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o mágico portuense a 'dar cartas' nos país do Tio Sam

Reportagem para a revista Sábado sobre o mágico português 'a dar cartas' no Estados Unidos, Hélder Guimarães. Publicado na edição de 12 de dezembro de 2013. 

(versão completa aqui)










curso de vela

Reportagem para o Lisbon Golden Guide. 2009.



VELA
BMW traz competição e academia para Portugal
A BMW, marca onde o prazer de condução é o principal estandarte, trouxe para Portugal uma das suas actividades desportivas mais aliciantes vocacionada para o público em geral e com descontos para os clientes BMW.

Na vertente de competição a BMW Sailing Cup, prova para amadores disputada em Beneteau First Class 7,5, chega agora ao nosso país. No total são três etapas, duas eliminatórias regionais já disputadas, uma final nacional (será em Tróia de 9 a 11 de Outubro) e uma final internacional.
Vocacionada para o público em geral e para clientes BMW, a escola de vela BMW Sailing Academy tem como objectivo ensinar e aperfeiçoar a prática do desporto da vela, bem como o desenvolvimento de técnicas de competição.

A escola foi criada em parceria com a escola de vela Terra Incógnita e vai dispor de cursos para adultos em vários níveis (iniciação, aperfeiçoamento, pré-competição, competição, match racing e escola de navegação), nos quais os clientes da marca bávara terão condições especiais. A BMW Sailing Academy tem ao seu dispor quatro veleiros Beneteau First Class 7,5. Com excepção das clínicas de Match Racing, todos os cursos têm a duração de oitos sessões (8 dias) de quatro horas cada.

Aventura ao sabor do vento
Na apresentação desta iniciativa tivemos direito a uma aula de iniciação em pleno rio Tejo, com o Padrão dos Descobrimentos e a Ponte 25 de Abril à vista, que se revelou entusiasmante. A vela, como muitos outros desportos, requer instinto, prática, experiência e, neste caso, vontade de competir.
A combinação entre ondas, ventos, velas e leme torna a experiência de velejar – movidos apenas com a força do vento – uma verdadeira aventura, de contornos tão imprevisíveis quanto divertidos e aliciantes. Não falta, portanto, adrenalina e vontade de aprender mais para que a viagem marítima seja o mais rápida e divertida possível.

Tal como muitos desportos com vertente competitiva, a vela torna-se facilmente um bom vício para aprofundar e experimentar mais do que uma vez após ter-se tomado o gosto a navegar ao sabor da natureza, neste caso do vento.

FICHA
Escola de vela
Curso de iniciação; Curso de Aperfeiçoamento e Curso de Pré-competição: 250 euros (175 euros*) cada curso
Escola de Navegação
Curso de Carta de Marinheiro: 380 euros (266 euros*)
Curso de Carta de Patrão Local: 570 euros (470 euros*)
Curso de Carta de Patrão de Costa: 695 euros (485 euros*)
* para clientes BMW
Inscrições: 21 302 15 88; bmw-sailing@atrportugal.com
Local: Doca do Bom Sucesso, Ed. Vela Latina, Lisboa.

Road Trip: costa alentejana

Para o jornal Mundo Universitário Sénior. Março 2011.
Texto escrito para um público mais velho.



Do “safari” à Ilha do Pessegueiro
E porque fazer um belo e variado passeio não nos tem de levar para muito longe, propomos uma viagem de carro pelos encantos da vista e do paladar da costa alentejana. Do Badoca Park à Zambujeira do Mar.

João Tomé

A costa alentejana pode não ter o movimento nem a quantidade de praias que encontramos no Algarve, mas tem mais sossego e permite ter uma experiência variada entre gastronomia, paisagem e até história. Para um fim-de-semana em família ou apenas a dois, a simplicidade alentejana oferece conforto e tranquilidade necessárias para “recarregar” as baterias.
Se Alcácer do Sal, Tróia ou a Comporta têm o seu encanto, começamos esta viagem pela zona alentejana de Santiago do Cacém, a 140 km e 1h30 de carro de Lisboa. Existem várias opções de turismo rural, especialidade alentejana, na zona. Escolhemos o agradável e confortável hotel rural Monte Lezíria, com um ambiente familiar e repleto de natureza, onde não falta espaço e proximidade de praia (Lagoa de Santo André) e do Badoca Safari Park.
Com o “quartel-general” montado, é possível escolher os planos para um fim-de-semana cheio de boas experiências. Não faltam desportos aquáticos, radicais ou percursos de BTT, equestres e pedestres, mas escolhemos a visita ao Badoca.


Um safari à portuguesa
Entre Santiago do Cacém e Sines e a poucos kms do hotel escolhido, o Badoca Safari Park é único em Portugal, oferecendo uma variedade de experiências cativante para toda a família. Com uma entrada digna do Jurassic Park, as atracções permitem passar um dia inteiro entretido. Dentro das dezenas de animais presentes, é possível interagir com os Lémures e passar pela Floresta Tropical, onde não faltam aves exóticas de beleza rara.
Mas a coqueluche do Badoca é mesmo o Safari Aventura. Um tractor puxa várias carruagens por uma viagem pelo continente africano, sem sair de Portugal. O percurso de uma hora junta em 45 hectares vários animais selvagens em liberdade (só os tigres estão numa grande jaula), tendo sempre um guia a fornecer dados curiosos.

Girafas, orixes, zebras, búfalos, elandes, gnus, entre outros, fazem parte do safari. No entanto, os que mais gostam de interagir são as avestruzes. O safari pára para elas se aproximarem das carruagens. Às vezes pregam sustos, mas estas aves altas são dóceis e gostam de festas. Convém não perder as Ilhas do Primatas, o Trampolim Familiar e o Rafting Africano, que promete ser viciante para as crianças – anda-se de barco pneumático (cada um leva nove pessoas) por 500 metros de águas turbulentas.
E porque a costa alentejana é rica em boas paisagens e excelente para passear, vir por aí abaixo, junto às praias, promete valer a pena. Passar por Vila Nova de Milfontes e terminar a viagem na Zambujeira do Mar, sem concertos, vai ser bom para a vista e para o coração. Pelo caminho não faltam boas praias e bons sítios para comer. Na Zambujeira é possível fazer as duas coisas na pacata e alegre vila alentejana.

Sabores alentejanos
E porque tanta aventura faz despertar a fome, não faltam boas opções na zona para descobrir ou redescobrir a gastronomia alentejana. Bem perto do Badoca, inserido no Centro Equestre de Santo André, fica o restaurante Monte Velho, onde há muita variedade mas a especialidade é carnes de porco preto, ou o peixe fresco.
Já na Praia de Morgavel em São Torpes e com uma vista incrível para a Costa Vicentina, o restaurante Arte & Sal aposta no ambiente calmo e na comida típica. Não falta o peixe fresco e nas carnes a picanha fatiada ou grelha de porco preto. Conta também com uma extensa garrafeira para provar os melhores vinhos do Alentejo.

Ilha do Pessegueiro
A música escrita por Carlos Tê e cantada por Rui Veloso, Porto Côvo, imortalizou a pequena e peculilar vila piscatória (que não fica longe do Badoca), bem como a ilha do Pessegueiro, que fica bem perto. A verdade é para além de uma visita à bonita e muito cuidada vila, compensa dar alguns euros e ir num dos barcos disponíveis à ilha do Pessegueiro, com um guia. Assim, é possível conhecer que a letra de Carlos Tê não estava propriamente correcta, quando dizia que “Havia um pessegueiro na ilha, plantado por um Vizir de Odemira”.
Porto Côvo.
Ouvir as estórias e ver os vestígios dos romanos, que criaram por lá um centro pesqueiro (que dá nome à ilha), ou do Forte que serviu para tentar contrariar as invasões francesas é uma experiência a ter em conta.

Road Trip pelo Norte de autocaravana

Reportagem sobre autocaravanismo para o Destak Verão.

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Viajar de autocaravana
Verão de casa às costas
Autocaravanismo pode não ser para todos e pode não ser o modo de fazer férias mais barato, mas é entusiasmante, com um ritmo muito próprio, uma independência única e argumentos de peso para a família. Andámos num périplo pelo Norte do país, por entre paisagens belas (dá para escolher onde acordar), sabores especiais e… incêndios.

João Tomé




O mundo do autocaravanismo (um veículo adaptado de forma a ser também casa) ou do caravanismo (uma roulote presa a um automóvel) simboliza um desejo antigo do ser humano: andar com a casa às costas. Se nos tempos dos nossos antepassados mais longínquos isso significava levar o corpo e umas roupas, com o passar do tempo foram aumentando os utensílios e o desejo de conforto. Mais do que fazer umas férias com a casa às costas, o caravanismo leva-nos por um desejo antigo de independência que contraria o estilo de férias em casas alugadas e hotéis. Não há horários e pode-se alterar os planos ou o sítio onde se dorme ao sabor do momento.

Itinerário curto pelo Minho
Três noites e três dias pelo Minho era o objectivo traçado para experimentar esse modo de férias, partindo do Porto. O primeiro contacto com a autocaravana é de aprendizagem. Fica-se a saber como tratar dela, ligá-la à electricidade quando parados (em andamento vai carregando automaticamente, alimentando inclusive o frigorífico), como despejar os resíduos (desde os da sanita aos do banho ou do lava-loiças). Parece complicado, mas com a prática torna-se fácil. O aluguer em época alta tem um preço elevado (ronda os 170 ou 180 euros por dia e pode levar quatro pessoas).

