não estar em roupa normal, foi muito revelador sobre mim própria. E aquelas boinas criam esta realidade fantástica de nós próprios. Só se colocarmos as mãos a tapar o cabelo já temos uma sensação diferente de nós. (risos).
Não se consegue ver nada de lado ou por cima e tem-se uma visão muito focalizada do mundo e isso ajudou a formar a minha personagem.

Quando esteve a falar com as freiras tentava perceber como elas falavam e como se comportavam?
Eu perguntava-lhes como seria um dia típico. O que fazia quando acordava… seguia-as no dia todo. Quantas vezes podiam ir a casa, se se envolviam com a comunidade e se a comunidade se envolvia com elas. E naquele tempo elas estavam muito isoladas. Os votos delas mantinham-nas como um grupo fechado. Para ela, desde que se inicia a suspeita que a afecta, não há por onde ela fugir. Não pode ir para casa. Não pode ligar a ninguém. É só ela e os seus próprios pensamentos. Poderia recorrer a Jesus, mas quando sentimos que fizemos algo de errado e deus não nos pode ajudar, e temos de viver com isso toda a nossa vida… isso é profundo.

Acredita em deus?
Sim.

Foi criada na religião mórmon, é verdade?
Até aos 11 anos sim. Mas já não pratico. A religião mórman deu-me valores morais muito sólidos. Partes da minha família ainda são muito fiéis há religião e têm sido muito importantes para a restante família em alturas de necessidade por isso estou muito grata.

A diferença entre a altura do filme e a actual é que uma é mais secular e talvez hoje as pessoas sintam falta de fé ou vivam sem deus… o que pensa?
Não sei se vivem sem deus, talvez a confiança na religião organizada tenha mudado. A maior parte das pessoas que conheço são muito espirituais, mesmo que tenham dúvidas ou suspeitem de igrejas organizadas, acho que as pessoas são espirituais e ainda acreditam em algo maior do que elas próprias.

O filme também fala de uma época em que há desconfianças de outras organizações que antes não eram postas em causa (é pós-Kennedy e Watergate)…
Acho que há sempre motivos para estar a questionar. Tivemos uma altura na América que tentámos reconstruir o país após a II Guerra Mundial, tentar repor o establishement e dar uma sensação de paz durante a crise de mísseis. Havia tanto a passar-se e a América estava a atravessar estes problemas e a ultrapassar uma época de maior ingenuidade para começar a ver as coisas mais de uma perspectiva global e mundial (acho que ainda estamos a aprender isso).

Qual a mensagem que retira deste filme, o que aprendeu com ele?
Há muitas coisas que aprendi. Acho que cada membro do público deste filme terá uma reacção diferente baseada na sua própria experiência de vida, pelo que viram. Acho que é esse o génio da realização do John, porque ele deixa muito para as pessoas pensarem. Ele acredita que este é o significado deste filme, deixar que as pessoas decidam por si próprias, deixá-la a ter as suas próprias dúvidas, deixá-las a terem conversas e a terem desentendimentos sobre grandes princípios de valores e ética, certo errado, dúvidas e certezas.
E para mim, há uma frase que me tocou e não tem nada a ver com o assunto do filme, mas é o que mais significado meu trouxe. É quando o Phillip diz à irmã James: “há pessoas que te dirão que a luz no teu coração é uma fraqueza, não acredites neles, é uma táctica de pessoas cruéis”. Lembra-me em manter a cabeça erguida em alturas difíceis. Há pessoas que me criticam por ser bem disposta, mas isso não é problema meu.

Foi para um filme em que existiam dois dos actores mais consagrados do nosso tempo. O que ia na sua cabeça nas gravações?
(risos) Felizmente tivemos três semanas de ensaios, por isso deixei a grandeza do Phillip e da Meryl adormecer durante esse tempo. Acho que a minha admiração por eles acabou por ser usada para a minha personagem, para que nunca me sentisse uma igual. Ele como pessoas tentaram fazer-me sentir bem e igual. Mas nunca tentei ter muita familiaridade com eles como personagem.

