Entrevista | Kate Walsh

Uma das primeiras entrevistas a gente da música que fiz. Por telefone. Não correu mal, não correu bem. Ela tinha pouco para dizer e eu poucos minutos para fazê-la falar. Foi em Setembro de 2004. Saiu no Destak, quando ainda era um semanário.


Uma voz de anjo inglesa

Há quem diga que tem uma voz de anjo. Kate Walsh tem 21 anos e apesar de vir do frio de Inglaterra canta músicas quentes, melódicas e com uma calma tranquilizante. O seu album de estreia, Clocktower Park, valeu-lhe muitos elogios e faz dela uma promessa do Reino Unido. Com muitas parecenças e influências de Tori Amos e Joni Mitchell, ela é autêntica e tem uma música muito própria. O que pretende é simples: transmitir muita emoção nas letras e na voz. Ainda vive em casa dos pais, numa pequena localidade inglesa em Essex e com uma voz muito doce e jovem, bem diferente quando canta, falou com o Destak esta semana. Kate actua esta noite, em Lisboa, no bar Santiago Alquimista, pelas 22h, depois de já cá ter estado em Junho.

por João Tomé

Porquê o regresso a Portugal depois de cá ter estado há tão pouco tempo? Já conhece o país?
Regresso porque as pessoas reagiram muito bem ao meu álbum e, por isso, vamos tentar publicitar a minha música e fazer com que mais pessoas conheçam as músicas. Antes de ir a Portugal em Junho não sabia nada do país, mas gostei muito, até aprendi um pouco de português. Estou ansiosa por tocar aí novamente.

Quais as suas influências musicais? Jewel, Tori Hamos, Joni Mitchell são nomes que aparecem associados à sua música, concorda com a associação?
Sem dúvida. Não tenho a certeza quanto à Jewel, apesar de perceber porque as pessoas me associam a ela, mas Tori Hamos foi mesmo a razão que me levou a começar a escrever letras aos 14 anos, e não apenas música como fazia desde os cinco anos. A Joni Mitchell também é uma referência, por isso sinto-me orgulhosa por associarem o meu nome ao delas. Elas influenciaram-me porque gostam muito de utilizar a voz, são evoluídas ao nível vocal e harmonioso, não estão apenas a cantar por cantar. Exprimem as emoções com a voz e é isso que eu quero fazer.

A sua cidade, Burnham (zona de Essex), no Reino Unido, é uma das suas maiores inspirações para as músicas?
Uso nas minhas letras as minhas experiências na cidade, porque até há poucos anos tudo o que eu conhecia era Burnham, esse era todo o meu mundo e tudo o que me aconteceu foi lá. Mas os temas que estão nas minhas músicas são tanto reais como ficcionais. Os poemas são sempre criados com realidade e ficção, para serem mais emocionantes. São temas baseados na minha vida como adolescente e como foi estar a crescer.

O que deseja transmitir com a sua música, com as suas letras? Para quando o próximo álbum de originais?
Tento fazer com que as pessoas percebam um pouco como sou e o que passei, mas também gosto de pensar que relacionam as músicas às suas vidas. Em relação ao próximo álbum não sei datas, mas acho que já escrevi as letras todas, estou desejosa de ir para o estúdio. Tenho escrito muitas músicas ultimamente, estou constantemente a escrever é uma paixão que tenho desde os 14 anos.

Foi fácil conseguir fazer impor a sua música, conseguir uma editora?
Eu tive muita sorte com tudo. Não sabia que podia cantar, mas o meu produtor, Russell, incitou-me a cantar e convenceu-me a fazer um álbum com ele. Depois, dos distribuidores à editora, todos gostaram bastante das canções e acabou por ser muito fácil para mim, tive muita sorte.

Que tipo de pessoas pensa que ouvem a sua música?
Gosto de pensar que qualquer tipo de pessoa pode gostar de ouvir o meu álbum, por razões diferentes. Sei que muitas pessoas que o ouviram e compraram são de diferentes contextos e idades. É bom poder cantar para pessoas diferentes. Com os concertos tenho visto isso, pessoas novas e mais velhas, talvez por a minha música ser mais calma.