O 1º destino foi o Gerês. Com o parque de campismo da Cerdeira cheio, passámos para a opção B, o de Entre Ambos os Rios e ainda bem que o fizemos, já que nessa 1ª noite o da Cerdeira teve de ser evacuado pelos incêndios… os autocaravanistas foram os que se “safaram” melhor. Com uma vista deslumbrante e no meio da natureza, cedo vimos a solidariedade de dicas e mantimentos entre autocaravanistas.

Dentro da casa sobre rodas é possível ter luxos como carregar telemóveis, tomar duche, descansar protegido de mosquitos, dormir e partir sempre que queiramos sem perder tempo.
Uma regra imprescindível que conhecemos da pior maneira: convém fazer tudo para deixar a autocaravana direita, para que o sono tenha mais qualidade (existem apoios para as rodas que podem ser de plástico ou mesmo pedras). Incrível é acordar com vista para o rio Tamente – podemos escolher a vista com que acordamos.

Passeios a pé pelas aldeias (como Froufe) ou pelos trilhos do Gerês, banhos nos muitos riachos da serra, visita ao Lindoso com o castelo e os seus espantosos, antigos e belos espigueiros em granito (para secagem de cereais). Coisas que fizemos e que terminaram com um muito saboroso e barato almoço (abaixo dos 10 euros por pessoa), pela localidade minhota.



Viana, Braga, Guimarães e Penha... num dia
De saída para Viana do Castelo com a casa às costas, deu para parar numa estação de serviço para um lanche e um pequeno descanso e para enfrentar uma dura realidade: os incêndios. A auto-estrada estava cortada e antes de chegar a Viana vimos uma população em apuros com casas em sério risco e um manto de cinza e fumo negro a inundar o ar – ainda sem a ajuda de bombeiros. Um cenário assustador e preocupante. Depois de estacionar num parque de Viana do Castelo, deu para passear e experienciar a cidade, inclusive a vista do Santuário de Santa Luzia e saborear os excelentes Jesuítas (bolo regional).

A noite foi passada junto à praia, em Darque perto de outros caravanistas: franceses, espanhóis, alemães, holandeses e portugueses. Existe pouco espaço para espreguiçar ou tomar banho, mas faz parte da experiência que fomenta as conversas entre amigos e familiares, a troca de experiências e menos o telemóvel, internet ou mesmo televisão (embora se possa ter tudo isto à mesma).

Sem planos, decidimos espreitar Barcelos a caminho de Braga e recolher mais uma lição: não se deve entrar nos centros históricos, mais vale deixar a autocaravana num parque e andar mais um pouco. Perdemos uns 10 minutos para passar por uma rua estreita onde havia automóveis mal estacionados. Já em Braga, uma visita ao novo Estádio da Pedreira permite um lanche descansado e com vista, antes de conhecer o mítico Bom Jesus, onde não faltava um parque repleto de colegas autocaravanistas.

Depois de almoço passagem por Guimarães e a melhor decisão da viagem: em vez de ir para o Parque Biológico de Gaia, mais distante, ficámos num belo e barato parque de campismo da zona, o da Penha – com piscina, internet e vista sobre toda a cidade. O caminho até ao cume da serra não foi fácil, mas os bons petiscos, a beleza natural e o por do sol valeu a pena. Uma viagem curta mas repleta de experiências e convívio graças a um modo diferente de passear.

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A Saber

Os preparativos
Vassoura, mesa montável, cadeiras para um piquenique ao ar livre por baixo do toldo (embora a caravana também tenha mesa e cadeiras no seu interior) e depois quem quer pode levar microondas (já existe fogão), ou outros acrescentos da preferência de cada um.

O aluguer (ou compra)
A compra de uma caravana ou autocaravana nova pode oscilar entre os 9 mil e os 75 mil euros, dependendo do luxo e do tamanho. Existem em segunda mão desde os três mil euros. O aluguer para quatro pessoas oscila entre os 70 euros por noite e os 180, dependendo da época do aluguer.

Os sítios onde ficar
Existem áreas de serviço de óptima qualidade e parques de estacionamento que permitem a pernoita da caravanas, inclusive alguns com vista para a praia – o Alentejo tem muitos deste tipo. Os parques de campismo são uma das opção mais seguras e com extras, como piscina ou internet wifi (paga-se uma média de 10 euros por noite por autocaravana).

O andamento em estrada
É um veículo grande, mas não é preciso carta especial. O tamanho obriga a ter atenção às indicações sobre limites de altura, a não pensar em parques subterrâneos e a viajar com a calma que as férias merecem – nada de movimentos bruscos. O consumo é mais elevado do que um automóvel mas conduzindo devagar a diferença não é muita. Entrar nas zonas históricas não é aconselhável e há que ter nos retrovisores bons amigos.

reportagem

Reportagem em Itália
'Milano' invadida por tiffosi para o grande embate
O dia 3 da nossa viagem por Milão é o dia do grande embate. A cidade esqueceu o Carnaval (cá só é comemorado no sábado) e vestiu-se hoje de manhã de preto e azul para apoiar o Inter no jogo frente ao Man. United desta noite (19h45). Contamos o que vimos e o que ouvimos.

João Tomé, em Milão

O típico adepto do Internazionale di Milano tem cachecol (de preferência um exemplar feito de propósito para o jogo que vai assistir), gorro com riscas pretas e azuis (até porque o frio aperta – hoje de manhã a temperatura era de 1 grau) e uma bandeira a “forrar” as costas. Na verdade, nos últimos dias parecia pouco provável o que alguns milaneses nos diziam, que o Inter tem tantos adeptos quanto o Milan.

Hoje, no nosso passeio por Milão de bicicleta (meio de transporte por excelência para os italianos), constatámos que parece ser verdade. Muitos vêm de fora da cidade, mas outros são verdadeiros milaneses. Certo é que pelas 11h da manhã a praça central da cidade, Il Duomo, estava ocupada por centenas de adeptos do Inter, todos vestidos a rigor e em preparação para o grande jogo desta noite, que opõe o Inter ao Man. United. Não faltam ainda por toda a cidade vendedores ambulantes com bandeiras e cachecóis feitos propositadamente para “il grande gioco”, como dizem os italianos, ou “the epic clash [o embate épica]”, como dizem os ingleses que encontramos.

Confusão pode trazer violência
O grosso dos 6500 adeptos ingleses (apenas 4 mil têm bilhete para o jogo) esperados em Milão ainda não chegou. Stuart, nascido e criado em Manchester, disse-nos em plena praça Il Duomo que “a maior parte dos nossos 'holligans' só chega mais em cima do jogo”. É de esperar confrontos? “É bem possível, a euforia pode descambar, mas espero que não”, vaticinou.

Já Carlo, um jovem italiano que é taxista na cidade da moda, não tem dúvidas: “vamos ganhar 5-0, 5-0”, diz com sorriso brincalhão. Sobre José Mourinho “é um técnico ‘bravíssimo’, de que todos os adeptos do Inter gostam”, já relativamente a outro português do plantel, Luís Figo, “já está velho demais e não corre tanto como o Zanetti, que parece um jovem”. O tiffosi desde o berço do Inter tem ainda opinião sobre Quaresma: “Um falhanço! Como é possível ter feito todos os jogos em que participou tão miseráveis? O Mourinho fez bem em emprestá-lo”.

Se há característica comum nestes italianos tiffosi é que têm opinião sobre tudo. Basta dizer a palavra Calcio para ouvir as várias opiniões que têm sobre o futebol, particularmente o seu clube.

Ingleses em ebulição com "o grande embate"
Na cidade milanesa, a enorme falange de jornalistas ingleses entra em autêntica contagem decrescente para o jogo. A Sky News e a BBC não se cansam de falar no reencontro entre Mourinho e “Fergie” (Alex Ferguson), cuja história é claramente desfavorável para “Sir Alex”, considerando a eliminatória um “embate para recordar”. Outra referência pomposa foi a presença de David Beckham, que foi apoiar o seu antigo clube ao treino a San Siro, reencontrando-se com Ferguson e cumprimentando mesmo Cristiano Ronaldo.
Em breve partimos para San Siro.

Reportagem em Itália, outros textos:

Artigo 1 - Milão, entre a moda e o Calcio

Artigo 2 - Falámos com Mourinho, mas pouco

Entrevista a James Cooper, um dos repórteres mais famosos da cadeia inglesa Sky Sports, após a conferência de imprensa de José Mourinho

Entrevista exclusiva a Nani em Milão - 1 comentário

Crónica Inter-Manchester via Milão

conversa

Escrito a 25 de Fevereiro de 2009.


Conversa com Nani em Milão

João Tomé, em Milão

Em pleno San Siro, depois de um jogo intenso da Champions que terminou empatado a zero entre Inter e Manchester United, o Destak conseguiu ser o único meio de comunicação a falar com o português com Nani, na preenchida (de jornalistas ingleses, italianos, chineses, e até portugueses) zona mista do estádio milanês.