Sentiu pressão?
Claro. Coloco sempre bastante pressão em mim mesmo. Não interessa se é a Meryl Streep ou o Esquilo Invisível, eu exijo muito de mim mesma. Sem ofensa para a Meryl Streep, nem estou a comparar-me com ela. Eu queria ser uma boa colega de cena para ela, foi mais essa a minha preocupação, em oposição para o que as pessoas pensariam de mim ao lado da Meryl. A preocupação era mais sobre a cena, estarei a dar-lhe tudo o que ela precisa.

Ela dava indicações durante as cenas?
Não. Quando estamos numa cena ela trata-nos como um igual. Não nos diz o que fazer ou tentar dominar. É muito viva em todos os momentos e isso é uma das coisas maravilhosas nela. É muito viva e trata os adereços com a máxima realidade possível. O copo é um copo e não um adereço. Ela aceita tudo e reconhece tudo, nada é esquecido quando está no cenário.

Sentiu que estava elevar o seu “jogo” por estar a contracenar com ela e com o Phillip e a vê-los actuar?
Sim, porque são companheiros de cena tão importantes. Mas porque eles desempenham personagens tão fortes e com tanto carácter, tive de lembrar a mim mesma que esse não era o meu trabalho neste filme, ser como eles. Não houve um momento de libertação para a irmã James. Tudo o que ela atravessa é internamente e vai sendo exteriorizado, mas não há espaço para ela “explodir”. Por isso tive de me lembrar disso. Mesmo na cena em que ela responde à irmã Aloysius, quando fiz a primeira vez a cena eu gritei-lhe. Acho que tinha de tirar a frustração da cena, mas sentir que a minha personagem teria de manter tudo dentro, não podia explodir, não está na sua natureza. Há assim uma tensão e frustração enorme em que, mesmo que ela queira expandir-se, não lhe é permitido. É alguém que não tem uma voz, tanto como ser humano como freira.

Às vezes há esta crítica de que o cinema americano hoje falta este tipo de dimensão humana nos filmes, acha que um filme como este pode ser uma resposta?
Não sei bem, terá de perguntar ao John. Ele escreveu a peça numa altura da América em que tinhamos grandes certezas. Acho que ele achou isso assustador – ele conta bem melhor do que eu, vá se lá saber porquê é melhor com palavras do que eu – não sei se a escreveu como uma peça religiosa, utilizou-a apenas como a plataforma para uma ideia mais lata.

Diz-se que é a maior estrela em ascensão em Hollywood… A sério?
Como se sente com essa descrição?
É bom (risos). Mas é uma história tão antiga, é o sucesso de um dia para o outro que demorou 11 anos a chegar por isso faz-me sentir que ando a percorrer uma maratona mas só agora me apanharam a corrê-la. Por isso não sinto que esteja a chegar a uma meta, adoro o que posso fazer e estou muito grata, mas não sinto aquela sensação de “wow, o que aconteceu”. Tenho tido a sorte de ter tido sempre trabalho e poder viver como actriz. Tenho a minha cabeça nas nuvens, é certo, mas isso também vem da minha natureza e personalidade.

Sente-se humilde quando está numa sala cheia de miúdos que interpretam personagens precoces?
Sem dúvida. Eles foram muito divertidos com que trabalhar. Viu-os na antestreia e agora todos os rapazes já estão mais altos do que eu. Nada marca mais a passagem do tempo do que o crescimento de uma criança, sem dúvida. São incríveis, as crianças. E lembrou-me a importância que é o ensino e a responsabilidade que temos para com estas jovens vidas quando estão à nossa frente. Estou muito feliz por não ser professora, porque teria medo da responsabilidade do trabalho.

O que nos pode dizer da sequela de Noite no Museu?
O que querem saber? Faço de uma milionária que ganha vida na noite do Smithsonian e é alguém aventurosa que é a força para a personagem do Ben Stiller e está a tentar que ele aceite aventura na sua vida.

Há diferenças para si em acreditar para deus e estar envolvido numa igreja organizada?
Bem, para algumas pessoas não há, para outras guardam tudo para si. Ainda não encontrei o meu lar religioso… seria um grande alívio encontrar um grupo de pessoas com uma ideologia semelhante a nós, mesmo que não acreditemos em deus. (risos) vocês são…
Quando tenho conversas comigo própria, sim acredito. Acho que é importante pormos no mundo boas intenções, se não for para nós para os outros. É importante quando há grande sofrimento é bom que haja algo que nos dê conforto. Sentimos quando há uma energia quando entramos numa sala e penso que o mundo também tem isso. Mas não sei. Ninguém sabe. As pessoas acreditam e têm fé, mas ninguém sabe.

