Crítica ao filme português Os Gatos Não Têm Vertigens. Jornal Destak. 24 de setembro de 2014.
Citado na página oficial do filme.
O gato tem uma amiga
Um dos melhores filmes de António-Pedro Vasconcelos.
Revelação João Jesus é o ‘gato’ que vem parar ao terraço de Maria do Céu Guerra
Chama-se Os Gatos Não Têm Vertigens, é uma história original do guionista Tiago R. Santos e do realizador António Pedro Vasconcelos e é, provavelmente, um dos melhores e (eventualmente) mais consensuais filmes portugueses dos últimos anos.
Com diálogos cativantes, realização à altura e desempenhos notáveis de um belo elenco, onde brilham bem alto o jovem João Jesus (uma boa surpresa) e a veterana Maria do Céu Guerra, o filme aborda temas como a crise em Portugal, a solidão de uma velhice isolada, a dureza para um adolescente de uma família destruída e uma improvável mas divertida amizade entre um jovem e uma reformada.
Com 18 anos acabados de fazer, seguimos Jó (João Jesus, ele próprio com uma história pessoal difícil) no meio de jovens delinquentes e desencantado com a vida: vive com o pai alcoólico e a mãe tem uma nova vida e abandonou-o. Ao ser expulso de casa, acaba no terraço lisboeta de Rosa (Maria do Céu Guerra, ao seu melhor), uma reformada de 73 anos, frágil após a morte do marido (Nicolau Breyner), com quem continua a conversar e com problemas em lidar com a filha (Fernanda Serrano) e o seu marido snobe (Ricardo Carriço).
O que parecia um drama torna-se afinal numa história de amizade divertida e convincente graças à peculiar química entre os dois protagonistas. Um filme leve e divertido o suficiente para agradar à maioria e sério q.b. para ter algo relevante para dizer."