O extremo português do United não jogou no embate de terça-feira, mas não deixou de enfatizar que ficou espantado com «o ambiente infernal e incrível de San Siro», disse.

Ainda assim, acredita que poderá ajudar a equipa na segunda-mão, em Old Trafford, onde já só poderá haver um vencedor e «serão necessários mais para atacar ou contra-atacar».

Com 22 anos e muito vontade de mostrar o que tem para dar, Nani explicou-nos que tem «trabalhado para ser titular com maior regularidade», e que até está em boa forma. Sempre que tem sido chamado por Alex Ferguson, o jovem garante que tem «jogado bem» e que o treinador «sabe bem o meu valor.»

O internacional português falou ainda na Selecção: «Gostava de poder ajudar frente à Suécia. Vai ser um jogo difícil, o Ibrahimovic vai estar do outro lado e temos mesmo de vencer. Seria bom poder ser eu a dar uma vitória a Portugal, mas o importante é mesmo ganhar e ir ao Mundial.»

Com os jornalistas ingleses, da BBC, The Guardian, Daily Express, como meros espectadores, sem perceber as palavras do jogador em português, a conversa teve de terminar, por imposição da assessora do United.

apontamento de reportagem

Escrito em 25 de Fevereiro de 2009, com o objectivo mais no ambiente no que no jogo.

Emoções do Inter-Manchester via Milão
O Destak foi ver a «final antecipada» da Liga dos Campeões a Milão e relata-lhe aqui, in loco, o ambiente vivido no estádio.

João Tomé, em Milão

San Siro é como o antigo Estádio da Luz, só que maior e mais imponente. Os italianos chamam-lhe La Scala (mítica sala de ópera) do calcio, e com razão. Não faltam cânticos tão inspiradores como a ópera, a acústica é impressionante e ideal para um estádio lotado para uma grande festa do futebol.

Os saltos das claques fazem os vários anéis tremerem, proporcionando um "terramoto" de emoções. Palavras não chegam para descrever o coro épico e estrondoso de 80 mil gargantas que não param desde o início do hino da Champions até ao apito final. Nervosismo. Adrelina. Ritmo cardíaco elevado não faltam nas reacções explosivas dos tiffosi a cada jogada. O frio de um grau é esquecido e o corpo aquece com o calor humano.

No terreno de jogo, Mourinho colocou os dois centrais mais altos disponíveis (Chivu e Rivas), continuando no habitual 4x4x2. Ferguson mudou e também apresentou um 4x4x2. O United foi o grande protagonista da primeira parte - Ronaldo esteve perto de marcar. O Inter demorou a ganhar tranquilidade na defesa e respondeu com seis remates pouco perigosos. O primeiro tempo terminou com o estádio em exaltação completa, quando o árbitro deu amarelo ao suplente Toldo por protestos.

A segunda parte começou com uma correcção de Mourinho, ao substituir o trapalhão Rivas, pelo rápido e mais baixo Córdoba. E o Inter renasceu. Adriano esteve perto do golo por duas vezes e os nerazzurri reclamaram penálti. O perigo também rondou a baliza do Inter em jogadas de Ronaldo e Giggs. Impacientes com as demoras do United, os tiffosi milaneses foram para casa com a mesma esperança que os 4 mil ingleses, tal como Mourinho previu.

antevisão

Escrito a 10 de Março de 2009.



Pirata Mourinho vs. Veterano Ferguson
Na véspera da segunda-mão uma das eliminatórias mais aguardadas dos últimos tempos, entre Inter de Milão e Manchester United, o Destak traça um cenário naval para o embate entre José Mourinho e Alex Ferguson, capitão pirata e capitão veterano.

João Tomé

O ambiente em torno de uma eliminatória como a que opõe os italianos do Inter de Milão aos ingleses do Manchester United é simplesmente contagiante e inspirador, como poucas coisas o são na sociedade actual. Na história da vida humana vários foram os momentos inspiradores para nações, povos, ou meros grupos de homens que ficaram na memória das massas, ou por serem histórias tocantes, batalhas magnânimes, ou acordos históricos.

Hoje em dia é comum falar-se numa realidade com menos motivos de verdadeira inspiração, em que os cidadãos estão mais alheados do seu papel enquanto tal. É nesse contexto que existe e continua a crescer o desporto-rei, o futebol. Um simples jogo de entretenimento mas que aglomera todas essas paixões e inspirações que já não são tão manifestadas na política ou nas batalhas de outrora.

Português vs. escocês
Não é de estranhar, assim, que uma partida de futebol no Velho Continente, na chamada Liga dos Campeões tenha tantos motivos de interesse e de exaltação como aqueles que verificámos em Milão, há duas semanas atrás, e que tem a sua batalha (etapa) final agendada para amanhã à noite, em Manchester.

No topo deste confronto, cuja paixão vai bem para além de Itália e Inglaterra, estão dois líderes natos, o escocês Alex Ferguson e o português José Mourinho. Tal como nos momentos inspiradores da história humana (sejam eles sanguinários ou não) têm sempre de existir heróis e, no fim, só poderá haver um vencedor.

Só amanhã se saberá quem se conseguiu manter à tona da água e quem naufragou. Certo é que o veterano escocês e o ambicioso português são capitães de dois navios com estilos diferentes, mas repletos de artilharia pesada que estará pronta para disparar no encontro decisivo, depois do empate sem “mossas” (golos) da primeira parte da batalha.

O português é o capitão pirata, ambicioso e sedento de ouro (títulos), jovem e rebelde. O escocês é o capitão da experiência, que procura impor os seus pergaminhos depois de ter sido surpreendido há cinco anos atrás, neste mesmo lugar, Old Trafford, e nesta mesma prova pelo jovem pirata.

Na altura o jovem capitão tinha um navio (FC Porto) com menos artilharia, mas mais organização mecânica. A vitória foi saboreada nos últimos instantes da batalha, num golpe fatal de um dos bucaneiros menos prováveis, chamado Costinha.

Os bucaneiros Ibra e Cris
Zlatan Ibrahimovic e Cristiano Ronaldo são os nomes dos homens de quem mais se espera resultados no Teatro dos Sonhos de Old Trafford. Como talentosos, ambiciosos e determinados bucaneiros que são, é no sueco e no português que estarão todos os olhos no início da partida que estará dependente de detalhes ou até de heróis improváveis, e pode durar mais do que 120 minutos.

A “embarcação” United já poderá contar com o imponente defensor sérvio Vidic, que estará ao lado do destemido inglês Rio Ferdinand – ambos bucaneiros bem altos e importantes nos arremessos de longo alcance (lances de bola parada).

Do lado da “embarcação” Inter, de Milão, existem problemas com lesões nos flancos defensivos. O capitão Mourinho deve apostar no argentino recuperado à última da hora, Samuel, e no colombiano de baixa estatura Ivan Córdoba.

Garrafa de vinho sela a batalha
Será uma batalha de titãs, entre capitães que se conhecem muito bem. Apesar do capitão pirata José Mourinho ter um historial francamente positivo nos confrontos directos (nos tempos que comandava os portuenses do FC Porto e os ingleses do Chelsea) frente ao escocês Ferguson, tudo pode acontecer num jogo em que «quem gerir melhor a pressão, ganha», segundo vaticinou hoje o capitão pirata.

A culminar um saboroso embate europeu, estará uma garrafa de vinho que o capitão português e o capitão escocês irão partilhar no final da batalha.


Artigos da reportagem por Milão para o Inter-Manchester United:

Artigo 1: Milão, entre a moda e o Calcio

Artigo 2: Falámos com Mourinho... mas pouco

Artigo 3: 'Milano' invadida por tiffosi para o grande embate

Artigo 4: Entrevista na zona mista a Nani

Artigo 5: Mourinho é sempre o último a fechar a porta

Crónica ao ambiente do jogo Inter-Man. United

Entrevista a James Cooper, jornalista da Sky Sports

Teste no TV Turbo



Filmado na Quinta da Marinha e Cabo da Roca, 2 de Outubro 2009.
Operador de câmara: Pedro Lopes
Editor: Tito
Produtora: Sandra Lourenço

Áudio - Teatro


“Alma” em Lisboa
[Peça radiofónica feita para a TSF em Setembro de 2003, a propósito de uma peça teatral. O som em tom rápido devido a ter sido necessário cortar na reportagem para que pudesse passar num dos jornais da TSF, visto que o programa cultural de Verão onde se enquadrava já tinha terminado. Fica de seguida o texto de entrada para o "som".]