Ficou surpreendida com a sua performance quando viu o filme, visualmente e tecnicamente?
Fiquei surpreendida o quanto os meus olhos pareciam grandes sem maquilhagem, sem dúvida (risos), estou só a brincar. Quando vi o filme apenas vi a minha personagem como parte de uma história maior.

Não se associou tanto à sua interpretação mas mais com o filme?
Sim. Não posso ser objectiva sobre a minha interpretação. É difícil para todos os actores. Todas as experiências nos ensinam algo e por isso há coisas que gosto e outras que não gosto, e trabalho e cresço e estou agradecida de estar numa carreira neste momento que me permite fazer isso.

Houve algum momento em que pensou é impossível se ser tão inocente?
Acho que as pessoas me perguntem essa pergunta porque não aceitam que haja alguém assim tão inocente no mundo. E discordo com isso, especialmente naquele período. Não tínhamos a internet, não tínhamos acesso a informação. E ainda somos um pouco assim. Na América há pessoas que acreditam em coisas totalmente diferentes e se comportam de forma muito diferente mesmo dentro da mesma casa. Nunca pensei que ela nunca poderia ser assim tão inocente. Talvez não tivesse consciência das consequências da sua inocência, acho que é isso que ela aprende.

Acha que um filme fica mais connosco do que um como A Noite Num Museu?
Depende que idade temos. Porque um miúdo vai lembrar-se do Noite num Museu. Para mim, cada personagem, dependendo o que estamos a atravessar, será uma análise diferente de nós próprios… o que faço para cada personagem, sem dizer que é o mesmo processo, mas trato com o mesmo respeito. Mas com o Noite no Museu não posso sentar-me nessa descoberta. Posso fazer decisões sobre a personagem mas depois tenho de correr para ela e ser espampanante. Aqui tenho de me sentar e tentar absorver a personagem de uma forma muito diferente e o tom do filme é oposto…
Se fizesse agora a minha performance do Doubt e da Noite no Museu seria muito confuso.

Isso muda o ambiente do cenário? Os actores estão mais concentrados aqui para entrar naquele ambiente incrivelmente tenso que o filme tem?
Tenho de dizer que o Ben Stiller é o actor mais concentrado com que trabalhei. Ele é completamente concentrado. Cada um tem o seu processo. O Phillip aqui esteve muito isolado de nós. A Meryl e eu tivemos muito tempo juntas a tricotar e ela foi muito bondosa e ensinou-me tricotar. Estivemos muito tempo lado a lado como autênticas irmãs e sinto muito calor para com a Meryl e o Phillip estava muito mais concentrado, ia para o quarto dele e o processo dele era muito diferente do nosso. E respeito isso.

Há uma relação nisso, com o papel dos homens e mulheres no filme, que são mundos totalmente diferentes…
Para mim não procuro incorporar as características do meu papel quando estou a trabalhar nele, mas inevitavelmente acabo por assumi-las. Quando fui a irmã James tinha a necessidade de estar à volta de pessoas e ser amorosa com elas, e compreender como é ser-se ela numa forma singular.
A Meryl ensinou-se a tricotar. Nem comparo as minhas capacidades de tricotar com as dela (risos). Fiz um cachecol, só consigo tricotar em linha recta… mas fiquei orgulhosa disso.

Este filme mudou a sua visão da igreja católica?
Não. A Igreja católica era o cenário e não a história. Aliás, até me fez querer ir a uma missa católica, pareceu-me uma cerimónia ritualista muito bonita. Gostei dessa tradição que ainda tem.



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ENTREVISTA (versão reduzida) à actriz Viola Davis, sobre o mesmo filme, Dúvida

Viola Davis já ganhou um Tony (prémio de teatro) e os seus 12 minutos no muito intenso filme Dúvida, onde confronta Meryl Streep numa sequência brilhante, valeram-lhe uma nomeação de Actriz Secundária nos Óscares - a última pessoa a ganhar com tão pouco tempo foi Judi Dench, em 1998. Viola contou-nos, em Londres, a preparação de uma personagem muito complexa.