"A megaprodução austríaca “Alma”, estreou no dia 12 de Setembro em Lisboa, e é descrita como uma peça insólita, como nunca ninguém viu em Portugal. Mais do que uma peça, é um polidrama, porque decorre em vários espaços e em simultâneo.
A austríaca que é retratada, notabilizou-se por ter como amante, o pintor, Oskar Kokoschka e como maridos: Gustav Mahler, compositor; o arquitecto e fundador do "Bauhaus”, Walter Gropius; e o poeta Franz Werfel.
O elenco conta como protagonista Simone de Oliveira, mas muitos dos actores são estrangeiros.
Esta actuação, que dura 3 horas e 15 minutos e é falada em inglês, português e francês, tem também a particularidade de ser o último espectáculo no Convento dos Inglesinhos (do século dezassete). Uma última oportunidade de ser visitado pelo público, isto porque vai ser transformado em apartamentos de luxo pela actual proprietária, Amorim Imobiliária.
O jornalista João Tomé faz um relato desta “viagem teatral” ao mundo de Alma Mahler-Werfel.
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Áudio - Óbito Edward Teller


Criador da Bomba H morreu na Califórnia aos 95
Reportagem sobre a morte do “pai” da bomba mais explosiva alguma vez produzida pelo homem. Consegui algumas palavras de uma responsável do laboratório onde trabalhava Edward Teller - permitindo-me fazer uma pequena peça sobre o assunto, que teve de ser feita em poucos minutos.
Foi Teller o principal responsável pela criação e desenvolvimento da bomba de Hidrogénio. O cientista morreu na Califórnia aos 95 anos, a 9 de Setembro de 2003 (embora só tivesse sido divulgado no dia seguinte), na sequência de um ataque cardíaco. Teller desempenhou um papel chave, na política de defesa e de energia dos Estados Unidos desde os anos 40.


Áudio - Euro 2004

PSP aperfeiçoa sistema de segurança para o Euro 2004

Sai em reportagem para a redacção geral e cheguei à TSF com uma notícia para o desporto que dava uma peça. Gostaram da voz, da pela, e passaram em antena. A história, antes do Euro 2004 era sobre o seguinte:
A PSP vai contar, durante o Euro 2004, com um sistema estratégico, que vai permitir uma melhor operacionalidade. O sistema estratégico de informação, gestão e controlo operacional, designado também por SEI, é o mecanismo que vai permitir uma melhor resposta.


mr. adams goes to maxime

Mini-concerto a 7 de Março de 2008. Parte da reportagem saiu no jornal Destak.





Bryan Adams "a pedido" no Maxime
Um homem louro de baixa estatura e aspecto franzino, com mãos de guitarrista (dedos longos e pulsos fortes), entra num mini-palco com uma viola e uma harmónica. Poderia tratar-se de um qualquer espectáculo a solo e ao vivo num pub da capital portuguesa. Mas não. O músico, letrista e fotógrafo Bryan Adams apresentou assim, a cerca de 350 fãs, convidados e jornalistas três músicas do seu novo álbum, misturadas por entre canções antigas e expressamente pedidas pelos fãs fervorosos e de todas as idades que estiveram no Maxime.
Enquanto começava o mini-concerto acústico e original em plena Praça da Alegria, lá fora começava no centro lisboeta a azáfama da hora de ponta, já que o espectáculo foi à tarde, entre as 17h15 e as 18h - mais uma peculiaridade da iniciativa promovida pela discográfica de Adams e apimentada com as sugestões do rocker canadiano que viveu cinco anos da sua infância perto de Cascais.



Brincalhão e disponível
Com o habitual estilo descontraído e jovem, de quem tem 18 ‘till I die (música pedida pelos fãs e tocada por Adams), o cantor entrou bem-disposto e brincalhão com as habituais calças de ganga e uma sweat shirt preta. “Vocês não vão a bares strip, pois não?” Perguntou aos fãs brincando com a história do Maxime, acrescentando ainda “em Portugal não há bares de strip”.
Com o público entusiasta a menos de um metro de distância, sem barreiras e num pequeno palco com 10 centímetros de altura, Adams confiou na boa vontade e bom senso dos fãs e deu-se bem. Falou um pouco em português, entrou em diálogo com vários membros do público, quase todos eles com máquinas fotográficas cujos flashes disparavam avidamente e perguntou várias vezes: “O que é querem ouvir?” Depois de dezenas de respostas que iam de músicas pouco conhecidas de álbuns de 1983 até ao recente Room Service, Adams ia escolhendo aquilo que conseguia tocar sozinho, com a viola acústica e harmónica. “Não ensaiei nada”, admitiu o cantor da voz roca, que mostrou estar em boa forma e continuar perito em cantar ao vivo. Sempre com uma resposta divertida para os fãs, sugeriu que um deles lhe começasse a fazer a setlist dos concertos e precisou da ajuda de folhas para as músicas do novo álbum.





Público cantor
“Hoje nem preciso de cantar”, brincou o cantor que das 11 músicas tocadas, que passaram pelo mexido Can’t Stop this Thing We Started, pelo inevitável Summer of 69 ou por Heaven, apenas houve duas em que o público não conseguiu acompanhar Adams em todas as partes das letras. Foram tocadas três músicas do novo álbum, duas que ninguém conhecia ainda (o álbum ainda não saiu) e uma, o single, que já a sala tinha ouvido no site oficial.
O músico pediu ainda para não o filmarem. Porquê? “Não quero ir parar ao Youtube”, brincou. No final pediu desculpa pela brevidade da “promo” (concerto de promoção) de 45 minutos, que tinha de terminar à 11.ª canção, e prometeu que volta a Portugal para um concerto em Dezembro.
“Foi uma oportunidade incrível e única de conviver com ele, pedir-lhe músicas e ouvi-lo num registo muito íntimo... só mesmo o BA para alinhar numa coisa destas”, disse Carlos, engenheiro de 33 anos e fã desde 1986.
Já Hélder e Patrícia, irmãos gémeos de 13 anos, tiveram pena de não terem conseguido ver o ídolo de perto. Sorte diferente teve Carla, 27 anos e fã desde os 10, que ficou “a escassos centímetros dele e vibrou quando ele veio tocar coladinho a mim”. O casal Jorge e Ana, com quase 40 anos veio ver “mais um concerto” do ídolo número um de Jorge, desde os anos 80. Um público heterogéneo que contou ainda com os músicos portugueses Tiago Bettencourt (Toranja) e João Pedro Pais.
Concerto terminado, houve tempo para fãs antigos e conhecidos muitos deles apenas pela Internet, se encontrarem e porem a conversa em dia num Maxime mais vazio e que oferecia bolos, pastéis e bebidas aos 350 sortudos que “nem sequer tiveram pagaram para ver BA”, como disse João, de 26 anos e fã desde 1990. “Em Dezembro há mais já com o Mickey Curry e o Keith Scott (a banda de Adams).”




Texto e fotos: João Tomé



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Curiosidades
11 álbuns, 11 canções, 11 concertos em 11 países em 11 dias
A "jóia da Europa", como Adams apelidou Lisboa logo no início da apresentação "tinha de ser" o ponto de partida da promoção europeia (e da estreia mundial) do novo álbum que é lançado a 17 de Março por todo o planeta. O álbum com o nome de 11 e que inclui 11 músicas novas e com uma tonalidade mais acústica do que o habitual, tem esse título por ser o 11.º da carreira do canadiano a viver em Londres. Por isso mesmo a digressão de promoção passa por 11 países em 11 dias, sempre em locais pequenos e onde Adams toca sempre 11 músicas, incluindo algumas das novas.

T-shirt Y-3
Adams não costuma vestir roupa de marcas conhecidas nem com mensagens. Mas no concerto do Maxime apareceu com uma sweat shirt preta com a indicação no ombro Y-3. Apenas isso e mais nada. Ora Y-3 é o nome de uma nova colecção da Adidas que ainda não foi lançada no mercado mundial mas se espera inovadora.




Microfone pessoal
Foi ainda utilizado o microfone habitual de Adams, com um formato específico bem ao gosto do cantor que usa o mesmo género de microfone em todos os seus concertos.
















Alinhamento (acho que é esta a ordem)
1. Back To You
2. Can’t Stop This Thing We’ve Started
3. I Thought I’d Seen Everything (nova, single)
4. Cuts Like A Knife
5. 18 Till I Die
6. Oxygen (nova)
7. Straight From The Heart
8. Summer of 69
9. Walk On By (nova)
10. When the Night Comes
11. Run To You

Tecnologia :: iPhone


O que é que o iPhone 3G tem?

João Tomé, publicado no Destak a 25-07-2008


O iPhone 3G chegou para dominar. Apesar de ter várias falhas para um telemóvel topo de gama, possui virtudes acima da média e um conceito que apaixonou já milhões de pessoas por todo o mundo (tem esgotado).
O mais recente produto da Apple, de Steve Jobs, tem um design único, é leve, e faz uso, como nenhum concorrente, do enorme ecrã táctil, de funcionamento simples e intuitivo. No que respeita às características, o rápido acesso à internet, apresentando páginas como se estivéssemos num computador é o grande trunfo.

Permite configurar o e-mail para uma recepção automática e ir coleccionando aplicações. Já existem milhares disponíveis, incluindo jogos, gravadores de som, eBooks (é possível ler um livro a partir do iPhone) - é um mundo para se descobrir. O interface com o iTunes permite copiar contactos do outlook, listas de músicas e outras funcionalidades.

Tem acesso directo ao Youtube para ver vídeos (é a única forma de os ver) e um sistema de GPS de bom nível. No domínio das desvantagens, peca pela falta de uma câmara de bom nível (só tem 2MP) e que grave vídeos (também não é possível a videoconferência). Não existe a função copiar e colar e a bateria, se navegarmos muito na internet, não aguenta um dia.

A verdade é que não é perfeito, mas vale pelo conceito brilhante e pela facilidade de andar no bolso. Alguns dos seus concorrentes directos são o Nokia N95 e o Samsung Omnia (a ser comercializado pela TMN).
Nas opções disponíveis em Portugal pela Optimus e pela Vodafone, a versão com 8GB custa 499 euros e, a de 16 GB, custa 599 euros - o preço na Optimus só é este com retoma de 10 euros.

A Vodafone inclui um pacote de permanência na rede com um tarifário de 24 meses que pode baixar o preço para 129,90 euros.
A Optimus baixa apenas para empresas e profissionais, também com permanência e até 199 euros. Certo é que o sucesso está garantido e está aí para ficar.

«Welcome home Bryan!»

Reportagem ao concerto de Bryan Adams, no Atlântico. Saiu no Destak de 1 Fevereiro 2005.






Fotos por João Tomé



Bryan Adams voltou a Portugal para mais três concertos. O Frescas e Boas assistiu à festa do rock and roll no primeiro concerto, domingo, onde 15 mil fãs portugueses vibraram para a posteridade, visto que o espectáculo foi filmado e vai ser editado em DVD para comemorar os 25 anos de carreira a solo do rocker canadiano a viver em Londres


Por João Tomé


Cabelo louro curto e rebelde. Uma T-shirt preta, justa e simples. Umas calças de ganga o mais banais possível. Uma guitarra na mão e uma voz rouca sempre sintonizada com o que de melhor o rock and roll tem, a simplicidade. Foi com os melhores ingredientes de Bryan Adams que 15 mil portugueses vibraram no domingo, em pleno Pavilhão Atlântico, em Lisboa.
O canadiano, a residir em Inglaterra, adora Portugal e está sempre disposto a regressar – muito por ter vivido cá durante a infância, entre 1967 e 1971. Não é por acaso que Adams escolheu o nosso país para gravar o DVD de comemoração dos 25 anos de carreira. «Podia escolher Inglaterra, mas não; podia ter escolhido Espanha, mas não; escolhi Portugal, claro!», disse Adams a meio do concerto motivando a público a gritar por Portugal.

Com uma atmosfera mais agradável ao olhar, mas menos intimista do que os concertos em Fevereiro de 2003 – em que Adams terminou a actuação de duas horas e meia num minipalco no centro da plateia –, este foi um espectáculo onde o público também foi protagonista. Luzes vindas da última bancada e do centro do pavilhão iluminaram os fãs portugueses, durante todo o concerto, para a posteridade.
O primeiro momento da noite foi com o clássico Can´t Stop this Thing We Started, onde Adams e o público pareciam não querer parar de cantar – a música durou no mínimo dez minutos. Apesar de estar a promover o álbum Room Service, lançado em Setembro – onde integram músicas escritas no Pavilhão Atlântico e no Coliseu do Porto – o canadiano acabou por tocar poucas músicas novas fazendo deste espectáculo e futuro DVD, uma espécie de Best Of.
Room Service, que reflecte a vida de quem anda sempre em digressão e dá nome ao novo álbum, foi uma das preferidas pela audiência. Mas foi com rock puro e duro de Kids Wanna Rock, It´s Only Love e Run to You que o pavilhão foi ao rubro numa interacção continua entre Adams e o público – ao cantarem alternadamente.
Já Keith Scott, o guitarrista que acompanha há décadas Bryan, mostrou o que de melhor a guitarra eléctrica pode dar a um concerto com momentos electrizantes. A magia e interacção com o público é um dos trunfos do cantor de 45 anos que adora percorrer todo o mundo com centenas de concertos todos os anos.

«Escrevi esta música com 18 anos», disse Adams para dar início a Straight from the Heart. Mas a balada que encantou o pavilhão e colocou muitos olhos a brilhar na plateia foi mesmo Everything i do (i do it for you) que motivou os habituais isqueiros e beijos dos casais mais apaixonados. «Quem quer vir cá acima cantar comigo?» Perguntava Adams aos fãs – algo habitual nos seus concertos –, havendo uma maré de dedos no ar, ansiosos por cantar ao lado do seu ídolo. Adams olhou, até que encontrou uma jovem de Carcavelos chamada Mariana que cantou com ele When Your Gone, nervosa mais desinibida. Ainda houve tempo para Adams tocar sozinho no palco, apenas com a música da sua guitarra, a balada do novo álbum, Flying, entre outras. No fim, os fãs queriam mais do que as duas horas de concerto, mas o resto ficaria para ontem, o segundo concerto em Lisboa.

Fãs de todas as idades
«Adoro o Bryan! Estive na fila desde o meio-dia para ficar mesmo à frente, e as portas só abriram às 7h [19h.]». Ana, que segura um cartaz a dizer «Welcome home Bryan», é uma das sortudas que conseguiu garantir um dos lugares mais requisitados da plateia: mesmo à frente de Adams, junto ao palco. «Haviam umas raparigas que vieram para cá desde as 8h30 da manhã, que doidas!», explica a fervorosa fã de Bryan Adams, de 18 anos.
Mas não eram apenas jovens que estavam junto ao palco, Carlos, de 37 anos, é adepto incondicional de Adams desde os dez anos de idade e não perdeu um concerto desde 1988, quando o canadiano tocou no Estádio da Luz. «Não é só a música fantástica que me inspira, é também a forma de estar na vida, na música e no palco que fazem do Bryan um símbolo que acompanho desde a juventude», explicou.
Num dos principais momentos do concertos tanto Carlos como Ana, e dezenas de outros fãs que conseguiram ficar à frente na plateia puderam abraçar o cantor, quando este desceu do palco para se infiltrar no público ao som da música The Best Of Me. «You´ll always get the best of me», cantava Adams por entre abraços e beijinhos dos fãs portugueses. E foi o melhor de Bryan Adams que se viu domingo em Lisboa – ainda por cima ficará guardado para sempre em DVD.


Reportagem estacionamento em Lisboa

Artigo escrito para o jornal Destak ainda quando era semanal em 2004.



Em Foco
Selva de carros em Lisboa, que futuro?
Todos os dias entram em Lisboa de 500 a 600 mil carros por dia. A autêntica selva de chapa em que o interior da cidade se torna faz com que seja fundamental a existência de locais suficientes onde deixar os veículos ou então uma redução na circulação. Em vésperas da Câmara de Lisboa receber as conclusões de um estudo de mobilidade sobre o estacionamento, circulação automóvel e transportes públicos o Destak falou com o responsável pela pesquisa José Manuel Viegas, que aponta os aumentos no estacionamento como a solução mais acertada.

por João Tomé


Entrar no interior de Lisboa permite constatar não só que o estacionamento é muitas vezes anárquico, mas também que alguns condutores estacionam de formas bem criativas, mas à margem da lei. «O estacionamento em Lisboa é completamente indisciplinado e as regras que existem não são postas em prática», explica o professor universitário especialista em transportes, José Manuel Viegas. Os abusos são um hábito e fazer cumprir as regras a excepção daí este professor universitário autor de um estudo de mobilidade para a Câmara de Lisboa, que será apresentado ainda este mês, indicar que uma das estatísticas que o estudo agora concluído revelou é que: «durante o dia 32% dos carros que estão estacionados na via pública fazem-no ilegalmente».

A EMEL, para José Manuel Viegas, é um exemplo da incapacidade de se fazer cumprir as regras de estacionamento. «Deveria haver um reforço na dimensão das equipas de fiscalização para que as pessoas não se habituem a não pagar», explica o responsável pelo recente estudo de mobilidade. Mas o problema vai para além da EMEL, o professor universitário considera que a confusão que existe entre as competências da EMEL e da polícia fazem com que a fiscalização fique comprometida. Neste caso a solução passaria «ou por haver um corpo único, sem divisões, ou então fazer com que EMEL e polícia tenham as mesmas competências no que diz respeito ao trânsito para fazer cumprir as regras com eficácia».

Taxas? «Não para já»
Para responder às dificuldades no estacionamento e na circulação automóvel nas cidades o governo, no início do mês, aprovou o Programa de Actuação para reduzir a dependência de Portugal face ao Petróleo onde estão incluidas medidas como a introdução de taxas de entrada nas cidades [ver caixa], aumento nas multas, nos bloqueadores e nos reboques.

Perante este anúncio José Manuel Viegas apenas concorda com aquelas relacionadas com o estacionamento e a sua maior fiscalização porque: «antes da taxa de entrada nas cidades à que apostar numa política de estacionamento séria, algo que ainda não foi feito. Em Londres, onde também se aplicou as taxas, só se chegou a essa situação porque a política de estacionamento falhou». Já o presidente da Câmara de Lisboa, contactado pelo Destak, admite considerar as taxas na entrada da cidade: «com a condição fulcral do valor da taxa reverter integralmente para a melhoria dos transportes públicos e acessibilidades lisboetas.»

O professor universitário põe para já de lado a possibilidade da taxa de entrada e considera que é fundamental não só aumentar o preço do estacionamento como diminuir a oferta, aumentando a quantidade e qualidade dos transportes públicos. «Também é importante não atribuir vários dísticos de estacionamento a cada morador, convinha ser um dístico por moradia», explica ainda José Viegas.

Para a câmara de Lisboa e o seu presidente Carmona Rodrigues, a medida das taxas na entrada na cidade só será considerada «com a condição fulcral do valor da taxa reverter integralmente para a melhoria dos transportes públicos e acessibilidades lisboetas.»
A posição oficial da EMEL neste contexto é contida: esperar para ver quais as decisões futuras dos governantes. Resta agora saber quais serão as decisões efectivas de governo e Câmara de Lisboa.



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SOLUÇÕES PREVISTAS
Pagamento de taxa de entrada
Já no próximo ano é bem possível que quem queira entrar de carro dentro da cidade de Lisboa tenha de pagar uma taxa monetária. A introdução de taxas de entrada nas cidades para os automobilistas que usem viaturas privadas é apenas uma das medidas que o governo aprovou no início de Novembro, em Conselho de Ministros, e que faz parte do Programa de Actuação para reduzir a dependência de Portugal face ao Petróleo.

Para o executivo português esta decisão irá incentivar a utilização dos transportes públicos de passageiros, onde o governo espera um aumento de 15 a 20% nos próximos cinco anos e assim descongestionar os parques de estacionamento no interior das cidades, como Lisboa. Outra das características desta taxa, que requer depois aprovação das autarquias, está relacionada com as receitas que serão aplicadas integralmente na modernização dos transportes públicos. Para além deste reforço o governo aposta no melhoramento no ordenamento do estacionamento nas grandes cidades.
Trata-se de uma medida arrojada mas que também recolhe críticas como é o caso do presidente da Associação Nacional de Munícipios (ANN), Fernando Ruas, que logo após o anúncio do governo apelidou o uso da taxa de entrada como «uma medida extrema».
O plano governativo, em última instância, visa também a redução da dependência do petróleo em 20% até 2010 e que a factura energética desça em 15%.



Estacionamento em Via Verde
Deixar de ter de ir à pequena máquina (parquímetro) e tirar a senha que permite estacionar o carro durante algumas horas já é possível na EMEL desde o início do ano. Ao adquirir-se títulos de estacionamento pré-comprados que estão disponíveis em mais de 100 pontos de venda (tabacarias, parques EMEL) e que também evitam a necessidade de trocos. Apesar disso, a EMEL pretende já no próximo ano disponibilizar um aparelho que se coloca no carro e funciona como a Via Verde nas auto-estradas. Tudo é activado por um botão.
Ao chegar a um lugar de estacionamento pago, o automobilista activa o dispositivo e quando se vai embora desliga. A EMEL anunciou a iniciativa no final do passado mês de Outubro. Esta é uma medida que poderá suprir as dificuldades criadas pela vandalização e assaltos aos mais de 1700 parquímetros (muitas vezes insuficiente) existentes em Lisboa e que gerem cerca de 39 mil lugares de estacionamento.

Reportagem no feminino

Reportagem escrita para a secção Mulher do jornal Destak quando ainda era um semanal. Em Outubro de 2004. A minha primeira experiência (e única) em perguntar coisas algo pessoais a pessoas desconhecidas na rua. Neste caso foi no centro comercial Vasco da Gama. Acabou por ser uma experiência engraçada, fui bem acolhido pelas mulheres entrevistadas e senti-me uma espécie de psicólogo...



Ser solteira e independente está na moda
Mulheres independentes. Determinadas. Divertem-se quanto baste, sem pressões, nem ciúmes de um marido controlador ou machista. Não se sujeitam a um namorado que não as agrada, são exigentes e fazem por isso. Ser solteira também tem vantagens... descubra-as.


Há quem diga: “mais vale só do que mal acompanhada”. Numa sociedade em que a mulher tem cada vez maior liberdade de escolha, ser solteira não é sinónimo de não ser feliz, pelo contrário. Antigamente, não ter marido a partir de certa idade era grave e frequentemente motivo de estigmatização social («solteirona» ou «encalhada»), hoje em dia pode ser bem divertido.

«Neste momento sou mais feliz como solteira é uma opção que tomei para os próximos anos». Quem o diz é Marisa – 31 anos, engenheira do ambiente – e que, após ter terminado há alguns meses uma relação amorosa, decidiu manter-se solteira porque: «sei que não iria estar muito tempo na relação, agora quero dedicar-me aos meus trabalhos, experimentar tudo que possa e divertir-me com isso».

Marisa tem actualmente três empregos em simultâneo e não se sente, «de forma alguma», amedrontada de não ter nenhuma relação amorosa. «Há muitas outras coisas que me complementam a mim pessoalmente, além disso tenho muitos amigos e prefiro estar como estou», explica com determinação. Nos próximos tempos está planear participar numa operação humanitária no México, onde espera sentir-se bem consigo mesma, ajudar os outros e adquirir experiência de vida.

Uma atitude semelhante tem Sara, bióloga de 28 anos, que enumera assim as vantagens de se ser solteira: «as tarefas domésticas são mais leves, gasta-se menos dinheiro, tem-se mais liberdade nos convívios sociais, não se tem que estar com a família e amigos do namorado ou marido, tem-se maior liberdade sexual e acima de tudo há menos pressão».

E a solidão não se torna um problema? «Não me tenho sentido sozinha, muito porque neste momento ser solteira é o melhor para mim. É uma opção que tomei porque não quis seguir outras relações desgastantes e chatas». Sara, que faz neste momento trabalhos de investigação em biologia, não sente nenhuma pressão para arranjar alguém, mas admite que ainda existe na sociedade. «A sociedade de consumo obriga-nos a sentir pressionados para ter de casar. Quem não entra não é normal, quem entra é, apesar de haver cada vez mais solteiros», admite a bióloga que recentemente irá para Londres trabalhar.

Com 31 anos, Marisa, apesar de se sentir melhor solteira, admite querer ter filhos. «É injusto para qualquer criança não ter pai, por isso, quando quiser assentar vou ter de abdicar de algumas coisas. Tudo para dar o melhor aos meus filhos», explica.

Para Marisa hoje em dia há menos confiança «e em qualquer relação há sempre um pé atrás». Talvez por isso pergunte: «E porque não ser solteira?». Sara também deseja ter filhos «com alguém com quem me entendesse, mas não é algo que procure». Ambas são mulheres de sucesso profissional, determinadas e com espiríto de independência. Moram sozinhas e nem por isso se sentem isoladas. Procuram a felicidade e serem solteiras é o melhor modo, neste momento, de o serem.


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«Não conseguia fazer nada sem o meu marido»

Com 50 anos, bem cuidados, Olinda Maria, professora e mãe de dois filhos não se consegue imaginar sem o marido, o que contrasta com muitas das jovens solteiras e cada vez mais independentes que existem na sociedade actual. 25 anos de casamento fazem com que a companhia do pai dos seus dois filhos seja essencial, devido ao «sentimento de protecção e de apoio que se tem». «Neste momento não conseguia fazer nada sem o meu marido, dependemos um do outro» explica a professora. A confiança é apontada como fundamental para uma relação sólida, «os jovens hoje em dia têm muita desconfiança e depois a coisa não dá», admite.
Olinda, final
Quando era solteira tinha muitos amigos e divertia-se, mas ela acredita que há um tempo para tudo e a partir da idade adulta deve-se pensar no casamento e levá-lo a sério, «esta malta jovem já não é assim», lamenta.



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10 melhores formas de engate (fonte: vários sites dedicados ao tema)
Os homens costumam ter frases de engate típicas, como por exemplo: "Tanta carne e eu em jejum" ou "tantas curvas e eu sem travões". Mas hoje em dia as mulheres estão cada vez menos tímidas e também estão prontas para o engate. Conheça as dez melhores formas de engatar um homem, de preferência solteiro.

1 – Divirta-se. A conquista de um novo amor acontece quando acontecer, por isso o melhor é divertir-se bastante enquanto espera por novidades.
2 – Sinta-se confortável. Tem de estar bem consigo mesma para poder apresentar-se no seu melhor e para que alguém se sinta bem consigo.
3 – Seja arrojada. Acredite nos seus sonhos e faça o que puder para os alcançar, não se esqueça de ser você mesma.
4 – Vá de cabeça para um encontro com quem não conhece, mas prepara-se para fugir se não gostar.
5 – Troque olhares, sorrisos com o menos exuberante e terá uma surpresa.
6 – Faça companhia a si mesma e vá para fora.
7 – Celebre com os amigos e peça-lhes que tragam novas amizades, sangue novo é bom.
8 – Faça o primeiro gesto e não espere à lareira que nem uma Gata Borralheira.
9 – Exercite-se. Não apenas as pernas e os braços mas também as formas de aproximação.
10 – Ame-se a si mesma. Ninguém vai gostar assim tanto de si.


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Ser solteiro é “pior do que fumar”
Estar casado traz de tal forma benefícios à saúde, que os solteiros têm maior risco de morrer do que os fumadores, indica um estudo da Universidade de Warwick (Inglaterra). Ao observar riscos comparativos num período superior a sete anos, os cientistas perceberam que os homens e mulheres casados têm tendência a ter melhor saúde do que os solteiros, cerca de 6%. Tudo isto devido ao “apoio social” de se ter um homem ou uma mulher e ao pior estilo de vida que, segundo o estudo, quando se é solteiro se tem.

Amor à primeira vista existe cientificamente
O amor à primeira vista, de que as pessoas mais românticas costumam falar e acreditar, foi comprovado cientificamente por especialistas da Universidade de Ohio (Estados Unidos). O estudo explica que as pessoas decidem qual o tipo de relação que querem após breves instantes de se encontrarem com outra pessoa. O co-autor do estudo, Artemio Ramirez, explicou que os resultados sugerem que as pessoas não querem perder tempo e por isso é como «uma profecia, fazemos uma previsão instantânea sobre que tipo de relação podemos ter com determinada pessoa».

Ilha de Saturno

Texto escrito em 2004. Pornograficamente longo. Ainda quando não dominava a técnica do resumo e da selecção do melhor.


Viagem ao Passado Natural

Ilha de Saturno. Ilha do Sonho. Isolada ainda hoje do “mundo” mais civilizado, as Berlengas formaram-se à cerca de 280 milhões de anos e são um fragmento do continente americano. Com pequenas praias, de água cristalina, transparente. Com um forte construído em cima de uma rocha, grutas “mágicas” e natureza ainda pura, as mais de 22 mil gaivotas são quem domina a ilha. Nas Berlengas estamos dentro do Atlântico e parece que longe de Portugal e Europa. E o mar não termina. Tudo isto a 5,4 milhas (10 km) de Peniche. Fotografias e texto, João Tomé.



Água cristalina e transparente - com 4 e 5 metros de profundidade vê-se sempre o fundo -, praias pequenas, natureza pura, formas únicas nas rochas e grutas “mágicas” fazem parte da beleza natural da ilha Berlenga. Uma viagem curta, mas que dificilmente se esquece.


10h45. «Vocês vão adorar a ilha, a água é linda!» A expectativa cresce à medida que Filipe - professor estagiário de geografia de 22 anos, das Caldas da Rainha - vai explicando a três amigas o “paraíso das Berlengas” enquanto o barco parte do porto de Peniche. Duas vezes bastaram para Filipe ficar encantado pela Ilha de Saturno – assim chamavam à Berlenga os historiadores da antiguidade. Repleta de muito mar, aves, granito róseo, vento e sonho, no arquipélago natural e selvagem das Berlengas respira-se liberdade e pisa-se granito americano.

A viagem ao conjunto de ilhéus – composto por uma ilha habitável, a Berlenga Grande, ilhéus mais pequenos, os Farilhões e os rochedos Estelas (que não se vêem do continente, por estarem tapadas pela Berlenga) – constitui uma pequena aventura. A principal embarcação para a ilha no Verão, Cabo Avelar Pessoa, balanceia de um lado para o outro, num vai e vem que lembra as diversões mais emocionantes de parques temáticos. “Oh my god, this is fantastic! Ah!” Ingleses, portugueses, italianos e franceses correspondem com gritos de emoção, à medida que o barco balanceia pelas ondas crispadas do Atlântico.

A euforia é clara nesta viagem de 30 a 40 minutos (depende da embarcação e estado do mar), mas existe também a preocupação com os enjoos. «É por causa do mar ser assim que de Outubro a Abril não há visitas à Berlenga, apenas alguns pescadores vão à ilha. Há meses em que é mesmo impossível ir lá!», explica um dos funcionários que vai distribuindo sacos de plástico – que acabaram por não ser necessários – para os estômagos mais sensíveis.

Do barco ao fundo visualiza-se os contornos da ilha principal, a Ilha de Saturno. Rochas isoladas que parece que se elevaram sobre o mar. Mas, na verdade, esta formação granítica de tom rosa não é mais do que um resto que permaneceu das Américas quando os continentes estavam ainda em formação. Bem diferente do solo português litoral e bem diferente dos arquipélagos da Madeira ou Açores, formados por erupções vulcânicas. E a América ali tão perto. Estamos perante um símbolo único de outros tempos, e com grande riqueza natural que constitui a Reserva Natural das Berlengas (RNB).

À entrada na zona de principal da ilha, que fica mais ou menos a meio, vislumbra-se a mistura da beleza natural com os poucos e simples vestígios humanos presentes. Com um pequeno cais de desembarque, que já serviu romanos, vikings, mouros e piratas ingleses, esta zona faz esquecer que estamos na Europa ou Portugal. Ao fundo vê-se a principal praia da ilha, Carreiro do Mosteiro, com cerca de 100 metros, dependendo da maré. Grutas e encostas de tom rosa e uma água cristalina e transparente pouco comum no continente português soltam vários sorrisos daqueles que visitam pela primeira vez a ilha. Alguns exclamam: «Parece um paraíso!»

Também se vislumbra bem perto desta área de entradas e saídas, o farol, que está no topo da ilha, edificado em 1851 e baptizado de Duque de Bragança, cuja luz é visível a 30 milhas. Um pequeno bairro com poucas casas de pescadores, um restaurante e cinco tendas em socalcos naturais numa encosta preenchem a parte mais humana da ilha. No céu e nas encostas, milhares de gaivotas voam e chilreiam fazendo sentir, à medida que um sol abrasador queima os mais desprotegidos.



Beleza e natureza vs. turismo comercial
Na ilha existe muita beleza, mas não comodismo, ou turismo de ilha paradisíaca. A Berlenga é agreste, selvagem, pouco confortável e quem domina a ilha são as gaivotas. Um pequeno paraíso diferente dos paraísos comerciais que nos priva de confortos, mas coloca em contacto com a natureza mais pura e com histórias desde a sua criação peculiares.

Apenas 350 pessoas podem estar em simultâneo na ilha. A Berlenga é gerida pelo Instituto de Conservação da Natureza (ICN), que tutela a Reserva Natural das Berlengas (RNB) e cuida da vida natural desta ilha, que faz parte do concelho de Peniche e é considerada Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa. A RNB é constituída pela Berlenga Grande e pelas águas envolventes até à profundidade de 30 metros.

Esta Reserva foi criada em 1983, com objectivos de preservação da fauna e flora, e para defender esta atmosfera insular, sem esquecer a riqueza das águas e o potencial turístico. A zona total da Reserva é de 1063 hectares e na parte central está a ilha da Berlenga com 78 hectares. O resto é o mar e os seus elementos.

O ICN tem ajudado a preservar o ecossistema insular da Berlenga, composto por uma centena de espécies botânicas diferentes - plantas como a Armeria e Pulicaria não existem em mais nenhum local do planeta -, por pequenos répteis, mamíferos e exemplares valiosos da avifauna marinha. Mas é no mar que está a maior riqueza do arquipélago. De acordo com o ICN, as suas águas biologicamente ricas não se encontram igual na costa portuguesa. Existe ainda um valioso património arqueológico subaquático – que se pode visitar em viagens de mergulho.
Mas há ainda muito a melhorar. O excesso de gaivotas tem de voltar a ser controlado e numa das praias inacessíveis a pé existe algum lixo. Também a presença de algumas plantas, chamadas infestantes, criam problemas para a natureza e rocha. Apesar disto a beleza natural prevalece.

Quem queira passar uns dias neste luxo natural tem algumas possibilidades, mas à que ir preparado para a aventura. Existem alguns socalcos numa encosta, recentes, que permitem acampar, mas não se está imune às necessidades das gaivotas que “pintam” as tendas de manchas brancas e o restaurante Mar e Sol tem 12 quartos.
No Forte de São João Baptista, uma das preciosidades da Berlenga também existem quartos, alguns deles na própria muralha com uma vista inesquecível. A gestão está a cargo da Associação Amigos da Berlenga e aqui a beleza não está associada ao conforto. Cada casa de banho serve quatro quartos e a água dos duches vem do mar. Não há electricidade nos quartos, aliás em toda a ilha a partir do fim do dia não há electricidade. Mas as limitações permitem um maior contacto com a natureza. Adormecer e acordar neste pedaço de terra pode ser uma experiência única – chegou a ser um retiro para Salazar, nos anos 50.

Passeio pela ilha, o excesso de gaivotas
Aventura e natureza é também o passeio pelos trilhos previstos para as pessoas ao longo da ilha da Berlenga. Apesar de não haver livre acesso a toda a ilha, devido a ser uma Reserva Natural, estes trilhos, de cerca de 2 quilómetros, são definidos por pedras pouco visíveis e placas.
O passeio permite uma sensação de isolamento, pela pouca presença humana. Bem longe do mundo civilizado, olhando para o continente vê-se o Cabo Carvoeiro (por vezes nem se vê) e do outro lado, apenas… mar, céu e sol (no final do dia). Uma sensação de despojamento e liberdade que só um oceano ou deserto podem dar.

Passear pela Reserva Natural das Berlengas permite também usufruir de grande riqueza biológica. Ainda em Junho, várias crianças, trazidas pelo navio Creoula (iniciativa do Pavilhão do Conhecimento) visitaram a ilha. Estes passeios permitem ver não só que há excesso de gaivotas, mas também espécies como airos – as aves símbolos da ilha, muito semelhantes a pinguins e que estão a diminuir pelo excesso de gaivotas –, pardelas e galhetas, lagartixas e sardões, coelhos e ratos. E também algumas plantas raras.
Aliás, o aumento da população de gaivotas – mais de 22 mil –, de acordo com o director da RNB, António Teixeira, em declarações ao Público, deve-se ao facto da ilha ter sido «uma vitima do aumento dramático ocorrido em toda a Europa ocidental. Até em Madrid há gaivotas». A abundância de lixos nas zonas costeiras e de desperdícios lançados ao mar foi o que trouxe à Berlenga as gaivotas em excesso, e também terá de ser a mão humana a destruir-lhe os ovos.

A parte mais a sul da ilha, é a que dá para se visitar melhor. Pode-se descer a enorme escadaria e entrar no forte, que é uma pequena península, ou ver o farol de perto, no topo da ilha. Dessa zona, ao olhar para o horizonte longínquo do oceano Atlântico, tem-se uma vista magnífica para as Estelas - que são pequenas rochas perto da ilha da Berlenga, que não é possível ver do continente. Do outro lado do oceano fica o continente americano, ao qual já pertenceram as Berlengas.

Para além da beleza natural há que tomar cuidados. É preciso saber respeitar a vida natural, nomeadamente as gaivotas, para não sermos surpreendidos com voos rasantes, o que facilmente acontece quando têm crias. Não sair dos trilhos. Também ter cuidado com o sol porque, apesar de não se tratar de uma ilha tropical, as probabilidades de se apanhar queimaduras na pele são bastante superiores a qualquer outra praia do país.

A parte norte da ilha, permite olhar mais de perto para os ilhéus Farilhões, que têm dimensões consideráveis. É mais complicado caminhar nesta zona, são encostas mais íngremes e a presença das gaivotas nem sempre permite continuar pelos trilhos. Mas a riqueza natural é inquestionável. Facilmente se dá um passeio por esta área sem se ver uma única pessoa, gaivotas, essas estão por toda a parte. Aventura, natureza selvagem, liberdade, oceano, sol e grutas quanto baste.

O fantástico mundo das grutas
«Esta é a Gruta Azul, onde a água fica com uma tonalidade azul muito clara e brilhante com o por do sol.» De cabelo grisalho e pele queimada pelo sol o senhor Marcelino guia a sua pequena lancha pelas formas irregulares das rochas da ilha, que estão repletas de “estórias” que vão sendo contadas à medida que se passa pelas grutas e locais “mágicos”. Neste caso, depois de conduzir a lancha para dentro da Gruta Azul (por baixo do forte), o senhor Marcelino explica que a muita abundância de plancton permite à água ficar com uma luminosidade azul pouco habitual.

A viagem à volta da ilha é imprescindível para quem quer desfrutar das riquezas naturais das Berlengas, mas esta é também uma viagem incompleta, devido às fortes correntes que vêem de norte e que fazem com que o percurso das lanchas da ilha fique limitado à parte sul.
Começa-se por atravessar o chamado “carreirinho” da senhora D. Inês, «uma senhora que visitava a ilha», diz Marcelino. A excursão continua, com a Pedrinha dos Corvos, outra gruta e a passagem pela praiazinha do Forte S. João Baptista, onde a água tem um tom mais verde. Mesmo ao lado do forte uma rocha muito estranha tem a forma de uma enorme baleia.

Tudo isto, enquanto as gaivotas se passeiam no céu e os tripulantes tocam na água cristalina, à medida que o barco vai navegando. Olhar para a Berlenga transmite beleza e segurança, mas olhar para o horizonte marítimo faz perceber que estamos longe de tudo.
A viagem continua, o senhor Marcelino chama a atenção para uma cavidade na rocha com a forma de uma coração invertido e mesmo numa das extremidades sul da ilha pode observar-se uma rocha a que deram o nome de Cabeça de Elefante (ou Ponta dos Fundões), pelo seu aspecto característico. Ao entrar em mais um dos “recortes” rochosos da ilha, vislumbramos uma das áreas mais impressionantes, onde existe a chamada Cova do Sonho. Uma abóbada magnânime de granito, digna de uma grande igreja antiga, com 75 metros de altura, “esculpida” pela força das marés de outrora.
Por baixo existe uma pequena praia «onde já se realizou um casamento, mas que neste momento não é segura porque caem pedras», explica o senhor Marcelino. Na mesma zona existem várias grutas profundas, uma delas “pintada” pelas marés de branco – onde antigamente os pescadores pernoitavam, para se proteger e hoje habitam corvos marinhos, que mergulham na água como pinguins – e o Furado Seco, «que é uma gruta que atravessa a rocha de um lado ao outro e que se passa de gatinhas». Depois de visto 1/4 da ilha, volta-se para trás entrando numa gruta (funciona como túnel) que atravessa parte da ilha e nos coloca perto do forte novamente.

«Parece que estamos a descobrir estas grutas que ninguém tinha ainda descoberto», diz um jovem na lancha, pelo aspecto intocado, puro e natural desta parte da ilha. A verdade é que cada extremidade, cada gruta e cada “recorte” de rocha é conhecida e tem nome. «Não faço ideia quem colocou os nomes, mas sei que foi ao longo dos séculos», diz o senhor Marcelino.
Há muitos séculos atrás as mesmas rochas já tiveram outros nomes, para outros povos, outras culturas, como é o caso da própria ilha da Berlenga que já se chamou Ilha de Saturno. Esta é uma ilha americana - do mesmo granito róseo do litoral atlântico americano -, uma ilha de sonho, ao largo de Peniche. A viagem às Berlengas pode ser curta, ao contrário das viagens às ilhas tropicais, mas dificilmente se esquece.




A História Vestígios da história do homem, numa ilha pouco humana
As Berlengas também já foram um lugar sagrado. No primeiro milénio antes de Cristo celebrava-se o culto de Baal-Mekart, na ilha de Saturno, como os historiadores da antiguidade lhe chamavam. Mas outras pequenas histórias conta a Berlenga. Pensa-se que fenícios e lusitanos conheciam o arquipélago e o utilizavam como porto de abrigo. Já dos romanos, restam cepos de âncoras perdidas nos fundos do mar (século I ao século V), dos vikings as histórias dos seus ataques a embarcações comerciais. Piratas ingleses também estiveram na ilha, assim como os mouros (corsários argelinos), e novamente os ingleses. Mais tarde, já com os portugueses, nos Descobrimentos, foi no mar das Berlengas que capturaram a nau de Garcia Dias, vinda da Índia.

Do século XVI restam as ruínas do Mosteiro da Misericórdia, no cima das quais foi construído o actual restaurante Sol e Mar (1953), e do século XVII a Fortaleza (ou Forte) de São João Baptista, mandado construir em 1651. O Mosteiro foi mandado construir por D. Leonor, esposa de D. Manuel I, para albergar a ordem de S. Gerónimo. Os monges mantiveram-se no Mosteiro apenas cerca de três décadas devido às constantes incursões de corsários argelinos, que os enviavam para mercados de escravos no Norte de África, a doenças ou falta de alimentos.

Alguns anos mais tarde (1651) foi mandado erguer o Forte de São João Baptista por D. João IV de Portugal, onde se travaram batalhas com corsários e com castelhanos, a mais célebre foi em 1666, quando o castelhano Diogo Ibarra tentou ocupou a ilha depois de atacar o forte durante dois dias. A guarnição portuguesa que conseguiu resistir quanto possível era comandada pelo Cabo Avelar Pessoa e daí, a principal embarcação para a ilha ter o mesmo nome em homenagem ao Cabo.

Foi D. Afonso VI que restaurou a fortaleza, mas voltou a ser danificada e chegou a estar totalmente abandonada durante muitos anos. Nos anos 50 do século passado tornou-se numa pousada, que acolheu várias vezes Salazar e depois do 25 de Abril de 1974 foi ocupada. Um protocolo entre o Ministério da Defesa e a Câmara de Peniche atribuiu a gestão do forte secular à entretanto criada Associação dos Amigos da Berlenga.



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Informações e viagens
Período normal para visitar a ilha – de Junho a Setembro, algumas pequenas embarcações vão a partir de Abril (noutras alturas torna-se perigoso)
Pessoas permitidas por dia – 350
Preços da viagem de Peniche – ida e volta 17 €; para quem fique um dia ou mais 10/11 € de ida e o mesmo na volta.
Viagem às grutas na ilha – pequenas lanchas que estão na ilha 2,50 €
Empresas que fazem percurso – para marcações prévias: Viamar 262785646; Berlenga Turpesca 262789960, entre outras.

Alojamento – Forte São João Baptista (20 quartos) 8,50 a 9 € (262785263); Campismo 7 € (262789571); Restaurante Mar e Sol (12 quartos) 77 € (262750331).

Pontos de interesse – os vários quilómetros de trilhos, visita às grutas, Forte, fazer mergulho ou visitar também os Farilhões e Estelas com duração de 7 horas (através de uma das empresas que disponibiliza esses serviços).
Telemóvel - há rede, mas em certos locais com dificuldade – não há receptores na ilha, mas ainda se apanha cobertura do continente.

Restrições – proibido caça submarina e motos de água, importante andar nos trilhos e respeitar a natureza, não deixar lixo, não há multibanco na ilha, apenas há dois estabelecimentos comerciais um restaurante e um café/mercado de reduzidas dimensões.

Informações e marcações para campismo – Posto de Turismo de Peniche (262789571/262785934)